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sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Dependência Espiritual – O mal do espiritualista

Dentro da senda espiritualista, principalmente quando se refere aos atendimentos caritativos através da consulta espiritual, encontramos de tudo. Muitos procuram a salvação para suas mazelas diárias e outros um pouco de esperança para suas vidas. A consulta espiritual, com certeza, é algo muito importante e faz parte do cotidiano de todos que tramitam entre o Espiritismo e a Umbanda.

Uma das mais claras intervenções, tratando de consultas, é contra os vícios. Sejam vícios materiais, tais como: Fumo, Bebida, Drogas, Sexo, etc.; quanto a vícios de natureza emocional: Amores, Ciúmes, Dependências Emocionais e Familiares e afins. A experiência de conversar com uma entidade espiritual e conseguir enxergar um novo caminho é extremamente gratificante. Muitos que antes estavam sem fé e sem saber como proceder, encontram novas forças para prosseguir e conseguem enxergar, muitas vezes, as coisas em uma visão panorâmica. Porém, também pode acontecer de gerar outro problema, uma nova dependência e é sobre ela que falaremos: A dependência espiritual.

Existem pessoas que não dão um passo sequer sem consultar um guia-espiritual e com isso paralisam completamente a sua vida e sua jornada evolutiva. Outros se pautam na conduta de um mestre encarnado, seja ele o Pai/Mãe, Padrinho/Madrinha, Dirigente, etc. Se a figura de autoridade encarnada ou desencarnada não diz qual o caminho a seguir, a pessoa permanece estagnada na inércia de si mesmo.

A consulta espiritual existe por um motivo: Promover um reencontro com suas forças interiores e um reequilíbrio pessoal. Assim, a pessoa poderá com fé e discernimento escolher melhor entre as opções de caminho a seguir. O guia-espiritual é um facilitador para momentos de grande angústia, mas não é um tutor e nem sequer é propriedade privada do consulente.

Já é bem prejudicial quando a dependência ocorre entre consulente e entidade, porém quando a dependência ocorre entre médium e entidade, é ainda pior. Entendam que tanto a Umbanda quanto o Espiritismo, tem a premissa de libertar o ser humano das ilusões. Para que assim, possam perceber que o plano espiritual é amplo e que tudo tem um propósito, mesmo que não entendamos ainda qual é este.

Alguns recorrem aos guias-espirituais e as consultas por preguiça, pura e simplesmente. Muitas das dúvidas que são tratadas dentro das consultas se encontram respondidas nos livros da codificação espírita, por exemplo. O Livro dos Espíritos, o Livro dos Médiuns e o próprio Evangelho Segundo o Espiritismo, são obras básicas que devem ser lidas por todos que se interessam pela senda espiritualista, inclusive os umbandistas. Mas devido a  ignávea mental muitos preferem uma conversa, mesmo que tenham que adiar uma decisão por uma semana ou duas, até falar com seu guia-espiritual de estimação.

Existe essa dependência também de uma forma meio subvertida, como podemos perceber quando um determinado dirigente espiritual sempre usa da seguinte afirmativa: “O Guia-Chefe Cacique Destrói-Nuvens-e-Tempestades disse que tem que ser assim ou assado”. Vejam bem, os guias-chefes falam sim sobre questões gerais do terreiro e ditam as diretrizes, mas sobre questões particulares? Acredito que eles tenham mais com o que se preocupar. Isso é uma antiga artimanha chamada de Falácia da Autoridade, onde para dar crédito a uma afirmação a outorgamos a uma figura de autoridade. Pode ser que o guia-chefe fale sobre os preceitos da casa, sobre as afirmações e firmações de forças, mas jamais irá falar que um filho não deve comer bacalhau na sexta-feira santa porque é uma tradição católica. Conseguem ver a diferença?

Para essa questão eu tenho uma dica. Sempre que houver dúvida se a mensagem foi dita por um espírito-guia ou pelo seu médium, atenha-se a seguinte observação: A Mensagem para ser dita por um espírito de escol deve possuir um sentido de engrandecimento. Se ela não trouxer em nada nenhuma lição ou uma moral incluída, pode ter certeza que há a intromissão da “MULA” que dá voz ao espírito.

Pois bem, exposto agora, acho que já conseguimos perceber como se dá essa questão da dependência espiritual. Eu tenho que assumir que isso é bem comum de ocorrer e é até normal, quase aceitável. Eu mesmo no começo de minha jornada espiritual, não dava um passo sem consultar um guia ou um oráculo que fosse. Até incorri no erro de pedir opinião para guias de amigos, só para confirmar algo. Parecia um pedinte de caridade espiritual, parecia que estava sem fé e chegava a soar piegas. Mas percebi com o tempo que estava errado, que isso era simplesmente um desvio e corrigi. Hoje estou mais consciente, para que não ocorra de novo esse deslize.

O problema não é errar, vamos errar mesmo. Somos humanos e temos esse direito sagrado ao erro. A questão é corrigir-se, após reconhecer o erro cometido. O despertar é muitas vezes doloroso, mas sempre é necessário. Os guias-espirituais irão sempre nos ajudar, porém nos darão a ajuda que precisamos e não a ajuda que supostamente queremos.

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