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sábado, 14 de fevereiro de 2015

A Pressa de Incorporar


É comum e natural a pressa que alguns médiuns iniciantes tem em incorporar, ou mesmo desenvolver outras qualidades mediúnicas.

É preciso compreender que desenvolver a mediunidade não é entrar num terreiro e já “sair incorporando”.

Entendemos a pressa do médium em “se desenvolver” e em trabalhar e aprender com seus Guias.

Mas para isso torna-se necessário um tempo de maturação por parte do médium, não só apenas perante sua própria mediunidade e seu desenvolvimento, mas também perante si mesmo, perante a sua religião e acima de tudo da responsabilidade do serviço mediúnico.

Esse processo leva seu tempo, mas enquanto ele ocorre é necessário a real vontade de aprender, conhecer, se melhorar e querer servir e estudar a sua mediunidade.

Antes mesmo de “atender” com seus Guias o médium tem que ter a humildade de atender as necessidades da espiritualidade e de sua casa de outra forma. Pois o serviço mediúnico e religioso começa antes do atendimento dos Guias e acaba depois.

Querer atropelar o seu tempo natural de desenvolvimento, é por em risco todo um processo de crescimento.

Se as etapas existem é porque são necessárias.

Sair incorporando a toda hora e em qualquer lugar ou mesmo querer escutar seus Guias “de qualquer jeito” são formas comuns de atrair para a vida do médium iniciantes kiumbas (espíritos obsessores) que se divertem com a inocência, pressa e imprudência do médium colocando vários entraves para o seu desenvolvimento. Lembre-se o desenvolvimento mediúnico deve ser feito em um local preparado para tal.

Achar-se “preparado”, ser “preparado” ou mesmo estar “preparado” são coisas distintas.

Tudo tem seu tempo e esse tempo não é igual para todos e não é apenas analisado pelo seu/sua dirigente, mas também e principalmente pela sua própria espiritualidade.

É comum encontrarmos médiuns “afoitos” abandonando um terreiro por achar que não está a ser “valorizado” por seu dirigente porque acha-se preparado e não foi reconhecido.

Precipitar o processo pode acarretar em desânimo, frustração e pode transformar um bom médium num mistificador, vaidoso e arrogante, fazendo talvez com que se desvirtue do seu caminho e comece a culpar a Umbanda, seu terreiro, seu/sua dirigente por seus desajustes.

Por isso, calma!!!

Existe muitos fatores que devem e precisam serem analisados antes de colocar um médium a dar consultas ou passe como é mais conhecido.

E o médium que depois de uma análise de seu dirigente e da espiritualidade da casa foi indicado para receber seu preparo, deve ter muita humildade e não sentir-se envaidecido pelo posto, ou melhor 
tarefa que lhe foi designada e entender que apesar do preparo ele nunca estará realmente “preparado” para tal compromisso, pois o preparo é constante.

Agora que ele assumiu essa tarefa de forma consciente e não emocional sua atenção e responsabilidade perante seu desenvolvimento mediúnico precisa aumentar, pois ele passa a ser um expoente dentro do seu terreiro e como tal tem a responsabilidade, se não a obrigação de ser um exemplo e uma força na casa.

Incorporação na Umbanda exige, disciplina, vontade de se melhorar, maturidade, firmeza e segurança emocional para não se deixar influenciar pelas necessidades dos assistidos ou mesmo tecer julgamento unilateral da pessoa ou da situação que está a ser exposta, evitando assim o risco de interferir na comunicação e no atendimento da espiritualidade.

E tudo isso deve ser aprendido e praticado por um médium de Umbanda antes mesmo de se achar preparado para exercer sua mediunidade através do serviço da Luz de nossos amados Guias e Orixás.

Lembro que o entusiasmo é importante, o amor e a fé também, mas a determinação e a paciência também o é.

O tempo é leal conselheiro e se esse for seu caminho dentro da Umbanda, não se aprese nem se preocupe, o tempo chegará no momento que você estiver pronto para iniciar uma nova etapa no seu desenvolvimento. Até lá procure servir a espiritualidade, seu terreiro, seus irmãos de corrente e assistência da melhor maneira possível.

E lembre-se que a pressa é inimiga da perfeição…, da compreensão e consequentemente da sua evolução. 

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