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sábado, 1 de dezembro de 2012

A Receita para suportar a injustiça

            Uma vez, um aluno de um dos cursos que ministramos regularmente nos perguntou: "O que eu faço, pois estou vendo na minha vizinhança o caso de um pai que está batendo demais em seu filho? A criança frequentemente aparece machucada e o pai tenta disfarçar dizendo que o filho se machucou jogando bola na escola. Eu não suporto injustiça! Eu não suporto essas situações onde o mais fraco nada pode fazer para se defender! Que justiça é essa que vocês tanto falam nas aulas? Eu não acho que Deus é justo! Quero entender isto!"
            O aluno ficou completamente afetado emocionalmente enquanto ele falava. Nitidamente as suas forças se exauriram por conta do sofrimento emocional que ele se encontrava. Naquele momento, toda a raiva que ele sentia da situação e toda a sensação de desconforto e injustiça residiam nele. Ao relatar a situação, por conta da forma como ele se envolveu emocionalmente no processo, e mergulhou definitivamente na essência da raiva e do sentimento de injustiça, ele liberou suas forças em um típico processo de perda energética humana.
           
            A pergunta que fizemos para ele, o deixou ainda mais furioso e revoltado. Perguntamos o seguinte:
Quem foi que te disse que isso é injusto? Aos olhos de quem isso é injusto?

            Então ele mais ofegante ainda disse:
"O que? Então vocês estão dizendo que está certo o que o infeliz desse pai está fazendo com o seu filho?"
"Não, não é isso que estamos dizendo não, de forma alguma... Apenas queremos entender melhor o que você está sentindo."
"Eu me sinto impotente, incapaz, inútil! Sinto-me como um nada! Eu não suporto me sentir assim, sem ação, sem forças, sem atitude para mudar uma situação injusta. É isso que me frustra! Eu não posso conviver com uma situação dessa sem sofrer, é impossível! O que eu devo fazer então?

            Percebam o nível de sofrimento emocional da pessoa, veja como é realmente intenso. Mais do que isso, entenda que esse sofrimento mostra que a sua atitude e conduta está desequilibrando, de alguma forma, o sistema no qual ele está inserido, e desta forma a resposta acumula-se nele como sofrimento, simplesmente porque ele não está fazendo a leitura correta dos acontecimentos.

            Acompanhe a nossa resposta para ele:
"O que você pode fazer dentro da justiça e do equilíbrio do que temos no mundo? Você pode, de forma anônima, fazer uma denúncia a algum órgão competente, alertando para o caso de possível agressão daquele pai para com o seu filho. Depois, você pode também rezar para essa família todos os dias. Inclusive pode convocar amigos para te ajudar a forma grupos de orações.”

Mas se o que você quer resolver apenas é a sensação que lhe  incomoda , que no caso é a injustiça e a inutilidade, entenda que a sua motivação não é ajudar aquela família, mas sim tirar de você as emoções ruins, concorda?

-Sim quero de toda forma eliminar esse sentimento ruim que nasceu em mim quando fiquei sabendo deste caso.
- Então a sua motivação não é ajudar a família, mas apenas curar esse sentimento, certo?
- É, tenho que admitir que o que me afeta mesmo é o sentimento de injustiça e o de impotência.
- Você entende, que embora sejam ainda emoções confusas, elas não são altruístas? Na verdade o que você mais quer não é o bem daquela família, em um sentindo espiritual e evolutivo. O que você quer realmente é não sentir o que sente, certo?
-Certo. Tenho que concordar.
- Não falamos com julgamento, mas infelizmente isso é egoísmo. Esse é o problema, pois a forma como você age desequilibra o sistema, pois você se move pela raiva e isso nunca é bom. Com isso, você que é o real desorganizador do sistema, absorve a compensação produzida por consequência dos seus atos, entende?
-Agora eu entendo melhor!
-Entender o papel de cada um no sistema é a chave para a preservação da energia de cada um no cenário geral de um carma coletivo. As energias sempre buscam compensar-se entre si.

            Com essa explicação, conduzimos o aluno posteriormente em uma análise mais profundo no que diz respeito a compreender o papel de cada um no processo da vida. Tudo, efetivamente tudo que acontece ao nosso redor acontece por um motivo. Este motivo é o efeito de uma causa maior. Brigar ou repudiar o efeito não muda a causa, ao contrário, piora as consequências ou compensações que venham na forma de dor, cansaço, insucesso ou sofrimento.
            Toda vez que uma pessoa estiver perdendo energia, de alguma forma ela está colhendo as compensações do sistema como formas de sofrimento.

DICAS:
- Respeite o papel de cada ser, de cada coisa e de cada pessoa onde quer que você ande, esteja, trabalhe, conviva ou circule.

- Faça o exercício de jamais julgar nada nem ninguém. Olhe, enxergue, conceba cada situação, inspecione por todos os ângulos e direções, mas não tome partido por base nas suas reações, pois assim você poderá estar recebendo as compensações.

- Jamais tente tomar, subtrair, excluir ou subjugar o papel de cada um no sistema que você vive. Energeticamente falando, cada um existe e precisa existir para compor o seu papel no mecanismo da vida. Você só será feliz se souber honrar a existência de tudo e de todos na sua vida, incluindo os acontecimentos e pessoas que não se mostraram agradáveis aos seus olhos.

-Jamais, jamais brigue ou combata uma situação negativa na sua vida com raiva, revolta, agressividade ou sentimentos ruins. Acolha a situação em sua vida, tal qual uma mãe amorosa pacientemente estende a mão para ajudar um filho arteiro. Veja os seus conflitos e problemas como mesma visão da mãe amorosa, pois só assim você dissolverá o problema, evitando compensações desagradáveis do sistema.

- Você não é responsável pela felicidade de ninguém e ninguém é responsável pela sua felicidade também!



POR: BRUNO J. GIMENES

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