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quinta-feira, 23 de junho de 2016

A Função do Médium de Sustentação

            Para delimitar o conceito de “MÉDIUM DE SUSTENTAÇÃO”, precisaremos buscar o significado da palavra sustentar, da qual se deriva o termo sustentação. Segundo o Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa, de Caldas Aulete, o verbo “sustentar” significa “ter ou segurar por baixo; suster, carregar com peso de; apoiar; impedir de cair, de vacilar, de desequilibrar ou mudar de posição; amparar, fornecer recursos a”.

            No vocabulário espírita, o termo foi criado para facilitar didaticamente o entendimento acerca do papel do “MÉDIUM DE SUSTENTAÇÃO”. Podemos designar, por meio da denominação “MÉDIUM DE SUSTENTAÇÃO”, todo aquele que, por não apresentar a mediunidade ostensiva, pode funcionar como dínamo de vibrações, garantindo, assim, a sustentação da corrente mediúnica. Mesmo sendo menor sua participação sob o ponto de vista do fenômeno, a sua contribuição é constante e de suma importância, para a efetivação de toda tarefa mediúnica, como será abordado.

            Acerca dos MÉDIUNS DE SUSTENTAÇÃO, ou seja, aqueles que não possuem de maneira ostensiva um aspecto mediúnico – ou que não possui mediunidade dinâmica, se formos aplicar a denominação, proposta por Crawford -, aproveitamos a ocasião para assinalar que existe outra denominação para essa categoria.

            Hermínio Miranda, no livro Diálogo com as Sombras, denomina o MÉDIUM DE SUSTENTAÇÃO, de “participante”. De acordo com Miranda, o participante deve preparar-se para a situação eventual de conviver com o grupo por muitos anos, sem que nenhum fenômeno ostensivo seja apresentado em sua intimidade, sendo comum mesmo o desenvolvimento de preciosas mediunidades, as quais se acham apenas em potencial, em período de expectativa e de provas, a fim de se lhes experimentarem a paciência e a tenacidade.

            Assim sendo, haverá sempre outros companheiros, sem “mediunidade ostensiva”, que podem e devem participar, respeitados o limite numérico e a qualificação pessoal, merecendo tais participantes atenção e cuidados, como quaisquer outros que integrem o grupo. Os instrutores espirituais insistem sempre que todos os recursos humanos colocados à disposição do trabalho são aproveitados, devendo deixar aos operadores desencarnados a incumbência de decidir quanto à utilização dos recursos de cada um.

            Miranda destaca um esclarecimento dado por um dos Espíritos orientadores do grupo ao qual pertenciam. Quando lhe foi perguntado sobre a função de um dos integrantes sem mediunidade ostensiva, “afirmou que (...) tal pessoa (...) prestava excelentes serviços, como um „dínamo de vibrações amorosas‟, de que estava pleno o seu coração. Esses recursos eram amplamente utilizados no trabalho, sem que ela tivesse consciência do fato.”

            Independentemente da denominação recebida, percebemos o valor deste instrumento de Jesus, como aquele carreador de correntes vibratórias, tão importantes para a realização dos fenômenos mediúnicos, como é o médium ostensivo, o qual Allan Kardec afirmou ser impossível a manifestação espírita sem a sua presença. Muitos destes médiuns, chamados de SUSTENTAÇÃO, desconhecendo essa realidade, lamentam muitas vezes não terem reencarnado com um determinado aspecto mediúnico, ou seja, com mediunidade ostensiva, por acharem que a sua participação em uma sessão espírita seja de menor importância.

            As obras psicografadas por Francisco Cândido Xavier – ditadas pelo Espírito André Luiz - são ricas de exemplos nobres daqueles companheiros encarnados que, movidos pelo desejo de algo realizar em favor do próximo, emprestam energias significativas para a realização de amparo aos menos felizes. Vejamos, então, um exemplo extraído de uma de suas obras.

            Em o livro Nos Domínios da Mediunidade, observamos o Assistente Áulus, instruindo a equipe em aprendizagem, durante uma reunião mediúnica. Estava sendo amparado um espírito obsessor removido do ambiente a que se ajustara por muito tempo com total desconhecimento de seu estado. Este fora trazido pelos amigos espirituais para ser socorrido, através da psicofonia da irmã Eugênia, que comandava com firmeza e ajudava o assistido qual se fosse uma enfermeira devotada. Durante o atendimento - e para que o espírito fosse esclarecido segundo sua necessidade - Clementino, o mentor espiritual, pediu a um dos assessores que trouxesse uma peça cujo aspecto era uma gaze fina, revestida de leve massa fluídica, branquicenta e vibrátil. E ali foi perpassando todos os fatos da vida física do Espírito em atendimento, até que ele caísse em si, vencido e banhado em lágrimas. Foi tão grande a crise emotiva, que o mentor espiritual se apressou a desligá-lo do equipamento mediúnico. Percebendo que a tela voltava a transparência normal, André Luiz desfechou algumas perguntas que foram respondidas pelo Instrutor Áulus:

Que função desempenhava aquele retângulo que eu ainda não conhecia? Que cenas eram aquelas que se desdobravam céleres sob a nossa admiração?

- Aquele aparelho, informou Áulus, gentil - é um “CONDENSADOR ECTOPLÁSMICO”. Tem a propriedade de concentrar em si os raios de força projetados pelos componentes da reunião (...)

- Mas, se estamos à frente de um condensador de forças - considerei -, precisamos concluir que o êxito do trabalho depende da colaboração de todos os componentes do grupo...

- Exato - confirmou o Assistente-, as energias ectoplásmicas são fornecidas pelo conjunto dos companheiros encarnados (...) Por isso mesmo, Silva e Clementino necessitam do concurso geral para que a máquina do serviço funcione tão harmoniosamente quanto seja possível. 

            Faz-se necessário ressaltar que, numa reunião mediúnica, a SUSTENTAÇÃO tem um papel primordial para que o plano espiritual possa usar os recursos em beneficio do êxito do trabalho que depende, segundo André Luiz, “da colaboração de todos os componentes do grupo”. Note-se ainda o esclarecimento do Instrutor Áulus, quando assinala que “as energias ectoplásmicas são fornecidas pelo conjunto dos companheiros encarnados”, necessitando “Silva e Clementino do concurso geral para que a máquina do serviço funcione tão harmoniosamente quanto seja possível”.

            O concurso geral, prestado pelo conjunto dos companheiros encarnados - sejam eles médiuns ostensivos ou médiuns de sustentação -, pode ser ainda exemplificado com base em um trecho de outro livro de André Luiz, que será transcrito a seguir:

Vários ajudantes de serviço recolhiam as forças mentais emitidas pelos irmãos presentes, inclusive as que fluíam abundantemente do organismo mediúnico. (...) Esse material - explicou-me ele, bondosamente - representa vigorosos recursos plásticos para que os benfeitores de nossa esfera se façam visíveis aos irmãos perturbados e aflitos ou para que materializem provisoriamente certas imagens ou quadros, indispensáveis ao reavivamento da emotividade e da confiança nas almas infelizes. Com os raios e energias, de variada expressão, emitidos pelo homem encarnado, podemos formar certos serviços de importância para todos aqueles que se encontrem presos ao padrão vibratório do homem comum, não obstante permanecerem distantes do corpo físico. (...) Alexandre chamava a si um dos diversos cooperadores que manipulavam os fluidos e forças recolhidos na sala.

(...) Em todos os serviços, o material plástico recolhido das emanações dos colaboradores encarnados satisfez eficientemente. Não era mobilizado apenas pelos amigos de mais nobre condição, que necessitavam fazerem-se visíveis aos comunicantes; era empregado também na fabricação momentânea de quadros transitórios e de idéias-formas, que agiam beneficamente sobre o ânimo dos infelizes, em luta consigo mesmos. 

            Diante dos apontamentos feitos pelo autor espiritual, podemos concluir que o “MÉDIUM DE SUSTENTAÇÃO” desempenha a função de um “dínamo de vibrações amorosas”, cujos recursos são amplamente utilizados no trabalho. Note-se que o “material plástico, recolhido das emanações dos colaboradores encarnados, satisfez eficientemente”, a fim de não só “ser mobilizado pelos amigos de mais nobre condição, os quais necessitavam fazerem-se visíveis aos comunicantes”, mas também de ser “empregado na fabricação momentânea de quadros transitórios e de idéias-formas, que agiam beneficamente sobre o ânimo dos infelizes em luta consigo mesmos”. As considerações de André Luiz são extremamente esclarecedoras, pois nos informam que todo participante de reunião mediúnica desempenha função relevante, “para que a máquina do serviço funcione tão harmoniosamente quanto seja possível”.

            Sendo de extrema importância o desempenho do MÉDIUM DE SUSTENTAÇÃO, podemos delimitar que, em trabalho, esse participante de reunião mediúnica “deve permanecer vigilante e calmo, evitar o sono, acompanhar a condução do dirigente e atuação dos médiuns ostensivos, auxiliando-os com suas vibrações, preces e até mesmo na orientação a ser dada a determinadas entidades, quando o esquema da reunião o permitir e sempre com a anuência prévia do dirigente”.

            O MÉDIUM DE SUSTENTAÇÃO não é um mero participante e sim um elemento capaz de ser um foco de irradiação contínua de bons pensamentos e de energias salutares. Segundo Roque Jacinto, ”ninguém é neutro no campo de emissores mentais e todo pensamento emitido se reúne e se soma ao geral, determinando os rumos do intercâmbio”.

            O Espírito Carlos nos mostra o quanto importantes somos, em qualquer função que nos seja confiada, pois sempre somos elementos úteis, lembrando-nos de que:

O Senhor promete a todos a manifestação de seus dons, e como nos lembra Paulo: Ela ocorre segundo as nossas necessidades. Por isso deve aquele que tem a responsabilidade da SUSTENTAÇÃO identificar-se com a importância de sua tarefa. E se não lhe foi designado ser o condensador das energias, que fluem dos pensamentos emitidos pelo mundo espiritual, através das imagens, dos sons ou da escrita, é seu papel materializar nos programas de intercâmbio um ambiente sadio e tranqüilo, aonde todos sintam a presença do Espírito de Deus.

            Portanto, o “MÉDIUM DE SUSTENTAÇÃO” é instrumento do Plano Maior, que, não apresentando mediunidade ostensiva - mediunidade de efeito inteligente ou mediunidade dinâmica -, é o irradiador constante de plasma psíquico e mental, utilizado em prol dos espíritos sofredores. Serve de apoio e de sustentação nas reuniões mediúnicas por ser um ativador de correntes vibratórias que se originam das orações e do pensamento edificado. 



UNIÃO ESPÍRITA MINEIRA

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