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terça-feira, 2 de maio de 2017

As Mulheres na Umbanda

A sociedade por muito tempo teve um comportamento machista, a mulher era relegada a segundo plano, levada a um estado de completa submissão: 

· Pais que escolhiam casamentos para as filhas
· Não podiam votar
· Não podiam trabalhar fora
· Não podiam participar das conversas “de homens”
· Tinham de obedecer cegamente aos maridos
· Em algumas épocas eram inclusive impedidas de estudar, pois “não precisavam” 

Este comportamento de certa forma foi trazido para o meio Umbandista, e o que é pior é que em muitos locais perduram até hoje: 

· Mulher não pode trabalhar menstruada
· Mulher não pode tocar atabaques
· Mulher grávida não pode trabalhar
· Mulher não pode presidir cerimônia de casamento ou batizado, etc… 

Que me desculpem aqueles que pensam e trabalham desta forma, mas ate hoje ninguém me apresentou um argument o que me convencesse destas restrições impostas às mulheres. 

No meu entender, existe um agravante, estas “normas”, não ficaram somente no lado material, atingiram também o Astral, principalmente em ralação às Pombas Gira, entidades muito valiosas e preciosas dentro de um terreiro. 

Existem muitos que ainda acreditam que toda Pomba Gira foi uma prostituta e que só trabalha o lado sexual, que só serve para arrumar companheiro ou desmanchar relacionamentos, que se incorporar num médium masculino este vai virar homossexual, e por ai vai… 

Cheguei até a ouvir e ler em algum lugar que uma Pomba Gira não pode tomar a frente de um trabalho, pois ela é apenas auxiliar dos Exus, quanta prepotência… 

Basta abrirmos os olhos e vermos a proporção de mulheres que militam na Umbanda em relação aos homens, eu ousaria colocar na casa dos 60 ou 70 %, agora tentem imaginar seu terreiro sem as mulheres… 

Tem um ditado antigo que diz: 

“Por trás de um grande homem tem sempre uma grande mulher” 

Eu ousaria mudar este ditado, e ele ficaria assim: 
“Ao LADO de um homem que realiza um bom trabalho, tem sempre pelo menos uma grande mulher”. 

Dias atrás um amigo, durante uma conversa me disse que achava que eu estava fazendo um bom trabalho de divulgação com meus blogs.

Pois bem, tenho a mais absoluta certeza que um dos principais motivos para que este trabalho esteja sendo bem feito, é que tenho ao meu LADO, varias grandes mulheres, VERIDIANA, MINHA MÃE MARIA, IRACEMA, MARIANE, VIVIANE, MARLUCI, MAYARA, HELEN, ETC. (se colocar o nome de todas não caberia neste blog) e sem falar das valiosas “MULHERES DE ARUANDA”: VOVÓ MARIA ROSA, VOVÓ LUIZA, VOVÓ MARIA CONGA, ROSA CAVEIRA, MARIA PADILHA E POR AÍ VAI.


Pergunto a vocês: EXISTE ALGO MAIS BONITO QUE O GIRO DAS SAIAS? 

LUGAR MELHOR PARA CHORAR QUE O COLO DE UMA YABÁ? ALGUÉM QUE ENTENDA MAIS O QUE SENTIMOS?


Muitas mulheres são tão guerrei­ras, líderes, inteligentes quanto os ho­mens. Não há diferença para Pai/Mãe Olorum, pois na sua dualidade gerou de seu interior seres masculinos e seres femininos, com o mesmo princípio e genética, os criou e os dotou com qualidades, atributos e atri­bui­ções iguais. 

Tem pai sacerdote, dirigente espi­ritual que até hoje não incorpora Orixás femi­ninos, como também não incorpora Ca­bocla, Preta Velha, Cigana, Erê fe­minino, Pomba Gira e Baiana. 

Muito raramente você encontra em terreiros um dirigente masculino tendo como mentora, Guia Chefe ou Guia de Fren­te uma Entidade feminina. 

Nós umbandistas reclamamos da discriminação, do preconceito, da falta de respeito c om as nossas práticas religiosas, porém falta entendimento mútuo para os próprios umbandistas. 

E quando um dirigente espiritual, rompe estas barreiras preconceituosas e pratica a doutrina umbandista com igual­dade, é considerado no próprio meio um inconseqüente, e passa a ser visto como um adversário. 

Os fundamentos umbandistas e as leis que regem a base ritualística, não ditam que homens e mulheres tenham atitudes diferenciadas dentro dos ter­reiros. 

Apesar de tudo, e graças ao Divino Trono do Tempo, tudo na vida renova-se e evolui, pois é uma lei natural gerada e criada pelo Divino Pai/Mãe Olorum. 

Enquanto houver pessoas que acre­ditam na igualdade do ser humano e sabem que a dualidade de Pai/Mãe Olo­rum é infinita, continuarão pra­ticando e respei­tando as suas leis imu­táveis que são eter­nas. Enquanto os seres humanos acre­ditarem na sua igualdade e na dualidade de Pai/Mãe Olorum, continuarão a ma­nifestar de seu íntimo o amor incondi­cional. 

A Umbanda sempre teve, por sua cultura, o ser feminino como estrutura fundamental em seu conceito social. Tratada com respeito e considerada portadora do Axé gerador da vida, não são subalternas, mas indispensáveis para a manutenção de um bom Axé em uma casa. Tanto no terreiro, como dentro de nossas casas aprendemos a respeitá-las pela sua sensibilidade e sabedoria emocional diante das dores alheias.

São um hino de amor a vida.

Dentro da filosofia umbandista temos as mulheres como descendências do eterno feminino, um dos pilares de sustentação de toda a natureza de Deus.

Nossas Iaôs, as Yabás , filhas das Orixás feminina s, são respeitadas como pares, jamais como subalternas ou inferiores. Nosso respeito não se restringe somente as mulheres do grupo mediúnico e sim a todas as frequentadoras de um terreiro.

Sabe-se, por experiência, que as mulheres são portadoras de sentidos mais aguçados que os dos homens e por isso mesmo a freqüência nas casas é quase que dobrado em relação aos homens.

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