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segunda-feira, 1 de maio de 2017

Conversando sobre a Cruz

A cruz é um símbolo mundialmente conhecido. Seu simbolismo nem sempre se volta a religiosidade em si, mas, quase que sempre, se liga a aspectos cósmicos e espirituais da humanidade.

Não podemos afirmar ao certo quando o homem fez pela primeira vez o cruzamento de duas linhas retas que formam a cruz, obstante, é inquestionável que a cruz se trata de um dos primeiros, se não o primeiro, sinal que o homem  criou. As interpretações quanto ao sentido inicial da cruz varia de estudiosos para estudiosos. Na Umbanda o escritor W. W. da Matta e Silva expõe em algumas de suas obras sobre o sentido ígneo da cruz. Da Matta afirma que a cruz, ou Curuçá, possui um sentido de fogo para os índios do Brasil, tanto que o culto á Curuçá era feito pelos mesmos com uma cruz de madeira em cujas pontas havia fogo ardente. Da Matta não fica sozinho nessa interpretação; Bayley  também insiste no sentido ígneo da cruz e explica que os termos cross, crux, crows, croaz, krouz e cruz fundamentam-se todos em “ak-ur-os”, isto é, “Luz do grande fogo”. Exatamente esse sentido explica o fato da cruz ser um sinal ígneo pois, como nos indica Da Matta em seus livros, se olharmos com os olhos semicerrados em direção á um foco de luz perceberemos que esse se divide em 4 raios que formam exatamente uma cruz, com isso, percebemos que a cruz é na verdade uma fixação material, física, da própria luz; é uma parte de luz proveniente do grande fogo, tal qual nos indica akuros.

Como disse acima a cruz é um símbolo e como tal possui diversos, na verdade infinitos, significados visto que o símbolo ganha novos sentidos de acordo com a época, local e cultura no qual é inserido ou observado e nisso se consiste a beleza do símbolo em si já que essa, a beleza, dos símbolos está na infinita variedade de seus modos de interpretação. Assim não é de se assustar que existam cruzes em locais onde o cristianismo não prevaleceu em todas as partes do planeta terra, do oriente ao ocidente e vice- versa.

Os índios do Brasil possuíam uma veneração especial para com o símbolo da cruz; é possível encontrá-la marcada em milhares de conjuntos de escritas rupestres encontrados em nosso país. O fato de sua existência em lugares distantes e incomunicáveis entre si no território brasileiro aponta para seu significado cosmogônico entre os índios brasileiros bem como também nos aponta para seus primeiros sentidos esotéricos, afinal de contas o índio do Brasil possuía um apurado senso de espiritualismo que era passado de geração a geração e que compunha o conjunto de suas crenças; o sentido da cruz tal qual era aceito pelos naturais do Brasil também era o mesmo para os índios navajos das planícies da América do Norte; dentro da visão destes a cruz significava o fogo: azul ou negra, ela simbolizava a madeira que contém fogo e ainda podia significar uma viagem, uma estrela, e até mesmo um espírito.

Inquestionavelmente o sentido da cruz para os índios era profundo e se ligava a própria natureza por meio do fogo, no entanto, devemos observar que não apenas o fogo se liga a cruz, na verdade ela traz em si todos os elementos que compõem a realidade até mesmo as linhas de força, ou tatwas, de cujo cruzamento sobre a terra dão origem aos elementos em si. No insigne símbolo temos os 4 elementos em perfeito equilíbrio e nisso nos voltamos ao quadrado que existe na cruz e que pode melhor ser compreendido na conhecida cruz gammadia que é formada por 4 esquadros que, quando invertidos, formam perfeitamente o quadrado. A cruz em relação com o quadrado se mostra, além de perfeito sinal de fixação, um exímio sinal de captação; sentidos muito parecidos mas profundamente diferentes.  O sentido ígneo da cruz é ainda hoje preservado na Índia onde é tida como sinal simbólico religioso de fogo sagrado, tomado como potência superior e origem da vida.

Pelos cristãos a cruz passou a ser usada no séc. IV D.C. o que nos deixa convictos de que sua sumidade não é de origem cristã embora tenham sido os cristãos seus mais ferrenhos defensores. Em âmbito cristão a cruz não deve ser considerada como um símbolo de morte (mesmo ela tendo sido inserida na espiritualidade cristã por ter sido o instrumento do suplício final do Cristo) mas sim como um sinal de começo de vida já que é esse o sentido real da morte física. O seu sentido vitae é a existência da vida que por si só é a pura manifestação do amor divino, complexo e profundo. O amor divino se manifesta através do bem maior do homem que é a própria vida, no entanto, por ser imensamente infinito tal qual seu provedor, Deus, a cruz tem sido combinada com outros símbolos para representar faces específicas do amor divino, assim ela pode ser vista com a estrela de cinco pontas (poder ou nascimento), a escada (ascensão da alma), a âncora (esperança), o cálice (caridade), a rosa (perfeição) e o coração (compaixão). Nos diz a tradição que no ato da crucificação de Cristo na cruz um letreiro fora colocado sob sua cabeça com os dizeres INRI que se tratavam das iniciais das palavras “IESUS NAZARENUS, REX IUDEORUM”, no entanto, para os hermetistas, essa inscrição eram as inicias de “Igne Natura Renavotur Integra” que quer dizer “o fogo renova a natureza inteira”; Jesus no madeiro da cruz no cimo do calvário, era o próprio fogo renovador que purifica e eleva a humanidade através do mistério da cruz. Era ele ali o próprio Senhor da Terra e dos elementos que a compõem e por isso é importante ressaltar que INRI também são as inicias dos nomes hebraicos dos quatro elementos da física: Iamim: a água, Nour: o fogo, Ruachh: o ar e Iabaschah: a terra. Cristo era o próprio Senhor que derramava sua luz sobre os elementos físicos da humanidade, uma perfeita cena alquimista até hoje louvada e celebrada.

Na Umbanda podemos ver na cruz diversos significados que vão se aprofundando mais ainda de acordo com a compreensão de outros mistérios. Um dos significados da cruz que se liga intimamente a Umbanda é a sua relação com o OXY; ambos evocam dentro de si o movimento que parte de um ponto para prolongar-se em todas as direções do espaço quanto àquele que, partindo da multiplicidade, reduz progressivamente todas as coisas a unidade; curioso é notar que, ainda em relação ao OXY, existem exatamente 385 tipos de cruzes (conforme registros encontrados no Museu do Vaticano); a decomposição do número 385 nos leva ao número 7 (3+8+5=16= 1+6=7) que se liga intimamente ao OXY (OOOXYYY).

A cruz possui, tal qual a Umbanda, uma função de síntese como também de medida. Nela se fundem o tempo e o espaço, nela se juntam o céu e a terra. Ela é a própria encruzilhada da vida, o ponto central de onde partem todos os caminhos direcionando-se a todo o universo. Como diria Campbell, ela é a Árvore da Vida, é um eixo do mundo, se localiza no centro místico do Cosmos e é a ponte, ou escada, pela qual se pode subir até Deus. Possui assim um profundo valor ascensional que para ser compreendido necessita ser vivenciado, sentido e depois percorrido.

Na Raiz de Guiné a cruz é símbolo do Cristo e carrega consigo sentimentos e valores os mais diversos e profundos possíveis mas que cujas raízes se encontram fecundadas na terra da fidelidade. Só há cruz onde há fidelidade. A existência da cruz em nossos templos e congás denotam ali a existência da seiva do sacrifício, do adubo da fidelidade aos valores superiores e a presença da água da fé para que, através desses, a cruz, a Árvore da Vida, possa crescer e nos levar ao plano mais alto, no entanto, é importante lembrar que o crescimento dessa árvore anda de mãos dadas com a interiorização de seus mistérios que, por si, definem aquilo que chamamos de Caminho Iniciático.

Muitos séculos antes de ser utilizada pelos cristãos como continua sendo até hoje, a cruz já havia sido utilizada na China para mostrar os caminhos aos viajantes. Ainda hoje esse sentido perdura em nossos corações e seus mistérios nos indicam, mesmo que as vezes de forma inconsciente, os caminhos que nos levam ao Fogo Maior.

Certa feita Me. Obashanan nos afirmou em relação á Cruz das Santas Almas que se encontram nos Congás da Raíz de Guiné: “… a cruz não é dos iniciados, ela é do Cristo. Não é motivo de vaidade mas sim de profunda renúncia e contemplação”. Que Ele, o Grande Samany da Umbanda, nos faça compreender e viver os mistérios de sua cruz bendita para que, dia após dia, possamos nos aproximar mais de sua presença e amor incondicionais.

Saravá.

Por: Me. Karaiman

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