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domingo, 31 de maio de 2015

A Umbanda e as oferendas na Serra do Japi *.


Muito se tem escrito sobre a Umbanda e as oferendas que as religiões de matriz africana praticam na Serra do Japi (Jundiaí - SP). O foco em questão, é a prática de sacrifício animal, as velas e a sujeira deixada nas matas.
Vamos esclarecer alguns pontos, para não restar dúvidas, pelo menos na ótica umbandista, sobre tais práticas.
A Umbanda, como religião, tem seus fundamentos voltados à prática do bem, à ajuda ao próximo, o respeito à sociedade e todas as vertentes religiosas e, principalmente, à preservação da natureza.
Sendo uma religião que trabalha com elementos da natureza, como ervas, frutas, flores, águas, pedras, entre outros, degradar e prejudicar qualquer local da Serra do Japi ou qualquer outra área ambiental, seria uma contradição em seus fundamentos.
Umbandistas praticantes e conscientes de sua responsabilidade religiosa sabem perfeitamente do respeito devido à natureza, de forma que, além de preservar, limpam as áreas as quais irão fazer seus rituais sagrados, retirando o lixo deixado por visitantes das matas e cachoeiras, não solidários à causa ambiental.
Por oferenda, definimos a pratica religiosa onde são oferecidas frutas, flores e bebidas aos orixás e aos seres elementais, habitantes da natureza, em troca de energias benéficas à comunidade umbandista - pratica similar à oferenda de natal, praticada por outros movimentos religiosos, onde a comida natalina - com seus alimentos, frutas e bebidas - é utilizada para lembrar o nascimento de Jesus, numa troca de bons fluídos aos seus praticantes.
Um consenso do grande movimento umbandista é definido que, as oferendas realizadas na natureza permanecem no local apenas durante o ritual, sendo retiradas em seu término. Velas são acesas durante esse ritual, em locais onde não provoquem incêndio, e são apagadas e levadas embora, juntamente com outros materiais não biodegradáveis.
Não há sacrifício animal na Umbanda. Os animais recebem o mesmo respeito que os seres humanos, pois todos são criaturas do mesmo Deus.
A Umbanda não pode ser considerada apenas de matriz africana pois, independente do segmento adotado (Jeje, Ketu, Nagô, Angola, Omoloko, Iniciática, Sagrada, Carismática, Esotérica, entre tantos outros) há indícios de pajelança indígena brasileira, presença e culto a santos católicos, ideologia reencarnacionista kardecista, elementos da jurema, entre outros, sendo cada um destes dosados para mais ou para menos, de acordo com a ritualística adotada por cada terreiro. É essa mistura de rituais de outras religiões que fazem da Umbanda uma religião caracteristicamente brasileira, e é daí que vem o respeito a outras religiões.
Antes de intencionar a proibição de rituais religiosos na Serra do Japi, deve-se questionar o uso indevido do espaço ambiental por exploradores de madeira, pedras, churrasco entre amigos no final de semana, competições ilegais de rally, excursões e festas de grupos não religiosos, etc., pois é muito fácil encontrar, no meio de tanto lixo deixado por esses, uma vela ou alquidar, e dizer que a culpa é da Umbanda, do Candomblé ou outra vertente religiosa.

(*) Texto escrito como manifesto à discussão da câmara de vereadores da cidade de Jundiaí (+ 60 km de SP) que quer proibir que religiões de matrizes africanas e a Umbanda, de fazerem seus cultos na mata e cachoeiras. Jornais da cidade de Jundiaí publicaram algumas matérias sobre o assunto, obviamente de maneira superficial e sem chegar perto da definição de "oferenda".
Este texto foi enviado para os respectivos jornais, porém foi totalmente ignorado.

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