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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

​O Riso


O riso é um dos fenômenos mais misteriosos da existência. Ele surge espontaneamente quando algo dentro de nós se harmoniza com o todo.

Poucas são as pessoas que percebem que, no momento do riso, a mente pára. Sim, é impossível rir e pensar ao mesmo tempo.

Quando ouvimos uma piada, nossa mente fica tão concentrada na história e esperando pelo seu desfecho, que o turbilhão de pensamentos fica em suspenso por alguns segundos. E quando o final chega e o riso vem, a mente entra num estado de completa paralisia.

Muitos mestres espirituais utilizavam este recurso como forma de manter a atenção dos discípulos focada no presente e, consequentemente, fora do padrão habitual da mente, que permanece sempre viajando entre o passado e o futuro.

O riso, portanto, pertence à dimensão do silêncio, do espaço dentro de nós onde o divino habita. Quanto mais formos capazes de permanecer num estado de relaxamento, totalmente entregues apenas ao momento presente, maiores serão as chances de que o riso brote espontaneamente.

A alegria surge da fonte original do ser, mas a mente nos faz acreditar que ela só pode resultar de um estímulo exterior. Por isso, vivemos o tempo todo buscando fora de nós algo que desperte nossa capacidade de experimentar o êxtase.

Voltar-se para dentro é a chave para redescobrir o riso espontâneo, natural, que toda criança traz em si ao nascer.

“…Nada pode incomodar se o real silêncio tiver acontecido. Então, tudo ajuda para que ele cresça. Se você está realmente silencioso você pode sentar num mercado, e nem o mercado pode atrapalhar isso.

Na verdade, você se alimenta do barulho do mercado e aquele barulho se transforma em maior silêncio dentro de você. Na realidade, para sentir o silêncio, o mercado é necessário – pois se você tem o silêncio verdadeiro, então, o mercado se

torna o pano de fundo e o silêncio se torna perfeito em contraste. Você pode sentir o silêncio interior borbulhando contra o mercado.

Esta é a chave – a parte interior disso é o silêncio e a outra parte da chave é a celebração, o riso. Seja festivo e silencioso. Crie mais e mais possibilidades a seu redor – não force o interior a ser silencioso, apenas crie mais e mais possibilidades à sua volta para que o silêncio possa florescer nisso. Isto é tudo que podemos fazer.

…A meditação não leva você ao silêncio, ela apenas cria a situação na qual o silêncio acontece. E este deveria ser o critério – que, seja quando for, o silêncio acontecerá e o riso virá à sua vida. Uma celebração vital acontecerá em toda a sua volta. Você não se tornará triste, você não se tornará depressivo, você não irá escapar do mundo. Você estará aqui neste mundo, mas levando todas as coisas como um jogo, curtindo tudo como um bonito jogo, um grande drama, não mais sério que isso. Seriedade é uma doença.

Quando o silêncio é demais ele se torna riso, ele se torna tão expandido que começa a extravasar em todas as direções”. – Osho

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