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sexta-feira, 21 de abril de 2017

A origem da Religião, O bem e o Mal, e o Livre Arbítrio


De acordo com a perspectiva Evolucionista e descobertas arqueológicas a espécie humana surge na Terra por volta de 150 mil anos atrás, se diferenciando dos outros animais por ter sido capaz de desenvolver a linguagem, dominar o fogo, construir instrumentos diversos para auto defesa e para caça. 

Num período que chamamos de “pré história” deu-se início a processos que empreenderiam a formação de manifestações e organizações sociais e complexas bem diferentes de nossos espécimes antepassados. No período Paleolítico (10.000 ac) descobrimos a agricultura, e no Neolítico (5.000 ac) descobrimos os metais. 

Se analisarmos pela ótica da Antropologia, veremos que a religião surgiu na vida do homem ao mesmo tempo em que surgiram as regras e os tabus de convivência. 

Quando começamos a estudar as ciências humanas aprendemos que viver em sociedade para o ser humano foi um processo decorrente de 3 fatores que por muito tempo aterrorizaram suas vidas. A natureza, os animais e os próprios seres humanos; esses 3 pontos ao longo da nossa evolução fizeram com que optássemos por viver agrupados com nossos semelhantes. 

Para nos proteger da natureza e seus eventos (oscilações climáticas, tempestades, furacões, tsunamis, terremotos, etc..) nos aglomeramos em tribos. Para nos proteger dos animais aprendemos a arte da caça e da auto defesa. E para nos proteger dos próprios seres humanos criamos as regras, os tabus (hoje em moldes como a constituição em suas leis). Aprendemos que com esses mecanismos diminuiríamos a probabilidade de sofrer as consequências da exposição a eventualidade das coisas, estabelecendo entre nós conceitos que validassem a nossa percepção de estarmos protegidos de riscos, perigos ou perdas.

Porém, mesmo estruturados por mecanismos sociais de defesa, algo ainda mexia muito com a mente da nossa espécie. A morte.

A morte de nossos entes, de nossos semelhantes e companheiros de tribos nos jogava sempre num mar de reflexões a respeito da natureza humana, do quanto ela era frágil e subjetiva. Percebíamos em tais processos que mesmo vivendo numa sociedade que tenta nos proteger dos 3 fatores que de certa forma são os que mais representam risco para a nossa existência, ainda nos encontrávamos vulneráveis... O fato de um acaso inesperado dos fatos poder executar transformações angustiantes, poder subtrair pessoas que gostamos de nossas vidas, e até mexer com a nossa própria percepção a respeito da realidade fez com que o homem pré histórico olhasse para a morte por um viés mais afetuoso e sensível.

Para estudiosos das antigas civilizações, o enterro dos mortos pode ser uma das primeiras formas detectáveis de prática religiosa. Numa sociedade onde o homem tinha como premissa as atividades de ação: a caça, auto defesa e a agricultura. No momento em que começa a se preocupar com os mortos e a reverenciar sentimentalmente os entes que morreram, é que surge uma figura de homem diferente do homem de ação. Surge a postura ascética, ou seja, aquele que se propõe a cuidar desse espaço de culto aos mortos da tribo, criando rituais, rezas, orações. 

Surge nesse período a religião. Numa sociedade de caçadores e agricultores a postura ascética fica sob incumbência de um terceiro tipo de homem que se volta para a vida espiritual, mística, contemplativa e que transita no lugar onde são sepultados os cadáveres. 

Demos a esse terceiro homem o nome de Sacerdote, o representante de tudo que é sagrado dentro de uma sociedade. Se para os pré-históricos o sagrado surge pelo sentimento de vazio perante a perda de entes queridos, o Sacerdote surge como pessoa que cuidaria do espaço sagrado e daria sentido simbólico para esses processos de luto.

Dessa forma, para nos proteger das mazelas naturais e dos próximos criamos as regras sociais e os tabus. E a religião surge paralelamente nos fornecendo um sentido de estarmos no mundo, um sentido para a morte, um sentido para vida. Se vamos morrer, então por qual motivo viver? Foi a religião que forneceu (ou tentou fornecer) essa resposta primeiramente.

Porém, mais do que dar sentido para viver, a religião surgiu junto as regras para nos mostrar que o “bem” estava em viver uma vida ética e de respeito ao próximo. Isso é o “bem” para a religião desde o princípio. 

Se as regras foram criadas pelos antepassados, e os antepassados morreram, e a morte é sagrada, consequentemente deveríamos respeitar as regras dos mortos. A ética e a moral surgem sob essa perspectiva. O mal estaria no que fugisse a esses imperativos. Tanto os eventos devastadores da natureza e a incapacidade de determinados integrantes do grupo em seguir os sentidos éticos é que representam o “mal”. 

A regras dos mortos (a ética da tribo) e o sentido ascético (sagrado) é que guiavam os pré históricos entre o que vinha a ser o “bem” e o que vinha a ser o “mal”, e foi nessa lógica embrionária que construímos nossos conceitos sociais e religiosos. Genealogicamente descendemos desse processo. 

Toda religião precisa responder a questão sobre o “bem e o mal” presentes na vida do ser humano. É papel da religião fornecer um sentido ético para a natureza das ações humanas e dos aspectos naturais do mundo e do universo.

Através da evolução percebemos que diante das complexidades naturais e do ser humano, as religiões a princípio simplificaram essa questão numa dicotomia “bem/mal”. Se apegando nas consequências de cada processo e não nas suas causas. Surgindo assim uma visão do mundo que o dividia em poderes opostos e incompatíveis (o maniqueísmo).

Essa postura maniqueísta foi presente na Pérsia cuja doutrina consistia basicamente em afirmar a existência de um conflito cósmico entre o reino da luz (o Bem) e o das sombras (o Mal). Essa percepção forneceu muita influência para o germe de religiosidades Abraâmicas como o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. A percepção de um Deus bom e um Demônio influenciando os conflitos existenciais.

Um movimento muito importante que tratou desse dualismo foi o Gnosticismo. Movimento religioso, de caráter sincrético e esotérico, desenvolvido nos primeiros séculos de nossa era à margem do cristianismo institucionalizado, combinando misticismo e especulação filosófica. Propunha conhecimento místico das verdades divinas e transcendentes que se referem à condição espiritual do ser humano. Pautado no neoplatonismo, se debruçou em questões profundas da realidade material e pragmática das relações espirituais. O Gnosticismo forneceu as bases para a bruxaria medieval. 

O gnósticos acreditavam que a bondade surgia dentro de nós, que ela vinha da alma. Já o mal, vinha do corpo, com todos os seus pontos fracos, desejos e a tendência de nos levar para o mal caminho. Os dois eram extremamente fortes, mas nenhum deles era poderoso o suficiente para destruir o outro. Em determinados momentos e lugares o mal se sobressaia, mas nunca durante muito tempo. A bondade acabaria retornando e triunfando. Isso explicava por que essas coisas terríveis aconteciam: o mal era proveniente das forças obscuras, e a bondade, das forças de luz.. E toda essa esfera administrada pelo Demiurgo (uma entidade vista como sinônimo de ‘alma do mundo’), responsável pela criação do universo físico, segundo os gnósticos. 

Santo Agostinho (filósofo e teólogo cristão com presente prestígio entre o terceiro e quarto séculos, autor de “A Cidade de Deus” e “Confissões”), aborda o tema da influência de Deus por uma terceira via muito interessante. Pois quem acredita que Deus tem extremo controle sobre nossos destinos terá de admitir que existe muito sofrimento no mundo. Seria difícil negar isso. Parte desse sofrimento é resultado do “mal natural” (terremotos, doenças, etc..) e outra parte deve-se ao “mal moral” (mal causado pelos próprios seres humanos). 

Muito antes de Agostinho, Epicuro reconheceu que isso apresenta um problema. Como poderia um Deus bom e todo-poderoso tolerar o mal? Se Deus não pode impedir que o mal aconteça, então não poderia ser todo-poderoso. Isso não parecia fazer sentido, é uma coisa que confunde as pessoas até hoje. O que acontece então? Esse é o clássico problema do mal, o problema de explicar por que Deus permite tais acontecimentos. Presume-se que se tudo vem de Deus, então o mal deve vir de Deus também. Em certo sentido, Deus deve ter desejado que isso acontecesse.

Agostinho se concentrou no ‘mal moral’. Percebeu que a ideia de um Deus que sabe do acontecimento desse tipo de mal e não faz nada para evitá-lo é difícil de entender. Ele não se satisfazia com a ideia de que Deus age de maneira misteriosa, e que está além da compreensão humana. Ele queria respostas. Ele rejeitou a abordagem “maniqueísta gnóstica” não entendendo por que a luta entre o bem e o mal seria interminável. Por que Deus não vencia a batalha? 

A solução não é nada fácil. O filósofo se baseou na existência do ‘Livre Arbítrio’ (na capacidade humana de decidir o que fazer) para tentar resolver essa questão afirmando que Deus nos concede o livre arbítrio. Agostinho considera que ter livre arbítrio é bom, já que nos permite agir moralmente (utilizando de nossos desejos e impulsos de maneira equalizada diante das regras ou das contingências sociais). Nós podemos decidir ser bons; porém, como consequência podemos também decidir ser maus. Podemos ser desencaminhados e praticar más ações, como mentir, roubar, ferir ou até matar as pessoas. Em sua visão isso acontece quando as emoções humanas subjugam a racionalidade.

Desenvolvemos sim fortes desejos por bens materiais e por dinheiro, cedemos a luxúria e somos distanciados de Deus, mas Agostinho acreditava que o nosso lado racional deveria manter as paixões sob controle, visão que ele partilhava de Platão. Os seres humanos, ao contrário dos animais, têm o poder da razão e deveriam usá-lo. Se Deus nos tivesse programado de modo a sempre escolhermos o bem sobre o mal, não causaríamos nenhum dano a ninguém e nem a nós, mas também não seriamos livres e não poderíamos usar a razão para decidir o que fazer. 

Agostinho argumentava que é muito melhor termos escolha, do contrário seríamos como marionetes nas mãos de Deus, que controlaria nossos fios para que sempre nos comportássemos bem. Não haveria sentido nenhum em pensar sobre nosso comportamento, pois sempre escolheríamos automaticamente a opção do bem. Então, na visão dele, Deus é poderoso o suficiente para evitar todo o mal, mas a existência do mal não está diretamente ligada a Deus. O “mal moral” é resultado das nossas escolhas.

Para alguns espiritualistas e teólogos (principalmente de origem protestante) o destino está traçado por Deus, porém seria interessante olhar para a visão de Agostinho para tentar desconstruir essa visão ‘ordenada’ do mundo. Pois acima de seus escritos, com Santo Agostinho nascem os princípios morais que influenciam posteriormente de maneira ampla os estudos e as argumentações de renascentistas e iluministas responsáveis pela modernização do pensamento ocidental. O racionalismo cartesiano bebe muito dessa fonte para entender o papel do homem diante das leis naturais. A crítica racional e ética de Kant também se instrumentaliza por esse viés, e até a perspectiva hegeliana em muito se influencia pelo papel da mente diante dos fatos a serem pesquisados pelo materialismo dialético.

Saímos, através dos discursos filosóficos, da perspectiva que tratava o mal como uma consequência do conflito entre Deus e o Demônio. Pois o caos habita a natureza ao redor, o caos também habita a natureza humana. E é através dos mecanismos de controle que traçamos formas racionais de lidar com essa realidade. Na história da humanidade percebemos que a necessidade de controlar a natureza e a necessidade de dar um sentido para a morte foi o que nos fez criar as regras sociais e a religião. Por muito tempo, após essa construção, cremos que o bem e o mal era uma questão presente no mundo como duelo de forças. Mas hoje sabemos que o bem e o mal são conceitos morais e que o livre arbítrio do homem é a ferramenta para lidar com esses processos.

“A sabedoria é boa” – essa é uma premissa tida como do bem, porém a sabedoria só será boa se utilizada para o bem estar coletivo. 
Para o bem existir é necessário que o ser humano julgue que a sua ação poderá surtir efeitos positivos para os demais. Se nesse processo de escolha das ações o ser humano decidir fazer algo que não se pode universalizar, então surgirá o mal.

O bem e o mal cada vez mais sai do âmbito da espiritualidade como sendo “forças em conflito”. A espiritualidade surge como mecanismo de auxílio evolutivo, de abertura de caminhos e de intuições para que possamos nos tornar seres humanos mais aptos a julgar eticamente as questões. 

Existem leis físicas, químicas e biológicas na natureza. Existem leis psicológicas que o ser humano obedece. O que conecta o homem a natureza é o processo energético. O processo espiritual, ou influência de maus espíritos contribui em muito pouco para a presença do mal. Um quiumba pode se aproveitar da sua debilitação moral e ética, do seu mal exercício do livre arbítrio, mas não efetuar uma rasura nas suas características se elas estiverem em equilíbrio e em evolução.

O bem e o mal são criações do homem, a responsabilidade para se proteger dos eventos da natureza é uma prerrogativa do homem e seu exercício racional. O Direito é uma ciência para lidar com o mal exercício do livre arbítrio, é papel do homem promulgar leis efetivas. 

O que existe é livre arbítrio. Se bem exercido socialmente, moralmente, racionalmente, a sociedade viverá “boas” situações. Se mal exercido o livre arbítrio a sociedade viverá “más” situações. As leis do Carma e as Leis de Retorno obedecem a essa lógica. É o homem que causa suas consequências, ele é responsável pelo que escolhe e responsável pelo que colhe. A espiritualidade não cria o mal e nem o bem, apenas participa do processo evolutivo de cada um fornecendo ou subtraindo conforme merecimento. 

Exercer o livre arbítrio é saudar os ancestrais, reverenciar suas lutas para manter as tradições que eles criaram, as filosofias que trouxeram para o convívio social... Essa é a lei ao qual Exu transita. Você pode não se apegar a religiões e a nenhuma tradição, mas se não exercer de maneira positiva suas ações morais consequentemente colherá frutos drásticos, que promoverão novas situações árduas para conseguir lidar novamente quem essa sua dificuldade. Exu é um cobrador, não promove o mal, apenas cobra que estejamos em pleno exercício de nosso livre arbítrio e seguindo nos caminhos da evolução moral. 

O mundo é inerte a isso. O mundo está aquém dos conceitos de “bem ou mal”. No mundo e no Universo existem energias que podem contribuir para fortalecer o senso humano. Mas o senso humano é que constrói o que é bom ou ruim através de suas escolhas morais e racionais.

Se na pré história nós aprendemos a entender a vida pela perda dos entes queridos e fizemos do papel da religião um processo de significação dos acontecimentos. Hoje evoluímos! Hoje o papel da Religião acima de tudo é contribuir para lapidação do senso do ser humano, influenciar os homens para que busquem conhecimento de causas e efeitos, e principalmente melhorando cada vez mais o exercício do livre arbítrio. Hoje sabemos que a responsabilidade é do homem. O bem e o mal é uma questão moral, e exercer a moral não depende da espiritualidade a priori, mas sim de nós mesmos. 

O primeiro passo da magia é o livre arbítrio. Uma noção profunda dele.
Mentalismo positivo, vibração positiva, noção das causas e dos efeitos. Não transfira sua responsabilidade para terceiros.
Deus não tem nada a ver com o mal.

Blessed Be

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