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terça-feira, 17 de maio de 2016

Por que não devemos combater a mistificação no terreiro?

Uma pergunta dessas pode até soar ruim, pois como defendemos aqui uma mediunidade sem intervenções, ou melhor, com o mínimo de intervenções anímicas possíveis, parece que ao simplesmente perguntar algo com um tom mais permissivo, estou incorrendo em um erro. Não, não há erro algum, apenas uma reflexão mais ampla do sistema de atendimento e do corpo mediúnico e espiritual de uma casa.

Toda casa terá um ou mais médiuns se manifestando mais animicamente e com toda certeza alguém estará mistificando. Isso faz parte da natureza humana e como todos os médiuns são primeiramente pacientes sendo tratados nos prontos-socorros chamados de terreiros, não podemos simplesmente ignorar isso.

Contudo, uma casa não é formada de um só médium, mas de uma corrente mediúnica e também de um corpo espiritual. Se dentro desse local, a maioria se prestar ao serviço de caridade e de aprimoramento seguindo o evangelho do mestre Jesus, não há o que temer. Pois mesmo que ocorram manifestações mínimas de cunho anímico/mistificador em suas fileiras, com certeza os consulentes não serão afetados.

Para entender isso precisamos primeiro deixar um pouco esse nosso preconceito de lado achando que a consulta se dá apenas de forma incorporada. A maior parte do trabalho de Umbanda ocorre nos planos invisíveis, sem o menor conhecimento do médium e até mesmo do pai e mãe espiritual. Suponhamos que um consulente com uma gravidade em sua vida vá se consultar em um médium que é anímico ou mistificador, sabemos que o médium poderá falar muitas bobagens e até mesmo ter posicionamentos errados. Mas excluindo isso ou uma possível má condução de instruções, o consulente não tem o que temer, pois mesmo com o médium em desequilíbrio, há ainda vários espíritos desincorporados ouvindo as suas súplicas e suas preces.

Se for de merecimento do consulente, ele será atendido, mesmo que tenha passado por um médium em desequilíbrio. O problema se dá quando o médium foge completamente da razão e instruí coisas sem o menor bom-senso para o consulente, como pagamentos, uso de objetos e substâncias ilícitas e até mesmo aconselhamentos sem o pendor moral.

A espiritualidade permite que isso ocorra, pois já é um processo depurativo e de discernimento entre o consulente, o próprio médium e os demais trabalhadores de uma casa espiritual. Muitas vezes os médiuns permanecem anos dentro da corrente, antes de serem desligados ou colocados em tratamento.  Isso não ocorre ao acaso, é tudo seguindo uma métrica, que do ponto de vista material é equivocada, pois para nós ou é 8 ou é 80, e deveríamos cortar aquele médium.

Uma vez interpelando uma entidade sobre essa situação a mesma me disse:

“Em tudo há razão, quando a obra é feita em nome de Deus. Se houvesse o afastamento imediato e até mesmo vexatório de um trabalhador, o mesmo simplesmente procuraria outro local ou até mesmo abriria seu próprio buraco (terreiro), onde continuaria com o trabalho equivocado e possivelmente tenderia ao mal, pois estaria sem a supervisão de uma boa corrente formada e firmada.”

Fica claro então que com isso temos claramente que o tratamento é feito para o médium também. Em sua sabedoria ele trata não só do consulente e do médium, mas impede também que um local negativo seja aberto, prejudicando mais pessoas.

Então, devemos combater intimamente a mistificação e o animismo, mas entender que coletivamente a espiritualidade está de olho e nada fica sem o respaldo e a resposta necessária.

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