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quinta-feira, 6 de abril de 2017

Meu amigo Quiumba

   
Quando conhecemos alguém, normalmente o que primeiro nos impressiona é a aparência. Notamos se tem aparência desleixada ou bem-cuidada, se tem cara de boa gente ou de poucos amigos, se o olhar transmite confiança ou não, e etc. Tem gente que, por essa primeira análise – principalmente pelo olhar – já consegue identificar se pode ou não confiar naquela pessoa, e dificilmente se engana; outros, nem com anos de convivência conseguem perceber uma personalidade traiçoeira. E ainda tem os que, pela aparência, no primeiro contato, julgam mal e depois descobrem que a pessoa é o suprassumo da candura. Enfim, essa sensibilidade – ou a falta dela - vai de cada um...

                Mas, se a aparência – que nós usamos para traçar as primeiras impressões - já confunde, imagine se não pudéssemos VER! Sim, imagine que você fosse colocado em uma sala, de olhos vendados, junto com dezenas de pessoas, e tivesse que identificar dentre elas as que fossem confiáveis e as traiçoeiras. Como faria? Provavelmente você tentaria dialogar com algumas delas para saber o teor de seus pensamentos. Mas ainda assim, isso lhe daria a certeza, em poucos minutos, de quem é bom e de quem não é? E se a pessoa tivesse um mau caráter, mas soubesse usar bem as palavras, será que não lhe enganaria?

                Pois bem! É assim a nossa posição perante os espíritos! Nós não podemos confiar em tudo o que falam, porque podemos estar lidando com espíritos astutos e traiçoeiros e, para completar, não temos condições de vê-los facilmente, em condições normais. Aliás, mesmo quando os vemos através da clarividência, de um sonho ou de uma intuição, não podemos acreditar que a aparência com que estejam se apresentando seja a real, já que eles podem modificar sua forma de apresentação. Não podendo usar suas falas e nem a sua aparência como referência, definitivamente, saber identificar a índole de um espírito não é uma das tarefas mais fáceis, e isso explica o porquê de haver muitas pessoas enganadas, acreditando e dando valor a conselhos de espíritos mal intencionados...

                Aliás, como todos sabemos, nem todo espírito é bonzinho e preocupado em nos ajudar! Há aqueles maliciosos, os que gostam de ter poder sobre as pessoas, os que acham divertido enganar, os que ainda têm vícios e querem ser saciados, os vaidosos que querem ser elogiados, os que são infelizes e acham que todos também devem ser, e muitos outros tipos, sem contar os obsessores pessoais, que buscam vingança e fazem de tudo para prejudicar alguém em específico.

                Em um terreiro de Umbanda, todos os espíritos que conhecemos como Exus, Caboclos, Pretos-Velhos, Crianças, etc, encontram-se em um patamar evolutivo superior ao nosso. Em outras palavras, são melhores que todos nós e, justamente por isso, são chamados de “Guias”, porque tem a capacidade de orientar, guiar e bem intuir seus tutelados. Não é com esses que devemos nos preocupar! Mas, em contrapartida, há aqueles espíritos de quem falamos anteriormente, que não tem nem o mesmo interesse amoroso de nossos Guias e nem a mesma capacidade. Suas intenções são outras, são perversas, levianas ou, no mínimo, descompromissadas com a verdade.

                Porém, o fato de não serem o suprassumo do amor e da bondade não quer dizer que não possam ser inteligentes. E, sendo inteligentes, obviamente usarão sua inteligência para melhor enganar, ludibriar e persistir no engodo sem serem descobertos e pela maior quantidade de tempo possível. Quando um desses espíritos permanece atuando negativamente sobre uma pessoa, dizemos simplesmente que há um EGUN obsediando-a. Quando esse Egun, para não ser reconhecido e nem identificado, altera sua forma perispiritual e passa a se apresentar e a se comportar imitando um Guia de Umbanda, o chamamos de QUIUMBA!

                Por definição, portanto, Quiumba é todo espírito que - embora não seja - imita e se comporta como um Exu, uma Pombagira, um Preto-Velho, um Caboclo, uma Criança ou como qualquer Guia trabalhador da Umbanda, alterando sua forma perispiritual, de forma que, para um médium vidente, poderá se apresentar exatamente como aquele Guia. Se, por acaso, vier a incorporar, fará os mesmos trejeitos, andará da mesma forma e falará da mesma maneira que o Guia que está imitando, dificultando a identificação de sua real personalidade e intenções. Lembra daquela história de estar vendado em uma sala cheia de gente? Veja se não lembra a dificuldade de identificar um Quiumba...

                Contudo, por mais que disfarcem a aparência e a forma de falar, há duas coisas que os Quiumbas não podem modificar e que, cedo ou tarde, os denunciarão: a primeira é o seu campo vibratório. Por mais que a aparência seja a de um Preto-Velho, por exemplo, o campo vibratório do espírito continuará denso, alimentado por pensamentos e sentimentos negativos, facilitando ao médium experiente a sua identificação. A segunda é o teor de seus conselhos. O Quiumba poderá até enganar no princípio, mas não conseguirá manter por muito tempo a representação de bondade, se nem ele mesmo conhece o que é ser bom. Em outras palavras, não saberá aconselhar aos outros o que não compreende para si, o que facilitará a sua identificação por alguém que tenha boas noções de moral e de espiritualidade.

                Mas, embora haja essas duas formas de identificação, ainda assim, nem sempre as pessoas conseguem perceber que estão lidando com um Quiumba e acabam criando ou fortalecendo laços afetivos, emocionais e espirituais com eles, achando que são espíritos de luz.

                Conheci um caso de uma pessoa que, em casa, sozinha, começou a receber um espírito que se autodenominava “Cigano”. No princípio, o tal do Cigano vinha, bebia, fumava e até dava bons conselhos a quem estivesse presente. Passado um tempo, começou a dar ordens ao seu médium, interferindo em sua vida pessoal e exigindo que fosse atendido em tudo o que falasse. Sem motivos, partia para a agressão física, jogando o médium contra a parede, batendo com sua cabeça no chão e ferindo-o com objetos próximos. Quando o médium não o queria receber, o tal do “Cigano” forçava a incorporação e, ao baixar, avisava que, se não obedecesse da próxima vez, algo ruim iria acontecer, como um acidente, uma briga ou mesmo demissão do emprego. E isso realmente acontecia. Em relação às outras pessoas que o procuravam, continuava aconselhando, embora com palavras sem grande conteúdo moral, mas agradava porque favorecia os egos dos consulentes. Além disso, também avisava aos seus ouvintes sempre que algo ruim fosse acontecer. E realmente acontecia!

                Para as pessoas que conversavam com ele, o “Cigano” era um bom espírito, pois não viam nada de ruim em suas palavras, e ainda se sentiam protegidas pelos avisos que dava. O que não percebiam era que os conselhos eram vagos, vazios e nada acrescentavam à sua moral, e os fatos avisados pelo espírito eram criados por ele mesmo, para angariar a confiança de seus ouvintes. Ele nunca previa coisas boas, mas somente as ruins, que eram as que ele tinha capacidade de forjar.

                Quando um Quiumba adquire a confiança das pessoas, fica cada vez mais difícil afastá-lo. Se o seu médium, por exemplo, resolve procurar um terreiro sério, onde o espírito sabe que poderá ser identificado pelos Guias da casa, é capaz até de ele baixar na residência do médium para avisar – como um lobo em pele de cordeiro, com toda cordialidade e carinho - que aquele tal terreiro não é bom e não é próprio para o médium desenvolver um bom trabalho espiritual. Se o médium insistir, é capaz de passar mal nas vezes que tentar ir até lá, ou de acontecer coisas piores, como brigas, doenças e acidentes para dificultar até a sua saída de casa naqueles dias. E, se o médium consegue passar a frequentar o terreiro, enquanto o Quiumba não for definitivamente afastado, tentará colocar na cabeça do médium pensamentos desestimulantes em relação à sua casa espiritual.

                Mas, falando dessa forma, podemos dar a entender que os médiuns atuados por Quiumbas são sempre vítimas. Não é bem assim! Para que qualquer espírito, bom ou ruim, possa se aproximar de alguém, é preciso que haja afinidade entre ambos os campos vibratórios, o da pessoa e o do espírito. Se não houver afinidade, não há sintonia. Sem sintonia, não há atuação mental e nem incorporação. Logo, se uma pessoa é atuada por um espírito negativo, é porque em algum momento ela deu oportunidade à sua aproximação, abriu brechas, permitiu acesso. E esse acesso pode ter sido construído a partir de qualquer tipo de falha que tenha abaixado a frequência do seu campo vibratório, como alcoolismo, utilização de drogas, frequência a locais carregados espiritualmente, mau humor, irritação, tristeza permanente, vaidade, etc.

                E, por falar em vaidade, esse é um dos principais motivos que levam médiuns já experientes a serem atuados por Quiumbas. Começa assim: o médium trabalha no terreiro por anos a fio, vai se desenvolvendo até que seus Guias começam a atender outras pessoas. Sendo um bom médium e fazendo um bom trabalho, logo os Guias estarão aptos a atender casos mais complexos e, de forma natural, algumas pessoas podem querer elogiar e agradecer. O médium ciente de sua posição, não se deixa levar pelos elogios; mas, se não tiver tanta consciência assim, logo poderá deixar a vaidade crescer.

                Com a vaidade crescente, logo o seu campo vibratório irá começar a vibrar em frequência mais baixa, e o seu Guia de verdade começará a encontrar empecilhos para realizar uma boa incorporação, pela dificuldade de sintonia. Contudo, como sempre há um chinelo velho para um pé doente, pela afinidade vibratória, logo outro espírito poderá começar a se aproximar e, aos poucos, ir substituindo o Caboclo ou o Preto-Velho que trabalhava com aquele médium, de forma intencional, maquiavélica.

                Para facilitar ainda mais a sua aproximação, estimulará ainda mais no médium o sentimento de vaidade, até o momento em que o convencerá a abandonar o terreiro, colocando em sua mente coisas como “o dirigente não quer mais que você cresça para não ultrapassá-lo”, “a casa já lhe deu o que podia lhe dar”, “seu futuro espiritual é grande e não pode ficar restrito a este terreiro”, “você pode muito mais”, e assim por diante. Pronto! Será a cartada fatal! E o Caboclo verdadeiro, embora lamente, não poderá fazer nada, pois terá sido escolha do próprio médium; e todo livre-arbítrio deve ser respeitado, mesmo quando as escolhas forem as piores...

                Mas, pior que isso é quando o Quiumba não precisa nem se preocupar em retirar o médium do terreiro, quando percebe que ali mesmo pode continuar sua atuação, sem problemas. Isso acontece quando a casa não oferece o menor perigo, ou seja, quando ele sabe que poderá continuar atuando ali, que nunca será descoberto. Em casas assim há, normalmente, grandes falhas espirituais e até mesmo morais, e é possível que até o dirigente seja assessorado por espíritos desse tipo.

                Isso não quer dizer, contudo, que um bom terreiro, mesmo seguro espiritualmente, não possa, vez ou outra, ter algum médium atuado por Quiumbas. Quando isso acontece, na maior parte das vezes já é de conhecimento dos Guardiões da casa, e é tolerado por um tempo, enquanto se estuda a melhor forma de libertá-lo das garras do espírito, seja através da elucidação moral, do estímulo à humildade ou mesmo através de algum trabalho espiritual que possa ser feito para bloquear a ação trevosa.

                Portanto, já que a identificação de um Quiumba não é fácil e o seu afastamento requer do médium uma difícil ação auto reparadora, o preferível é NUNCA dar margem à sua aproximação. Para isso alguns cuidados devem ser lembrados e seguidos por você, médium, que não deseja ter ao seu lado um amiguinho desse tipo. Veja:

Mesmo sendo médium desenvolvido, procure não receber seus Guias em casa sem necessidade. Lá não tem as mesmas firmezas espirituais que o seu terreiro, e pode haver espíritos enganadores por ali.
Não acredite em tudo que os espíritos disserem. Analise e veja se lhe acrescenta valores morais.
Não se envaideça do seu trabalho mediúnico. Procure se enxergar apenas como um devedor quitando dívidas através do seu trabalho espiritual.
Não facilite ao Quiumba, dando chance a sentimentos e pensamentos negativos com frequência.
Evite lugares pesados energeticamente; evite o álcool e as drogas lícitas ou não lícitas.
Procure conversar diariamente com seus Guias, pedindo orientação e proteção espiritual.
Esteja sempre aberto a receber críticas, sem se sentir ofendido. Elas poderão te indicar deficiências que você ainda não conseguiu enxergar.

                Procurando seguir essas recomendações, você tornará muito mais difícil a qualquer Quiumba se aproximar e estabelecer vínculos espirituais. Mas, em contrapartida, já sabendo o que deve ser feito, mas não fazendo, você estará dando margem à sua aproximação. E pode ser até que no início você se sinta bem, com o ego massageado, vaidoso, importante... Só não poderá reclamar mais adiante, quando a ação obsessiva estiver de vez instalada, afinal terá sido você mesmo a ter aberto as portas e o convidado para entrar. Aí, então, pouco haverá a se fazer. Complete o trabalho: Puxe a cadeira, prepare um café e diga para ele: “seja bem-vindo, meu amigo Quiumba”!

Amplexos,

Tata Luis

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