Páginas

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Idosos Invisíveis


Nenhum ser humano pode ser invisível! Isso é cruel!
Respeito, consideração, proteção, atenção e carinho
com nossos idosos!

             Certo dia, enquanto caminhava em uma praça no meu bairro, fazendo minha atividade física necessária, reparei que havia uma senhora idosa sentada em um dos bancos, perto da pista de caminhada, e sempre que passava por ela eu a olhava e ficava pensando em sua vida, em sua possível solidão, como acontece com muitos idosos, e prestei atenção nas pessoas que passavam perto e não olhavam para ela, mesmo olhando para outras pessoas jovens que passavam.
            Isso me fez refletir nessa questão durante minha caminhada.
            Muitos textos foram escritos por mim após a caminhada, que é um momento em que estou sozinho e sempre reflexivo, e ali me são inspirados muitos temas para escrever.
            Fiquei pensando em como as pessoas mais jovens ignoram os idosos, não olham para eles, dando a impressão de que os idosos são invisíveis nas ruas.

É PRECISO RESPEITO

            Os jovens, muito jovens mesmo, em grande parte, não se relacionam com os idosos, não os enxergam, não se preocupam com eles, e não os tratam bem.
            Algumas pessoas nos ônibus não dão o lugar aos idosos; pessoas jovens estacionam o carro nas vagas destinadas aos idosos; pessoas não dão preferência aos idosos nas filas dos caixas eletrônicos, etc.
            Não só não há um respeito às leis que protegem os idosos, mas, sobretudo, não há mesmo um respeito especial e um cuidado com os idosos.
            As pessoas esquecem que os idosos de hoje foram as pessoas que construíram as cidades, as estradas, as fábricas, os carros, etc., de ontem.
            Quando olharmos para um idoso, devemos pensar que talvez ele tenha sido um grande médico, e que salvou muitas vidas, talvez até do seu avô ou avó; que talvez ele tenha sido um grande engenheiro que construiu uma importante estrada por onde você viaja hoje; que ele pode ter sido um biólogo importante, um pesquisador de uma importante vacina, um escritor que escreveu aquele livro que você tanto gostou de ler e que recomenda aos amigos. Um idoso pode ter sido alguém no passado não tão distante que criou algo bom e importante para a humanidade!
            Assim, e mesmo que o idoso não tenha sido nada disso, mas um simples e bom carpinteiro, eletricista, pedreiro, bombeiro ou tenha tido uma profissão mais humilde, como gari, que ajudava a manter a cidade mais limpa para seus avós, tente ter mais consideração e respeito pelos idosos.
            Um idoso já pode estar sofrendo, muitas vezes, por problemas de saúde naturais de sua idade mais avançada.
            Pode estar sofrendo solidão e abandono de seus filhos, e por ter enterrado seus amigos.

            Um idoso, mesmo com o rosto já enrugado, e com os cabelos brancos, e com a lentidão do andar, continua sendo um ser humano, e um espírito imortal!
            Procuremos olhar além da forma! Olhemos para a alma!
            Vamos valorizar mais o conteúdo do que a forma, mais a essência do que a aparência!
            Vamos olhar mais para os nossos idosos, tentar ajudá-los em suas dificuldades, falar com eles, com respeito, dando-lhes a atenção que precisam e que merecem.
            Acabemos com a “invisibilidade” dos idosos!
            Ao olhar para um velhinho doce, trate-o como se ele fosse o seu avô querido!
            Ao olhar para uma velhinha, bem frágil, trate-a com se ela fosse a sua avó querida!
            Proteja os idosos de tudo e de todos! Eles estão frágeis, carentes, isolados; muitos estão morrendo de medo da morte que se aproxima a passos rápidos.
            Demos a mão para ajudar os idosos a atravessarem as ruas, a subirem as escadas, e a fazerem tudo aquilo que precisam fazer e que têm dificuldade.
            Os idosos têm muitas dificuldades com as novas tecnologias, com as máquinas modernas, pois isso tudo é novo para eles, e ninguém os preparou para lidar com tanta tecnologia de informática, de robótica, etc.
            Eu, aos 52 anos, sinto dificuldade com as novas tecnologias, porque nunca fiz curso para usar computador, telefone celular e outros equipamentos eletrônicos modernos e complexos, imaginem um idoso de 70 ou 80 anos, que era criança nos de 1930 ou 1940. Um idoso de 75 ou 80 anos, ou mais, andou de bonde, assistiu filme mudo no cinema, ouvindo uma pessoa tocando piano na sala de projeção enquanto o filme passava, para dar um pouco de animação.
            Comunicava-se com um telefone que tinha um disco, e não botões, com os números para fazer as ligações. Ouvia novelas no rádio, quando ainda não existia televisão. Eles viram surgir a TV em preto e branco, e só muito depois a colorida.
            Muitos acompanharam a Segunda Guerra Mundial pelo rádio, coisa que parece irreal para a maioria da população atual.
            Se eu me vanglorio de ter assistido ao vivo pela TV em preto e branco a descida do homem na lua em julho de 1969, com 12 anos, os mais velhos viram muito mais do que eu!
            Às vezes sinto inveja dos mais velhos, pelas mudanças que eles acompanharam, e que precederam tudo isso que nós temos hoje.
            Devemos aprender com os idosos, aprender história com eles, ouvir estórias interessantes, absorver seus conhecimentos e suas experiências.


Revista Cristã de Espiritismo - Por Luiz Roberto Mattos

Nenhum comentário:

Postar um comentário