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domingo, 26 de fevereiro de 2017

Orixás e suas Oferendas

Prezado leitor, é sem pretensão alguma, a não ser de colaborar e ajudar e ao mesmo tempo com muito orgulho, que tenho a honra de passar a vocês este belíssimo trabalho referente a oferendas dos Orixás. 
Esta Obra é mais um trabalho do autor, destinada a futuros Babalorixás, Ialorixás, Babalaôs, Pais, Mães e Zeladores de Santos etc. que têm a ânsia, a força de vontade e o direito de aprender os fundamentos religiosos das nações africanas dos Orixás praticadas em solo brasileiro-- muitas vezes por egoísmo, falta de conhecimento ou até mesmo para que os futuros Babalorixás, Ialorixás, Babalaôs, Pais, Mães e Zeladores de Santos etc. não fiquem na dependência religiosa do seu feitor, Baba e até mesmo do templo religioso, pois o mesmo acaba não transmitindo todos os seus conhecimentos a seus sucessores. 
Dentro da religião africana não existem trabalhos, rituais, magias, oferendas e segredos que não possam ser transmitidos a esses futuros religiosos. Os cultos africanistas nos legaram esse poder, e quem pratica esses cultos com seriedade e sabedoria têm o direito de viver esse mistério e conviver com estas magias que podem até mudar a vida das pessoas. 
Sim, podemos mudar muita coisa, inclusive mexer com o destino da pessoa, desde que isso seja feito com cuidado e responsabilidade. Podemos alterar, nem que seja um pouco, o curso de muitas coisas e o destino das pessoas devido a essa intimidade com os Orixás, a natureza e suas energias. 
Tudo isso graças aos negros africanos que nos presentearam com esses rituais fantásticos, emocionantes, fascinantes, empolgantes, comoventes e altamente perigosos e eficazes, capazes de mudar a vida dos seres humanos. 
A prática de cada item citado nessa obra pode ser feita por leigos, iniciantes ou médiuns de qualquer religião ou nação africana. As oferendas apresentadas são universais e podem ser praticadas em qualquer estado ou país, modificando-se apenas alguns itens, números ou cores, se for necessário, conforme a nação africana. 
Elas também podem ser praticadas por pessoas dos mais diversos segmentos religiosos, desde que acreditem nos Orixás, tenham fé, confiança e convicção. Todos e quaisquer tipos de oferendas são métodos que podem ser usados para ativar as forças da natureza, dos Orixás e também as nossas próprias forças. Para realizar uma oferenda, há de se ter o máximo de cuidado com o quê, onde e para quem oferendar. 
Uma oferenda correta num local ou Orixá errado ou uma oferenda errada num local ou Orixá certo, pode não causar efeito algum e até mesmo causar efeito contrário. As oferendas são rituais compostos de comidas, frutas, bebidas, carnes, flores, velas, orações e todo e qualquer tipo de ofertas ou agrados que costumamos oferecer aos Orixás. 
Essas mesmas oferendas servem para homenagear, cultuar e fortalecer os nossos vínculos com os Orixás, e também são muito usadas em formas de trabalhos, seguranças, firmezas e defesas para que eles possam nos ajudar e nos defender das coisas ruins no nosso dia a dia. 
É um dos métodos mais práticos de se ativar as energias e correntes positivas, a fé, a autoconfiança e a convicção de que será alcançado o desejo pedido. Essas oferendas atraem, concentram e canalizam energias e correntes positivas, condensam, dispersam e repulsam energias e correntes negativas. 
Todas as oferendas podem ser feitas em diferentes pontos de força dos Orixás, como mar, rios, mata, pedreira, cruzeiro, cemitério, beira de estrada, locais movimentados, assentamentos ou em seu altar dos Orixás.
Uma oferenda pode ser simples ou farta, que produzirá o mesmo efeito. 
O importante é fazê-la com amor, fé e confiança nos Orixás e principalmente em si mesmo. Quando bem apresentada, eleva consideravelmente a força fluídica que se encontra ao redor do perispírito (energia perispiritual). Essa é uma das energias que as entidades manipulam e direcionam para ajudar na realização dos nossos desejos. 
Como é de costume na religião africana em todas as nações, além das oferendas, ofertas e agrados aos Orixás os Babalorixás, Ialorixás, Babalaôs, Pais, Mães e Zeladores de Santos etc. costumam oferecer uma grande festa anual ao seu Orixá e também aos seus convidados em forma de agradecimento por tudo o que se conseguiu até o momento. Sempre há alguém oferecendo alguma coisa em algum lugar. Em diversos estados e países, há pessoas de diferentes crenças religiosas que oferecem algo, conforme sua cultura e crença religiosa em troca de paz, saúde, felicidades, progresso etc. 
Nas oferendas dos Orixás, como em todo preceito espiritual e trabalhos de origens africanas, para que cada um de nós tenha êxito e consiga o que deseja, é fundamental que tenhamos fé, confiança e convicção. 
E, naturalmente, confiança nas forças que o executam, e também, no fim justo e bom do que se deseja conseguir. Todas as oferendas contidas nesta obra são eficazes. 
No entanto, dependem muito do sacrifício, fé e merecimento de cada um, pois elas só trarão um bom resultado se forem usadas por pessoas honestas e por uma boa causa. Caso contrário, elas não terão efeito algum. Nenhum Orixá admitirá ou permitirá que a desonestidade se espalhe entre os irmãos de religião africana e até mesmo de outras religiões. 
São oferendas simples, mas de muito fundamento e que com certeza ajudará muitos adeptos novos, iniciantes ou até mesmo simpatizantes da religião africana. 
Deixo claro também que essas oferendas, as características dos Orixás e de seus filhos que irei ensinar não têm nada de misterioso e tampouco estou desvendando os segredos do Axé: são apenas sugestões didáticas e tradicionais do povo africanista que também poderão sofrer algumas alterações de cor, número, dias etc., conforme o estado, país ou nação africana praticada. 
Com elas estamos apenas ordenando e auxiliando milhares de simpatizantes que estão por aí abrindo casas e se intitulando Babalorixás, Ialorixás, Babalaôs, Pais, Mães e Zeladores de Santos, agindo por conta própria, ao sabor das ondas da imaginação, sem um conhecimento básico sobre a cultura africana e sem fundamento algum. 
Como não podemos controlar essas ervas-daninhas que se espalham cada vez mais pelo país deteriorando e prejudicando o nome da religião africana, vamos procurar ensiná-los, orientá-los e capacitá-los para que façam pelo menos um pouco certo os seus rituais e trabalhos, pois assim não prejudicarão tanto a religião e principalmente a vida das pessoas que lhe procurarem pedindo algum tipo de auxílio através dos Orixás. 
As oferendas dos Orixás que irei ensinar são algumas das mais simples das muitas que existem e você pode levar como oferenda, trabalho, defesa ou firmeza sua, ou de alguém conhecido que esteja precisando de ajuda, direto ao ponto de força dos Orixás. 
Ex: praia, rio, mata, cachoeira, mar, estrada, encruzilhada etc. juntamente com uma vela na cor pertencente ao mesmo, ou, se preferir, pode-se arriar no seu assentamento ou altar dos Orixás velando de 3 a 7 dias mais ou menos e despachando num dos pontos de força conforme o Orixá, e de preferência afastado de casas residenciais, ou ainda se preferir, depois de velar pode enterrar no seu pátio sem problema algum. 
Como já foi dito, essas oferendas feitas com fé, além de ativar as nossas forças, ativam também as forças da natureza que são os Orixás, atraem, concentram e canalizam energias e correntes positivas, condensam, dispersam e repulsam energias e correntes negativas. 
Por esse motivo, aconselho que sempre que você puder, faça uma oferenda ao seu Orixá ou a um determinado Orixá caso não saiba qual é o seu, pois eles são as forças da natureza que nos move no dia a dia. Podem ser colocadas em cima de folhas de mamoneiro, bananeira ou numa bandeja de papelão forrada.
Antes de arriar ou velar essas oferendas, elas podem ser passadas no corpo de uma pessoa que estiver necessitando de ajuda, podendo ser feita no dia da semana correspondente ao Orixá ou a qualquer dia e hora no seu assentamento ou altar dos Orixás ou ainda direto ao ponto de força do Orixá. 
Porém, se for levar direto ao ponto de força do Orixá, deve ser feito pela manhã cedinho, bem à tardinha ou à noite se preferir. 
O mesmo vale para a hora de despachar ou enterrar, caso seja velada no assentamento ou altar dos Orixás. Qualquer tipo de oferendas que irei ensinar no decorrer desse livro, pode ser feita por qualquer tipo de pessoa, independente de cor, raça, situação financeira, crença religiosa e até mesmo de nação africana – nagô, cabinda gegê, ijejá, candomblé, oyó etc. 
Essas oferendas podem ser oferendadas aos Orixás,com varias finalidades como foi dito anteriormente, podendo também serem acompanhadas do sacrifício de uma ave (galo, galinha, angolista, pombo etc.) na cor e tipo correspondente ao Orixá e a sua nação africana. Mas, esse ritual só pode ser feito por pessoas capacitadas e que tenham conhecimento no assunto e principalmente Axé de faca (mão de faca), portanto, só pode ser feito por Babalorixá, Ialorixá, Pai de Santo, Mãe de Santo, Babalaô, Zelador de Santo etc. 
Ou seja, por pessoas que cultuam os Orixás pelo lado africano (nagô, cabinda gegê, ijejá, candomblé, oyó etc.) e não pelo lado de Umbanda, que não pratica qualquer tipo de cortes ou sacrifícios de animais aos seus Orixás. 
Não ensinarei como sacrificar a ave, nem sobre o destino que será dado a mesma depois de sacrificada. Até mesmo porque quem usar desse preceito com certeza saberá sacrificar e dar o destino certo à ave sacrificada, baseado na sua raiz, preceito ou fundamento da nação africana que se pratica – e que varia muito de uma nação para outra – cuidando sempre e tendo o máximo de atenção possível para não prejudicar ou ofender a comunidade, a natureza e principalmente os Orixás do panteão africano. Há muitos outros Orixás, Voduns, Inkicis, Erumalés etc. que não serão citados nesta obra porque não são muito cultuados no Brasil, assimcomo em alguns locais de suas próprias origens em que certos Orixás que ocupam uma posição dominante em alguns lugares estão totalmente ausentes em outros. 
Por exemplo, o culto de Xangô, que ocupa o primeiro lugar em Oyó, é oficialmente inexistente em Ifé, onde um deus local, Oramfé, está em seu lugar com o poder do trovão. 
Oxum, cujo culto é bastante marcante em Ijexá, é totalmente ausente em Egbá. Iemanjá, que é soberana em Egbá, é totalmente desconhecida em Ijexá etc. 
Se repararmos, isso também acontece mais ou menos parecido no Brasil, onde um terreiro em que a pessoa que comanda pertence ao Orixá Xangô, tem esse Orixá como figura de destaque no terreiro, porém quando essa mesma pessoa de Xangô que comanda o terreiro aprontar um filho de outro Orixá, como Ogum, com todos os assentamentos e axés exigidos dentro do ritual, e liberá-lo para abrir seu próprio terreiro, esse primeiro Orixá, no caso Xangô, continua sendo cultuado juntamente com os outros Orixás e seus assentamentos, mas perde o destaque para o Orixá Ogum, que é o dono da cabeça do médium e agora comanda o novo terreiro. 
Só com este pequeno relato pode-se ter uma ideia do que é a união, parceria e irmandade dos Orixás, em que tanto faz se estiver um ou outro no poder, pois as suas responsabilidades com seus pupilos, médiuns, consulentes e também com a natureza e até com a evolução do planeta, continua a mesma, onde cada um faz a sua parte para manter o equilíbrio de tudo, sem distinção de quem está no poder ou não. 
Pena que isso não acontece com a maioria dos seres humanos. Portanto, nessa obra só serão citados alguns dos Orixás mais tradicionais e cultuados no Brasil e algumas de suas Oferendas. Encerro esta introdução pedindo a todos os Babalorixás, Ialorixás, Babalaôs, Pais, Mães e Zeladores de Santos, Filhos de Santos e simpatizantes que divulguem mais a religião africana, assumam ser africanistas, conversem, expliquem, ensinem os que não têm noção alguma, troquem trabalhos, rituais, magias com os mais antigos, não levem para o túmulo todos os seus conhecimentos e vivências dentro da religião, deixem com alguns filhos, sejam amigos, irmãos, colegas, companheiros de religião. E já que temos e cultuamos nossos Orixás no Ori (cabeça), que sejamos unidos como se fossemos um panteão dos Orixás, onde cada um faz e controla a sua parte para que haja sempre o equilíbrio nesse planeta. 
Só assim faremos com que nós, nossos Orixás e nossa religião sejam mais respeitados e cresçam a cada dia que passa. Tenho certeza de que se assim agirmos agora, com o passar de alguns anos e mesmo não estando mais aqui nesse planeta, ainda assim em espírito nos sentiremos orgulhosos de termos colaborado e feito parte do crescimento da religião africana em solo brasileiro, sentindo na alma aquela sensação do dever cumprido para com os Orixás e com os nossos irmãos que ainda permanecem nesse planeta de aprendizados. 
Não somos apenas um ramo religioso, somos uma religião séria, somos respostas aos seres humanos, somos uma missão no Universo. Está em nossas mãos, Babalorixás, Ialorixás, Babalaôs, Pais, Mães e Zeladores de Santos, Filhos de Santos e simpatizantes de todas as nações a responsabilidade de continuarmos a vontade de todos nossos Orixás, deixando um legado para os que vierem depois de nós. Que a força de todos os Orixás, de Bará à Oxalá, possa estar sempre junto de vocês, meus queridos Irmãos. AXÉ!

Por: Evandro Mendonça

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