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quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Corrente Mediúnica

Como se faz um bom perfume? Basicamente, pela mistura de essências aromáticas (óleos essenciais), álcool e água. Disso vai resultar um produto único e de aroma agradável, para uso pessoal ou então para ser aplicado a um ambiente.
Se isolarmos esses componentes o resultado seria o mesmo? Não. O álcool tem suas propriedades e utilidades, assim como as essências e a água. Porém, isoladamente, nenhum deles consegue produzir o resultado final daquela mistura.
E se mudarmos os tipos de óleos essenciais, haveria outros resultados? Sim, porque cada essência contribui com um toque especial para a obtenção do perfume, dependendo de uma escala de evaporação. Há, por exemplos, os toques amadeirados, os cítricos, os florais. Alguns óleos essenciais entram ainda como fixadores porque têm as chamadas notas básicas ou de maior duração, servindo de base para a fixação das demais essências.
O mesmo se pode dizer em relação à qualidade do álcool e da água utilizados na preparação, pois sua variação vai interferir na qualidade do produto final.
Em resumo, um bom perfume depende da qualidade específica de cada “ingrediente” utilizado e do conhecimento técnico daquele que faz o preparo. 
Numa corrente mediúnica acontece algo semelhante. 
A corrente se compõe de indivíduos, de médiuns, cada um com características particulares. Alguns se assemelham e procuram estar juntos― seriam, talvez, do grupo “óleos essenciais”, ou quem sabe do grupo “álcool”, ou do grupo “água”. Porém, cada um, não importa a “classificação”, vai dar sua contribuição particular para o resultado final: uma corrente mediúnica equilibrada em ação.
Mas, subvertendo um pouco as coisas, e se acontecer uma “rebelião”? E se os “médiuns-óleos essenciais” resolverem agir como “álcool”, ou então como “água”? E se estes últimos também resolverem agir como outra coisa que não seja da sua natureza? E se nenhum deles souber exatamente quem é, quais são as suas aptidões, nem para quê foi chamado ali? O que vai acontecer?
No mínimo, aquele “laboratório” vai virar uma grande bagunça, e muito “material” ficará sem uma destinação inteligente, perdido... Nem “perfume”, nem “ingredientes”...
Parece bobagem, dito assim, mas é o que muitas vezes ocorre no campo mediúnico― e “nas melhores famílias”, nos Terreiros mais bem intencionados e organizados. Porque as orientações dos Guias Espirituais e do Dirigente de uma Casa, por mais claras que sejam, estão sujeitas a “interpretações” da parte dos membros da corrente mediúnica. Não se pode prever nem controlar o que anda na cabeça dos outros, pois em “cada cabeça, uma sentença”...
Acontece que cada membro da corrente é responsável por seus atos (inclusive pensamentos e emoções).
Isso quer dizer que cada um de nós, membros de um trabalho Espiritual, precisa olhar dentro de si e ver, em primeiro lugar, onde e como se “classifica”: que tipo de “ingrediente” tem sido, como tem contribuído para o resultado final (o objetivo do grupo), e onde e como pode melhorar seu desempenho.
Cada um de nós precisa se perguntar, basicamente: “Que tipo de pessoa eu sou, quais são minhas aptidões e minhas deficiências?”; “Como eu me preparo interiormente para uma tarefa (no campo material e no Espiritual)?”; “Estou aqui, de fato, por uma escolha consciente, ou vim por medo, ou porque alguém pediu, ou por outro motivo qualquer?“; “Aceito a tarefa que me foi designada, ou minha real vontade é estar no lugar de outro?”; “Como reajo diante de circunstâncias inesperadas; como recebo uma crítica; como recebo um elogio?”; “Preciso de elogios constantes para trabalhar, ou encontro satisfação pelo resultado final do trabalho de grupo?”. Isso, pra começar...
Em resumo, cada um de nós, médiuns de uma corrente, precisa se conhecer (autoconhecimento), cuidar de si mesmo e se aprimorar (saúde física, mental e emocional), para definir objetivos e fazer escolhas conscientes. Só assim a nossa participação nos trabalhos Espirituais será proveitosa para o nosso crescimento. E só a partir desse crescimento pessoal é que poderemos prestar auxílio aos outros.
Se não cuidarmos da qualidade das nossas energias, como será possível doarmos algo de bom aos outros?
Tudo isso dá trabalho: exige humildade, determinação, vontade firme, perseverança, paciência, autoestima, autoconfiança, capacidade de doação, entre outras coisas...
Mas, como tudo na vida, é uma tarefa a ser cumprida aos poucos, dia após dia, sem pressa, sem atropelos, cada um respeitando o próprio tempo, suas necessidades e limites, sua natureza íntima. Quem é “óleo essencial” só poderá contribuir como tal; e isto vale também para quem é “álcool” e para quem é “água”.
Não adianta querer ser ou parecer outra coisa...
Importa lembrar, sempre, que cada um tem uma contribuição importante a dar; assim como receberá dos demais algum benefício, algo que o complete e que, na somatória, sirva para se chegar ao produto final esperado.
E o mais bonito de tudo, no final das contas, é que juntos nós vamos produzir “um perfume” único e inconfundível, que irá envolver a todos, tornando a nossa vida diária um tanto mais bela e agradável, além de poder ser levado a outras pessoas, pelo simples toque de uma brisa, ou por uma gotinha distribuída aqui e acolá...
Enfim, essa “experiência” vai valer a pena!
Um bom perfume agrada, acalma, envolve, além de sensibilizar e despertar nossos sentidos para idéias e ideais mais nobres e produtivos.
É alguma coisa que enriquece nosso “currículo”! E que leva outras tantas pessoas a buscarem também uma atividade que as satisfaça; incentivando em todos nós o firme propósito de nos tornamos bons “ingredientes” nas mãos sábias da Vida Maior, este grande laboratório onde todos nós podemos aprender e, ao mesmo tempo, contribuir... 
Que Deus, os Sagrados Orixás, os Mentores e Guias nos amparem e auxiliem, para que estejamos atentos ao chamado da Vida Maior, no momento em que a mediunidade desperte em nós.
Que estejamos de mente e coração abertos, dispostos a colaborar na preparação, utilização e distribuição dos perfumes Divinos que emanam das Sagradas Energias que descem do Alto, durante os trabalhos Espirituais voltados para o Bem, nos abençoando e a toda a humanidade: acalmando, purificando, equilibrando, transmutando e curando todas as dores e sofrimentos da nossa caminhada.
Não é demais lembrar o velho adágio: “Sempre fica um pouco de perfume nas mãos de quem oferece rosas”...

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