Páginas

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Sobre relacionamentos abusivos: A Violência vai muito além da agressão física

Ouvimos falar sobre relacionamentos abusivos. Mas , muitas vezes, imaginamos que apenas as agressões físicas e estupros se configuram como relacionamento abusivo. Também acreditamos que apenas mulheres podem ser vítimas de relacionamentos abusivos. Homens e mulheres podem oprimir o parceiro. E por agressão, inclui-se também a psicológica.
Se você está com alguém que só te critica, que só aponta os seus defeitos, que sempre deprecia o seu jeito de ser e tudo o que você faz, você esta vivendo um relacionamento abusivo.
Se o seu parceiro ou parceira atrapalha os seus projetos profissionais, interfere na sua relação com familiares e amigos , manipula a sua vida , impedindo-o ou impedindo-a de você ser você mesmo, restringindo a sua liberdade de ir e vir , a sua liberdade de se expressar, criando constrangimentos diante de outras pessoas com piadas maldosas, críticas excessivas ou cenas violentas de ciúmes, você está vivendo um relacionamento abusivo.
Se o seu parceiro ou parceira te impede de crescer como ser humano, como profissional, se o seu parceiro ou parceira te impede de viver as suas crenças e ideais , você está vivendo um relacionamento abusivo. Se você não se sente à vontade diante do seu parceiro ou parceira , você está vivendo um relacionamento abusivo.
Muitas pessoas vivem ou já viveram relacionamentos abusivos sem se darem conta disso porque não foram agredidas fisicamente. Porque não passaram por humilhações muito ostensivas. Porém, quando uma pessoa enfrenta centenas de pequenas humilhações , de pequenos constrangimentos , além de restrição de liberdade sutil associada com críticas constantes , a autoestima começa a despencar de forma vertiginosa.
Muitas vezes, gestos aparentemente pequenos e sem importância, quando repetidos com grande frequência, podem se configurar como indícios de um relacionamento abusivo. Por exemplo: insistir em uma piada sobre a aparência física da pessoa ou insistir em uma piada sobre a dificuldade da pessoa para executar uma tarefa. A piada pode ser feita para a própria pessoa apenas ou para terceiros também, o que agrava bem a situação. Outro exemplo: demonstrar excessivo interesse por outras pessoas diante do parceiro ou parceira , como se o parceiro ou parceira fosse um colega de quarto.
Quando a pessoa que diz nos amar nos define como alguém incapacitado para tomar decisões importantes , incapacitado para desenvolver as tarefas do dia a dia , incapacitado para viver a vida com autonomia, começamos a acreditar realmente em nossa debilidade. Começamos a gostar menos de nós e passamos a crer que sem o parceiro ou parceira não iremos sobreviver a um mundo hostil e cruel.
Mas sobrevivemos. Sobrevivemos sim. E sobrevivemos de forma bem melhor.

Nenhum comentário:

Postar um comentário