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terça-feira, 9 de maio de 2017

Quando o Ego, Arrogância e Vaidade Desestabilizam um Terreiro de Umbanda


Começo meu texto, lembrando um ocorrido de anos atrás no começo da minha trajetória como médium.

No começo da minha trajetória como médium de Umbanda passei por uma situação inusitada, minha cabocla sempre tinha muitas pessoas para passar em atendimento com ela, por mérito próprio de toda boa entidade.

A mãe no santo, começou a ficar incomodada porque ela começou a emparelhar os atendimentos no mesmo nível que a cabocla da mãe no santo chefe do terreiro, como se o atendimento fosse uma espécie de competição por ego e status, observem bem esse detalhe, o absurdo ou diria a curiosidade chegou a um ponto, que ela colocou escondido um gravador por detrás de onde minha cabocla atendia, para ver e descobrir como ela prestava o atendimento porque ela não se conformava.

O mais triste foi ver ela sendo desmascarada pela própria irmã na época.

Ficou uma situação no mínimo constrangedora e vergonhosa para ela. Lembro-me que na época ela riu sem graça e desconversou, dizendo que queria apenas ouvir. Não colou.

Como pode né uma médium simples do terreiro, sua entidade atender tanto ou mais que a chefe do terreiro?

Uma mera mortal?

O grande problema é justamente esse, o guia é o guia e o médium é o médium. Por isso que sempre friso, toda manifestação deve ser tratada de forma respeitosa, nunca subestimando uma manifestação espiritual. Porque nunca sabemos que missão terá aquele neófito no terreiro e quem serão seus mestres.

TODO MESTRE FOI DISCÍPULO UM DIA. POR MAIS QUE TENHA NASCIDO COM A MISSÃO PARA SER UM.

Lembro-me de um outro ocorrido, uma senhora entrou dentro do terreiro para passar em atendimento, ela estava com um volume acentuado na região da barriga, e estava muito preocupada, pois achava que poderia estar com um problema de saúde grave, está senhora já com seus 40 anos ou mais, não era uma mulher jovem vamos colocar assim.  Essa senhora passou com vários guias, caboclos de oxossi para ser mais precisa, para certificar-se o porque ela estava com aquele volume na barriga, como era uma senhora já de idade, praticamente todos com que ela passou lhe disseram que ela estava com uma doença no ventre que era um Mioma. Vamos dizer que era o mais óbvio de ser dito.

Pois é, minha cabocla só observava nesse tempo, quando de repente a senhora cismou e pediu para falar com ela, minha cabocla simplesmente a saudou e olhou para ela com a maior naturalidade do mundo e disse: Minha filha o que tens na sua barriga é cria, um filho.

Naquele momento o terreiro todo olhou para ela, tipo assim… tá louca, essa mulher não está grávida, que absurdo. Olha a marmotagem… durdeee…

Minha cabocla virou a cereja no cesto de laranja. (risos)

A cabocla da mãe no santo,  pediu para os curimbeiros tocarem para os caboclos irem embora na hora. Havia ali começado o show.

Minha cabocla não disse uma palavra, simplesmente foi embora.

Quando voltei do acoplamento,  a casa caiu para o meu lado, a cabocla da mãe no santo, começou a dizer que era um absurdo o que certos guias estavam fazendo no atendimento, falando inverdades, tipo jogando advertências e repreendas no ar, mas não tirava o olhar de mim né (risos), hoje me lembro da situação dou risada, mas na hora só quem passa, você sente o chão sair por debaixo dos pés, fiquei dias muito chateada, como era nova, começou a bater inseguranças, incertezas.

Aproveitando o gancho da questão,  esse ato de lavar a roupa sujo em público é muito desagradável, sabemos que tem situações que não tem como evitar é claro, mas devem ser o máximo evitadas, porque pega muito mal para o terreiro. E se por motivos maiores algo realmente deva ser esclarecido de emergência que seja feito o melhor e menos desagradável possível.

E minha cabocla nada pronunciava, nenhum aviso me dava.

Lembro-me que orei a ela dizendo: Minha mãe a senhora me abandonou, por que?

Mas nunca perdi a Fé nela e muito menos a Confiança. Meses se passaram, as pessoas foram se esquecendo do ocorrido, menos eu. É tipo aquela coisa quem bate esquece quem apanha não.  E o dia da verdade chegou.

Os meses se passaram, quando de repente em um certo dia na assistência, inclusive estava lotada, um homem entrou com um bebê no colo e se sentou no banco, e estavam já cantando para caboclo chegar, e foquei minha atenção na gira, minha cabocla veio como de costume. Quando depois de alguns minutos ela já em terra, uma senhora pede licença para fazer um agradecimento a cabocla chefe do terreiro, e chama a atenção da minha cabocla, quando ela olha, ela está com uma criança nos braços, e entrega para ela, e diz: sim minha cabocla eu estava grávida como a senhora havia dito,  a senhora estava certa, graças a Deus. Ela beija a criança e ergue e brada, num gesto de alegria e benção.

O terreiro inteiro ficou em silêncio, nenhuma  palavra mais precisava ser dita.

 Hoje eu sei, que foi uma das lições mais preciosas que a Cabocla Jupira pode ter me dado. Tenho muito orgulho ter essa mestra na minha trajetória e todos os dias tem me ensinado muito. Gratidão eternas, pelos anos de paciência, ensinamento e trabalho abnegado em prol do próximo. Não é ela que é minha e sim eu que sou dela.

Não é porque todos estão afirmando algo, que aquele algo é verdade.

Infelizmente estamos vendo dirigentes com o ego extremamente aflorado, lhes falta humildade de se colocarem em seus devidos lugares, subestimam os guias de seus médiuns, colocando os seus acima de outros guias e mentores, simplesmente por vaidade e arrogância. O famoso se sentir o próprio guia em terra.

Muito me admira tais falhas oriundas daqueles que deveriam sabê-las de cor.

Vejam falhas morais dos encarnados e não dos espíritos. Porque nos planos astrais superiores não existem diferenças e status, sim há hierarquias espirituais, mas não ego, orgulho, vaidade, só amor e missão, metas a serem alcançadas e cumpridas em prol da humanidade.

Isso tem abalado e prejudicado muitos médiuns, porque mexe com a confiança, a credibilidade, o respeito que o médium tem que trabalhar dentro de si mesmo. Metas que são alcançadas com muito esforço, dedicação e comprometimento dos médiuns iniciantes.

Porque nem todos tem a força da fé sustentável, e muitos infelizmente vacilam.

Conheci médiuns que porque fizeram isso com eles, simplesmente abandonaram suas missões como médiuns, eles diziam não conseguir mais, perderam a fé. Acreditem, uma palavra mal colocada pode destruir a confiança de um médium.

Conselho: Os homens são falíveis se amparem na fé e na confiança que só Deus, os Orixás, e os guias e mentores podem dar.

Já cansei de ver inúmeros casos, onde vemos guias ou melhor supostos guias, manipulando toda a corrente para prejudicar um determinado médium, as vezes por questões extremamente fúteis e egoístas, ou porque o médium saiu do terreiro e o dirigente melindrou, ou ele está dentro e por algum motivo ele não serve mais aos propósitos egoístas do pai ou mãe no santo, e para os mesmos se tornando um problema, ai começam as inúmeras tentativas de tentar queimá-lo dentro do terreiro.

Nunca, em hipótese alguma acreditem ser um espírito idôneo um espírito que mova forças dentro do terreiro para destruir a vida de alguém.  Demandas espirituais e energéticas existem, elas devem ser evitadas e não fomentadas e alimentadas dentro dos terreiros.

São os famosos esquemas ardilosos nos bastidores dos terreiros de Umbanda. E muitos médiuns crédulos caem e muitos puxa sacos também. Digo puxa sacos porque alguns médiuns para ganhar um pontinho positivo com o pai ou mãe no santo é capaz até de fazer coisas horríveis contra um irmão ou irmã no santo. É triste, mas acontece.

Ao contrário do que pensam alguns,  quando um médium sai de um terreiro, por escolha própria, um bom guia, idôneo e sério ele simplesmente abençoa seu caminho, terreiro não é cárcere, e um filho tem direito de ir e vir, tem seu livre arbítrio, e uma casa séria dirigida baseada nas leis de caridade e amor,  sabe que cada filho tem seus próprios caminhos diante de seus pés. Os guias dão sim conselhos, orientam, mas não manipulam vontades.

Agora quando um filho ou filha no santo sai por motivos egoístas, de ego, orgulho e vaidade, ao contrário do que vemos muitas vezes, onde ocorre ameaças, complôs oriundos de seus terreiros etc.

Um guia verdadeiro se entristece, porque sabe que toda escolha tem consequência, e há aqueles médiuns que simplesmente jogam fora sua oportunidade de melhora. Mas o livre arbítrio permite isso, que cada um colha o que semeou.

Mas mesmo sabendo que as escolhas não são acertadas, eles silenciam e pedem o melhor por eles.  Desapega, segue e perdoa, três regrinhas básicas de boa conduta.

E muitos terão que passar pela Força de Pemba de seus próprios guias, irão aprender, resgatar até a redenção, e muitos voltam depois de estádias bem difíceis alimentadas pelo orgulho e vaidade, mas vejam sempre o ego está por detrás, até o ponto que irão chegar  aos pés de nego velho, daquele terreiro que um dia abandonou.

Vou contar um episódio que aconteceu em nossa casa, apenas para vocês conseguirem mensurar e refletir, como é difícil lidar com a maledicência do ser humano, suas fraquezas morais e infantilidades do dia a dia. E como algumas pessoas tem inclinação para trazerem intrigas na vida de outras pessoas.

Tive um caso de uma filha no santo, que a mesma saiu de nossa seara, por motivos de conduta e por não querer passar por um tratamento espiritual, devido a questões de vaidade, ego, e orgulho.

Em nossa casa não expulsamos ninguém, jamais,  sem antes tentarmos ajudar o máximo possível um médium.

Um bom terreiro não abandona um filho simplesmente porque ele está numa fase problemática, é nessas horas que precisam ser mais ajudados.

Umbanda não está para dar remédios a sãos, mantenham isso gravado em suas mentes.

Até ai cada filho ou filha tem seu próprio direito a escolha, volto a dizer, terreiro não é cárcere, mas enfim, continuando… para provocar uma outra filha no santo, sua filha carnal dessa filha, a abordou um dia na rua dizendo:  ah fulana, minha mãe saiu do terreiro está sabendo? (fofoca, maledicência), agora minha mãe vai ter liberdade. Agora ela vai ter vida. O que ela não sabia, que essa filha estava no terreiro, e que iria me contar, porque não adianta os filhos quando isso acontecem ficam indignados e acabam trazendo mesmo para o dirigente tais fatos.

O famoso cuspir no prato que comeu. Ingratidão. Porque barriga cheia goiaba tem bicho. As pessoas esquecem as caridades praticadas.

Ai você pensa o que é vida para essa pessoa, ter uma vida desregrada, com vícios e más posturas? As pessoas tem um conceito bem equivocado quanto a liberdade.

Então observem que nem sempre o dirigente tem culpa da má índole e caráter dos filhos no santo.

Realmente uma casa idônea e séria exige que seus filhos tenham conduta, postura, trabalhem no dia a dia a positividade, a boa palavra, não se envolvam com vícios que poderão destruir o instrumento dos guias que é o seu próprio corpo e assim por diante. A doutrina de uma casa já é imposta pelos guias chefes do terreiro, ela não vai se moldar ao médium que está na casa e sim o médium que tem que se moldar a ela. Frise-se. Quando um médium entra numa casa que não consegue seguir as regras e doutrinas ele tem pleno direito de ir e vir e sair da casa e procurar outra que melhor lhe adeque.

Mas vejam muitos pais e mães no santo poderiam se zangar seriamente com tal afronta e deboche e infantilidade na realidade.

Eu sinceramente só lamentei e silenciei.

Diante de certas arrogâncias, o silêncio da sabedoria é a melhor resposta.

Nada melhor que o professor TEMPO nessas horas.

Mas nem todos agem assim, conheci dirigentes que algo assim já seria motivo para uma boa demanda.  Infelizmente, porque não é assim a conduta correta a ser tomada por mais fácil que aparente ser.

Porque a Leis espirituais que nunca falham, o dirigente tem que agir para que essas leis venham sempre a seu favor.

Mas não é assim que os guias ensinam-nos de fato a lidar com esses irmãozinhos nossos, perdidos em suas vaidades e falsas verdades.

Um dirigente é um ser humano falível,  ele não é algo acima da lei e da verdade, mas ele é um condutor, um reformador, um transformador de vidas, e deve ter maturidade suficiente alicerçada, para deixar suas arrogâncias e vaidades fora de suas responsabilidades no terreiro.

Parece fácil na teoria, mas como uma pessoa falível como qualquer outra ele também tem inclinações, emoções, e se não se vigiar pode sair do eixo e acabar praticando e fazendo ações que com certeza irá se arrepender depois, detalhe nem sempre remediáveis por sinal.

Hoje estou vendo dirigentes fazendo diferença de filhos mais humildes no terreiro comparados com aqueles que tem muito dinheiro e podem contribuir mais.

Isso é ERRADO, volto a dizer um terreiro é uma família, onde o mais forte ajuda o mais fraco e o que sabe mais ensina o que sabe menos.

O mais lamentável é quando o dirigente se coloca num patamar tão grande de arrogância que acha no direito até de escolher os guias e entidades de seus filhos.

Um dirigente deve ter consciência e entendimento que nunca lhe disseram ser fácil o lidar com o ser humano, são mentes pensantes e quanto mais numerosa a casa, mas conflitos vão se apresentando, mais divergências de ideias e conceitos, e ele tem que estar acima para que essas diferenças sejam usadas para construir o grupo e não destruir ou quebrar o alicerce e harmonia do terreiro.

Lembrando ele tem que estar acima dessas falhas e jamais ser o foco das mesmas.

Seja humilde para aprender.

O ego, a vaidade, e arrogância são falhas morais num dirigente que podem destruir qualquer bom terreiro, porque ele é o exemplo, que os médiuns seguem e se baseiam, cabe a ele coibir tais inclinações em seus médiuns.

Se ele erra todo grupo desestabiliza. Sim ele pode errar, como qualquer ser humano falível, mas como falível ele deve reconhecer e se corrigir como qualquer outro médium. HUMILDADE.

Uma solução sempre aconselhada, o TERREIRO É DOS ESPÍRITOS, É A CASA DELES, DOS GUIAS E AMPARADORES, coloquem sempre eles no comando da casa espiritual, bateu a duvida, TRABALHEM A PRESUNÇÃO DE QUERER SABER TUDO E SEMPRE SE ACHAR O CERTO, é a eles que compete a palavra e o direcionamento final. Uma casa séria trabalha com espíritos idôneos e sérios acima de qualquer ego e vaidades.

Espero que essa matéria traga luz e discernimento em algumas questões correlacionadas ao dia a dia em nossos terreiros.

Somos eternos aprendizes, que possamos sempre ter a Humildade de nunca nos esquecermos dessa máxima.

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