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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Oração e Cura

          
 A oração deve constituir uma bênção, na qual a criatura e o Criador se identificam, mediante a linguagem inarticulada do sentimento de plena união.
          Quando alguém ora, quase sempre são verbalizados os anseios da mente e do coração, facultando melhor concentração, especialmente naqueles que não estão acostumados à reflexão profunda. Sem dúvida, que não se trata de palavras memorizadas e repetidas sem qualquer emoção, com o pensamento distanciado, não-participativo.
          A verdadeira oração faz-se mediante um colóquio com a Divindade, abrindo-se o indivíduo à inspiração, sem qualquer tipo de formulação que objetive resultados imediatos.
          Acostumando-se à dependência de favores, a criatura transfere para Deus as suas necessidades, sem a resolução firme de solucioná-las, utilizando-se da prece como recurso persuasório, a fim de conseguir benefícios que os pode adquirir quando envida esforços e trabalho bem direcionado.
          Não é essa a essência da oração. Ela tem como objetivo franquear ao Espírito as possibilidades de entendimento da vida e sua autoiluminação, como decorrência do bem-estar haurido nos momentos de integração na Consciência Cósmica, com a qual permanece em perfeita união.
          Somente através do exercício de busca da anulação do ego para a superação das paixões que perturbam a lucidez, é que se alcança o estado oracional, no qual há uma equilibrada transfusão de energias que se expandem e de outras que penetram o ser, propiciando-lhe harmonia e lucidez.
          A oração, portanto, não pode ser colocada a serviço do atendimento dos desejos, normalmente infantís, da solução de interesses, nem sempre louváveis, mas revestir-se de emoções de louvor, de entrega, de submissão aos impositivos da Lei de Causa e de Efeito. Pudesse alterar as consequências advindas da irreflexão, proporcionando ventura ao infrator, saúde ao rebelde e insensato, e estaria defraudando o equilíbrio universal.
          Em face disso, o momento de prece é de interação, de doação e de escuta, a fim de que sejam captadas as diretrizes existenciais que podem auxiliar na escalada ascensional.
          Na síntese apresentada por Jesus, no oração dominical dirigida a Nosso Pai, está fixada a submissão à Sua vontade, em razão de não haver ainda no ser humano a necessária sabedoria para saber o que lhe é de melhor, aquilo que é mais importante para o seu processo de evolução.
          Fixando-se no presente e nos impositivos do prazer veloz, acredita que são importantes esses fenômenos fugazes, não se detendo a meditar em torno dos resultados do sofrimento mais tarde, a respeito dos desafios atuais que se transformam em conquistas posteriores, das situações difícieis que se alterarão em favor do seu progresso intelecto-moral... A sua visão imediatista apenas detecta o que, no momento, lhe parece importante, mesmo que passageiro e insuficiente para a autorrealização.
          Quando a prece faculta a submissão à Sua vontade, há um enriquecimento espiritual do orante que o capacita aos enfrentamentos perturbadores com serenidade e grande alegria, por entender que fazem parte do processo de crescimento espiritual que lhe é necessário.

          Invariavelmente, há uma associação entre orar e pedir, raramente para louvar ou agradecer.
          Por consequência, diante de qualquer enfermidade, quando se tem uma convicção religiosa, logo se faz da prece o recurso valioso para a aquisição da terapêutica de maior poder curador, isto quando não se aguarda pela ocorrência de um milagre.
          Destituída de bom sentido, essa postura demonstra a total ignorância das Leis Divinas, especialmente no que diz respeito à vida humana transitória e à existência carnal como campo de experiência evolutiva para o Espírito.
          Pudesse ou devesse a oração curar todos os males humanos, especialmente as enfermidades, e a existência no planeta seria impossível, em face da superpopulação, desde que a morte seria expulsa, desaparecendo a conjuntura que leva de retorno ao Grande Lar aqueles que de lá procedem.
          A cura está adstrita a diversos fatores que a oração auxilia a tornar-se realidade, tais como: ampliação da saúde, mas não eliminação da doença; moratória orgânica e psíquica, no entanto, prosseguimento da luta e da recuperação dos débitos morais; diminuição das dores e dos conflitos, robustecendo o ânimo para melhores condições de superação da inferioridade...
          O ato de orar, entregando a Deus a solução das ocorrências, faculta que o fenômeno do restabelecimento do enfermo decorra da Sua vontade, por conhecê-lo profundamente, avaliando o que lhe é de melhor para este momento em relação ao seu futuro eterno.
          As dúlcidas vibrações que decorrem da comunhão com Deus através da oração, beneficia aquele que estabelece o vínculo, como também todos aqueles aos quais direciona o pensamento, envolvendo-os nas mesmas ondas de energia benéfica.
          Desse modo, considerando as várias ocorrências de curas resultantes da interferência da prece, pode-se concluir que sempre será Deus a realizá-las, nada obstante os Bons Espíritos possam intermediar as bênçãos restauradoras e as emanações do orante contribuam para os resultados favoráveis.
          Aqueles que se façam beneficiários desse inestimável socorro, acrescentam, inevitavelmente, aos compromissos de ressarcimento moral, a dádiva que lhes é concedida como recurso auxiliar, a fim de situar-se em melhor plano emocional e de conduta, libertando-se, quanto possíviel, dos grilhões que o atam ao vício e às paixões servis.
          Sempre será melhor para aquele que ora o exercício da comunhão com Deus, por banhar-se nas sublimes energias que sintoniza, experimentando incomum alegria e felicidade que são defluentes do intercâmbio.
          É natural que se lhe expandam os sentimentos do amor sem interesse, destituído de permutas e vantagens muito características do estágio egotista de que se liberta, inaugurando fase nova. Esse amor que se dedica ao próximo, que se expande como perfume penetrante, igualmente contribui em favor da restauração das energias do enfermo, bem como vitaliza aquele que o cultiva.
          A oração ungida de amor e de interesse pelo bem-estar de outrem, a entrega da solução que deverá vir a Deus, são recursos essenciais para os resultados ditosos, mesmo que não se lhe opere o restabelecimento orgânico desejado.
          O mais importante será sempre a comunhão espiritual com a Fonte Geradora da Vida, da qual resultará o incomparável bem-estar que se pode fruir.

          A mais expressiva cura que se deve buscar, a mais valiosa, será sempre aquela que conduza o paciente às causas dos distúrbios que padece, compreendendo a necessidade dos mecanismos de reparação e equilíbrio espiritual.
          A cura de hoje não impede a instalação de novas enfermidades amanhã, assim como não posterga indefinidamente o momento da desencarnação e do encontro libertador com a própria consciência.
          Jesus curou incontável número de enfermos que Lhe vieram buscar o auxílio, recomendando sempre que não volvessem aos descalabros morais que se permitiam, e, apesar disso, não impediu que envelhecessem, que as organizações físicas se lhes degenerassem e a morte lhes adviesse, porque são fases do processo evolutivo a que todos se encontram submetidos.
          Orar, portanto, procurando harmonia em Deus e com Deus, é dever que todos se devem impor, na busca da plenitude.

Livro:  Iluminação Interior
            Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis
            LEAL – Livraria Espírita Alvorada Editora

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