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quinta-feira, 20 de abril de 2017

Mironga na Umbanda


Mironga é um termo surgido da palavra “Milonga” do Quimbundo, língua falada em Angola pelos Ambundos. Refere-se a mistério, segredo. Palavra bastante usada nos cultos bantos (Grupo etno-linguístico localizado principalmente na África subsaariana que engloba cerca de 400 subgrupos étnicos diferentes).

Em especial, na religião de Umbanda, tornou-se termo que designa aquele que faz mironga, ou que é mirongueiro. Ganhou significado de feitiço, manipulação de energias.

É em si magia das mais variadas aplicações cósmicas com finalidade de cura, abertura de caminhos, claridade das ideias e sanidade mental. É conhecimento milenar dos magos que pela Terra passaram em outras eras. É um processo magístico efetuado por aqueles que em outras vidas foram iniciados nos mais variados conhecimentos místicos e ocultos da natureza, e que aplicam a alquimia astral em favor da mudança dos estados de energia nos mais diversos planos, dimensões e densidades de manifestação da vida e do espírito imortal dos seres.

Através dos Pretos Velhos a mironga se adequou aos termos primordiais da Umbanda. E dessa forma passou a ser utilizada única e exclusivamente para prática da caridade socorrista, com humildade e serventia ao próximo, na intensão de trazer alento e conforto aos que sofrem pelas mais diversas causas.

A mironga no plano físico e material se utiliza a princípio de 4 elementos da natureza: Terra, Água, Fogo e Ar (elementos presentes no café, no cachimbo, na fumaça, nos ramos de arruda e guiné, etc). Porém, com a chegada do Baiano como linha de trabalho na Umbanda a partir dos anos 60 e 70, acrescentou-se o elemento “madeira” as mirongas de Umbanda. A madeira do coco que o Baiano utiliza nas giras umbandistas é um elemento hiperpoderoso, pois como sabemos a madeira representa aquilo que germinou, floresceu e se consolidou, ganhou forma e um lugar no mundo. A energia atômica da madeira é uma fortaleza por excelência.

A diferença das mirongas de Pretos Velhos e de Baianos estão no fato de que as práticas mirongueiras dos Pretos Velhos buscam doar discernimento, limpeza física e espiritual, ascensão filosófica aos seres. Enquanto que a Mironga do Baiano traz essencialmente a força necessária para encarar desafios, enfrentar tempestades com a dureza que o Nordestino carrega como ninguém.


A mironga é um fundamento de Umbanda. Tem em si aspectos variados, mas que em nossa religião só traz o bem aplicado a leis Humanistas dos Terreiros.

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