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segunda-feira, 19 de setembro de 2016

História do Preto Velho Pai Antônio

Pai Antônio é um bondoso e amável Preto Velho, que trabalha nos Terreiros de Umbanda, distribuindo a caridade, a luz, o amor e a paz com seu tercinho abençoado por Oxalá e todos os Orixás.
Ele de um modo tranquilo e sereno, sempre pitando seu cachimbo, bebendo seu café com mel em seu cuité e protegendo as pessoas que nele tem fé.
Sua última passagem como encarnado nessa terra se passou pelos meados do século XVIII e o século XIX, primeiramente em uma fazenda cafeeira na região Sudeste do Brasil, onde era escravizado e obrigado a trabalhar nas roças tanto de café quanto de cana de açúcar, sobre o
Sol forte, a chuva intensa, os maus tratos de feitores sobre o comando do coronel que acreditava que os negros não passavam de animais, e mereciam sofrer sobre as chibatas covardes, e os maus tratos no tronco de torturas.
Mesmo assim Pai Antônio não perdia a fé, acreditava em uma força maior, acreditava que Zambi (Deus) estava ali para lhe proteger de suas possíveis desesperanças, seu instante de pouca fé, suas
angústias. E assim clamava, rezava e orava a esse tão amável protetor de todos os filhos, passando essa mesma fé e esperança a seus filhos e irmãos de raça, para que assim esses também pudessem crer de verdade, com amor e convicção, sem se deixarem ser tomados pela tristeza que teimava em nascer dia após dia.
Ele pregava a todos para não desanimarem, pois o desânimo os entregariam para os braços da morte, e se entregando assim para a tão temida morte sem lutar, estariam sendo infiéis a Zambi.
E com essas palavras Pai Antônio conduzia a todos os negros que muitas vezes se sentiam sem esperanças a caminhar para um novo dia e uma nova luta.
Pela manhã ou pela noite, dentro da senzala fétida, o amado Pai Antônio tinha seu encontro com Zambi, e ali ele se entregava com todo seu carinho e fé. Pedia forças não só para ele, mas para todos seus irmãos de raça e seus filhos escravizados, que naquela época já tinha algumas dezenas, sendo ele de boa saúde, forte e de extremo bom senso, foi logo escolhido para ser procriador da fazenda.

Ele amava cada um dos seus filhos e filhas, tinha no coração a alegria de vê-los crescer saudáveis e robustos. Mas da mesma maneira as lágrimas nasciam em seus olhos assim como no seu coração quando por algum motivo tinha que se separar de sua prole. E isso era constante, seus filhos iam de senzala a senzala, e logo eram também comercializados para outros coronéis em outras fazendas da região e fora dela. E isso fazia Pai Antônio chorar, saber que um dos seus filhos estaria distante, sendo açoitado, torturado, sofrendo nas roças escaldantes.
Pai Antônio foi o primeiro negro da Fazenda a ter filhos gêmeos, esse fato aconteceu com o entrelace de Pai Antônio com a negra Joaquina, que era apenas uma menina na época, mas como era saudável e bem jovem, o coronel a escolheu para ser reprodutora juntamente com Pai Antônio.
Com ela Pai Antônio teve, além dos gêmeos, mais seis filhos, sendo a última que fora chamada de Antônia em homenagem ao pai.

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