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sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Posted: 16 Nov 2016 06:54 AM PST

INTRODUÇÃO


A Umbanda é uma religião tipicamente brasileira que considera elementos de outras religiões como o catolicismo, religiões espíritas, indígenas e afro-descendentes. Portanto, é comum incluir em seus ritos, dogmas e doutrina alguns conceitos destas religiões. 

Neste artigo falaremos de um procedimento mais característico das religiões afro-descendentes. Nestas religiões, muito da doutrina é repassado aos médiuns por lendas ancestrais. Exu é o princípio, o ser mais próximo dos homens, é o guardião, o sentinela, o iniciador. 

LENDA 1

No reino Exu seria filho de Yemanjá e devido a sua fome incontrolável, ele comia de tudo. Comeu inclusive todos os animais do reino. Exu não tinha critério, tinha fome! Comeu os animais de duas patas, os de quatro, os de pena, etc. Comeu os cereais, as frutas até as pimentas! Bebeu toda cerveja, toda aguardente e vinhos! Exu adora festas, boa fartura e boa comida.

Era tanta a sua fome que começou a devorar as árvores, as folhas, os pastos e o mar! Orunmila furioso pensou em tomar alguma providência antes que Exu chegasse a comer o céu. Pediu então ao irmão guerreiro de Exu (Ogum) que o detivesse a qualquer custo, tendo Ogum que matá-lo. 

Mesmo depois de morto, a fome não deteve Exu. Um sacerdote da aldeia recorreu aos búzios de Ifá e alertou Orunmila que ainda era necessário fazer oferendas a exu para que sua fome não continuasse a destruir a humanidade. Orunmila ordenou então que cada Orixá que fosse comer, antes fosse dado de comer a Exu para que sua forme não atrapalhasse as demais atuações divinas sobre a natureza. Este e outros contos sobre os Orixás podem ser lidos na integra na seguinte indicação de leitura:


Essa lenda faz muito sentido ao vermos que Exu coloca para fora o que há de pior em nós: nossa fome, nosso egoísmo, nossa energia, nossos prazeres, nossos desejos, nossas necessidades, etc. Não se faz uma única entrega a um Orixá sem antes oferendar a Exu. 

É Exu quem comerá primeiro seguindo a tradição religiosa e leis do universo para que as demais oferendas possam ser absorvidas na íntegra sem prejuízo de intenção. E na sua casa, Exu come? Na dúvida, sempre procure o pai de santo de sua confiança. Umbanda é fundamento e é preciso estudar!

LENDA 2

Uma outra lenda refere Exu como sendo o cozinheiro dos Orixás. Exu atendia em especial os pedidos de Xango e Ogum que eram Orixás muito exigentes e faziam grandes exigências quanto a condimentos e preparos. Em uma determinada refeição, os Orixás pedem uma comida típica e Exu esquece de colocar pimenta. 

Xango irritado reclama e pede a Exu que vá buscar a pimenta. Exu sai em busca da mesma e ao voltar encontra as panelas vazias, ou seja, comeram sem esperar Exu. Irritado, Exu joga tudo no chão e se nega a cozinhar sem antes ele provar de tudo, em outras palavras, sem ele ser o primeiro a comer. Podemos ler esta e outras lendas na seguinte indicação de leitura: 

LENDA 3




Para que os seres humanos possam viver bem neste mundo, é preciso estar bem com os deuses. Por isso os homens propiciam os orixás, oferecendo-lhes um pouco de tudo o que produzem e que é essencial à vida. As oferendas dos homens aos orixás devem ser transportadas até o mundo dos deuses, o Orum. O orixá Exu tem esse encargo de transportador. Também é preciso saber se os orixás estão satisfeitos com a atenção a eles dispensada pelos seus descendentes, os seres humanos. Exu propicia essa comunicação, traz suas mensagens, é o mensageiro. É fundamental para a sobrevivência dos mortais receber as determinações e os conselhos que os orixás enviam do Aiê. Exu é o portador das orientações e ordens, é o porta-voz dos deuses e entre os deuses. 

Exu faz a ponte entre este mundo e o mundo dos orixás, especialmente nas consultas oraculares. Como os orixás interferem em tudo o que ocorre neste mundo, incluindo o cotidiano dos viventes e os fenômenos da própria natureza, nada acontece sem o trabalho de intermediário do mensageiro e transportador Exu. Nada se faz sem ele, nenhuma mudança, nem mesmo uma repetição. Sua presença está consignada até mesmo no primeiro ato da Criação: sem Exu, nada é possível. O poder de Exu, portanto, é incomensurável.

O sacrifício é o meio através do qual os humanos se dirigem aos orixás, e o sacrifício significa a reafirmação dos laços de lealdade, solidariedade e retribuição entre os habitantes do Aiê e os habitantes do Orum. Sempre que um orixá é interpelado, Exu também o é, pois a interpelação de todos se faz através dele. É preciso que ele receba a oferenda, sem a qual a comunicação não se realiza. A relação homem-orixá tem como fundamento a materialidade do sacrifício, a concretude da oferenda. Isso é uma definição religiosa, um ponto de partida essencial na concepção africana do sagrado. A própria possibilidade do homem professar a sua religião de orixás — seja na África, no Brasil, ou noutro lugar —  depende, pois, do trabalho de Exu.

Como mensageiro dos deuses, Exu tudo sabe; não há segredos para ele, tudo ele ouve e tudo ele transmite. E pode quase tudo, pois conhece todas as receitas, todas as fórmulas, todas as magias. Exu trabalha para todos, não faz distinção entre aqueles a quem deve prestar serviço por imposição de seu cargo, o que inclui todas as divindades, mais os antepassados e os humanos. 

Exu não pode ter preferência por esse ou aquele. Mas talvez o que o distingue de todos os outros deuses é seu caráter de transformador: Exu é aquele que tem o poder de quebrar a tradição, pôr as regras em questão, romper a norma e promover a mudança. Não é, pois, de se estranhar que seja temido e considerado perigoso, posto que se trata daquele que é o próprio princípio do movimento, que tudo transforma, que não respeita limites. Assim, tudo o que contraria as normas sociais que regulam o cotidiano passa a ser atributo seu.

Exu carrega qualificações morais e intelectuais próprias do responsável pela manutenção e funcionamento do status quo, inclusive representando o princípio da continuidade garantida pela sexualidade e reprodução humana, mas ao mesmo tempo ele é o inovador que fere as tradições, um ente portanto nada confiável, que se imagina, por conseguinte, ser dotado de caráter instável, duvidoso, interesseiro, turbulento e arrivista.

Para um iorubá ou outro africano tradicional, nada é mais importante do que ter uma prole numerosa, e para garanti-la é preciso ter muitas esposas e uma vida sexual regular e profícua. É preciso gerar muitos filhos, de modo que, nessas culturas antigas, o sexo tem um sentido social que envolve a própria idéia de garantia da sobrevivência coletiva e perpetuação das linhagens, clãs e cidades. Exu é o patrono da cópula, que gera filhos e garante a continuidade do povo e a eternidade do homem. Nenhum homem ou mulher pode se sentir realizado e feliz sem uma numerosa prole, e a atividade sexual é decisiva para isso. É da relação íntima com a reprodução e a sexualidade, tão explicitadas pelos símbolos fálicos que o representam, que decorre a construção mítica do gênio libidinoso, lascivo, carnal e desregrado de Exu-Elegbara.

Isso tudo contribuiu enormemente para modelar sua imagem estereotipada de orixá difícil e perigoso, que os cristãos, erroneamente, reconheceram como demoníaca. Quando a religião dos orixás veio a ser praticada no Brasil do século XIX por negros que eram também católicos, todo o sistema cristão de pensar o mundo em termos do bem e do mal deu um novo formato à religião africana, no qual Exu veio a desempenhar outro papel. A visão “cristã” dos orixás confundiu Oxalá com Jesus, Iemanjá com Nossa Senhora, e outros santos católico com os demais orixás. Para completar o panteão afro-católico, sobrou para Exu ser confundido com o Diabo. Foi, portanto, o sincretismo católico que deu a Exu a identidade de um demônio. Mas essa identidade destorcida sempre foi católica, cristã, sincrética. Não tem nada de africana.

Pensam os que se acostumaram a ver os orixás numa perspectiva cristã (imposta pelo catolicismo e hoje reforçada pelo evangelismo) que Exu deve ser homenageado em primeiro lugar para não provocar confusão, para não bagunçar a cerimônia, como se ele fosse um simples e oportunista arruaceiro. É uma visão bem simplista e demasiadamente falsa. Ora, Exu é antes de tudo movimento e nada pode acontecer sem ele, nem mesmo em pensamento, sem movimento. Nada pode, portanto, se dar sem a interferência de Exu. Por isso ele é sempre o primeiro a ser homenageado: é preciso permitir o movimento para que o evento, seja ele qual for, se realize, seja para o bem ou para o mal. Esse movimento não é dotado de moralidade, nem poderia ser, pois se assim fosse o mundo ficaria paralisado. A vida é um pulsar permanente, e em cada passo, em cada avanço ou retrocesso, em cada mudança, enfim, Exu está presente. Tudo começa por ele; por isso ele será sempre o primeiro.

OUTRAS INDICAÇÕES DE LEITURA

PRANDI, Reginaldo. Mitologia dos orixás. São Paulo, Companhia das Letras, 2001.

PRANDI, Reginaldo. Segredos guardados: orixás na alma brasileira. São Paulo, Companhia das Letras, 2005.

SANTOS, Juana Elbein dos. Os nagô e a morte. Petrópolis, Vozes, 1976.

 VERGER, Pierre Fatumbi. Orixás: deuses iorubás na África e no Novo Mundo. 5ª edição. Salvador, Corrupio, 1997.

CONCLUSÃO

Não importa se sua casa é de umbanda ou candomblé. O quanto isso será levado a diante ou como prioridade dependerá de como determinado sacerdote rege aquele ilê. Ao oferendar Exu não se trata de quantidade, mas de qualidade. Exu é o primeiro a comer por diversos motivos:

- É ele quem protege sua casa e as demais entregas;
- É ele quem anula qualquer traça ou vampiro espiritual que possa roubar energias;
- É ele quem ganhou dos Orixás o direito de comer primeiro;
- É ele quem executa o que é determinado no plano espiritual;
- É ele o mais próximo da humanidade e, portanto, sente e passa as necessidades que você passa. 

Na dúvida sobre outras questões ligadas ao tema, procure o pai de santo de sua confiança. 

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