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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

O dirigente espiritual tem que saber tudo?


Essa questão é algo que vemos sempre em pauta em vários fóruns de estudos, muitas cobranças, muitos questionamentos, e as vezes acho que as pessoas se esquecem que um dirigente espiritual (pai ou mãe no santo), são também médiuns em estágio evolutivo de aprendizado. Na realidade a impressão que passa é que eles são verdadeiras enciclopédias mediúnicas/espirituais ambulantes, não que eles não sejam, mas não é bem assim. Claro que um dirigente, o próprio nome já se deriva de “dirigir, conduzir, direcionar”, tenha que ter uma bagagem superior a de seus pupilos, isso sem duvida. Mas essa questão também está atrelada a outros pormenores que irei abordar em seguida:

A gente entende que um dirigente deva ser  aquele médium que teve outorga do espiritual, que possui experiência compatível com o cargo, tanto a nível de estudos quanto a nível de experiência de chão de terreiro, um médium que seja sério e comprometido com as funções exigidas para essa missão. Vejam ESTUDO + EXPERIÊNCIA = DUPLA IMBATÍVEL
Mas infelizmente na prática não é bem assim que anda funcionando, estamos vendo médiuns fazendo cursos mediúnicos, com seus 2, 3 anos de trabalho, já abrindo casas, e se auto proclamando PAIS E MÃES NO SANTO, quero dizer que não sou contra a se ir buscar conhecimento, mas não vai ser um simples “DIPLOMA”, que irá te dar a outorga para a missão, essa somente o espiritual irá te dar. Fora que estamos vendo médiuns extremamente despreparados, conduzindo terreiros, e consequentemente essa falta de bagagem irá cedo ou mais tarde repercutir na funcionalidade do terreiro, onde esse médium por falta de experiência prática não saberá sanar e nem lidar com certas dificuldades que forem surgindo. Vejam bem, já não é fácil nem para quem está preparado, pensa para quem não tem uma base sustentável. Além do mais essa experiência prática também proporciona amadurecimento emocional, psicológico de estar lidando com vidas humanas tanto de encarnados quanto de desencarnados. Observem que em um terreiro não cabe somente atrelar tudo e certas responsabilidades ao espiritual. Um verdadeiro dirigente responderá sempre a ordenança espiritual de sua casa, mas há questões que será exigida dele o máximo de conhecimento.

Um outro fator é a falta de humildade de alguns dirigentes, em não admitir que NÃO SABEM sobre um determinado assunto, como disse anteriormente o dirigente é um médium como qualquer outro, e os filhos no santo, devem ter consciência disso, e também ter um pouco de sensibilidade ao lidar com isso. É mais bonito um dirigente chegar no seu filho no santo e dizer: “… olha meu filho, seu pai desconhece sobre esse assunto, mas vou procurar saber, para lhe dar e sanar sua duvida…”, do que simplesmente olhar para o filho e dizer: “… não é tempo, e você não tem que saber disso agora…”, estou sendo sútil porque já soube de evidências onde dirigentes foram extremamente grosseiros, xingaram, humilharam esses filhos em público.
O dirigente ele tem que agir com transparência, sinceridade, ser verdadeiro para com seus filhos sempre. Mas os filhos tem que também entender que alguns conhecimentos e práticas são adquiridas com o tempo e na hora certa. Conhecimento na mão de uma pessoa despreparada pode ser danoso, eu costumo fazer um comparativo da seguinte forma, não se ensina medicina para uma criança de 7 anos. Mas o dirigente não pode de forma alguma negar uma resposta ou reclamar daquele médium porque ele pergunta. Porque veja os MÉDIUNS QUE MAIS APRENDEM, são os QUE SE INTERESSAM EM PERGUNTAR, OBSERVAR, OUVIR.
Mas os médiuns também tem que entender que há horas propícias para perguntas, e procurarem não ser invasivos em momentos não adequados, onde esse dirigente possa ser que não tenha condições de responder naquele exato momento. Existe uma lacuna imensa em se ser um médium interessado e ser um médium puxa-saco, que fica o tempo inteiro querendo chamar a atenção e mostrar como ele é bom para o dirigente, muitas vezes fazendo perguntas que ele já sabe apenas para aparecer.

Um médium aprendiz ele tem que respeitar seu tempo e não fazer o tempo a seu bel prazer, o dirigente ele sabe perfeitamente a hora de dar uma palestra, a hora de transmitir um determinado conhecimento, e não é na hora que aquele médium quer, ele pode não estar preparado para tal conhecimento e usá-lo de forma imatura e negligente, e um dirigente responsável sabe perfeitamente disso. Mas infelizmente agora com o uso da internet, tudo ficou mais fácil e vemos médiuns se prejudicando por estarem buscando conhecimentos sem um direcionamento e depois vemos esses mesmos médiuns pagando um preço duro e pesado de se pagar. Detalhe muitas vezes esses médiuns saem de seus terreiros e acabam voltando extremamente adoentados, porque usaram e manipularam energias que não souberam controlar.

E COMO SE NASCE UM DIRIGENTE ESPIRITUAL?

Um dirigente ao contrário do que se pensa “NÃO NASCE FEITO”, ele pode vir predestinado a uma determinada missão já programada no astral, mas quando esse espírito reencarna ele terá o seu livre arbítrio, suas escolhas as quais podem sim desviá-lo da sua real missão, então ele não nasce feito, ele se CONSTRÓI.

Mas um dirigente espiritual, nasce com o TEMPO, com a humildade, com a boa disposição, com o estudo, com anos de pés descalços num chão de terreiro, com a busca do QUERER aprender, da abnegação, da resiliência porque nem tudo é fácil e mar de flores, nem todo o médium tem a sorte de passar logo de cara com um bom dirigente e além de tudo isso MUITO AMOR E FÉ. E muitos desistem no meio do caminho, muitos serão os chamados mas poucos irão chegar no final.

Um dirigente nunca poderá ser soberbo ao ponto de bater no peito e dizer EU SEI TUDO, ele morrerá sem conhecer todos os tramites e interlinhas que envolve a mediunidade e a espiritualidade. Ele pode ter 40 anos de trabalhos ostensivos e numa determinada gira se surpreender em estar aprendendo. E não é anos que faz um pai de santo, porque tem muita CAÇAMBA VELHA… VAZIA.

O que muitos filhos de santo se esquecem é que eles querem aprender, mas se esquecem que em cada dia que passa, cada gira, cada convívio, e situação, o seu DIRIGENTE, aprende também com eles, com os consulentes. Que ele também é falível, porque ele não é perfeito, ele é um espírito que também está aqui trabalhando para sua evolução, a grande diferença é que ele pelo seu mandato e outorga do espiritual assumiu uma responsabilidade imensa no conduzir a trajetória de outros médiuns, de outras pessoas de uma forma geral, por isso, ele tem sim que não se acomodar e ir buscar conhecimentos constantemente sobre os tramites que envolve sua crença, suas ritualísticas, dentro é claro baseado no seguimento o qual faça parte. Ele na medida do possível tem que ser bom no que ele faz, e não simplesmente largar nas costas de seus guias e mentores, fora que quanto mais ele aprende mas seus guias lhe trazem de conhecimento.

Uma coisa importante que devemos citar neste texto é que muitos dirigentes carregam sim suas heranças, oriundas de seus dirigentes (pais e mães no santo), mas a Umbanda ela está crescendo, evoluindo, e na realidade eles tem que se superar em dedicação, em conhecimento até mesmo para honrar suas raízes e diria até seus ancestrais que lhe deram a base para serem o que são hoje.

Um dirigente as vezes ele é rígido, disciplinador, enérgico (não agressivo frise-se), porque ele quer tirar desse  médium o seu melhor potencial, o ensinando que o lidar com a espiritualidade exige-se respeito, dedicação, seriedade, comprometimento, disciplina, para que esse médium no dia de amanhã não sofra por sua negligência no lidar com sua mediunidade e espiritualidade.

Muitas vezes o médium cria uma fantasia em torno do seu guia, aquelas histórias fantasiosas,  como temos visto por ai, e quando o dirigente o trás para realidade, ele se vê frustrado em suas expectativas, dentro do que condiz a espiritualidade não há contos da carochinha, é tudo muito sério e complexo, fantasias vamos deixar para as horas de lazer quando assistimos filmes com temas dessa categoria.

A pergunta que todo médium deveria se fazer, eu quero ou não quero ser um médium SÉRIO.

Porque se não for para ser assim é melhor aposentar suas chuteiras. A Espiritualidade cobra a quem muito foi dado.

Enfim, espero que traga com esse texto uma outra forma de enxergar a questão abordada, vista com mais sensatez. Lembrando que uma andorinha só não faz verão e uma casa religiosa é um agrupamento familiar, onde todos os dias temos novas histórias e experiências sendo compartilhadas e vividas, por isso sejam atentos e aprendam.

Cristina Alves

Templo de Umbanda Ogum 7 Ondas e Cabocla Jupira

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