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sábado, 7 de janeiro de 2017

A Reencarnação na visão da Umbanda

Muito se fala dentro dos dogmas espíritas sobre "reencarnação". Mas o que seria reencarnação? Como é visto essa colocação entre as pessoas que pregam essa verdade? Como será que devemos nos permanecer junto a algumas polêmicas vindas de pessoas descrentes e 
informadas sobre esse assunto? Antes de tudo vamos falar da palavra "reencarnação" em si. Vamos ver qual é o significado no dicionário Aurélio: "reencarnação s. f. Ato ou efeito de reencarnar(-se). reencarnar v. Intr. e pron. Tornar a encarnar-se; reassumir (o espírito) a forma material." Ou seja, viver, morrer, viver novamente, morrer novamente até estarmos evoluídos para uma próxima caminhada sem precisarmos ter a matéria ou estar nesse planeta como ser vivente. Mas em uma visão mais espiritualista vamos perguntar: O que é a reencarnação e pra que ela nos serve?
A Reencarnação é voltar a viver num novo corpo físico. É uma nova oportunidade de aprendizado, como prova do amor de Deus para seus filhos. A Reencarnação é o processo pelo qual o espírito, estruturando um corpo físico, retorna, periodicamente, ao polissistema material. Esse processo tem como objetivo, ao propiciar vivência de conhecimentos, auxiliar o espírito reencarnante a evoluir. O reencarne obedece a um princípio de identidade de frequências, ou seja, o espírito reencarna em um determinado continente, em um determinado país, em uma determinada região desse país, em uma determinada localidade dessa região, com determinadas características culturais (idioma, usos, costumes, valores, tradições, história etc.), bem como em uma determinada família, de acordo com a sintonia que a frequência do seu pensamento consiga estabelecer em relação a cada um desses elementos. O espírito encarnado, fundamentando-se em seu existente (a bagagem de conhecimentos e experiências adquiridos ao longo de toda a sua história, seja encarnado, seja desencarnado), passa a exercitar sua capacidade, a constatar e desenvolver suas potencialidades, enfim, passa a construir seu momento presente e seu momento futuro. Vai enfrentando contradições, dificuldades, obstáculos, facilidades, administrando encontros e desencontros, permanecendo no seu plano geral ou se desviando em função de algumas variáveis do processo, mas sempre de acordo com sua vontade. No exercício do livre-arbítrio, o espírito encarnado vai construindo seu equilíbrio ou seu desequilíbrio, de acordo com a maneira pela qual enfrenta as situações e a vida. Vai, por assim dizer, determinando-se, segundo a natureza de seus pensamentos e atos. Por menos que faça, ou por mais que se desequilibre, o espírito sempre alcança progressos em um ou outro aspecto do seu ser .
A evolução não está necessariamente vinculada ao tempo de vida material, mas à intensidade com que ela é vivida. A quantidade de experiências e o aproveitamento que é feito delas é fundamental para o crescimento do espírito, não importando se as experiências estão sendo vivenciadas no polissistema material ou espiritual. É de se ressaltar que, entre uma encarnação e outra, o espírito continua trabalhando, continua aprendendo, continua evoluindo, de modo que ele não reencarna no mesmo estágio em que desencarnou. Somente através da reencarnação se prova a justiça e a bondade de Deus, pois é a única explicação racional para as desigualdades sociais existentes no mundo. Como explicar o fato de crianças que morrem em tenra idade, enquanto outras criaturas vivem quase 100 anos? Como explicar os que nascem com saúde perfeita, enquanto outros nascem com deficiências físicas grosseiras? Somente a reencarnação nos dá a chave desse "mistério". Com as múltiplas experiências na carne, temos a chance de adquirir e aprimorar conhecimentos que velocímetro ainda nos faltam nos campos do intelecto e da moral. Além de reatar as amizades com nossos inimigos e reparar erros do passado. Quando estivermos evoluídos moral e intelectualmente, não mais necessitaremos reencarnar. Muitas pessoas se perguntam, quantas reencarnações já tivemos, ou quantas teremos ainda.
Mas não podemos precisar esses números, pois isso depende do estado evolutivo em que se encontra o Espírito. Algumas pessoas evoluem mais rápido por seu maior esforço, portanto necessitam de passar menor número de vezes na carne, outros são mais lentos permanecendo mais tempo no mundo de sofrimentos. Tudo dependerá de nós. Quanto mais rápido progredirmos moral e intelectualmente, menos encarnações teremos que sofrer. Quando nosso Espírito tiver alcançado todos os graus de evolução moral e intelectual, seremos Espíritos puros. E após todo esse tempo de encarnação, desencarnação e reencarnação, seremos encarregados de cumprir os desígnios de Deus, colaborando com a manutenção da ordem universal e transformando-nos em Seus mensageiros. O trabalho nunca acabará, pois a criação divina é incessante e há diversos mundos em faixa de evolução diferentes.
Os Espíritos fazem parte do conjunto de inteligências que governam o Universo, mas, em termos de existência, estão ligados a Deus, assim como folhas em uma árvore ou gotas no oceano. Muitas pessoas se questionam o porque não temos lembranças vivas e claras de nossas vidas passadas, mas isso é simples de demonstrar e explicar. Estamos encarnados para evoluirmos, precisamos vencer os erros de outras vidas, portanto o esquecimento temporário das vidas passadas é uma necessidade. Não devemos nos lembrar das vidas passadas enquanto estamos encarnados, e nisso está a sabedoria de Deus. Se lembrássemos do mal que fizemos ou dos sofrimentos que passamos, dos inimigos que nos prejudicaram ou daqueles a quem prejudicamos, não teríamos condições de viver entre eles atualmente. Pois, muitas vezes, os inimigos do passado hoje são nossos filhos, irmãos, pais e amigos, que, presentemente, se encontram junto de nós para a reconciliação. Por isso a reencarnação é uma bênção de Deus para seus filhos.
As lembranças de erros passados certamente trariam desequilíbrios de toda ordem, uma vez que estamos muito mais perto do ponto de partida do que do ponto de chegada, em termos de caminhada evolutiva. Depois de desencarnado, normalmente nos lembramos de parte desse passado, conforme o grau evolutivo em que nos situamos. Resumidamente, reencarnação não serve para explicar tragédias e desgraças; não serve para esconder a ignorância, não serve como desculpa ao imobilismo; não serve como consolo para aquelas situações que deveriam ser modificadas e não o são; não serve para destacar o passado e paralisar o presente. Reencarnação é oportunidade de aprendizado, é oportunidade de se aplicar o que se sabe e superar as limitações através de vivências sucessivas no polissistema material. Reencarnação é afirmação da unidade e da continuidade da vida. Dentro de uma visão mais abrangente, podemos dizer que temos que viver essa reencarnação para que possamos nos educar e consertar erros do passado, aprendermos a conviver com algum fato ou pessoa que possivelmente nos fez algum mal ou vice versa, aprendermos as lições que nos foi dada para elevarmos a nossa evolução espiritual. Portanto estamos nessa vida de passagem apenas para evoluirmos, apenas para aprendermos, apenas para perdoar e sermos perdoados, apenas para nos prepararmos para a próxima lição.
Vamos viver de acordo que possamos desencarnar e reencarnar de uma maneira que possamos aumentar nossa luz evolutiva, e para isso temos que usar, e usar bem o nosso livre arbítrio para chegarmos a pureza desejada por Deus, nosso Pai Maior.

Carlos de Ogum Colaboração de: Catarina de Xangô

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