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sexta-feira, 30 de setembro de 2016

A História da Cigana Rosa


   A linda de todas as lindas Ciganas tem o nome de Rosa. Tem esse nome pois ela tem a beleza e o perfume dessa flor divina. Ela trabalha na Umbanda na linha do Oriente trazendo ensinamentos, paz, amor e caminhos abertos a quem lhe dedica uma oração com carinho e fé. Conta a lenda que Rosa era uma linda menina de pele morena, sorriso largo e olhos brilhantes, que tinha nas mãos o poder de ver o passado, presente e futuro das pessoas que buscavam os Ciganos para esses fins. Era dito que ela era muito meiga de voz aveludada, trazendo uma condição de tranquilidade as pessoas que ficavam em sua volta. Tinha o dom de espalhar a calmaria entre os que buscavam guerras, a saúde a quem foi atacado pela peste, a alegria a quem era destinado a tristeza. Essa era Rosa, a menina Cigana que admirava o brilho do Sol e a luz de tom azulada e sensual da Lua. Rosa era de um clã poderoso entre os povos Ciganos, tinha como ponto alto o respeito que todos os povos tinham pelo monumental trabalho de magias que eram somente ensinados e compartilhados dentro de seu clã. e assim mesmo por poucos Ciganos, ou seja, todos que tinham a benção de aprender as secretas magias daquele clã, eram escolhidos minuciosamente pelos mais velhos, os donos dos segredos. 
   Ao chegar certa idade, o Cigano ou Cigana que era guardião ou guardiã de certo segredo mágico, escolheria um substituto para ser compartilhado o grande segredo único, e cada magia tinha seu protetor, ninguém mais saberia, mesmo sendo guardião de outras magias secretas. Mas essa regra foi quebrada com a Cigana Rosa. Jovem ainda, ela demonstrava grandes dons em diversas formas de elevar muito mais certos ensinamentos tradicionais sobre magias ciganas. E sendo assim ela teve seu nome sugerido para ser a guardiã de sete dessas magias secretas, ou seja, sete Ciganos desejavam que a linda Rosa fosse a próxima guardiã de seus segredos mágicos. Então ficou um impasse, qual seria e de qual Cigano seria ela a guardiã. Foi levado o fato ao Cigano Mor, o grande chefe do Clã, que levaria o caso aos Ciganos conselheiros. E assim foi feito.          Após vários dias de debates, de perguntas e respostas, de estudos aos dons de Rosa, decidiram por unanimidade que ela tinha a perfeição e sabedoria de poder ficar como soberana conhecedora dos sete segredos mágicos. E como determinação do conselho Cigano e autorizado pelo Cigano Mor, Rosa a partir desse dia seria a única Cigana a poder ter o conhecimento das sete magias, que a foram reveladas um a um pelos portadores de tais segredos. Rosa usava todos esses segredos para a caridade dentro e fora dos acampamentos Ciganos, tinha no seu coração a bondade e a seriedade de demonstrar que o poder dos segredos eram para ser usado exclusivamente para o bem, e é o que ela fez durante toda a sua vida terrena. Rosa, com mais idade e maturidade, foi escolhida para ser a guardiã das pequenas Ciganas, sendo responsável por ensinar, demonstrar e cobrar as regras rígidas de seu clã. 
   Com essa responsabilidade com as Ciganinhas e com o conhecimento de sete segredos mágicos ciganos, ela se tornou muito procurada e idolatrada por todo povo de seu clã, e também por vários clãs de várias regiões. Mas ela não recebeu só a admiração e o respeito de todos. Recebia ouro, joias, sedas, entre vários presentes vindos de todos os Ciganos de todos os povos. E assim ela também conseguiu fazer nascer sentimentos ruins por entre muitas Ciganas de outros clãs. Sentimentos como o ódio, o rancor e principalmente a inveja. Uma dessas Ciganas, uma jovem ambiciosa vinda de uma região distante, que a pedido de seu pai ficara no clã onde nasceu a Cigana Rosa, tinha muitos sentimentos desse tipo.  
  E como Rosa era vista dentro do clã como diferenciada nas questões sobre magias ciganas, essa Cigana então planejou que tiraria Rosa do clã, faria ela ser expulsa ou mesmo morta. Ela tentou muitas coisas, e todas sem sucesso, e isso foi a deixando cada vez mais rancorosa, com o ódio estampado nos olhos, a inveja e a ambição de um dito poder, que ela imaginava que poderia ter eliminando Rosa do convívio do clã cigano. Com esses sentimentos ruins, foram abertas portas para espíritos sem luz, e esses espíritos obsediavam a jovem Cigana dia após dia, fazendo-lhe sofrer muito com a sua própria ambição e arrogância. Ela tomada pela inveja e pela obsessão dos espíritos sem luz, passou a observar cada passo, cada ação, cada gesto, cada palavra que Rosa distribuía as Ciganas jovens e as Ciganas que estavam grávidas, para que assim achasse algo que ela poderia utilizar contra a linda Cigana dona dos poderes de magia. Dentro dos clãs, as Ciganas grávidas ficavam separadas das outras, não falavam com os homens, não era permitido a elas se socializarem, enfim, tinham várias regras que deviam ser respeitadas, pois as Ciganas quando grávidas eram consideradas "Marimé", ou seja, impuras, isso por um período da gravidez até o batismo do recém nascido. 
   Como toda essa tradição era levada muito a sério, e com muita cautela, as grávidas não deveriam dar a luz dentro das barracas do acampamento, dentro dos transportes, tocar em coisas como utensílios e roupas de outras pessoas, pois se caso acontecesse, tudo isso deveria ser queimado, pois também era considerado impuro. E essa foi a grande chance da perversa Cigana ambiciosa, pois a esposa do Cigano Mor, estava grávida, e próximo de dar a luz. Logicamente todos os cuidados estavam sendo tomados para que ela não trouxesse a "impureza" para junto do clã, e a responsável para que isso não acontecesse era a Cigana Rosa, que como sempre fazia com todas as Ciganas em estado de gravidez. O tempo passou e chegou o tão esperado dia do nascimento do filho do Cigano Mor. 
   E conforme a tradição, a Cigana grávida não deveria ser vista por nenhum homem, nenhuma Cigana jovem ou as crianças ciganas. Rosa sabendo desses fatos e tradições, levou a grávida até uma pequena cabana, para que ali ela pudesse dar a luz, e ao final do acontecimento, a cabana e tudo mais utilizado para o nascimento do novo membro do clã seriam queimados. A criança nasceu sem maiores problemas, um menino forte e saudável, que deixou a mãe e Rosa com lágrimas nos olhos pela emoção do primeiro choro do ciganinho. No clã de Rosa havia também uma tradição de logo após o nascimento, e após saber o sexo da criança, deveria então fazer um banho de ervas colhidas após o parto e antes da sétima hora de vida do recém nascido. 
   Essas ervas variavam de acordo com os detalhes do parto, como o tempo demorado do nascimento, o tamanho do cordão umbilical, entre outras coisas, que somente as responsáveis pela hora do parto poderiam estabelecer, e designar cada tipo de erva sagrada. E assim foi feito por Rosa, saindo logo após ao parto para ir em busca das ervas, sendo obrigada a deixar a cigana que acabara de dar a luz sozinha, pois até aquele momento era vista como impura aos olhos do povo cigano. A jovem mãe, por estar um tanto cansada adormece logo após a saída de Rosa. E essa foi a chance da ambiciosa Cigana que aguardava o momento de se vingar da senhora dos poderes mágicos dos Ciganos. 
   Com ajuda de um gadjo, no qual ela prometera algumas peças e moedas de ouro, doparam e levaram a Cigana e seu filho para o centro do acampamento, se aproveitando da ausência dos Ciganos, e lá a deixaram com seu filho ao lado. Ao chegarem de suas tarefas, Ciganos e Ciganas se desesperaram ao ver a criança recém nascida e sua mãe, ditos impuros, podendo trazer mau agouro, espíritos do mal, doenças e miséria, conforme era a lenda entre os Ciganos. O Cigano Mor, era o único que poderia tocar nela, por ser seu esposo, e foi ele que a levou de volta a barraca na qual ela teria dado a luz. Mas deveria voltar rapidamente para decidirem o que fazer em relação aos maus espíritos, que pela tradição, estariam espalhados por todo acampamento. Após se reunirem, os Ciganos mais velhos decidiram que a criança e sua mãe deveriam ser impostas a condição de impuros por sete anos, e que nesse período deverias ser estabelecidos locais diferenciados para que ambos vivessem, ou deixar para sempre o acampamento. Foi estabelecido também que todos os Ciganos jamais voltassem a acampar naquele lugar, que se tornou impuro. 
   E que a Cigana Rosa, que era responsável pelo parto, deveria, ou ser expulsa do clã (na visão de alguns dos Ciganos), ou ser simplesmente morta (aos olhos de outros). Foi dito ainda que todos os utensílios utilizados no parto, incluindo a barraca e tudo que nela continha, deveriam ser queimados imediatamente, para que não fosse espalhado o mau agouro das impurezas da pobre Cigana, que agora era uma recém mãe, e vista como um problema espiritual a ser combatido a todo custo. A Cigana ambiciosa, se aproveitando de toda essas regras do mundo nômade, caminhou até a barraca onde estaria havendo a reunião do conselho Cigano, e lá adentrou sem pedir autorização. Aos berros, demonstrando estar obsediada por um espírito negro, disse que era o espírito da impureza, e que perseguiria aquele clã até o último Cigano. 
   E só partiria se fosse sacrificados os responsáveis por lhe chamarem das profundezas. Ao ouvirem as palavras vindas da Cigana ambiciosa, o conselho Cigano então se decide em entregar a alma de Rosa para o sacrifício, perguntando ao falso espírito como desejaria que fosse essa entrega. Então foi dito: "Hoje ao meio da noite, uma fogueira deverá ser acesa ao centro desse acampamento. Nessa fogueira deverá estar a mulher Cigana que me trouxe da escuridão. Ela deverá ser queimada viva." Com gestos teatrais, a Cigana Ambiciosa simula um desmaio, que deixa todos em sua volta atónitos, e decididos a fazer o que foi mandado pelo falso espírito. A noite chega, a fogueira e montada, Rosa é trazida para o centro do acampamento. Ela é amarrada em um tronco no centro onde será acesa a fogueira. Seus olhos lacrimejam, mas ela não se desespera, apenas aguarda a decisão do conselho de acender as chamas. Ao longe a Cigana ambiciosa observa tudo. 
   As chamas deverão ser acesas pelo Chefe dos Ciganos, que se aproxima com uma tocha nas mãos. No instante em que as chamas começam a ser acesas, o céu que antes estava estrelado e com o brilho da Lua cheia, fica completamente negro. Nuvens escuras se formam rapidamente sobre o acampamento, e nas primeiras chamas incandescentes que brotam ao redor da Cigana Rosa, o céu desmorona em uma tempestade imensa destruindo até a última brasa acesa. O Chefe Cigano virando-se para o conselho, diz que é um aviso dos deuses, que não é para seguir com o sacrifício da Cigana. E nesse momento ordenou que a soltassem das amarras. Ao ver Rosa solta, a Cigana ambiciosa corre em sua direção com um punhal na mão, para atacá-la. Ficando de frente a frente com Rosa, a Cigana a olha com ódio nos olhos, dizendo-lhe que ela poderia ter escapado da fogueira, mas não escaparia da morte, e que ela teria o prazer de lhe matar na frente de todos. 
   Dizendo isso, a Cigana ambiciosa ergueu o punhal em forma de ataque, olhou profundamente nos olhos de Rosa, que estava serena, sem demonstrar nenhuma reação, a não ser segurar fortemente uma medalha com a imagem de Santa Sara Kali que ela trazia nas mãos. A Cigana que empunhava o punhal de aço, fez menção de atacar a Cigana Rosa, mas nesse ataque uma força invisível levou sua mão juntamente com o punhal ao próprio coração, lhe deferindo um golpe certeiro, fazendo assim que ela mesmo tirasse a própria vida. Rosa apenas olhava. O corpo da Cigana ambiciosa foi caindo com o punhal cravado em seu coração. Todo povo Cigano em volta de toda a cena, ficaram atônitos com tudo, observando o corpo inerte da Cigana que desejava estar no lugar que não era de seu merecimento, que desejava ser a Cigana que ela jamais seria. Rosa voltou a ser a Cigana dona dos sete segredos ciganos. 
   Ficou em seu clã até seu desencarne muitos e muitos anos depois. Depois desse acontecimento, os Ciganos desse clã entenderam que algumas tradições ciganas deveriam virar apenas lendas, pois o maior perigo dentro de um povo não é o medo daquilo que não se conhece, e sim a precaução daquilo que sabemos que existe, como inveja, ambição e ódio. Rosa após esse fato se tornou muito mais respeitada do que já era. 
  E dentre muitos povos Ciganos, ela foi a única mulher a entrar em um conselho, e todos os homens respeitavam o que era dito por ela. Hoje ela é uma Entidade bela trabalhadora da Umbanda. Sendo respeitada pelas suas lições de caridade, coragem e fé. Salve a Cigana Rosa! Opchá Povo Cigano!

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Entendendo o que são pontos riscados na Umbanda.

A Umbanda tem muitas coisas que pode nos passar despercebidas, mas que tem extrema importância para o ritual tão maravilhoso voltado a caridade dessa religião divina. E uma dessas coisas são os Pontos Riscados. Mas o que seriam Pontos Riscados, quais os seus significados, qual a sua representação? Abaixo vamos colocar resumidamente um pouco dessa demonstração de várias coisas para todos os Umbandistas. Pensando da forma do ser humano, do ser físico poderemos colocar da seguinte forma: Uma pessoa tem identificações no caminhar de sua vida, identificações documentadas que representam o ser alguém. Como poderemos usar como exemplo, o nascimento de uma pessoa, logo teremos a sua primeira identificação documentada, que seria a sua certidão de nascimento, e a partir dai teremos, carteiras de estudante, carteira de motorista, certidão de casamento, carteira de identidade (RG), CPF entre outras identificações da pessoa, e assim quando chegarmos em um local que não somos reconhecidos fisicamente, apresentamos nossa documentação para que possamos ser vistos como o ser eu, e não sermos confundidos com um outro alguém. Bem, isso na Umbanda, dentro de uma gira, na chegada de uma Entidade de Luz, estando incorporada em um médium, a Entidade faz com que ela seja reconhecida, e para isso usa-se o Ponto Riscado, que a grosso modo é a identificação da Entidade de Luz para seus consulentes. Para assim ser demonstrado que quem está ali é realmente uma Entidade de Luz e não um Espirito sem luz tentando enganar o consulente e o próprio médium. 
Esses Pontos Riscados são constituídos de riscos e símbolos gráficos, e as Entidades de Luz se servem deles para tal identificação. Eles normalmente são traçados ou riscados em tábuas ou no próprio chão. Essas ditas tábuas podem ser de madeira ou até mesmo em mármore, e são feitos com uma espécie de giz, que na Umbanda se da o nome de Pemba. Essas pembas podem ser de várias cores, e a Entidade usa a cor determinante a linha que trabalha e ao Orixá que a rege. Essas Entidades se utilizam de símbolos como: Sóis, Estrelas, Luas, Flechas, Arcos, Lanças, Triângulos, Folhas, Raios, Ondas, Cruzes entre outros. Pode não parecer, mas os Pontos Riscados são os instrumentos dos mais poderosos dentro da Umbanda, pois uma vez sem ele, nada se poderia ser feito com segurança, uma vez que é com a Pemba que se tem o poder de fechar, trancar e abrir os terreiros conforme seja a exigência determinada do trabalho que será praticado. É também através do Ponto Riscado que uma determinada Entidade de Luz demonstra a sua graduação hierárquica, na qual também mostra toda a Falange de trabalhadores, que a suas ordens trabalham em prol a caridade e auxilio num trabalho que foi determinado ou pedido por alguém que necessita de uma ajuda espiritual. 
Os Pontos Riscados nos demonstram, se a Entidade é um Preto Velho, um Caboclo, um Exú ou qual for a Entidade presente, essa demonstração nos é dada através da grafia, dos símbolos utilizados, e ainda ´por esse meio poderemos identificar qual seria o Caboclo, ou o Preto Velho ou qualquer Entidade de Luz manifestada no médium. Os Pontos Riscados são extensos códigos registrados, firmados e sediados no plano espiritual, e cada um deles tem sua função específica. Normalmente somente os Pais de Santos, realmente preparados, ou a Entidade firmada que sabem identificar com certeza e segurança, qual a Entidade de Luz riscou o ponto, da mesma forma em dizer com segurança qual Falangeiro de Orixá está na incorporação no momento a trabalho da caridade. 
Através do Ponto Riscado se pode dizer e confirmar a identificação da Falange da Entidade, também seus poderes e suas atividades. Cada linha e traço tem seu significado e muita importância no Ponto Riscado pela Entidade, portanto não se pode ser riscado por alguém não preparado, sem conhecimento devido, ou por alguém que não seja a Entidade de Luz atuante. Caso não for dessa forma, o que será feito não passará de apenas riscos e rabiscos, sem a menor importância para as regras da Religião de Umbanda, a segurança de suas Giras, e a demonstração de suas Entidades. Conforme dito acima, os Pontos Riscados são traçados pelas Pembas, e essas Pembas são uma espécie de giz, elas são confeccionadas com calcário, ela tem uma forma cônica arredondada e diversas cores. 
A Pemba é dita dentro da Umbanda que é um elemento puro, e ´por essa pureza é um dos poucos elementos que pode tocar na cabeça do médium, sendo ela utilizada para as lavagens de cabeça, assim como também em banhos de descarrego entre outras coisas.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

A Linda História de Vovó Cambinda

Vovó Cambinda é uma Preta Velha Amada por todos que amam a Umbanda. Todos tem nela um exemplo de amor e caridade, pois ela própria é assim.
Com seu jeito humilde e dócil, ela conquista a confiança de todos, fazendo assim que seus consulentes abram o coração de uma forma extrema, sem receios, sem vergonha de se expressar, sem medo, apenas com o dar e receber um carinho grandioso, como se fosse um neto ao lado de sua avó preferida.
Essa vovó sempre atenta a todas as palavras, escuta tudo calmamente, fazendo com que todos os "grandiosos problemas" se pareçam apenas minúsculos fatos aos olhos de otimismo de nossa amada Preta Velha, e passando assim aos seus amados "netos e netas", para que eles reajam com mais força e mais fé a qualquer obstáculo na caminhada que as vezes pode parecer tão difícil.
A senhora Cambinda é uma das Pretas Velhas mais conhecidas na história da Umbanda. Em diversos Terreiros podemos encontrar uma velha com o mesmo nome, pois como a nossa Velha Cambinda fora reconhecida e respeitada por várias gerações de negros pelos seus atos de caridade, muitos desses negros colocavam o nome de Cambinda em seus filhos para homenagear a nossa amada Vovó Cambinda.
Vamos falar um pouco dessa Preta Velha, e saber como foi que ela alcançou tamanho respeito.
Cambinda era uma menina ainda quando fora tirada da Guiné, sua terra natal. Foi trazida para o Brasil nos meados do século XVI em navios negreiros, que eram conhecidos como "Tumbeiros", e tinha esse nome pois praticamente a metade dos negros que nele vinham, morriam antes do findar da viagem.
Cambinda e seus pais vieram em um desses navios, e por meses viveram amontoados nos porões imundos, repleto de cadáveres e negros adoentados, sem comida e água suficiente a todos.
A Mãe da menina Cambinda, com seu jeito carinhoso, doce e caridoso, abraçava a menina e lhe falava baixinho:
"Não tenha medo, logo logo tudo isso vai terminar. E eu prometo estar sempre a seu lado quando precisar."
E com essas palavras a mãe da menina a ensinava clamar a Zambi (Deus) a Oxalá e a todos os Orixás, pedindo sempre força e fé para que assim pudesse ajudar os irmãos negros adoentados na dura jornada de luta pela sobrevivência.
E assim a menina Cambinda rezava, clamava e pedia forças a Zambi, não só para os irmãos negros, mas por ela própria, pois mesmo sendo uma criança, e sem entender muito os acontecimentos, sentia que as coisas eram ruins naquele momento, mas tinha a dor e sentimento que ainda o pior estaria por vir.
Havia muitas crianças no porão do navio que estava a doce Cambinda, e foi determinado pelos traficantes de negros que seria preservados os meninos e homens adultos não adoentados, pois esses sim valeriam muito dinheiro aos serem vendidos na chegada ao Brasil.
Mulheres e meninas não adoentadas seriam alimentadas, mas apenas uma vez ao dia e o mínimo possível, e o restante que se encontravam adoentados, seriam avaliados e se os males fossem de uma forma mais intensa, esses seriam lançados ao mar, ainda vivos.
Os cadáveres já em decomposição foram retirados dos porões e lançados ao mar.
A menina Cambinda rezava aos Orixás clamando que os espíritos de seus irmãos fossem levados ao encontro de Zambi. A cada corpo retirado ela se ajoelhava rezando com seus olhos lacrimejados,
e olhando a sua mãe que desesperadamente tentava esconder a angústia por poder ser elas as próximas vítimas das maldades dos traficantes de negros. A menina a acalentava e dizia baixinho para que ela tivesse muita fé, pois Zambi não ia deixá-las morrer na viagem, pois elas teriam muitas caridades a fazer ao seu povo quando chegassem ao seu destino.
E ela dizia isso convicta, pois por muitas noites em que dormia no amontoar dos porões fétidos, a menina sonhava com uma linda negra que lhe abraçava carinhosamente, lhe dizia que ela estaria sempre protegida pela força das águas do mar, e que a cada onda que passasse levaria todas as dores, tristezas e angústias do seu corpo e de seu coração, bastaria que ela tivesse fé nos Orixás e nas forças da natureza.
E Cambinda assim o fez, acreditando fielmente em seus sonhos, e aprendendo dezenas de rezas e benzeduras, assim como fazer a cura em adoentados do corpo e espírito através dos preparos com ervas, peixes, água, algas, entre tantas outras coisas que lhe fora ensinada através de seus sonhos de luz vindos por intermédio da linda negra que se fazia brilhar como os raios do Sol.
A menina Cambinda, escondida da tripulação do navio negreiro, fazia suas benzeduras nos negros doentes, se utilizava de tudo que podia para acalentar as dores de seus irmãos, e com isso foi obtendo grandes resultados.
Sua mãe bastante impressionada com os atos da filha, decidiu então auxiliar em tudo que poderia. E assim as duas trabalhavam incansavelmente por dias e noites a fio para que os seus irmãos negros
tivessem mais uma chance de sobreviver sem as ameaças dos traficantes de escravos.
Chegando em terra firme, Cambinda foi levada a uma fazenda de cana de açúcar e café no interior do Nordeste do Brasil juntamente com seus pais e centenas de outros negros.
Nessa fazenda ela viveu toda sua vida, e também nessa fazenda que ela conheceu uma negra velha que por gostar muito da menina prometeu que a ensinaria tudo sobre rezas, benzeduras, ervas, chás, esfregaços e limpezas do corpo e da alma de espíritos sem luz, que aprendera em seus 90 anos de idade.
E assim foi feito, os anos passavam, e Cambinda, que já estava uma mulher feita, aprendera tudo que lhe foi ensinado pela negra já centenária.
Com os ensinamentos da negra, e com todas as lições que Cambinda aprendeu em sonhos, ela se transformou em uma das maiores benzedeiras da região, além de encaminhadora, de parteira, de curandeira de diversos males, tanto do corpo físico quanto do espírito.
Certa vez, Cambinda já uma senhora madura, foi chamada para fazer o parto da esposa do coronel fazendeiro, da mesma fazenda na qual ela era escravizada. Ao chegar aos aposentos da sinhá ela observou que tinha algo de errado naquela gestação. Se ajoelhou diante da cama na qual se encontrava a mulher grávida, e rezou profundamente, pedindo a Mãe Iemanjá que lhe mostrasse qual era o mal que estava ocorrendo no ventre da sua sinhá.
E assim de olhos fechados, compenetrada em seus pensamentos, Cambinda se depara com a imagem da linda Negra que ela tanto conhecia. E a bela negra diz a Cambinda que estaria na hora de
realizar o parto, mas das duas vidas que estavam no ventre da sinhá, apenas uma sobreviveria, e que a partir do dia do nascimento da criança que ficaria encarnada, deveria ser contados 7 dias, e nesse
sétimo dia deveria ser feito uma limpeza de retirada de espíritos malignos e sem luz, pois eles viriam buscar a alma do recém nascido, assim como fizeram com a criança que já ia sair do ventre da mãe sem vida.
Cambinda chorou, todos olharam para ela sem entender o motivo das lágrimas.
O coronel a puxa pelo braço com violência. Grita, quer saber o que está acontecendo.
A negra abaixa a cabeça e num sussurro diz ao coronel que no ventre da sinhá há duas crianças, uma vai sobreviver, a outra já está desencarnada.
O coronel desesperado manda ela fazer o parto, e diz que se algo de ruim acontecer com as crianças ou com a sinhá, a negra irá pagar com a própria vida.
A negra Cambinda faz o parto, primeiro nasce uma menina, e logo em seguida sai o corpo inerte de um menino. Ela o retira e entrega ao coronel, dizendo que o menino já estava sem vida.
O coronel a olha com um grande ódio, e enquanto as mucamas fazem a limpeza do ambiente e da menina recém nascida, a sinhá chora a morte de seu menino, que se encontra nos braços do coronel.
Ele pega a negra Cambinda pelo braço e a arrasta para fora dos aposentos da sinhá, a leva até as mãos de um feitor e ordena que a leve ao tronco e a deixe lá até morrer, mas antes a açoite sem dó nem piedade.
Cambinda apenas olha o coronel, como se entendesse o seu ódio. E antes de ser levada diz ao coronel:
"Espíritos da escuridão levaram a alma de seu menino. Esses espíritos são frutos de seu ódio contra os negros que o senhor escraviza como animais. Minha Mãe Iemanjá, na sua proteção materna, já
tinha me mostrado que uma das crianças estaria desencarnada no ventre da sinhá, e que deveria ser contado sete dias após o nascimento, pois no sétimo dia esses espíritos da escuridão voltariam para levar a alma da outra criança. Peço que não deixe seu ódio fortalecer esses espíritos, pois assim sua filha poderá ser salva das garras malignas da morte e desses obsessores da escuridão."
O coronel sem dar atenção a negra, manda a levarem ao tronco e obedecerem as ordens dadas.
E assim foi feito.
Já no tronco, a negra foi açoitada, seu corpo ardia, feridas abriam e ela chorava baixinho.
Sua mãe, que agora já estava uma velha negra quase sem forças, clamava aos feitores ajoelhada a seus pés, por clemência a sua filha.
O feitor manda retirar a velha negra dali, que fora arrastada e jogada na senzala.
Cambinda de olhos fechados, rezava pedindo forças aos Orixás. E em resposta a voz da negra que por tantas vezes apareceu em seus sonhos lhe dizendo para que ela não fraquejasse sua fé. Teria que aguentar a dor, o sofrimento e a humilhação, mas não por ela própria, não por sua vida, mas para que pudesse no sétimo dia estar com forças para salvar o espírito de uma criança inocente.
E assim foram se passando os dias, Cambinda resistia fortemente o tronco, as chibatadas, as noites frias, a falta de comida e bebida.
E enfim chegou o sétimo dia.
Nos aposentos do coronel com a sinhá, se encontrava a menina recém nascida. Tinha sete dias de vida. E inocentemente dormia sem saber que estava sendo observada por espíritos da escuridão.
O coronel se preparava para mais um dia de comando de sua fazenda, quando a sinhá se levanta da cama, e sem dizer nada anda até ele. O olha no fundo dos olhos, abre um pequeno sorriso, e o ataca numa ferocidade devastadora.
Com uma voz rouca diz que chegou a hora dele perder mais um pedaço de sua alma. Que já tinha levado seu filho e agora veio para buscar a menina. E com isso deu um salto indo para junto da criança.
O coronel assustado avança para junto da esposa na intenção de a deter, e assim salvar a sua filha. Num segundo de reflexão ele se lembra das palavras da negra Cambinda, lembrando-se também que estava fazendo exatamente sete dias do nascimento de sua filha.
Ele tentando controlar a esposa, que estava obsediada, tomada por uma força descomunal, um espírito negro que o olhava com ódio, grunhindo e tentando a todo custo atacar a pequena recém nascida.
O coronel agarra com todas as suas forças o corpo da mulher, mas ela com uma força grandiosa o joga contra a parede. Ele mesmo atordoado volta em sua tentativa de conter a sinhá. Grita por socorro, pede ajuda aos negros que trabalhavam dentro da casa grande.
Ao ouvir seus gritos desesperados, os negros correm em direção dos aposentos do casal. Uma velha negra adentra ao cômodo vendo aquela cena demoníaca, enquanto o coronel agarrado ao corpo da sinhá, pede desesperadamente que fossem buscar a negra Cambinda, que ainda se encontrava presa ao tronco.
E assim foi feito.
Ao chegarem com a negra, que se encontrava com suas vestes rasgadas, seu corpo surrado, feridas abertas, o sangue manchando seu corpo e os trapos que vestia, Cambinda se pôs de joelhos em oração, clamando a sua Mãe Iemanjá que lhe mostrasse o caminho para vencer tal força daquele espírito da escuridão.
De olhos cerrados, ela vê a imagem da negra Mãe, sua voz serena, seu jeito amável e sua luz entram na mente da velha Cambinda, lhe dizendo:
"Filha amada, chegou a hora de mostrar tudo que aprendera em todos esses anos. Vá até fora dessa casa, lá você vai pegar 7 ervas que sua intuição vai lhe mostrar, dessas 7 ervas traga apenas 3, e dessas 3 apenas uma vai ser a que poderá salvar a vida dessa criança das garras desse espírito sem luz. Ao retornar aqui, passe essa erva no corpo da pequena. Se for a correta a criança estará salva, caso sua fé for menor que a força desse obsessor, a alma da criança irá para os domínios do reino da escuridão."
E assim ela sai em disparada, enquanto a sinhá era segura pelo coronel e mais 3 negros escravos.
Ela faz o que lhe foi dito, e retorna para os aposentos do coronel. E com uma só erva escolhida na mão, ela se aproxima da menina recém nascida, esfrega a erva nas mãos, e passa por todo corpo da
criança. Nesse momento a sinhá se desvincula dos fortes braços dos negros e do coronel e corre em direção a filha. Ela empurra Cambinda a jogando longe e ao chão, e quando se aproxima da criança, seus olhos estão vermelhos de ódio, um ódio maligno, incomum, ela olha para o coronel e num grunhido diz apenas a frase:
"Eu levarei mais essa alma comigo, e graças a sua crueldade que me da forças ninguém poderá vencer-me."
E voltando para a menina novamente da uma terrível gargalhada que estremece a todos no local.
Mas quando ela ia atacar a menina, foi jogada para trás como se uma força invisível a dominasse. Entre gritos e grunhidos, a mulher desaba ao chão, ficando inerte. No mesmo instante um dos negros que ali se encontrava, absorve toda aquela força maligna, e por entre gritos de ódio parte para cima da criança, mas não consegue chegar perto dela. A erva escolhida pela querida Cambinda a protegia de todos os males da escuridão.
Cambinda, numa ação rápida, pega o restante da erva e passa na cabeça do negro obsediado, que no mesmo momento cai ao chão, da mesma maneira que a sinhá.
A negra abrindo os braços, e com uma quantidade de erva em cada uma das mãos, clama a Oxalá, sua Mãe Iemanjá, todos os Orixás e Entidades de Luz para que lutem junto a ela, dando-lhe forças e fé para vencer aquele mal.
As forças vieram. Um barulho ecoou dentro do quarto, como um grito de dor e desespero. Cadeiras e mesas viraram dentro de toda a casa grande, livros caíam das prateleiras da biblioteca do coronel, taças e garrafas de vinho foram despedaçadas junto as paredes e ao chão.
E a calmaria voltou. Todos se entreolharam um tanto assustados.
Cambinda se ajoelha e reza. Agradece a força recebida, agradece a vitória conquistada, agradece pela vida da pequena recém nascida, filha do coronel.
Por entre lágrimas e dores, a sinhá desperta, sem entender o acontecido, da mesma maneira o escravo que também fora obsediado.
O coronel se ajoelha junto a Velha Cambinda, lhe da um abraço, chora e lhe agradece, pedindo perdão por tudo, por toda a dor e desespero que ele a fez passar por 7 dias de amargura.
Ela com olhar cansado, apenas diz a seu senhor:
"As forças do mal buscam ódio, maledicência, rancor, nos corações de quem distribui a dor. Mas essa dor distribuída um dia fará com que dores maiores possam voltar a quem está fortalecendo o mal. Senhor coronel, demonstre seu respeito e agradecimento por nosso povo negro, assim como os Orixás demonstraram um grande amor pelo senhor, ajudando a salvar sua filha. Lembre-se, não foi apenas um espírito maligno da escuridão que levou seu filho, o senhor próprio o deu forças para isso. O mal só vence se não tivermos o bem no coração."
E assim ela se levantou e caminhou para junto do feitor, dizendo-lhe:
"Cá estou eu, com a força de minha Mãe Iemanjá, pronta para retornar ao meu castigo."
O coronel, mais uma vez, corre para a negra Cambinda pedindo-lhe perdão e dizendo que ela não iria nunca mais ao tronco.
Ela de olhos baixos, voz fraca, diz baixinho ao coronel:
"Sou uma negra, meu povo é negro. Enquanto meu povo tiver que sofrer nos açoites, no tronco, na falta de respeito, de comida e de cuidados, eu ficarei no tronco, e ficarei lá até meu corpo não aguentar mais,
pois nunca seria livre enquanto ver meus irmãos sendo açoitados até a morte enquanto eu, que não sou nada nem melhor que eles fico sem o castigo merecido aos olhos dos senhores e senhoras de pele branca.
O castigo que deveria receber por ser negra."
O coronel de imediato mandou que fossem tirados todos os negros do tronco, que todos os troncos fossem destruídos, que todos os negros fossem cuidados e alimentados decentemente.
A Velha Cambinda viveu na fazenda até seus 90 anos, ela foi a cuidadora de muitos males entre negros e brancos. Foi mucama da pequena sinhá, filha do coronel, que após a primeira filha ainda foi
pai de 5 outras crianças entre meninos e meninas, e nunca mais fora atormentado pelo espírito obsessor.
A Vovó Cambinda hoje trabalha caridosamente na Umbanda, auxiliando seus filhos amados, ajudando a curar males, retirar Kiumbas, Eguns e Espíritos Zombeteiros da vida de consulentes que buscam ajuda dessa amada Preta Velha.
Com seu modo amável e sereno ela está sempre pronta a ajudar no que for necessário, dentro do merecimento de cada um.
Saravá Vovó Cambinda!

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Hoje é Dia de São Cosme e São Damião - Dia 27 de Setembro Dia das Crianças na Umbanda

São Cosme e Damião



“Honra o médico por causa da necessidade, pois foi o altíssimo quem o criou. Toda medicina provém de Deus..., a ciência do médico o eleva em honra.” (Eclo 38, 1-3)

Pelo ano 303 na cidade de Egéia, na Arábia, nasceram os gêmeos Cosme e Damião, filhos de nobres árabes; Dona Teodata, mulher piedosa e de grandes virtudes, transmite aos filhos os vivos sentimentos de fé, esperança e caridade.

O nome Cosme vem de “Cosmos” – no grego: Puro, e Damião – “Damianus”: “Mão do Senhor” segundo a tradição. Nossos gêmeos foram educados e instruídos pelos grandes mestres da Síria e lá especializaram-se nas ciências e na medicina.

Os ensinamentos cristãos de sua Mãe, aliados a arte de curar e de aliviar os sofrimentos alheios, fizeram de nossos jovens médicos, um testemunho de amor e dedicação aos irmãos.

Os gêmeos médicos eram muito requisitados pelos pagãos, que neles encontravam um sopro de esperança e um alento nos sofrimentos.

Cosme e Damião não perdiam a oportunidade de falar de Jesus Cristo, o Médico dos Médicos, e de seu evangelho, assim aliavam a cura do corpo e da alma.

A admiração dos pagãos crescia ainda mais, vendo que os médicos Cristãos, não aceitavam a mínima gratificação, eram outras as riquezas que atraiam: “Almas para Deus.”

Incontáveis conversões foram testemunhadas, graças ao empenho e a dedicação de Cosme e Damião. As curas aconteciam de várias formas sendo até mesmo de formas extraordinárias, era o poder de Jesus sendo manifestado através de seus servos fiéis.

Durante muitos anos viveram os médicos como missionários na Cilícia. O empenho e a fama dos dois chamaram a atenção de autoridades, e uma das primeiras medidas do governador Lígias, quando chegou a a Cilícia, foi ordenar a prisão dos gêmeos, que lhe foram indicados como inimigos das divindades pagãs.

O então governador Lígias dizia cumprir ordens do imperador Diocleciano que nutria um ódio mortal contra os Cristãos.

Citados perante o tribunal de Lígías, este os interpelou sobre o exercício da profissão e sobre algumas denúncias maldosas de prática de feitiçaria.

Cosme e Damião estavam sendo acusados de exercer a medicina gratuitamente, e isto, estava causando incômodo a alguns mercenários da medicina.

Responderam as acusações dizendo:

-Curamos as doenças – mais em nome do Senhor Jesus Cristo, do que pelo valor de nossos conhecimentos e ciência.

Lígias respondeu furioso:

-É preciso que adoreis aos Deuses, sob pena de cruel tortura!

Novamente respoderam eles:

-Teus deuses não tem poder nenhum; nós adoramos o criador do céu e da terra, e nele depositamos nossa confiança.

Nossos gêmeos médicos foram submetidos aos cruéis tormentos para faze-los negar a fé e renegar a Jesus Cristo.

Vendo o governador que nada os fazia mudar de ideia, ordenou que fossem decapitados, e assim martirizados os médicos da gratuidade, os gêmeos da bondade e da caridade.

Os corpos Cosme e Damião, foram carregados por uma centena de amigos, pacientes e admiradores que por eles nutriam grande respeito e veneração

Depois de algum tempo, os restos mortais foram levados para a Síria, numa cidade chamada Cyra, e lá construíram uma Igreja em homenagem aos dois.

Em Constantinopla foi construída outra Igreja em honra aos mártires, por determinação do Imperador Justiniano I, que por eles foi favorecido em grave doença.

Parte das relíquias de nossos santos encontram-se em Roma e parte em Munique, no altar da Igreja de São Miguel.

Nossos Santos foram sempre muito festejados, são padroeiros dos médicos e farmacêuticos. Algumas crendices lhes são atribuidas, porém devemos guardar como exemplo de suas vidas é o zelo pelos que sofrem e o despeendimento dos bens materiais.

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Oremos:

São Cosme e São Damião, por amor a Deus e ao próximo, vos dedicastes à cura do corpo e da alma de vossos semelhantes.

Abençoai , pois os médicos e farmacêuticos.

Medicai meu corpo na doença e fortalecei meu espírito contra todos os tipos de supertição.

Amém.

Paz e Bem!


Prece do Serviço aos Necessitados

Deus, nosso Pai, São Cosme e São Damião passaram no mundo fazendo o bem, curando as doenças e aliviando o sofrimento de sua gente, dando confiança e esperança aos corações atribulados. Fizeram de seu ofício de médico um serviço ao próximo.

Fazei, Senhor, que também nós, inspirados no exemplo de vida de São Cosme e São Damião, sirvamos os nossos semelhantes de modo desinteressado, buscando sempre o seu bem e a sua felicidade. 

Fazei que lutemos corajosamente pela humanização de uma medicina que coloque o homem - mente e coração, corpo e espírito - no centro de suas preocupações. 

Que os médicos coloquem em primeiro lugar a vida, o bem de seus pacientes, e não o lucro, a exploração do comércio da morte, visando apenas o dinheiro.

Que, a exemplo de Cristo, que veio para servir e não para ser servido, colaborem para que se efetue o direito do povo de ter saúde e viver plenamente.



 CRIANÇAS: ENERGIA TRANSBORDANTE

 BEIJADA: Nome dado no Brasil, às entidades que se apresentam sob a forma de crianças. São, conforme a crença geral, nos cultos afro-brasileiros e na Umbanda, as falanges dos Orixás gêmeos africanos IBEJI.

BEIJIS – IBEJI : (ib: “nascer”; eji: “dois”) Orixás gêmeos africanos que correspondem, no sincretismo afro-brasileiro, aos santos católicos Cosme e Damião. Ibeji na nação Keto, ou Vunji nas nações Angola e Congo.

DOIS DOIS: Nome pela qual são designados os santos católicos Crispim e Crispiniano; também são assim designados os santos Cosme e Damião, os Orixá africano IBEJI e as falange das crianças na Umbanda.

ERÊ: vem do yorubá iré que significa “brincadeira, divertimento”. Existe uma confusão latente entre o Orixá Ibeji e os Erês. É evidente que há uma relação, mas não se trata da mesma entidade. Ibeji, são divindades gêmeas, sendo costumeiramente sincretizadas aos santos gêmeos católicos Cosme e Damião. Erês, Crianças, Ibejada, Dois-Dois, são Guias ou entidades de caráter infantil que incorporam na Umbanda.
Os erês são entidades puras e que nos ajudam de forma única e especialmente doce. Os filhos de Ogum, como também são conhecidos, tem a presença mais alegre da Umbanda, trazendo sempre renovações e esperança, reforçando a natureza pura e ingênua dos seres humanos. É a linha que mais cativa as pessoas, pelo ar inocente que traz na face do médium. Por sua natureza pura e pelos patronos a linha de Cosme e Damião também traz a cura para os males do corpo e do espírito, além de darem proteção e benção extra as crianças. Sua energia é transbordante de vitalidade e alegria, sendo capaz de derramar as maiores bênçãos de harmonia cotidiana.A festa de São Cosme, Damião e Doun, tem duração de um mês, iniciando a 27 de setembro (Cosme e Damião) e terminando a 25 de outubro (Crispim e Crispiniano).Nos Terreiros de Umbanda, a festa é muito bonita, há distribuição de balas, doces e guaraná para as crianças, os médiuns incorporam as crianças espirituais com a exteriorização atitudes infantis como o apego a brinquedos, bonecas, chupetas, carrinhos e bolas. Mas infelizmente e erroneamente, muitos interpretam a ‘gira de criança’ como uma diversão, afinal normalmente elas são realizadas somente em dias festivos como também, muitas vezes não consigamos conter os risos diante das palavras e atitudes das queridas crianças, momentos únicos de alegria e descontração que os Guias Espirituais, as crianças, aproveitam para nos curar de nossas amarguras. Ainda há muita deturpação com relação às falanges de crianças na Umbanda, onde acredita-se que são espíritos de crianças que morreram prematuramente, o que na verdade, as “crianças” são espíritos elevadíssimos que trabalham na falange de Yori e “simplesmente” se adaptam suas formas espirituais às formas astrais de crianças, assim de forma doce, ingênua e com muita alegria esses Espíritos de Luz conseguem nos envolver intimamente e desagregar energias densas enraizadas em nosso campo aurico que nos deixa cada vez mais doente de corpo e de alma.No dia 27 de setembro, dê uma pausa para a reflexão. Seu comportamento tem sido como das crianças espirituais da Umbanda? Você tem sido alegre, bem humorado e puro de coração? Ou pelo menos exercita o aprimoramento de viver sempre com alegria e esperança? Reflita sobre a sua missão. Nesse dia especial, faça uma promessa para si mesmo; seu lado infantil e puro não deve morrer! Deve renascer em bondade, amor por todos os seres e gratidão pela vida. Se for a uma festa de Cosme e Damião no terreiro de Umbanda, leve para casa, além dos doces e bolos, o exemplo de alegria e pureza da sublime falange de Yori!

Salve as Crianças! Salve os Erês! Salve Cosme e Damião!Salve Oni beijada!


A MAGIA DA CRIANÇA

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O elemento e força da natureza correspondente a Ibeji são…TODOS, pois ele poderá, de acordo com a necessidade, utilizar qualquer dos elementos. Eles manipulam as energias elementais e são portadores naturais de poderes só encontrados nos próprios Orixás que os regem.Estas entidades são a verdadeira expressão da alegria e da honestidade, dessa forma, apesar da aparência frágil, são verdadeiros magos e conseguem atingir o seu objetivo com uma força imensa.As preces dirigidas às “Crianças da Umbanda”, são prontamente atendidas, afinal, são dotadas de intenso poder mágico e vibração que só espíritos de grande luz possuem.Uma curiosidade: Cosme e Da­mião foram os primeiros santos a terem uma igreja no Brasil. Ela foi constituída em Igarassu, Pernambuco, e ainda existe.

Matéria extraída JUCA – Jornal de Umbanda Carismática, edição 13 setembro 2007

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Doum

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Simboliza o ESPÍRITO em sua PRIMEIRA FASE de ENCARNAÇÃO.
Representa a criança recém-nascida e por extensão, a primeira infância. A energia pura, o espírito imaculado.
No cristianismo é sempre representada pela imagem dos gêmeos SÃO COSME e SÃO DAMIÃO.
Na Umbanda há uma terceira imagem menor entre os dois santos e representa "DOU" ( ou mais popularmente "DOUM"), o primeiro filho nascido após o parto gêmeo.
No Candomblé são também chamados de IBEIJIS.
Suas ferramentas são brinquedos e guloseimas.
Sua cor é ROSA, a cor rosa da face das crianças.
Tem sua festa em 27 de setembro.
Cosme, Damião e Doum eram trigêmeos e que com a morte de Doum os outros dois irmãos se tornaram determinados em aprender e praticar a medicina para curar a todas as crianças, sempre de forma gratuita. Doum, personifica as crianças com idade de até sete anos de idade, sendo ele o protetor das crianças nessa faixa de idade.
Cosme e Damião e Doum, sincretizam com o Orixá Ibeji e representam as crianças na Umbanda, uma linha de trabalhos muito ligada ao Orixá Oxumaré, que traz em si o arco-íris, as cores, a alegria e a renovação da vida presente em cada criança. Dia 27 de setembro, oferenda, velas azul claro e cor-de-rosa, doces, balas e guaraná ou um bom prato de caruru.
....Por ser uma linha fechada em seus mistérios, não há muito a ser dito sobre a linha das crianças.
....Assim como os caboclos vêm na irradiação de Oxóssi, desenvolvendo seus trabalhos nas linhas de força ativa. São trazidos por Oxalá, Yemanjá, Oxum, etc., os espíritos na forma de crianças para atuarem nas linhas de força dos elementos.
,..Essas “crianças” possuem as características do elemento em que atuam.
...Se trabalham sob a influência do Ar, são alegres e expansivas:
...Se são da linha do elemento Fogo, são irritáveis facilmente
...Se são da Terra, são caladas
;..Se são da linha de Iemanjá ou Oxum, são carinhosas, melodiosas no falar.
....Um elemental é puro quando não comporta os defeitos típicos dos humanos. Mas isso não quer dizer que não possua uma força ativa que possa ser colocada a serviço da humanidade.
...Muitas entidades, que atuam sob as vestes de um espírito infantil, são muito antigas e trazem consigo grandes poderes que escapa à nossa imaginação. Entretanto pelo fato de não serem levadas a sério, o seu poder de ação fica oculto.
...O Orixá das “crianças” ou Erês, é um Guardião de um Ponto de Força do Reino Elementar, e atua sobre toda a humanidade, sem distinção de credos religiosos. Verificamos que em toda a história, grandes mestres da pintura deixaram legado à humanidade obras valiosas com figuras de anjos infantis retratando-os com sensibilidade e demonstrando suas formas com grande pureza.
...Trabalham na linha de Umbanda Sagrada como conselheiros e curadores, com uma pureza peculiar das crianças, fazem seu trabalho com satisfação e alegria.
...Aí está a essência! Como guardiões dos pontos de força do reino elementar, executam seus trabalhos com fortes e puras irradiações na sua origem. Por isso mesmo têm grande facilidade em curar muitas doenças, desde que estas possam ser tratadas com o seu elemento ativo.
...Por isso foram identificados como Cosme e Damião, santos cristãos curadores que trabalham com a magia dos elementos, e como Ibeji, gêmeos encantados do Ritual Africano Antigo.
...Não gostam de desmanchar demandas, nem de fazer desobsessões, preferindo as consultas, e em seu decorrer vão trabalhando com seu elemento de ação sobre o consulente, modificando e equilibrando sua vibração, regenerando os pontos de entrada de energia do corpo humano. Por isso são considerados curadores.
....Os espíritos que atuam no reino elementar puro, utilizam-se de nomes que através dos mesmos podemos identifica-los, e ao elemento que utilizam.
....Na Umbanda a “corrente” das crianças é formada por seres “encantados” masculinos e femininos. Estes seres encantados são nossos irmãos mais novos e mesmo sendo puros, não são tolos, pois identificam muito rapidamente nossos erros e falhas humanas. E não se calam quando em consultas, pois nos alertam sobre os mesmos. Sendo assim, demonstram com sutileza que possuem noções de do que é certo e do que é errado.
....Eles manipulam as energias elementares e são portadores naturais de poderes só encontrados nos próprios Orixás que os regem.
....Na Umbanda, o “mistério criança” é regido pelo Orixá Oxumaré, que é o Orixá da renovação da vida nas dimensões naturais.

Partes retiradas do Livro: “ UMBANDA SAGRADA” de Rubens Saraceni

domingo, 25 de setembro de 2016

Você sabe a importância dos anjos da guarda na Umbanda?

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Bem, os anjos de guarda nos protegem e acompanham a cada dia. E esse acompanhamento também está nas horas de trabalho (sessões). Sim, porque estamos numa corrente espiritual onde espíritos sem luz e perturbados, confusos, enfim vêm contra nós, os Orixás, Guias, Entidades nos protegem, mas a presença do anjo da guarda antes e depois da incorporação é por demais importante.
Um exemplo, normalmente quando uma pessoa sofre um trabalho de demanda, um trabalho contra o bem estar dela, a primeiro reflexo que se nota é o enfraquecimento de seu anjo da guarda, tornando-o distante e deixando a pessoa vulnerável.
É comum que os Guias/Entidades do terreiro, quando se vêem a frente de uma pessoa com demanda, venham a pedir um “fortalecimento para o anjo de guarda”, ou seja, um reforço para restaurar os laços entre você e seu anjo da guarda. Esse reforço consiste em trazer ele mais próximo de você, com mais força para te proteger contra os *ataques* da demanda.
E para os médiuns?
Com toda a certeza, para os médiuns, os anjos da guarda são tão importantes quanto os próprios Orixás e Entidades.
Quando o médium vai incorporar, para que o Orixá/Entidade se aproxime, o anjo de guarda permite a passagem para ocorrer a incorporação. Quando o Orixá/Entidade está incorporado no médium, o anjo da guarda permanece ao lado, pois o médium está protegido por energias do Orixá ou Entidade que está ali.
Quando há o processo de desincorporação, o Anjo da Guarda se aproxima mais, para manter o equilíbrio do médium.
Portanto, os médiuns devem ficar atentos para não oferecer resistência na hora da desincorporação desse Orixá/Entidade, pois existe uma hora certa em que o Orixá deve deixar a matéria e o anjo da guarda se aproximar, não deixando a matéria desprotegida.
O seu anjo da guarda, sempre anda com você em qualquer lugar que você esteja, pronto a lhe proteger; embora você não o veja.
O que chamamos de intuição, muitas vezes é a manifestação de nosso Anjo da Guarda que procura sempre o melhor para nós (aquela voz na cabeça que diz, não faça isso, não vá por esse caminho, etc.).
O nosso anjo da guarda é aquele que nos protege a todo instante de nossas vidas... Por isso, devemos manter acesa uma vela com um copo d’água ao lado em um local alto, e fazer orações ao anjo da guarda regularmente, pedindo sempre que nos guie pelos caminhos certos da vida e que nos proteja.
Para quem acredita é muito fácil sentir, ouvir e presenciar a manifestação dos anjos em nossa vida dando inspiração para algo que ocorrerá em nossos dias, mas para pessoas que não acreditam que os anjos existam é totalmente difícil manter o anjo próximo dele, esse pensamento negativo e destrutivo para o anjo o enfraquece e acaba por distanciá-lo.
O céu não tem entradas, lá não precisamos bater; pois, chegando ao fim da jornada, sempre há alguém para nos receber.
Seu Anjo da Guarda te Chama!
Quando o médium fica meio em transe após a incorporação, alguns dirigentes colocam a mão sobre o coração do médium e dizem: “_fulano seu anjo da guarda te chama!”
Esta era uma prática comum antigamente (não há como datar precisamente) de benzedeiras. Elas utilizavam esta frase como uma pequena oração para pessoas que não se achavam plenamente conscientes por vários motivos (mediunizadas, epilepsia, desmaio, etc.).
Tal prática talvez tenha sido trazido para a nossa amada Umbanda por alguma Preta Velha, já que é de pleno conhecimento nosso que muitas Delas foram exímias benzedeiras.
O Anjo da Guarda é visto como o Mentor de nossa razão, de nossa consciência; Desta forma este é um chamado ao restabelecimento da consciência com implicações magísticas.
Ao fazer referência ao nosso anjo da guarda, chamando-nos de volta ao domínio das faculdades no corpo físico após o transe mediúnico, ocorre uma espécie de invocação a nós mesmos.
Oração ao Anjo da Guarda
Anjo de Deus, Anjo de bondade, a quem fui confiado por celestial piedade, pela santa misericórdia de Deus, iluminai-me, regei-me, guardai-me e governai-me.
Anjo de Luz, guardião da minha vida, ilumina a minha alma, guarda-me dos males, orienta a minha inspiração, fortalece a minha sintonia com Deus e torna-me forte diante dos percalços.
Lembra-me todos os dias de não julgar nem ferir.
Tinge a minha mente de amor e harmonia, para que eu possa tornar o mundo melhor, agora e para todo o sempre.
Amém.