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sábado, 26 de março de 2016

Sincretismo Religioso na Umbanda

Desde o inicio da Umbanda, os santos católicos estão presentes no Congá dos terreiros, seja representando o próprio santo, quanto representando os Orixás da África.

Existe uma corrente dentro da Umbanda que quer desvincular a figura do Santo Católico e até mesmo de Jesus Cristo dos Orixás. Com respeito a todos que pensam o contrário, nesse artigo tentarei desfazer esse mito. 

Se levarmos em conta como oficial a história da fundação da Umbanda pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas e seu médium Zélio Fernandino de Morais, iremos perceber que desde o princípio se usou os nomes dos Santos Católicos dentro do ritual. Os Orixás acabaram vindo depois, para a Umbanda, com a inclusão dos egressos dos cultos africanos de nação e do Candomblé.

Veja só, apesar de atualmente os Orixás serem as deidades principais que supostamente cultuamos, sua representação iconográfica continua sendo com os santos católicos.

O sincretismo é um fenômeno anterior a criação da Umbanda. No Candomblé, realmente houve o sincretismo, na acepção da palavra. Os africanos escravizados não podendo cultuar abertamente seus Orixás, Voduns e Inquices, acabaram por sistematizar suas crenças usando a figura dos santos católicos como referências e também como engodo para o homem-branco. Então no Candomblé podemos aceitar a volta da pureza, retirando as imagens dos santos e deixando as dos Orixás Africanos. Mas na Umbanda não! Se for pra desfazer o sincretismo, na realidade, acabaríamos retirando os Orixás Africanos da Umbanda, e não o contrário.

Se fossemos por esse caminho, ainda teríamos que associar várias deidades ameríndias, pois houve realmente um sincretismo nessas forças. Quem “faz” Candomblé de Caboclo entende bem dessa história. 

Pode rezar pra Jesus e fazer entrega para Oxalá, isso cabe dentro da Umbanda.

Então acredito que podemos dizer: Sim, que a Umbanda é Cristã!

Mas cada vertente defende de forma diferente. O que só não posso aceitar é que retirem a origem da Umbanda, que é a confluência da cultura ameríndia, africana e européia. Traduzindo: que é essencialmente brasileira. 

O que vejo é muita gente procurando divergência ao invés de convergência. Religião é um elemento congregador. Quer cultuar os Orixás Africanos? A Umbanda lhe permite isso, apesar de não estar de acordo com a origem da Umbanda. Quer representá-los como divindades ameríndias? Ela também lhe permite isso. Quer cultuar com a figura dos santos católicos? Claro que também permite isso.

Se você defende uma pureza doutrinária, procure as origens. Estude os cultos que deram origem a nossa Umbanda. Mesmo que ela tenha sido oficialmente trazida por Zélio e o Caboclo das Sete Encruzilhadas em 1908, isso não implica que sua preparação e cultos que viriam a influenciar e até mesmo originar a Umbanda, não eram praticados anteriormente.

Sendo assim: SARAVÁ A UMBANDA!

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