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sábado, 19 de maio de 2012

Se despir para se vestir e revestir de AXÉ

O clima está mudando… está mais frio, as noites estão mais geladas, o sereno nos visita. Consequentemente, os ambientes ficam mais fechados, os agasalhos saem dos armários, os sapatos fechados e emborrachados são mais usados, gorros, luvas, xales, cachecóis começam a fazer parte da paisagem e assim por diante, nada de mais e ainda necessário nesses dias tão frios. No entanto, para os trabalhos caritativos espirituais, para a Umbanda, ou melhor, para uma gira de Umbanda, essas vestimentas atrapalham consideravelmente todo um trabalho.
É fato, a Umbanda movimenta intensa energia, seja nas defumações transformando e harmonizando a energia do ambiente, seja no nosso campo energético, emocional e espiritual com os passes espirituais, projeções energéticas naturais, danças e movimentos, seja durante os cantos, incorporações ou  rezas. Tudo, até mesmo um ingênuo estalar de dedo ou uma simples forma de pisar no chão, tem e projeta uma energia específica capaz de efeitos surpreendentes.
Portanto, quando um consulente entra em consulta vestido com aquele ‘super’ casaco de nylon, couro, preto, cinza, entre outros, a energia projetada pelo Guia Espiritual, aquela que é irradiada pelas palmas das mãos, pelo estalar dos dedos, pela pemba, pedras, erva ou fumaça, é bloqueada pelo casaco, pelo elemento plástico do nylon e ainda absorvido pela cor preta por exemplo, não alcançando o campo áurico e o duplo etérico da pessoa.
O Guia até tenta projetar a energia estalando mais e mais forte os dedos, trabalhando nos lugares descobertos como as palmas das mãos do consulente, enfim, o Guia se esforça, mas fica muito mais difícil a troca e irradiação energética.
A mesma coisa e ainda pior acontece com os sapatos que, além dos consulentes usarem mais fechados ou se recusarem a tirá-los ao entrar no congá devido ao frio, os próprios médiuns muitas vezes usam sapatilhas, meias ou tênis com solados de borracha o que propicia um isolante entre o médium/consulente e a terra/chão perdendo toda a energia de descarga, proteção e equilíbrio que a terra propicia para nós, médiuns e consulentes.
Reflitam, a terra, ou seja, o chão do terreiro representa uma espécie de ‘fio terra’ nos descarregando diante de uma sobrecarga negativa, também é através dela que recebemos fluxos magnéticos ancestrais, como as irradiações de Obaluaye, orixá da terra e água; vibração de Exu, força terra e fogo; qualidade de Obá, orixá guerreira que vibra através da terra e ar; Oxóssi, terra e vegetal; Nanã, água e terra… Enfim, a Terra é intensa e importante energia que, por falta de orientação, instrução e percepção, é isolada com uso da borracha que muitas vezes está nos solados dos calçados dos médiuns e consulentes, portanto, um descuido exacerbado.
Muitas vezes ainda, os xales, cachecóis, gorros e luvas também dificultam o trabalho espiritual e energético dos Guias. Já presenciei, por exemplo, a dificuldade de um Guia para cruzar o chacra laríngeo de um consulente que usava um belíssimo cachecol durante a consulta, e a mesma coisa se dá com os gorros que fecham a visão e sensibilidade do chacra coronário, ou ainda com os xales que, além das mesmas dificuldades é um perigo quando os relacionamos com as velas, ou seja, o fogo. Forte e imprescindível elemento natural usado pela Umbanda em suas giras.
Solução…
A melhor solução é que os consulentes tirem seus casacos, acessórios de inverno, calçados e venham de coração quente e pulsando ao encontro dos Guias.
Que os médiuns, na necessidade do calçado procurem solados naturais e na não necessidade, que sintam a força e o verdadeiro prazer em pisar na terra sagrada de seu terreiro.
Por fim, que os dirigentes, sacerdotes, mães e pais espirituais se preocupem com as giras promovendo melhor assimilação, absorção e manifestação de todos e, deste modo, que orientem a assistência, instruam seus médiuns e vivifiquem o Sagrado, a Força, o Mistério e o Encanto da Umbanda em seu terreiro.

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