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quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

O Cachimbo na Jurema e na Umbanda

O cachimbo é um instrumento bastante conhecido e apreciado na Umbanda. Normalmente o vemos na boca de um Preto Velho, que sabiamente o pita quando aconselha um filho de fé.

A origem do cachimbo é muito antiga e ele é encontrado em todos os continentes, possui diversos formatos e é fabricado com materiais variados.Na Mãe África o cachimbo é empregado pelos curandeiros nativos com finalidades mágicas e religiosas. O Kimbanda – o mago bantu – nunca deixa seu Pexi (cachimbo) de lado. Nei Lopes, no Novo dicionário banto do Brasil, afirma que a origem da palavra vem do idioma kimbundu: kuxiba, "chupar" (a fumaça).

Nossos indígenas são peritos na arte de cachimbar e os pajés são verdadeiros mestres cachimbeiros.

Seja na boca de um Preto Velho ou de um Caboclo, que também usa o charuto para a mesma finalidade religiosa, o cachimbo possui muitos segredos.

Na Pajelança Cabocla e na Jurema Sagrada, uma variante da Pajelança Indígena, ele é símbolo do Universo.

Seu forno, onde colocamos ervas misturadas ou simplesmente tabaco, é a imagem da Mãe Mata - o feminino sagrado. O tubo, por onde a fumaça é aspirada, representa o Pai Céu - o masculino sagrado.

As ervas colocadas no forno são as criaturas viventes: os minerais, os vegetais e os animais. A fumaça é a Natureza em movimento, o sopro que tudo envolve e o espírito que anima os seres.

Quando a fumaça cobre um objeto ou um vivente, ela infunde o poder do encanto que liga a Terra ao Céu, e o Mundo Humano ao Mundo Divino.

Pitar o cachimbo, dentro de um ambiente religioso, é um ato sagrado. O cachimbeiro é um veículo dos bons espíritos e um agente da cura dos males do corpo e da alma.

O cachimbo de um pajé não é mera madeira. Ele é um aliado e uma criatura com alma.

Nos rituais da Pajelança Cabocla e da Jurema o pito recebe um nome mágico. Ele é lavado com ervas secretas e depois é enterrado numa Lua Cheia especialmente escolhida.

Num ritual fechado para os não iniciados, o cachimbo é retirado do ventre da terra e é festejado como um novo membro da irmandade.

Como “virou bicho”, no linguajar dos curandeiros da floresta, ele será alimentado, de tempos em tempos, com sumos vegetais. Também habitará numa toca, lugar escuro e quieto, onde repousará depois das sessões de cura.

Na calada da noite o cachimbo fala com o pajé e toma a forma de um animal de poder... Ele está vivo!

Ervas variadas podem ir dentro do Petenguá, como os guaranis chamam o cachimbo. A ordem delas varia segundo a finalidade, o momento e a intenção do ritual.

Plantas brasileiras e de outras terras formam a farmácia do cachimbeiro caboclo. O tabaco é a mais conhecida.

Na Pajelança Cabocla o Pai Tabaco possui dois espíritos aliados: a Yawara (onça) e a Yibóia (Jibóia). A onça é uma emanação da Mãe da Mata e a jibóia é sua filha. Estes dois espíritos são invocados quando o pajé se enfumaça e canta as palavras certas, que convidam os aliados a se manifestarem nesse mundo.

O Pajé Avarumã, nosso amigo e mestre, fala que nenhum curandeiro pode usar o tabaco como recreio! Quem é viciado no tabaco, diz ele, caiu na rede dos espíritos e está cativo. Uma pessoa viciada é uma escrava da planta, acaba doente e deve prestar conta aos encantados.

Nenhum iniciado nos saberes da mata pode ser escravo! Afinal, um xamã é um guerreiro... Cachimbo e tabaco só nos rituais de fé.

Quando armados com o cachimbo, fala o sábio da floresta, nos erguemos como uma árvore muito alta. Nossa cabeça toca o céu, nossos pés afundam no solo... O coração bate junto com o da Mãe Terra e por nossas veias corre o sangue verde dos espíritos.

A Pajelança Cabocla possui dois ramos espirituais: o Caminho do Cachimbo (Casa do Fogo e do Ar) e o Caminho do Maracá (Casa da Terra e da Água). No primeiro ramo, o futuro guerreiro curandeiro estuda os mistérios do Mundo da Fumaça, onde moram os sonhos e os aliados. Ele também aprende que o cachimbo está no corpo: o forno é a cabeça e o tubo é a coluna vertebral.

Dentro do cachimbo-corpo o pajé coloca as ervas e adiciona o fogo (espiritual), para a fumaça (alma) sair e viajar até os encantados.

O cachimbo é quem cachimba o cachimbeiro, fala Avarumã.

Outras plantas fumáveis são também utilizadas. As mais comuns, que podemos encontrar com facilidade e foram reconhecidas pelos curandeiros como amigas espirituais, embora de origem estrangeira, aqui estão.

Alfazema: muito empregada em defumações e fumaçadas no culto da Jurema Encantada. Ela entra na composição da mistura básica de esfumaçamento, junto com tabaco forte, incenso (olíbano) e alecrim.



Artemísia - chamada de Tabaco de São Pedro: usada na forma de charuto, pó, chá, tintura, extrato, essência, sumo, banho e até vinho (Vinho de São Pedro). Ela é tônica e vermífuga. Não deve ser usada em grande quantidade como chá, mas fumada é inofensiva.Uma mistura de cachimbo famosa é a “Velha Bruxa”: 10 gramas de folha de figueira, 15 gramas de verbena, 30 gramas de tabaco suave e 5 gramas de artemísia. Ela também é usada no Tauarí ou charuto de pajé.


Escarola – conhecida como Tabaco Longa Vida: uma planta fumável bem conhecida e usada para substituir o tabaco. Empregada como alimento, loção, pó, charuto, loção e cataplasma por centenas de anos. Ela é nutritiva, depurativa, analgésica e sedante, por isso não deve ser fumada em grande quantidade. Combinada com um pouco de artemísia obtemos um boa fonte de fumaça curativa.



Verbena: a preferida pelos Mestres dos Bosques – os curandeiros bruxos de Portugal - que foram exilados para o Brasil no período colonial. Boa planta para fumar, mas deve ser misturada com artemísia e tabaco. Uma maravilha para defumar. Ela purifica o ambiente e destrói os miasmas (energias negativas aglomeradas nos cantos das casas).



Muito ainda podemos contar sobre este instrumento sagrado. É uma pena que alguns centros de Umbanda estão deixando o cachimbo de lado e adotando o cigarro.

Outros centros estão abandonando a fumaça, seja a do cachimbo ou a do defumador. Isso é preocupante. O cachimbo e a fumaça sagrada estão no início da história da Umbanda, desde que o primeiro Preto Velho sentou no seu canto e pediu o querido pito...



Seria triste ver a alegre e perfumada Umbanda parecendo uma melancólica e inodora igreja evangélica!


Salve o cachimbo e viva a fumaça!

 Edmundo Pellizari

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