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segunda-feira, 20 de outubro de 2014

A Energia que emana do olhar

A história da humanidade tem mostrado que o nosso olhar sobre a vida passa pelos valores herdados de nossos ancestrais guerreiros. Basta-nos, para isso, observarmos que a cultura do orgulho, da ambição, da sedução e demais jogos de poder são energias que "incorporamos" e projetamos através do olhar que busca ascensão no mundo das aparências, onde geralmente, ainda perseguimos a vitória... o triunfo a qualquer custo.
            Dizia o escritor grego Plutarco sobre o olhar guerreiro: "Os olhos lançam dardos de fogo que golpeiam tudo aquilo que veem"; ou a inscrição na múmia da pitonisa egípcia muito respeitada nos tempos do faraó Amenófis IV, onde se lia: "Desperta da tua prostração e o teu olhar triunfará sobre tudo quanto se faça contra ti".
            Portanto, o olhar humano é uma consequência coletiva de nossa cultura milenar baseada em valores guerreiros, mas também, uma decorrência específica baseada em escolhas individuais da trajetória de vivências de cada espírito. Crendices à parte, o conhecimento espiritual assegura que o olhar possui uma força proveniente de uma irradiação que surge do olho humano. Esta teoria é conhecida desde a remota antiguidade, testificada na Bíblia e em vários escritos gregos e romanos.
            O olhar humano esconde uma força que para muitos pode passar despercebida; contudo, muitas vezes, um simples olhar expressa mais de cem palavras. A sua energia pode produzir muitos efeitos diferentes, pois com ela, expressamos o nosso interior. Um exemplo disso é quando o olhar entre duas pessoas se encontram, ou seja, ambas podem sentir a energia que flui de um para o outro. E dependendo do tipo de energia, a repercussão física é imediata: sensações físicas de calor, frio, arrepios, etc., fluxo que muitas vezes não conseguimos sustentar por constrangimento e medo da intimidade.
            No entanto, o olhar observado na profundidade de seu significado não é somente a visualização de algo concreto, real que está à nossa frente... ou o olhar ancestral que seduz e oprime. O olhar através da janela da alma é uma projeção do conhecimento pré-adquirido e, ao mesmo tempo, a captação de conhecimentos que estão sendo incorporados no presente, fruto de experiências que envolvem também sentimentos e emoções genuinamente humanas.

            No livro "Pergunte a Platão", o seu autor, o filósofo e escritor Lou Marinoff, registra algo interessante sobre a "visão extra" que devemos adquirir através de um olhar que transcenda o mundo das aparências: "Dentro da caverna está o mundo indistinto das aparências, fora da caverna, o mundo ensolarado das ideias ou formas. Ali conquistamos a visão clara e a compreensão profunda da realidade, inclusive da origem de todas as coisas dentro da caverna".
            Sendo o olhar, a verdadeira expressão de nosso interior, portanto, o "raio X"  de nossas legítimas intenções que transcendem através da janela da alma, é a partir dele que devemos mudar em nós o que precisa ser mudado. E toda mudança interior implica em alterar um padrão comportamental que nos acompanha há muito tempo.
            A busca da paz interior pelo processo de erradicação de sentimentos inferiores que nos atormentam desde tempos imemoriais, pode ser o início de uma longa jornada de depuração da alma através da transformação de um olhar que incute medo ou indiferença a quem o capta, em um olhar que transmite confiança, generosidade e amor.
            Nesse sentido, conforme descreve Públio José em seu artigo "A força do olhar", a grande diferença entre o olhar de jesus Cristo e o olhar dos homens, "é que o olhar de jesus Cristo expressa amor incondicional, e um dos momentos da comprovação deste fato foi durante a tortura a que Jesus foi submetido na fortaleza de Pilatos. Pedro estava presente e em determinado instante, quando o galo cantou - depois de Pedro ter negado Jesus por três vezes - o olhar do mestre se cruzou com o do apóstolo. O relato bíblico diz que Pedro, após o olhar, "saindo dali, chorou amargamente". Porque foi de choro a sua reação? Porque não foi de ódio? Porque o amor expresso no olhar de Jesus não há violência, mesmo a mínima agressão, e sim compaixão. Pedro ficou desorientado e desandou a chorar. Esperava um olhar de ódio, em troca, recebera um olhar carregado de amor". E completa, Públio José: "A intensidade do olhar de Jesus modificou a sua vida, e o choro foi o reconhecimento de que fora perdoado. O mensageiro? Um simples olhar - um olhar cheio de amor".
            E seguindo os olhares deixados por Jesus Cristo, Buda e demais espíritos iluminados que aqui edificaram as suas obras na energia do amor fraternal, este é mais um desafio que enfrenta o homem do terceiro milênio: adquirir um olhar de amor para a vida, porque "olhar nos olhos" é uma das melhores formas de contato humano... uma ponte entre almas que podem caminhar juntas em busca da evolução.


Psicanalista Clínico e Interdimensional  -  FLÁVIO BASTOS

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