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quinta-feira, 28 de maio de 2015

Captação de energia negativa pelos animais e plantas.

  
 
 Muitos acreditam que as plantas e os animais são como “pára-raios” e puxam toda carga negativa que foi direcionada a nós, humanos.
            Para discorrermos sobre esse assunto, vamos começar questionando alguns pontos básicos:
1.  A energia negativa que nos é enviada (inveja, olho gordo, ódio, cobiça, etc.) realmente existe?
2. Uma pessoa consegue matar uma planta e deixar um animal doente somente emanando esse tipo de energia?
3.   O que podemos fazer para nos proteger e proteger plantas e animais?
4.  Deus com sua bondade infinita permitiria que plantas e animais se tornassem nossos escudos de proteção para cobrir nossos próprios erros?
Todos os seres vivos possuem uma energia que envolve seus corpos e os mantêm vivos e a todo instante, parte dessa energia é trocada. Por um lado recebemos energia que está a nossa volta na atmosfera, que vem do Sol, que vem do centro da Terra, e que vem de outras pessoas, e por outro lado eliminamos o excesso de nossa energia despejando-a pelo caminho ou até mesmo em outras pessoas através do contato corporal.
Esta energia é moldada de acordo com nossos sentimentos, nosso humor, etc.
Sentimentos como inveja, ciúmes, raiva, ódio, entre outros, faz com que a energia fique sobrecarregada e densa, tornando-a nociva ao nosso corpo.
Ora, se constantemente estamos trocando nossas energias, parte dessa energia negativa carregada de sentimentos ruins também são eliminadas de nosso corpo impregnando nossa casa ou até mesmo a casa de outras pessoas que visitamos. Plantas e animais que estiverem próximos à presença de uma pessoa carregada com essas energias podem absorver um pouco disso.
As plantas absorvem a energia do Sol para realizar a fotossíntese e emitem energia para o meio ambiente e juntamente com a energia solar, elas absorvem energias emanadas pelas pessoas. Todo excesso de energia absorvida pelas plantas é descarregado naturalmente no solo, porém a área de solo que a planta utiliza para fazer esse descarrego tem de ser considerável, pois o próprio solo precisa de espaço para receber essa energia e eliminá-la.
Algumas pessoas utilizam vasos pequenos para plantas o que torna o volume de solo insuficiente para absorver o excesso de energia, por isso, pode acontecer de a planta murchar ou morrer, dependendo da quantidade de carga recebida.
Já com os animais acontece de outra maneira.
Os animais, assim como os humanos, absorvem as energias que vem por todos os lados e vão eliminando o excesso, mas tanto o gato como o cachorro percebe de longe quando uma pessoa está carregada. Normalmente o gato foge dessa pessoa se escondendo em um local seguro. O cão, mesmo sendo muito “bonzinho”, late sem parar pra pessoa e muitas vezes, sai de perto tentando se esconder em algum canto.
A pessoa que está carregada negativamente percebe que algo está errado com a reação dos animais e pode lançar um olhar de desagrado para eles, olhar este que também emite carga negativa para o gato ou o cão.
Essa carga negativa pode ser captada pelos animais, mas eles usam alguns truques para eliminar rapidamente essas cargas: esfregam o corpo nas paredes ou no chão, como se estivessem se coçando, tomam muita água ou mastigam grama, para acelerar o processo de troca de energia. Alguns cães latem muito, ou os gatos miam demais, pois a emissão do som também ajuda a eliminar essas energias.
Uma pessoa carregada negativamente pode emitir essa energia de maneira não-intencional ou intencionalmente. De maneira não-intencional ela transmite a carga cumprimentando, abraçando ou tocando outro ser vivo sem desejar seu mal, porém libera seu excesso de carga no toque. Intencionalmente, ele pode tocar a pessoa que deseja o mal e descarrega nela seu excesso de carga ou ainda essa pessoa dirige o pensamento para a outra e a carga é dirigida, sem precisar de contato físico e não importando a distância ou barreiras – o que liga uma pessoa à outra é o pensamento mútuo, é como se houvesse um cordão ligando-as, e através desse cordão é que passa a energia.
Então para proteger a nós e aos animais e plantas dessas energias negativas intencionais, devemos utilizar ferramentas próprias para isso.
Alguns pára-raios muito utilizados pelas pessoas são bem conhecidos, por exemplo: colocar em um copo com água um punhado de sal grosso e um elemento concentrador de energia (uma pedra, um metal, uma moeda, um pedaço de carvão, etc.) e deixar esse copo na entrada da casa; colocar uma fita vermelha na entrada da casa; colocar um espelho na entrada da casa; espetar barras de aço inox em um vaso com terra; etc. Não podemos esquecer que para “ativar” esses pára-raios devemos orar bastante durante o processo de montagem dos mesmos e mentalizar o que desejamos com isso. Essas ferramentas utilizadas para captar energia negativa sempre foram bem aceitas e normalmente funcionam de acordo com o desejado.
Com relação às energias negativas não-intencionais, devemos estar sempre atentos aos nossos atos, não responder aos pensamentos negativos como inveja ou rancor, por exemplo, estar sempre em sintonia com bons pensamentos e orar sempre que achar que a vibração não está boa. O uso de patuás, guias, colares, pedras nos bolsos entre outros, também ajuda a concentrar essas energias negativas evitando que pegue em nós.
Mas esse texto não foi feito apenas para descrever como nos proteger ou mesmo proteger aos animais e plantas.
Há muitos anos alguns guias diziam que “se um animal ou planta em sua casa não está bom, anda doente ou cabisbaixo, é porque te enviaram energia ruim e pegou neles”. Há um fundo de verdade nisso, pois sabemos que se recebermos uma carga muito grande extravasaremos parte dessa carga e há a possibilidade de passar essa carga aos animais e plantas. Note bem: somos nós quem recebemos a carga e, parte dela, pode ou não ser passada aos animais e plantas!
Um dos atributos divinos diz que Deus é soberanamente justo e bom, logo acreditar que a existência do animal e da natureza está meramente ligada à subserviência humana, vai contra essa definição divina.
Segundo a lei de ação e reação, o homem que causa um dano a outro tem de pagar por isso, logo, se está recebendo uma carga negativa é porque ele mandou uma carga negativa anteriormente. Os outros seres vivos recebem carga negativa, mas conseguem eliminar com muito mais facilidade que o homem, pois não estão pagando por nenhum débito anterior. Então todos os seres vivos estão susceptíveis as variações de energias, mas nem por isso podemos usar um animal ou uma planta para nos proteger da inveja!
Como poderia a Umbanda ser reconhecida como “religião que preserva a natureza” se, ideologicamente, usa um ser vivo para este fim?
É por isso que outros guias já vieram e nos ensinaram outras maneiras de proteger nosso lar e a todos que vivem dentro dele, usando materiais da natureza sem prejudicar nenhum ser vivo. Infelizmente algumas pessoas aprendem a fazer os pára-raios, mas ainda assim insistem em dizer que “o cão ficou doente porque algum vizinho jogou olho gordo na casa”.
O animal, a planta, assim como os humanos, estão evoluindo, um precisa do outro nessa evolução, mas não com subserviência, mas sim com cooperação e irmandade.

Utilizar animais para descarrego

Há várias formas de se fazer Umbanda, cada qual de acordo com o aprendizado e ideologia do sacerdote ou líder espiritual de cada terreiro, mas há um consenso entre todos de que Umbanda não utiliza o sacrifício animal sob nenhuma hipótese.
Infelizmente há alguns terreiros que fazem dessa barbárie uma prática de seus rituais, muitas vezes levados pela ignorância da falta de fundamento, seja energético ou espiritual, denegrindo a imagem da religião.
 Só os percalços da vida mostrarão, a esses algozes, os erros que estão cometendo.
Outra prática utilizada por alguns sacerdotes é o uso de animal para fazer o descarrego, sem imolá-lo.
Há vários processos utilizados, sendo que alguns dos mais conhecidos são: passar uma ave (galinha, pomba, codorna, etc.) no corpo da pessoa carregada para que a energia impregnada nessa pessoa passe para a ave e após o ritual, solta-se a ave no mato; nomear um cão ou gato com o nome da pessoa carregada para que todo quebranto ou mau-olhado vá diretamente ao animal; entre outros.
Essa prática é defendida com o argumento de que o animal elimina, de maneira mais rápida que o homem, toda a energia negativa, e não sofre com isso.
Vejamos se é assim que funciona.
Para conseguir uma ave é necessário comprá-la de um criador ou adquiri-la com algum vizinho que a cria, ou seja, são animais domesticados (por domesticado entenda-se que é aquele animal criado em um determinado espaço que depende de um outro ser, no caso o homem, para suprir suas necessidades básicas, como alimento e água), logo, ao retirar uma ave domesticada de seu espaço e soltá-la na natureza, é decretada sua morte, pois ela vai esperar que alguém lhe dê de comer e beber por não ter desenvolvido o instinto de procura e caça, além de que, a ave desencadeará um desequilíbrio no ecossistema por não pertencer a ele.
Ao direcionar cargas negativas a um animal (colocando nome, esfregando em um corpo carregado, magnetizando e direcionando energias, etc.), o animal receberá essa carga e sentirá, mesmo que momentaneamente, o “peso” da carga em seu corpo. Quem já recebeu uma carga negativa conhece bem os sintomas: mal estar, enjôo, dor de cabeça, entre outros até piores, ou seja, o animal também terá os mesmos sintomas dos seres humanos.
Ah! Mas o animal que estou direcionando a carga negativa está moribundo, logo estou fazendo um favor a ele – dizem alguns.
Perguntamos: trocou sua posição de religioso com a de Deus?
Só Deus sabe a hora de partida de cada ser vivo, e direcionando uma carga pesada sobre um corpo enfermo torna o ritual uma eutanásia.
Em todos os casos descritos acima, os olhos são fechados para as conseqüências em nome de prática ou tradição, o discurso de que está fazendo o bem em nome da Umbanda vai por terra ao analisarmos a dor e sofrimento dos animais.
Logicamente é mais fácil carregar a bandeira de que sempre funcionou, de que sempre vigiou o comportamento animal, de que a descarga é extremamente rápida para o animal e que ele nada sente, etc., do que procurar novas maneiras e métodos de se fazer um descarrego muito mais humano, consciente e com respeito à Umbanda.
O homem descobriu maravilhas com o advento do rádio e aparelhos sem fio, mas incrivelmente ainda não descobriu que pode muito controlar as energias, suas e de outras pessoas, com o pensamento, tanto para carregar quanto para descarregar. Que nem sempre é necessário o “toque” de algo para descarregar uma pessoa, e o principal: a Terra (nosso lar de encarnados) é um imenso pára-raios! Direcione todas as energias para a Terra que testemunhará maravilhas!
E a água?
A água é o maior bem que Deus nos deu! Ela tanto carrega quanto descarrega. Podemos e devemos utilizar a água em descarregos, usando, ou não, outros materiais como açúcar ou sal.
Ainda há outros meios ricos que descarregam todos os seres vivos como os óleos, pedras, cristais, minerais, folhas diversas e o passe magnético.
Quando começarmos a tratar os animais como nossos irmãos e auxiliares de jornada rumo à perfeição, aprenderemos a ter mais respeito por eles, não os usaremos mais para nosso benefício, mas para compartilhar com eles essa jornada.

Instrumentos que utilizam partes de um animal

Mostramos que é desnecessário e dispensável o uso de animais para descarregar uma pessoa ou servir de escudo para a mesma, porém há um outro ponto que é aceito por quase todos os umbandistas por falta de questionamento ou por comodidade: uso de pele ou couro animal como instrumento.
Muitos terreiros possuem atabaques e outros instrumentos de percussão. O atabaque e o pandeiro (se utilizado) são adquiridos com o couro de um animal (na maioria das vezes o couro é de gado ou caprino) para que possibilite a emissão do som por esses instrumentos.
Quem fabrica o atabaque ou outro instrumento de percussão fornece o couro animal por ser mais barato que um couro sintético, justamente porque esse couro é o “resto” de um processo onde toda a parte dita “nobre” de um animal já foi retirada para o consumo humano, daí seu preço baixo.
O couro sintético, produzido e fornecido por poucas empresas que encontram espaço para vender no Brasil por causa da elevada oferta de couro animal, é mais caro que o outro, mas apresenta vantagens maiores como o tempo de vida útil e uniformidade do produto (não há variações de tamanho e espessura de um mesmo modelo, como acontece com o couro animal).
A oposição para a troca entre um e outro couro não fica apenas no preço, mas também com a diferença sonora emitida de ambos.
Por ser utilizado por quase todos os atabaqueiros dos terreiros, o som emitido por atabaques com couro animal se tornou referencial aos ouvidos dos mesmos, o que torna a resistência pela mudança muito maior.
Toda resistência é normal. O ser humano busca estabilidade em tudo o que faz por saber que, da maneira que faz, dá certo e é cômodo. Deixa de existir a preocupação por novas buscas, sobrando tempo para fazer outras coisas, também estáveis.
Mas a diferença de som entre o couro animal e o couro sintético é tão grande assim?
Para os ouvidos calejados pelo som do couro animal há essa diferença, porém para a maioria dos umbandistas que não tocam os instrumentos, o som é idêntico.
Outra questão: se trocar um couro pelo outro, há perda de axé?
Vamos refletir sobre o axé do som do atabaque: do corpo de madeira do atabaque tem de sair um som grave que reverbere na caixa torácica de todos os participantes do terreiro, fazendo com que o ritmo cardíaco fique estável, nivelando por igual a sintonia de todos. Outro: os materiais que compõem o atabaque devem ser o mais natural possível para trazer o axé da natureza para ser misturado ao axé do som produzido pelo mesmo.
Com relação ao som emitido pelo atabaque, ao trocar o couro animal pelo sintético poderemos ter uma “leve” alteração sonora, mas independentemente disso, o som continua saindo do atabaque atingindo o objetivo de corrigir a sintonia de todos os filhos de fé.
Quanto aos materiais que compõe o atabaque, tudo é passado pela mão do homem, desde a madeira que deve ser cortada e lixada, até os parafusos e pregos de fixação. O couro animal também passa por um processo de limpeza e higienização, deixando de ser 100% natural, logo não há perdas significativas na troca de um material por outro, pois os componentes que são utilizados para se fabricar o couro sintético, de uma maneira ou outra, também vieram da natureza.
Concluímos que não há perda de axé, mas sim um ganho extra de axé por não utilizar um material resultante de uma morte.
A pequena alteração sonora será absorvida por todos num curto espaço de tempo, não sendo um empecilho àqueles que buscam tornar a Umbanda uma verdadeira corrente de respeito e amor a todos os seres vivos.

A tronqueira: com ou sem sacrifício?

Para a firmeza da tronqueira podemos colocar diversos materiais como: ferramentas dos Exus e Pomba-giras (tridente, espada, copo, taça, cálice, etc.), bebidas, padê (farinha de milho ou mandioca misturada com azeite de dendê), imagens, velas, pemba, charutos, cigarros, pedras, moedas, flores, etc.
A função desses materiais, se imantados e energizados para este fim, é a de captar energias negativas diretamente enviadas ao templo e aos filhos de fé, descarregando-as. Algumas bebidas, charutos, cigarros e o padê, por vezes são usados como oferenda ao povo da esquerda.
A tronqueira deve, ao ser aberta pela primeira vez no templo, receber todo um preparo para que se torne funcional ao ambiente. Alguns sacerdotes defumam o local onde será feita a tronqueira, riscam pontos de Exus e Pomba-giras, firmam com azeite de dendê, passam bebidas nas paredes e no piso, entre outros. Essa firmeza varia de acordo com a formação de cada sacerdote.
Cada material utilizado para se firmar uma tronqueira e posteriormente servir como para-raio, tem um axé próprio ligado diretamente de sua composição química.
Materiais de ferro ou aço servem como captador e direcionador de energias; bebidas são concentradoras e destiladoras; as velas queimam miasmas; e assim por diante.
A seiva das flores é excelente substituta do axé de sangue animal que era utilizado por povos ainda enraizados nas religiões antigas. O uso de sangue animal se torna então, desnecessário.
Mais desnecessário ainda é o uso de partes de um cadáver animal em uma tronqueira, pois outros elementos já estão definidos para fazer a mesma coisa que uma peça dessa serviria.
Algumas religiões que estão fechadas para o progresso mental e espiritual humano utilizam apenas o animal na tronqueira, ou o que eles consideram como uma, por não entender que os materiais podem ser trocados sem perder a função ou a firmeza desejada. Aliás, a troca de um cadáver por materiais e ferramentas, além de não prejudicar a firmeza, só contribui para a higiene do local, pois não emitem odores pútridos, não atraem insetos, animais peçonhentos e ratazanas.
Devemos também levar em consideração a falta de axé que um cadáver, ou parte dele, traz com a morte do animal devido ao sofrimento ao qual ele é exposto.
Resumindo, uma tronqueira tem firmeza e axé quando é feita com fé pelo sacerdote, possui as ferramentas necessárias para absorver e eliminar energias, quando possui os elementos que transmitem confiança, como as imagens, velas e flores, e quando é feita de maneira harmoniosa e de fácil acesso.
Feita nesse molde é inconcebível acreditar que Exus e Pomba-giras não aceitariam e não trabalhariam com uma tronqueira onde não houvesse restos animais. Como espírito que ilumina nossos caminhos, sua evolução espiritual acompanha, mais ainda, vai na frente, da evolução dos encarnados,  logo o povo da esquerda sabe muito mais do que nós o que é e o que não é necessário para seus trabalhos.
Abrir mão ou mudar algumas tradições não significa heresia, mas sim acompanhar a evolução humana e espiritual, mantendo respeito àqueles que fundaram as raízes dos templos.

Por: Newton C. Marcellino

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