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quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Qual a sua religião? Espírita-umbandista!


Quantos de vocês já ouviram em seus meios, círculos de amizades, irmandade de santo etc, alguém responder, quando questionado sobre sua religião, sou “espírita-umbandista”?; sem saberem que este termo ou modo de se expressar causa profundo desconforto entre os umbandistas e irritação entre os espíritas.

Respondendo como umbandista que sou, afirmo que esta resposta gera um desconforto entre nós praticantes porque sabemos que a umbanda tem personalidade e liturgia própria e que apesar de estudarmos vários tópicos da doutrina Kardecista, não nos denominamos propriamente como espíritas, afinal espírita é quem segue na íntegra a doutrina codificada por Kardec, enquanto nós deveríamos nos apresentar apenas como umbandistas.
Pelo menos isto é o que a grande maioria dos umbandistas pensam , embora em muitos artigos e textos agregados á FEB ( Federação Espírita Brasileira), declaram oficial e textualmente: “Todo aquele que crê nas manifestações do espírito é espírita”.
E em muitos textos kardecistas acrescenta: “Pelo que estamos entendendo, os umbandistas crêem nas manifestações espirituais , logo, são espíritas”. 
Mesmo Allan Kardec, codificador do espiritismo declara em alguns de seus textos:
“Para que alguém seja considerado espírita, basta que simpatize com os princípios da doutrina (além da crença em Deus, nos espíritos imortais e na comunicação deles, na evolução, na lei de causa e efeito, pré-existência do espírito, pluralidade dos mundos habitados, etc) e que por ela paute a sua conduta”.

Como sempre, salientamos e alertamos em nosso terreiro á todos que ainda manifestem esta dúvida: A umbanda não é uma seita, afinal tem doutrina , ritos e liturgias próprias, o que a descaracteriza como seita ,mesmo não tendo sua doutrina codificada por encarnado nenhum, apenas pelas entidades que militam na seara umbandista.
Nós encarnados ainda perdemos muito tempo discutindo fundamentos, preceitos, etc, quando deveríamos estudar melhor aqueles fundamentos e preceitos que desconhecemos.

A função da umbanda é bem diferente da função espírita frente a espiritualidade maior, entretanto elas não são conflitantes, como muitos desejam fazer o leigo crer (principalmente as casas kardecistas mais ortodoxas), mas sim complementares, essa “divisão de filosofias” existe somente em nível terreno e não em nível de astral superior. 
O que existe é uma categorização que não significa superioridade e nem inferioridade, mas especialidades diferentes, apenas e somente isso.

Infelizmente, alguns espíritas kardecistas ainda nos vêem como inferiores, pois lidamos com entidades que “falam errado”, utilizamos rituais, velas, defumadores, enquanto eles (os espíritas) não utilizam nada disto e trabalham do mesmo jeito, afinal são médiuns do mesmo jeito.

Entretanto desde que o mundo é mundo e começaram a existir as religiões, e praticamente todas tem ritualística, com início, meio e fim, somente a doutrina espírita não tem ritualística.

Uma enorme parcela dos espíritos desencarnados que precisam de ajuda, tiveram algum tipo de contato, enquanto encarnados, com algum tipo de religião, consequentemente com algum tipo de ritualística, por isso muitos são encaminhados pela espiritualidade superior, para os terreiros de umbanda, pois entenderão mais rapidamente a “linguagem” que lá é falada e principalmente a agilidade na parte doutrinária e educandária, por isso os trabalhos de desobsessão ou encaminhamentos espirituais na umbanda são mais rápidos e objetivos do que nos centros espíritas Kardecistas.

Mais uma diferença entre as duas ramificações é que a umbanda dá oportunidade a qualquer entidade em qualquer faixa vibratória e evolutiva de trabalhar em função do bem, indiscriminadamente e sem preconceitos, comportamento este, bem diferente de algumas casas Kardecistas.

Penso que cada médium tenha seu lugar certo, já pré definido pelo astral para professar com exatidão seu mediunismo, não lhe sendo totalmente permitida a mera escolha, porém caso tenha escolhido o kardecismo, é um direito seu e não cabe a ninguém ir contra ou contestar, entretanto, penso também que ele não tenha o direito de dizer que a umbanda é inferior ou que esteja num estágio evolutivo abaixo do espiritismo, baseado simplesmente no fato da umbanda se utilizar de rituais que eles estão longe de entender ou simplesmente por não se identificarem, ou ainda pela umbanda ter em suas raízes, influências africanas, ameríndias, católicas e espíritas. 
Criticar o que não se entende ou desconhece não foi um ato ensinado pelo codificador do espiritismo, aliás o verdadeiro espírita não tem esse tipo de atitude, o verdadeiro espírita nos respeita!
No outro lado da moeda, vemos os detratores do espiritismo e das religiões espiritualistas colocando num mesmo saco, de forma totalmente generalizada, a umbanda, o espiritismo e o candomblé, e o que é pior, pessoas que denigrem o nome da umbanda e do candomblé.
Acho que é óbvio e compreensível que se você é espírita kardecista, portanto estudioso das coisas do espírito, médium dedicado e consciente, e totalmente avesso a rituais, ficará indignado ao ser comparado com terceiros, mas lembre-se que nós umbandistas também não gostamos de sermos comparados á terceiros....
Gosto sempre de salientar á todos que, umbanda e candomblé não são sub-divisões, correntes ou linhas do espiritismo, mas sim religiões espiritualistas, com características próprias e bem estabelecidas e que tem em comum , apenas o fato de se comunicarem com a espiritualidade.

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