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sábado, 15 de novembro de 2014

Glândula Pineal - Fisiologia





Há pelo menos 2000 anos a glândula pineal foi considerada pelos cientistas-místicos como a “sede da Alma” (sua morada). Alguns desses antigos cientistas chegaram a afirmar que o grau de desenvolvimento psíquico de uma pessoa seria proporcional ao desenvolvimento da glândula pineal.

Mesmo em nosso tempo, muitos estudantes de misticismo aceitam esta afirmação como verdadeira. Como existe uma afirmação no sentido de que “a pineal está ligada à transição entre a mentalidade autocentrada da infância e a da maturidade e benevolência”;

 muitos aspirantes bem intencionados sentiram-se encorajados a nutrir a idéia de que, quanto maior for a glândula pineal, maior será o desenvolvimento psíquico do indivíduo. Existem fatos que apoiem esta relação entre a pineal e o desenvolvimento psíquico?


René Descartes, filósofo, místico, e fundador da moderna matemática, referiu-se à glândula pineal como sendo a sede da alma racional. Como filósofo e matemático, é pouco provável que Descartes tenha usado o termo “racional” de forma imprecisa ou não-específica;

 visto que o termo “racional” deriva de “ratio”, que significa comparar. Pelo que se sabe, Descartes referiu-se à pineal como “la glande cannairienne”, ou glândula do saber, do conhecer. Perguntamos: não está o “conhecimento” baseado na comparação?

Do ponto de vista tradicional, pois, a glândula pineal vem sendo considerada como o órgão da percepção, “transformando a informação recebida em humores que passam por tubos, para influenciar as atividades do corpo”, segundo Descartes.

 Desta idéia tradicional deduzimos que a pineal representa um portal que permite ao Eu psíquico exercer influências bastante definidas sobre o Eu físico.

Do ponto de vista científico moderno, a pineal é frequentemente chamada de “reguladora das reguladoras”, governando muitas atividades do hipotálamo e da pituitária. Este ponto de vista se fundamenta, em grande parte, em resultados de estudos feitos com animais e não é incompatível com aquilo que se conhece das atividades fisiológicas desta glândula, no homem.



A PINEAL COMO TERCEIRO OLHO
Em alguns animais inferiores, como lagartos e sapos, a pineal consiste de dois órgãos distintos, um deles ocupando seu lugar usual na parede superior da terceira câmara do cérebro , o outro ocupando uma posição exterior ao cérebro propriamente dito, apresentando as características de um olho.

Este segundo tipo de órgão pineal ou externo, é geralmente chamado de órgão parapineal ou terceiro olho. Hoje, as evidências fisiológicas indicam que, em animais desprovidos de órgão pineal externo, algumas áreas da parte superior da terceira câmara cerebral, e talvez a própria pineal comum, podem ter a capacidade de transformar vibrações de luz em reações comportamentais e de outros tipos, em alguns animais.

Nos animais superiores, incluindo o ser humano, a pineal é composta principalmente de células que não são por si mesmas, reagentes à luz.

Entretanto, a luz recebida por intermédio dos olhos parece influenciar a função da pineal, visto que certas atividades, que sabemos estarem ligadas à glândula pineal, são alteradas nos animais cegos e muito influenciadas pela luz nos animais que enxergam.

 Além disto, nos animais superiores, a função pineal também é influenciada por impulsos do “Sistema Nervoso Simpático”.

A PINEAL COMO “REGULADORA DAS REGULADORAS”

No ser humano, a pineal é um pequeno órgão em forma de pinha, localizado bem no centro da cabeça (Veja Figura 2). A pineal permanece bioquimicamente ativa por toda a vida do indivíduo.

Entre suas numerosas influências, a pineal afeta as atividades do córtex supra-renal, da tireoide  do timo, das gônadas, do sistema hipotálamo-pituitário e, aparentemente, do pâncreas. A pineal, portanto, se qualifica como “reguladora das reguladoras”.

Na ausência da pineal, várias alterações no comportamento e na atividade elétrica do cérebro foram observadas em muitas espécies animais.

 Assim, a ausência da pineal em ratos novos leva a uma puberdade precoce. Com respeito a este fato, é interessante notar que, no ser humano, tumores que cerquem a pineal inibindo suas atividades, também levam ao surgimento precoce da puberdade.

 Em casos deste tipo, não é incomum a puberdade ocorrer, por exemplo, aos cinco anos de idade. Por outro lado, a hiperatividade da pineal, causada por tumores dentro da própria glândula, provocam um atraso considerável da puberdade.

A PINEAL E A TRANSIÇÃO CHAMADA PUBERDADE

Por causa da particular importância da transição para a puberdade em relação a futuras experiências de percepção e compreensão do Eu, achamos apropriado examinar mais meticulosamente a influência da pineal sobre a maturidade mental e física.

 Em termos de conceitos mais modernos sobre a atividade pineal, esta glândula passou a ser um foco de atenção como resultado da história clínica que apresentamos a seguir, e de outras que lhe são semelhantes.

No início do século vinte, um menino austríaco de cinco anos começou a crescer muito depressa, de um momento para outro; aumentou de estatura e adquiriu a aparência de um garoto de doze ou treze anos. Apareceram pêlos em seu corpo, sua voz engrossou e ele apresentava todos os sinais indicativos da puberdade. Sua precocidade sexual foi acompanhada pela precocidade mental.

 Há relatos sobre ter ele perguntado aos pais qual seria o destino ou condição da alma após a morte. Em outra ocasião, segundo os relatórios, ele observou pensativamente: “ estranho como eu me sinto melhor deixando as outras crianças pegarem em meus brinquedos do que quando brinco com eles.”

Outras coisas ditas pelo prematuro rapaz refletem uma maturidade de pensamento que se considera o resultado normal de muitos anos de experiência na vida adulta.

A criança morreu antes de completar os seis anos, mais ou menos quatro semanas após ter sido hospitalizada. A autópsia revelou que o menino tinha um tumor na glândula pineal.

Como já vimos anteriormente, a chegada precoce da puberdade, quando associada à pineal, deve-se à inatividade ou hipoatividade pineal, visto que, no período da infância, as atividades da pineal estão ligadas com a inibição da descarga de hormônios estimuladores das gônadas, pela pituitária anterior.

 No caso médico relatado acima, o “tumor da pineal” deve ter sido do tipo que inibe a atividade pineal, apressando, por conseqüência, a maturidade sexual e mental.

Parece claro, então, que a sincronização da liberação dos hormônios  estimuladores das gônadas e, portanto, a sincronização do surgimento da puberdade, está sob o controle da pineal.

 Parece lógico suspeitar, portanto, que após a puberdade deve haver alguma alteração nas atividades da glândula pineal. Até hoje, nenhuma alteração dessa atividade, pelo menos do ponto de vista bioquímico, foi demonstrada.

A PINEAL E A FACULDADE INTUITIVA...
Foi observado, entretanto, que após a puberdade o grau de calcificação, isto é, a quantidade de matéria arenosa presente na pineal, aumenta notavelmente com a idade, em nossa sociedade tecnológica.

Em contraste, ocorre menos calcificação da pineal em indivíduos que vivem em culturas que funcionam em maior harmonia com os ciclos da natureza. É bem conhecido o fato de que os componentes de uma cultura tecnológica, em média, confiam menos na faculdade intuitiva do que os membros de culturas mais “primitivas”.
Não existem evidências diretas que liguem o desuso da faculdade intuitiva ao grau de calcificação da pineal. Ainda assim, não deixa de ser tentador especular sobre a possibilidade do grau de calcificação da pineal refletir o grau de nossa alienação da natureza e seus ritmos.

Entretanto, parece que algum grau de calcificação pineal é inevitável. Além disto, parece que essas mudanças na estrutura pineal são necessárias para que passemos pela transição infância-puberdade.

Assim para nos tornarmos adultos, pode ser necessário sacrificar, a certo ponto, uma parte da faculdade intuitiva para adquirir um certo grau de razão, do racional.

Mas o quanto de nossa faculdade intuitiva chegamos a sacrificar para dependermos principalmente da faculdade da razão parece constituir uma questão de escolha.

Por isto, nem todos os membros de nossa sociedade tecnológica têm a pineal calcificada em alto grau. No entanto, do ponto de vista bioquímico, as atividades da pineal não se modificam com a idade.

 Isto indica claramente que, do ponto de vista da capacidade psíquica, os mais sofisticados métodos químicos disponíveis nos dias de hoje não são capazes de indicar exatamente aonde estamos, na “escala” do desenvolvimento psíquico.

HORMÔNIO DA PINEAL
A variedade de influências que a glândula pineal exerce sobre todo o sistema glandular, e por conseqüência na sensação física do bem-estar, indica que esta “glândula das glândulas” deve necessariamente fazer sentir sua influência por meio de algum hormônio ou de vários hormônios.

São conhecidos dois, neste sentido, cujas atividades explicam muito bem as conhecidas influências da glândula pineal sobre o corpo físico,

O hormônio melatonina já demonstrou ser a causa de muitas das influências sabemos ser mediadas pelo hipotálamo. Tais atividades incluem a liberação dos hormônios tróficos ou estimulantes, da pituitária anterior.

Por outro lado, o hormônio pineal vasotocina retarda o parto, mostrando que interfere na liberação do hormônio da pituitária posterior, a ocitocina.

Portanto, é interessante observar que a pineal esteve implicada na sincronização da gravidez e do nascimento com a estação (primavera), que é a época mais ideal para a criação e sobrevivência de filhotes.

Ao que parece, as descobertas modernas tendem a apoiar ou confirmar o ponto de vista místico de que a pineal pode realmente funcionar como um portal pelo qual as influências psíquicas se manifestam no corpo.


A PINEAL E OS RITMOS CLARO-E-ESCURO

Pelo que vimos, as atividades da pineal, direta ou indiretamente, reagem à luz do ambiente. Em muitas aves e mamíferos, a luz parece servir de sincronizadora da fisiologia e do comportamento animal.

Assim, muitos ciclos fisiológicos e comportamentais são orientados pela alternação diária de luz e escuridão. Esses ciclos diários são chamados de ritmos circadianos.

No ser humano e outros mamíferos, os ritmos circadianos se manifestam como flutuações nos níveis de hormônios do córtex supra-renal no sangue, relacionados com períodos de atividade. De significação ainda maior é o fato de que em seres cegos por motivo de catarata, o grau de mudança cíclica desses hormônios fica bastante reduzido. Após a remoção das cataratas, entretanto, a amplitude dos ritmos hormonais das supra-renais volta ao normal.

Pelo que podemos deduzir, parece que a experiência visual da luz causa efeitos profundos em nosso sistema glandular. Neste aspecto, observamos que ratos mantidos em local constantemente iluminado têm a glândula pineal menor que a de ratos mantidos em constante escuridão, servindo de parâmetros de comparação.

 As galinhas mantidas em luz constante, ao contrário, têm a pineal maior que as mantidas em constante escuridão. Mas como os ratos são animais noturnos, ou seja, seus períodos de atividade mais intensa ocorrem durante a noite, e as galinhas são mais ativas durante o dia, a relação entre o tamanho relativo da pineal e a iluminação ambiental durante os períodos de atividade mais intensa, é aparente.

 Parece claro, então, que a glândula pineal é um órgão importante que liga o ambiente com o sistema endócrino, por meio dos olhos e outros órgãos de percepção.

 A pineal pode ser, portanto, o elo de ligação entre o macrocosmo, ou universo maior, por um lado, e o homem, microcosmo ou pequeno universo, do outro. A pineal pode ser realmente o “olho” pelo qual o homem harmoniza o mundo interior e o mundo exterior.

Após a análise de cada glândula do sistema endócrino, que aprendemos que possa nos conduzir a uma compreensão mais clara do Eu psíquico?


Dissemos muita coisa sobre as funções fisiológicas das glândulas, e demonstramos claramente de que forma essas funções fisiológicas afetam nossa mentalidade. Como o funcionamento de nossas glândulas afeta nossa natureza psíquica?

 Para podermos chegar a uma compreensão mais clara da relação entre o Eu interior e o Eu exterior, iremos considerar, de forma breve, o papel das glândulas na vida psíquica.
Onslow W. Biblioteca RosaCruz

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