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terça-feira, 20 de setembro de 2016

Banhos Ritualísticos na Umbanda

Os banhos ritualísticos de uma maneira geral, são rituais, onde utilizamos determinados elementos da natureza, de maneira ordenada e com conhecimento de causa, com o intuito de troca energética entre o indivíduo e a natureza, a fim de fornecer-lhe equilíbrio energético físico, mental e espiritual. Estes banhos prestam-se para limpar as energias negativas, afastar más influências, reequilibrar a pessoa, aumentar a capacidade receptiva do médium, através da desobstrução dos chacras, purificar o corpo para os trabalhos na Umbanda. Tem grande importância na manutenção do corpo. 
Não somente os médiuns ativos na Umbanda devem tomar determinados banhos, mas todos nós, em geral, podemos usá-los Os banhos de ervas devem ser jogadas dos ombros pra baixo, NUNCA na cabeça, a não ser que seja recomendação de um chefe de terreiro ( entidade chefe de uma casa ou terreiro).

Temos algumas categorias de banhos:
a) Banhos de Descarrego
b) Banhos de Defesa
c) Banhos de Energização
d) Banhos de Fixação

a- Banhos de Descarrego
Esta categoria de banho, conhecido também como banho de descarga ou desimpregnação energética é o mais comum e mais conhecido. Estes banhos servem para livrar o indivíduo de cargas energéticas negativas. Conforme vivemos, vamos passando por vários ambientes, trocamos impressões com todo o tipo de indivíduo e como estamos num planeta atrasado em evolução espiritual, a predominância do mal e de energias negativas são abundantes. Toda esta egrégora formada por pensamentos e ações, vão criando larvas astrais, miasmas e toda sorte de vírus espirituais que vão se aderindo na aura das pessoas. 

Há dois tipos de banhos de descarrego:


1-Banho de Sal Grosso: Este é o banho mais comumente utilizado, devido à sua simplicidade e eficiência. O elemento principal que é o sal grosso, que misturado com a água forma um excelente agente de limpeza do corpo e da aura. 
O preparo deste banho é bem simples, basta, após um banho normal, banhar-se de uma mistura de um punhado de sal grosso, em água morna ou fria. Este banho é feito do pescoço para baixo. Após o banho, manter-se molhado por alguns minutos e enxugar-se sem esfregar a toalha sobre o corpo, apenas secando o excesso de umidade. Algumas pessoas, neste banho, pisam sobre carvão vegetal ou mineral, já que eles absorverão a carga negativa. Existem pessoas que usam a água do mar, no lugar da água e sal grosso.

2-Banho de Descarrego com Ervas:- Este banho é mais complexo e menos conhecido do que o de sal grosso. A função deste banho é a mesma que a do sal grosso, só que tem efeito mais duradouro e conseqüências maiores. Quando uma pessoa está ligada a uma obsessão e larvas astrais estão ligadas a ela, faz-se necessário um tratamento mais eficaz. Determinadas ervas, são naturalmente descarregadoras e sacodem energeticamente a aura de uma pessoa, eliminando grande parte das larvas astrais e miasmas. Algumas ervas que são muito boas para este banho: arruda, guiné, espada de São Jorge, aroeira, folhas de fumo, etc.
b- Banho de Defesa
Este banho serve de manutenção energética dos chacras, impedindo que eles se impregnem de energias nocivas em determinados rituais. Usamos, quando vamos conhecer um outro terreiro e não sabemos se ele é ou não idôneo, pois, infelizmente, ainda existem aqueles que usam o nome do Umbanda para comercializar a fé alheia. Quando vamos num sítio energético para determinados rituais com ou sem incorporação. As ervas para estes banhos, podem ser aquelas relacionadas ao próprio Orixá regente da pessoa, ou aquelas que uma entidade receitar.

c- Banho de Energização
Após tomarmos um banho de descarrego, é importante que restabeleçam o equilíbrio energético, através de um banho de energização. É um banho que devemos usar quando vamos participar das giras. Também, podemos usá-lo regularmente, independente se somos ou não médiuns. Um bom e simples banho: pétalas de rosas brancas ou amarelas, alfazema e alecrim.

d- Banho de Fixação
Este banho é usado para trabalhos ritualísticos e fechados ao público, onde se prestará a trabalhos de magia, iniciação ou consagração. Este banho é realizado apenas por quem é médium e irá realizar um trabalho aprofundado, onde tomará contato mais direto com as entidades elevadas. Este banho “abre” todos os chacras e a percepção mediúnica fica aguçadíssima. As ervas utilizadas para este tipo de banho estão diretamente relacionadas ao Orixá regente do médium e à entidade atuante. São assim receitados apenas por um verdadeiro chefe de terreiro ou médium-magista ou pela própria entidade.

Preparação dos Banhos
Em todos os banhos, onde se usam as ervas, devemos nos preocupar com alguns detalhes:
Ø A colheita deve ser feita em fases lunares positivas. (nunca na minguante). (Ao adentrar numa mata para colher ervas ou mesmo num jardim, saudamos sempre Oxossi que é responsável pelas folhas).
Ø Antes de colhermos as ervas, toquemos levemente a terra, para que descarreguemos nossas mãos de qualquer carga negativa, que é levada para o solo.
Ø Não utilizar ferramentas metálicas para colher, dê preferência em usar as próprias mãos, já que o metal faz com que diminua o poder energético das ervas.
Ø Normalmente usamos folhas, flores, frutos, pequenos caules, cascas, sementes e raízes para os banhos, embora dificilmente usemos as raízes de uma planta, pois estaríamos matando-a.
Ø Colocar as ervas colhidas em sacos plásticos, já que são elementos isolantes, pois até chegarmos em casa, estaremos passando por vários ambientes.
Ø Lavar as ervas em água limpa e corrente.
Ø Os banhos ritualísticos devem ser feitos com ervas frescas, isto é, não se demorar muito para usá-las, pois a energia contida nelas, vai se dispersando e perde-se o efeito do banho.
Ø A quantidade de ervas, que irão compor o banho, são 1 ou 3 ou 5 ou 7 ervas diferentes e afins com o tipo de banho. Por exemplo, num banho de defesa, usamos três tipos de ervas (guiné, arruda e alecrim).
Ø Não usar aqueles banhos preparados e vendidos em casas de artigos religiosos, já que normalmente as ervas já estão secas, não se sabe a procedência nem a qualidade das ervas, nem se sabe em que lua foi colhida, além de não ter serventia alguma, é apenas sugestivo o efeito.
Ø Alguns banhos, são feitos com água fria e as plantas são maceradas com as próprias mãos e só depois, se for o caso, adicionar um pouco de água quente, para suportar a temperatura da água.
Ø Banhos feitos com água quente devem ser feitos por meio da abafação e não fervimento da água e ervas, isto é, esquenta-se a água, até quase ferver, apague o fogo, deposite as ervas e abafe com uma tampa, mantenha esta imersão por uns 10 minutos antes de usar.
Alguns dizem que a água quente não é eficiente para um banho, mas esquecem que o elemento Fogo, também faz parte dos rituais de Umbanda. A água aquecida “agita” a mistura, liberando a energia das ervas.
Ø Acender uma vela para o anjo de guarda e manter-se em oração e concentração, já que se está realizando um ritual.
Ø Os banhos não devem ser feitos nas horas abertas do dia (06 horas, 12 horas ou meio-dia, 18 horas e 24 horas ou meia-noite), pois as horas abertas são horas “livres” onde todo o tipo de energia “corre”. Só realizamos banhos nestas horas, normalmente os descarregos com ervas, quando uma entidade prescrever (normalmente um exu).
Ø Não se enxugar esfregando a toalha no corpo, apenas, retire o excesso de umidade, já que o esfregar cria cargas elétricas (estática) que podem anular parte ou todo o banho.
Ø Embora todo o corpo seja banhado, a parte da frente do corpo é que devemos dar maior atenção, já que estão as “portas” dos chacras, além da parte frontal possuir uma maior polaridade positiva, que tem propriedades elétricas de atrair as energias negativas e que são eliminadas com o banho, recebendo carga positiva e aceleradora.
Ø Após o banho, é importante saber desfazer-se dos restos das ervas. Aquilo que ficou sobre o nosso corpo, nós retiramos e juntamos com o que ficou no chão. Colocamos tudo num saco plástico e despachamos aquilo que é biodegradável, em água corrente. 
Outros Banhos
Além destes banhos preparados, podemos contar com outros tipos de banhos, que podem ter algum efeito, dependendo da maneira que os encaremos:

Banhos Naturais
São banhos que realizamos em sítios energéticos, onde as energias estão em abundância. Neste caso, não precisamos em nos preocupar em não molhar os chacras superiores (coronário e frontal), localizados na cabeça, é uma ótima chance de naturalmente tratar da “coroa”, claro que se efetuarmos em locais livres da poluição.

Dentre eles podemos destacar:

Banhos de Mar
Ótimos para descarrego e para energização, principalmente sob a vibração de Yemanjá. Podemos ir molhando os chacras à medida que vamos adentrando no mar, pedindo licença para o povo do mar e para Mamãe Yemanjá. No final, podemos dar um bom mergulho de cabeça, imaginando que estamos deixando todas as impurezas espirituais e recarregando os corpos de sutis energias. Ideal se realizado em mar com ondas e sob o sol.

Banhos de Cachoeira
Com a mesma função do banho de mar, só que executado em águas doces. A queda d’água provoca um excelente “choque” em nosso corpo, restituindo as energias, ao mesmo tempo em que limpamos toda a nossa alma. Saudemos, pois Mamãe Oxum e todo povo d’água. Ideal se tomado em cachoeiras localizadas próximas de matas e sob o sol.

Banhos de rio e lagoas
Tem também grandes propriedades, desde que não estejam poluídos. Saudemos Nanã Buruquê.

AOS MÉDIUNS EM DESENVOLVIMENTO: somente quem pode indicar banho de COROA (chakra coronário, no alto da cabeça) são os chefes da casa, jamais outros médiuns ou suas entidades podem passar esses banhos para os médiuns em desenvolvimento.

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