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quarta-feira, 4 de maio de 2016

Nem sempre o silêncio é uma prece

É comum encontrarmos nas Casas Espíritas a indicação, por meio de placas e cartazes, de que “O silêncio é uma prece”, porém, sem discordar da importância do silêncio, muitas vezes, mesmo no silêncio, podemos estar na mais profunda angústia ou perturbação, embora estejamos quietos.

          Mesmo no habitual convite para que todos entrem em oração no início das palestras, o fato de todos ficarem em silêncio e de olhos fechados, não quer dizer que estejam todos em oração.
          O silêncio pode esconder muitas faces da alma humana, enganando aos que apenas veem a aparência e julgam que ela traduza a intimidade do Espírito.
          A frase correta seria: “Aproveite o silêncio, fazendo uma prece”, afinal, orar é colocar o silêncio em ação, numa atividade ampliada pela quietude das distrações humanas. 
          Encontramos em O Livro dos Médiuns, uma observação que qualifica o silêncio:     “Recolhimento e silêncio respeitosos, durante as confabulações com os Espíritos; União de todos os assistentes, pelo pensamento, ao apelo feito aos Espíritos que sejam evocados”.
         Novamente é importante compreender de que eles não falam de um silêncio qualquer, mas de “Recolhimento e silêncio respeitoso”, ou seja, de qualificar o ato de silenciar, utilizando da quietude para impulsionar nosso pensamento para onde desejamos.
          Na mesma obra já citada, na questão 332, ainda com referência ao silêncio, lemos: “Sendo o recolhimento e a comunhão dos pensamentos as condições essenciais a toda reunião séria, fácil é de compreender-se que o número excessivo dos assistentes constitui uma das causas mais contrarias à homogeneidade. Não há, é certo, nenhum limite absoluto para esse número e bem se concebe que cem pessoas, suficientemente concentradas e atentas, estarão em melhores condições do que estariam dez, se distraídas e barulhentas”.
          Muitas observações podem ser colhidas desta contribuição, mas todas indicam que o silêncio é neutro e pode ser utilizado para ascender em direção às alturas do bem, ou algemar nas estâncias sombrias dos objetivos fúteis.
          Quando aprendemos a buscar a paz no silêncio, obtemos o primeiro passo para a convivência conosco mesmo, lembrando o poeta Mario Quintana: “O excesso de gente me impede de ver as pessoas”, assim o silêncio é importante para aprendermos a nos abster das ilusões das multidões, dando um pouco de tempo a nós mesmos.
          Aproveitar do ambiente da Casa Espírita para silenciar e refletir, fugindo dos excessos das conversas fúteis, é sinal de inteligência, mas que deve estar a serviço do bem próprio, visando a elevação geral.
          O silêncio é certamente importante, mas que não basta isoladamente, é necessário ser conduzido, pelo pensamento, onde se deseja repousar. Afinal, silêncio ocioso vai para onde ele quer, nos levando para onde não queremos ir.
          São inúmeras as oportunidades em que podemos colher do Evangelho, situações onde Jesus se isolava para orar, cultivando a eloquência do silêncio elevado.
 
          Mergulhe no silêncio sempre que puder, mas que ele tenha objetivo e finalidade útil.


 
Autor:
Roosevelt Andolphato Tiago ( Barra Bonita/SP)
é palestrante há 30 anos percorrendo todo o Brasil, realizando palestras e seminários Espíritas, marcados sempre pela fidelidade em Allan Kardec. Escritor, editor e autor de dez obras publicadas de variados gêneros, todas evidenciando as bases da Doutrina Espírita, sendo um deles editado pela Federação Espírita do Rio Grande do Sul.
Presidente da ADE – Associação de Divulgadores do Espiritismo - Regional Jau.
Presidente da ACEAK - Associação Cultural Espírita Allan Kardec, na cidade de Barra Bonita, estado de São Paulo, Instituição que tem como atividade principal a Educação Espírita Infantil.

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