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quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Dia de finados na Umbanda



Hoje, dia 02 de novembro, temos por  tradição o dia de finados. Para nós, umbandistas, esta data tem grande importância por tratar-se do dia em que louvamos a força e o poder do Divino Orixá Pai Omulu, o Senhor da Morte e das Transições no Universo Divino.

De  uma forma geral, na sua doutrina, a Umbanda se apega intensamente na Vida, ou  seja,em como devemos nos comportar enquanto encarnados para então, quando chegar  a hora do desencarne, podermos garantir um lugar bom nas esferas  espirituais.

Hoje, quero comentar sobre a visão da morte e a importância da  mesma, sendo que cultuamos uma Divindade regente desse sentido da vida.

Para a Umbanda a morte do corpo físico não é o fim da vida. Entende-se apenas como o fim de um ciclo, ou seja, da passagem encarnatória. Após o ato da morte física do ser encarnado, este será encaminhado para uma esfera espiritual condizente com seus atos e vibração emocional acumuladas durante a passagem no corpo físico. Aqui no plano físico, estamos numa esfera neutra ou mista, onde tudo se encontra, sem distinção. Já no plano astral, os seres vivem em realidades  dimensionais pertinentes às suas condições emocionais e vibracionais. Logo, se o ser vibrar ódio, um lugar com seres odiosos será sua morada. Se vibrar o amor, sua morada será um lugar agradável. Nós somos aquilo que criamos ao nosso  redor e a realidade que desenvolvemos é a que levamos além do pós  morte. Então, nada se acabará com o fim da vida física,quando o corpo perece  este é o fim de uma etapa e o início de outra. Morremos para o mundo físico e renascemos para o mundo espiritual. Assim, o contrário acontece quando reencarnamos: “morremos”para a vida no plano etérico e nascemos para o plano  físico. Nós umbandistas, devemos nos preocupar com o que criamos na nossa vida, pois já podemos desconfiar do resultado no desencarne. A Umbanda não crê em  ressureição, como não crê em um Salvador ou Messias resgatador de seu  rebanho,uma vez que ela prega a transcendência que cada ser deve alcançar.  Ninguém fará nada por ninguém, cada qual com seu quinhão. No entanto, a crença no  reencarne é a explicação do resgate dos débitos e aprendizado constante do  ser.

No dia de finados, é fundamental que o umbandista, ao realizar o culto ao  Divino Orixá Pai Omulu, vibre seus pensamentos nos antepassados, seus parentes  desencarnados, solicitando ao Pai Omulu que ilumine a todos ,pois se algum  antepassado estiver precisando de ajuda por estar perdido nas suas questões emocionais e ainda não ter alcançado a luz, pode ser oportuno de acontecer este  resgate, e, aquele que já esteja em situações privilegiadas, então se sentirá  gratificado pelas vibrações, além de ser o momento de demonstrar gratidão aos  antepassados que promoveram a sua passagem presente.

O culto ao Orixá Omulu é  o momento de exaltação da Divindade e o que mesmo representa, pois como  entendemos que ele é a Divindade do “fim”, logo ele não está presente apenas na  tão temida morte física, gerando uma imagem temerosa em relação a esse Orixá.  Sua vibração se faz presente centenas de vezes durante nossa Vida, por exemplo, o fim de um relacionamento amoroso é o rompimento de cordões emocionais e o fim de  um ciclo de convivência entre duas pessoas. Neste momento de finalização lá está presente a vibração desse Orixá para encaminhar os envolvidos em seus caminhos  individuais, também posso citar a mudança de emprego, de moradia, fim de  amizade, etc... Sempre em situações, principalmente de rompimentos ou  encerramentos de ciclos, é esta a vibração divina que se faz presente na Vida dos  envolvidos. Mesmo ficando a cargo de cada um a colheita necessária após o  desencarne, a Umbanda tem na Cerimônia Fúnebre a preocupação de garantir que o  espírito desencarnado fique a cargo da Lei Divina e não tenha problemas maiores  com ataques de espíritos negativos. 

Este texto foi baseado em um seminário apresentado na Universidade do Sagrado  Coração de Bauru- SP

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