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quinta-feira, 19 de maio de 2016

O Mito de Jesus Cristo

Jesus Cristo é sem dúvida uma figura controversa, símbolo de redenção e fé para bilhões de seres humanos por todo mundo ou um desconhecido por algumas culturas. Jesus é um cara para ser estudado. A dúvida que sempre persiste é quanto a existência real desse homem que se tornou Deus.

ATENÇÃO: Esse texto é pautado em estudo e pesquisa e não quer desmerecer qualquer religião ou símbolo religioso. Nós queremos sempre é elucidar os temas propostos. Lembrando que a Umbanda é cristã e por consequência eu também sou. 
Até mesmo sua alcunha de messias, aceita pelos católicos e protestantes, não encontra respaldo entre os judeus, povo de qual o próprio Jesus fazia parte. Dentro das comparações entre as culturas, muitos de seus feitos são encontrados em outros deuses.

Para entender isso precisamos localizar a existência do culto do povo hebreu anterior ao advento do Cristo. Entre todas as histórias da Bíblia encontramos o povo Hebreu (Judeu) sendo constituído à partir do patriarca Abraão, que apesar da idade avançada da mulher, teve a promessa de Deus de que seria pai e que seus descendentes seriam incontáveis como as estrelas. Abraão era Caldeu, a Caldéia era uma região no sul da Mesopotâmia, próximo a margem oriental do rio Eufrates, acredita-se que o povo caldeu tenha emigrado da Arábia. Além da promessa feita de muitos descendentes, também lhe foi prometida uma terra para habitar com todos estes, por isso chamamos de Terra Prometida. Sara, esposa de Abraão ao perceber que não engravidava, a despeito da promessa do Criador, ofertou sua serva egípcia Hagar para que ela gerasse o primeiro filho de Abraão, chamado de Ismael. Com o passar dos anos, o Anjo do Senhor, apareceu para o Patriarca e lhe informou que Sara, apesar de estéril, ficaria grávida e que seu filho deveria chamar Isaque. Sara possuída pelo ciúmes convenceu Abraão a exilar seu filho Ismael e sua mãe Hagar, depois da promessa de que Deus cuidaria deles, e então é dito que o povo Árabe tenha surgido da linhagem de Ismael. Da linhagem de Isaque surge então o povo Hebreu, através de Jacó e de seus doze filhos que geraram as doze tribos de Israel. Avançando na Cronologia vemos a história de Moisés, que possivelmente era egípcio, passando por heróis do povo como Josué, Golias, Saul, Davi, Salomão, etc, até a chegada do tempo e advento do Novo Testamento, através da mensagem de Jesus de Nazaré.

Com toda essa extensa narrativa quis demonstrar que os hebreus surgiram de outros povos e que o Deus a quem eles cultuavam era muito diferente do Deus Cristão que Jesus trouxe. Aqui começam as desavenças. A princípio o Deus YHWH era cultuado como um deus familiar, um deus menor, seria um deus da natureza cultuado ao Sul de Canaã e por nômades do deserto. Era um deus que se demonstra mais irado, com retribuições e sem qualquer tipo de conduta contrária a ter que matar para atingir os objetivos determinados. Vemos isso em várias passagens como a destruição de Sodoma e Gomorra, o Dilúvio, as pragas do Egito, a própria travessia do mar morto, das guerras em Jericó, luta contra os Filisteus, etc. Já o Deus que Jesus pregava era amoroso, aquele que não levantava a espada, não apedrejava os que não cumpriam as leis judaicas, etc.

Temos que começar a separar a partir de agora as figuras. É possível que Jesus tenha existido como dizem os cânones bíblicos? Provavelmente não, mas isso não indica que não existiu uma figura que representava esse papel. O Jesus histórico como dizem, ou Yeshua Ben Yossef, ou Jesus filho de José. É difícil afirmar a veracidade das informações contidas nos livros da Bíblia, pois os mesmos foram escritos muitos anos depois da possível vida de Jesus, e além disso eram transmitidos oralmente o que possibilita o desvirtuamento da informação e não encontramos respaldo de historiadores contemporâneos a Jesus. A figura de Jesus é uma junção de diversos contos e façanhas de outros personagens mitológicos, o que é difícil conceber apenas pela fé.

A figura de Jesus tomou a forma que tem com sua assimilação pelo Império Romano, pelo Imperador Constantino. Porém muitas semelhanças com o deus Mitra, inclusive adorado pelo próprio Constantino, Apolo, Dionísio e outros é encontrada na sua concepção. Não seria nenhum erro grosseiro afirmar que o Jesus que cultuamos hoje é na verdade uma reinterpretação de Mitra, ou seja, adoramos até hoje o deus dos romanos, que tomou uma roupagem diferente para se aproximar mais com o que a população estava mais acostumada e assim mesmo oferecer o novo.

Mitra, por exemplo é um deus solar persa, que foi incorporado a outras culturas como a mitologia hindu e a mitologia romana. Ele representava a Luz, assim como o bem e a libertação da matéria, outras semelhanças se dão pelo fato de seu nascimento ser ao dia 25 de dezembro, ter vivido entre os homens de forma encarnada, morrido para salvá-los e ressurgido como um deus altíssimo. Também nasceu sem envolvimento sexual, pastores vieram adorá-lo e oferendar-lhe presentes como ouro e incenso. Seu dia sagrado era o Domingo, teve doze companheiros ou discípulos, ressuscitou após três dias. Curiosamente o chapéu utilizado pelo papa leva o nome desse deus.

Tamuz, um deus Sumério, morreu devido a uma ferida no flanco e ressuscitou três dias após, deixando seu túmulo vazio, com uma pedra que o fechava ao lado. Seu centro de culto era a cidade de Belém.

Hórus, deus egípcio do Céu, do Sol e da Lua, nasceu de uma virgem (a deusa Ísis) no dia 25 de dezembro, ressuscitou um homem de nome El-Azar-Us, lutou durante 40 dias no deserto contra as tentações de Set (seu tio e também assassino de seu pai Osíris, representando a figura do mal), é representado por uma cruz (Ankh) e também foi batizado com água.

Átis, deus da Frígia, nasceu dia 25 de dezembro, nasceu de uma virgem, foi crucificado, morreu  e ressuscitou no terceiro dia.

Dionísio, deus grego, Baco para os romanos, nasceu da virgem Semele, fecundada por Zeus (o deus supremo do panteão grego), quiseram matá-lo quando criança, fez milagres de transmutar água em vinho e multiplicar os peixes, após sua morte ele ressuscitou.

Krishna, avatar do deus hindu Vishnu, nasceu dia 25 de dezembro de uma virgem, uma estrela avisou sua chegada, fez milagres, em algumas tradições morreu em uma árvore, após morrer ressuscitou. Além que a origem dos nomes Krishna e Cristo são muito parecidas segundo alguns historiadores.

(Fonte: Wikipédia)

Com toda essa informação a questão é: “Acredito em uma mentira então?”. Não diria que é uma mentira, até porque a divindade católica Jesus hoje existe de uma forma ou outra, ou assumida por outra “entidade” com esse nome ou criada pela fé de bilhões com o passar das eras. Mas, está longe de ser o Jesus histórico. Outra coisa é que também queremos sempre compreender o mito como uma verdade, mas o mito não é verdadeiro, não precisa ter existido e muito menos é uma mentira. O Mito é uma força mais poderosa, de inspiração, de condução e de fixação de certos ideais.

Seja mentira ou seja verdade, as façanhas do Cristo Bíblico são fantásticas, e nos remete a tudo de melhor que o ser humano pode atingir, então não há porque querer deixar de acreditar pelo menos na MORAL do Cristo Jesus. Nisso Allan Kardec acertou ao definir o seu Evangelho Segundo o Espiritismo com as lições morais de Jesus, sem se ater a história ou fatores que comprovassem a sua existência. E também como uma guia moral para a comunicação com o mundo espiritual.

A mensagem que é transmitida, quando bem interpretada, é muito mais profunda do que a necessidade de saber que o mito não se fundamenta conforme nos ensinaram desde tenra idade. O que quero com esse post é abrir um pouco o espaço para o debate, onde muitas vezes ouvimos os preconceituosos comentários sobre as religiões afro-brasileiras, nativas, magia, bruxaria, etc.

Procuremos saber antes da existência de uma entidade a sua mensagem, e ponderemos sobre o seu valor.

Como o próprio profeta João diz:

Amados, não creiam em qualquer espírito, mas examinem os espíritos para ver se eles procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo. – 1 João 4:1

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