Páginas

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Presença de Deus II

Uma das grandes armadilhas do “eu” é a ausência de si. É muito fácil ficarmos perdidos em nossas preocupações, em devaneios que nos prendem ao passado ou ao futuro, remoendo os fatos vividos ou resolvendo por antecipação nossos problemas. Isso faz com que não estejamos inteiramente entregues ao momento que está sendo vivido. Em outras palavras, é como se estivéssemos ausentes. Nossa localização física não coincide com nossa presença. Popularmente se diz que o sujeito está de corpo presente mas a cabeça está em outro lugar.

Nesse movimento nos instalamos em nossa mente e deixamos que ela nos leve freneticamente a um passeio por todas as situações, conceitos, pensamentos e lembranças que nela estão armazenados. Nos perdemos, assim, no tempo e no espaço. Nos deixamos levar por pequenos pensamentos que se transformam em verdadeiros julgamentos do mundo real, à revelia da realidade. Nos obrigamos a elaborar uma ideia em nossa mente a respeito de cada fato que nos ocorre.

Presença significa uma atitude que envolve tempo e espaço. A pessoa está presente (espaço) no presente (tempo). Para não vivermos na ausência, perdidos em nossos pensamentos, devemos cultivar o silêncio interior. A oração é um momento privilegiado para a presença, no qual nos fazemos inteiramente presentes diante da Presença de Deus.

Parece óbvio, mas Deus só se faz presente na nossa presença. Quem não está presente, não conseguirá perceber a Presença Dele. Por isso, a todo momento devemos fazer mergulhos na presença, por meio do silêncio interior, a fim de não dar vasão às exigências do “eu” que nos levam à dúvida, ao medo, trazem insegurança, confusão, etc.

Quando estamos totalmente presentes, Deus se comunica de maneira mais profunda conosco. Fazer-se presente é colocar-se inteiramente na vida, é entregar-se. Essa é a experiência dos grandes profetas em momentos marcantes para a história do povo de Deus. Quando sentiram-se chamados por Deus, declararam sua presença: “aqui estou”.

Maria, tendo recebido a missão de ser a mãe de Jesus, respondeu: “Eis aqui a serva do senhor”. Sua conversa com o anjo, buscando discernimento sobre aquela situação, demonstra total lucidez e uma grandiosa fé, características de quem não se ilude com as distrações do “eu”. Estar totalmente presente diante de Deus exige e reforça em nós a fé e a liberdade, essenciais para quem pretende viver o amor de Deus.

Nenhum comentário:

Postar um comentário