Páginas

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Pena de Morte

        As opiniões divergem acerca da pena de morte, no cerne das discussões que se efetuam pelas diversas sociedades.
        Não é nada recente o vezo de tomar em suas mãos a vida e a morte dos indivíduos, por parte do Estado, tornando oficializada enorme taxa de delitos, de crimes, que merecem ser rechaçados, nos tempos da holografia, das viagens interespaciais e das comunicações eletrônicas, que fazem o mundo vibrar, emocionado, pelo progresso já alcançado na esfera tecnológica.
        São intricados os pensamentos que, aqui e ali, procuram justificar o homicídio perpetrado pelo Estado, no caldo odiento em que se movimentam, afirmando ser a expressão da melhor justiça, o que não passa de bárbara vingança oficial.
        Matar, em qualquer circunstância, seja motivado pela beligerância de indivíduos ou do Estado, representará, sempre, o quanto de brutalidade, de fereza, que ainda se alberga na alma da humanidade.
        Com a alma onusta pela ânsia de “justiçar” pelas próprias mãos, mesmo quando se lança mão de tal prática sob a máscara da autoridade constituída, as sociedades do mundo também se prevalecem de outros motivos para continuar matando, ampliando o leque do morticínio, lamentavelmente.
        Fala-se, então, em injeções letalizantes, em cadeiras elétricas, em forcas e fuzilamentos, além de outros incontáveis processos de matar aqueles que hão representado desafios às sociedades quase sempre hipócritas, omissas, permissivas e materialistas, que optam pelas providências que se lhes aparentam mais fáceis, a fim de “solucionar” seus problemas.

PENA DE MORTE

        Relativamente ao Estado, toda vez que legisla pró-morte, toda vez que faz um dos seus membros pagar com a vida por erros cometidos, faz afirmação pública de falência. Demonstra que foi incapaz, com todos os seus institutos, de educar para a virtude do caráter, de infundir bons hábitos, de melhorar os atendimentos à comunidade, de instruir para o progresso. Em sendo assim, torna-se mais fácil executar o cidadão ou a cidadã, supondo eliminar problemas.
        Em virtude da visão materialista e ateísta das chamadas sociedades cristãs, que alimentam esse tenebroso paradoxo, o Estado institucional e as massas ignoram que a pena de morte, quando estabelecida, somente ao corpo físico destrói. O ser verdadeiramente desajustado, delinquente e mau é o espírito que se libera do corpo atingido pela morte, mas não sofre transformação obrigatória no seu modo de ser e de pensar, podendo prosseguir na sua loucura, com maior virulência até, depois da execução, como atitude de desforço para com a sociedade covarde, omissa e impiedosa que o desalojou do corpo, sem deslocá-lo da vida.
        Desencarnados, os antigos malfeitores da sociedade investirão contra ela de outro modo, passando a influenciar outros indivíduos igualmente revoltados, ou com fortes inclinações para os mesmos desmandos, o que implica, sempre, no processo cíclico da violência em todos os níveis sociais.
        O quadro da pena de morte parece ampliar-se no mundo, impondo sofrimentos e desditas, não obstante incontáveis criaturas, famílias ou mesmo sociedades inteiras ainda se deixem conduzir para esse despenhadeiro, instigadas por concepções materialistas ou nadistas, enganosas, que ocultam de todos a realidade do ser imortal.
        Vale a pena valorizar a vida, enaltecendo as bênçãos de que ela se reveste, vibrando com as ensanchas que confere a cada filho de Deus de crescer no mundo rumo ao infinito, cooperando com o Pai em Sua ingente Obra.
        Matar ou matar-se? De modo nenhum permitamos que propostas tão infelizes sejam legitimadas pelo uso inconsequente, covarde e lamentável.
        A vida na Terra, com todos os seus reveses e desafios, merece ser bem vivida, bem sentida e aproveitada, como luminoso e formidável patrimônio de Deus.
        Somente quando o espírito for reencontrado como um tesouro oculto no vasto campo da vida material, conforme ensina a parábola de Jesus*; apenas quando os indivíduos se defrontarem consigo mesmos, identificando-se como criaturas destinadas à fulgurante imortalidade** é que se verá importância no processo educacional na Terra, entendendo-se que ninguém morre por que tenha deixado o corpo, decorrendo de tudo isso uma retração, tendente eliminação das práticas homicidas, abortistas, especificadamente, e autocidas, passando, então, à valorização da vida no que ela tem de mais especial, ou seja, na sua função de permitir que todos nos capacitemos para a perfeita integração com o Espírito do Criador.

Livro:  Justiça e Amor
J. Raul Teixeira, pelo Espírito Camilo
Editora Fráter

(*) – Mateus, 13:44.
(**) – O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, pergunta 919.

Nenhum comentário:

Postar um comentário