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sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

A Preparação para a Gira

Quando sabemos que em determinado dia ocorrerá uma Gira, nós os filhos-de-santo devemos tomar algumas providências que com toda a certeza nos ajudarão a se preparar para ela.

1. Em primeiro lugar, a abstinência alcoólica é obrigatória. Nunca devemos ir a uma Gira dedicada a Deus e aos Orixás com sequer uma dose de qualquer bebida que seja, isso porque tal ato poderá acarretar problemas sérios ao médium, que terá alguns dos seus sentidos alterados e não poderá entregar-se por completo ao Pai, além de ser um desrespeito à ele próprio.

2. A carne vermelha deve ser evitada, pois lhe são contidas certas energias que podem interferir no organismo do médium, seja ele de incorporação ou não, dificultando assim o fluxo de energia positiva da corrente e o reabastecimento de suas “baterias divinas”.

3. Quanto à abstinência sexual, ela deve ser efetuada, não pelo sexo ser impuro como todos pensam, mas sim porque o ato ocorrido consome grande parte da energia corporal, debilitando o corpo do Médium que não poderá ser utilizado na sua plenitude devido ao cansaço existente.

4. Por ultimo lugar citamos o banho de defesa ou descarrego como se costuma chamar, e que pode ser feito com cinco, sete ou nove Ervas Sagradas, ou o próprio sal grosso.

Este banho tem o poder de limpar e defender o corpo de qualquer negatividade que possa nele existir, dando-lhe melhores condições para desempenhar o seu papel nas Giras. Porém vale o lembrete de que o banho de defesa só é tomado após o banho comum, sendo lavada somente à parte de abaixo do pescoço (pois a cabeça pertence ao Santo de cada um), e deverá ser levemente enxuto deixando com que o restante se seque no próprio corpo.


A chegada ao Templo

Os dias que intermediam as Giras realmente demoram a passar, e ao se rever às pessoas que tanto gostamos surge àquela vontade de colocar todos os assuntos em dia. Isso de modo algum é proibido desde que seja feita antes do ato de bater-cabeça e acontecer fora das dependências internas do templo, pois dentro deste deve-se guardar o silêncio em respeito a Oxalá, e aos Guias e Orixás que ali aguardando o inicio da Gira.


Abertura dos trabalhos

Ao iniciar os trabalhos, já devemos estar totalmente imbuídos no sentido de entrega plena aos entes espirituais, de modo que à vontade de Oxalá seja feita e possamos mais uma vez cumprir nossa obrigação.
Para que fortificamos este sentimento, se faz necessário que a prece de abertura seja sentida verdadeiramente, e não somente recitada. Temos realmente que nos fazer ouvir por Oxalá para que este esteja presente durante toda a Gira, nos ajudando a recarregar a energia gasta durante toda uma semana.
O mesmo é dito ao se bater-cabeça. Muitos não conhecem o significado deste ato, que além de transparecer o nosso respeito a nossa humildade aos Orixás, também é a demonstração da união e coletividade que são fatores essenciais a qualquer templo que trabalhe em prol da Caridade.

Defumação

A firmeza de cada integrante da corrente de faz extremamente necessária nessa hora, pois é ai que toda a negatividade que possa haver se imiscuído dentre a corrente será varrida para fora do Templo, de modo que não possa interferir no perfeito fluxo da Gira. Porem, se os Médiuns não se mantiverem mentalmente firmes no propósito de bani-las, essas forças negativas poderão oferecer maior resistência e até permanecer entre a corrente, podendo atrapalhar assim aos rituais que se procederão.

Chamando os Guias.

Esse é o momento que compõe a essência básica de todos os rituais que o antecederam. É o momento em que os médiuns devem se dispor realmente à Caridade, em amor aos seus Guias e entregando-se a eles de forma que possam vir trabalhar e ajudar a si e aos que deles necessitam.
Mas são muitas às vezes em que somos perturbados por algumas dores ou determinados problemas, e já achamos que não temos condições de deixá-los vir. Bem, esse julgamento é um julgamento que cabe somente a Oxalá, que foi a quem você se entregou quando bateu-cabeça, e aos seus próprios Guias que sabem de suas condições, e não viriam se estas lhe faltassem.
Portanto, não ligamos o nosso Piloto Automático, e deixemos que os desígnios divinos cuidem de nós, pois DEUS sabe o que faz, e cabe-nos somente à parte de nos entregarmos de coração, e nos desligar de tudo o que acontece fora dali.
E quanto aos Médiuns que ainda não incorporam, que não incorporaram naquela Gira ou fizeram sua opção pela não incorporação, não pensem que foram esquecidos, pois cada um, dentro da sua função, seja de cambono, curimba, cantador, são de essencial importância, pois sem vocês os Guias não teriam condições de trabalhar. Portanto, estes devem manter em silencio e se dispor em ajudar naquilo que for preciso, e assim também estarão contribuindo para a pratica da Caridade.

DEVEMOS NOS ATENTAR ALGUMAS REGRAS

É necessário que todos os médiuns ao chegarem, saúdem a porteira quando entrar no terreiro. É lá que estão firmados os exus que tomam conta da porteira.
Antes de pisar na parte coberta do terreiro é importante saudarmos o solo pertencentes aos Orixás, fazendo o sinal por Oxalá, afinal quando entramos em qualquer casa pedimos licença para entrar e por que não pedirmos licença aos nossos orixás.
Ao chegar saudar a firmeza do Congá que se encontra sob nossas cabeças.
Entregar as guias ao Chefe do terreiro para que ele coloque em seus filhos.
Depois de colocar a roupa branca e as guias, chega a hora de entregar-se ao Pai e realizar todos os rituais necessários a nossa segura permanência dentro da Gira.
Dentre esses rituais, o primeiro é o de bater-cabeça, onde nos entregamos a Oxalá com o verdadeiro intuito de se realizar a caridade com muita seriedade e consciência do ato que se praticará, e o qual nunca devemos nos esquecer. Se ao bater cabeça tiver algum irmão também batendo cabeça, devemos sempre esperar que ele acabe esse ritual e somente depois iniciarmos. Para não atrapalhar a oração que ele esta fazendo.
O médium devera trazer as ferramentas de trabalho de seus guias, ou seja: charuto, cigarro, fumo, cachimbo, velas e a bebida de cada entidade. Deverá mostrar aos cambonos onde esta o material, para que quando se fizer necessário, eles sirvam seus guias.
Em caso de atraso, não entre na gira sem o consentimento do Pai da casa, na ausência pedir a autorização do guia chefe, na ausência deles pedir autorização aos Pais Pequenos.
Todos os Médiuns (ou cambonos) quando desincorporarem deverão guardar e lavar os instrumentos usados (copo, cuia, xícara, etc).
Os médiuns que saírem antes de terminar a gira devem pedir licença ao Pai e Mãe da casa. Não esquecer de bater cabeça.

OBRIGAÇÕES DOS CAMBONOS

Ajudar a cantar as musicas dos guias
Mulheres deverão usar saia branca e camiseta branca ou vermelha se for gira de esquerda. E cambonos calças brancas e camisetas brancas ou vermelhas se for gira de esquerda.
Procure ter em mãos os pertences do Guia que estiver trabalhando.
Quando os passes terminarem e havendo tempo os Médiuns de branco poderão falar com os guias.
Se os Médiuns ao desincorporarem não se sentir bem devem leva-lo ao Guia chefe.

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