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quinta-feira, 17 de maio de 2012

Casamento e Espiritualidade


Qual é o segredo do sucesso nos relacionamentos? Como podemos tirar proveito de uma relação para o nosso amadurecimento espiritual?

            Precisamos ter muito cuidado ao desenvolver este tema, de preferência fazendo uma reflexão sincera sobre todos os aspectos envolvidos, porque facilmente, quando os conflitos surgem, uma ou as duas partes costumam encontrar culpados sem antes analisar que sempre somos os responsáveis, tanto pelo sucesso quanto pelo fracasso de uma relação conjugal.
            Basicamente, do ponto de vista da nossa missão na existência humana, temos três pontos-chave a serem trabalhados:
1- PURIFICAR NOSSAS INFERIORIDADES: curar o medo, a raiva, o pessimismo, a ansiedade, a tendência de se isolar, a tendência de se deprimir, a tendência da agressividade, entre tantas outras emoções negativas.
2- NOS HARMONIZAR COM ESPÍRITOS CONFLITANTES: está nas relações um dos nossos maiores desafios. Conquistar harmonia, perdoar, aceitar, tolerar, desenvolver a paciência e o amor incondicional são os maiores desafios que surgem nos relacionamentos; portanto, se configura uma importante meta a ser alcançada.
3- GERAR BONS EXEMPLOS: é de se esperar que uma pessoa que esteja sintonizada com o seu Eu superior e a sua essência, tenha, naturalmente, a tendência de construir atitudes que ajudem ao próximo, das mais diversas formas. As atitudes de doação – em diversos aspectos da existência – e da compaixão, surgem como consequência natural nas pessoas sintonizadas com suas essências.

HARMONIZANDO RELAÇÕES

            Em uma relação, encontramos nossas maiores afinidades, bem como nossos maiores desafios. Em uma mesma pessoa conseguimos encontrar aspectos de total afinidade e também de falta de afinidade. Portanto, as pessoas, ou melhor, as relações sempre promovem grandes aprendizados, e quando não os entendemos e não evoluímos, sofremos.
            Nessa visão com o foco evolutivo, entendemos que a pessoa com que nos relacionamos é “a perfeita” no contexto da reforma íntima, pois ela reúne as condições de aflorar em nós – digo aflorar porque os aspectos já estão presentes na nossa personalidade – os melhores e os piores sentimentos. E é aí que está um dos grandes desafios: entender que as pessoas com as quais nos relacionamos são nossas professoras, pois facilmente conseguem – através de suas atitudes – aflorar ou revelar as nossas inferioridades, e por isso nos alertam para aquilo que viemos efetivamente curar nessa existência.
            É muito comum encontramos pessoas que colocam a culpa dos conflitos e das crises conjugais no parceiro. Também é comum ver que, em diversas situações, muitos elegem um obsessor ou uma influência espiritual maligna como responsável pelo problema. Por isso, antes de abordarmos a questão da obsessão espiritual nas relações matrimoniais, precisamos entender que, na busca da harmonia do casal, são as atitudes simples que fazem toda a diferença. Elas se resumem em compreender que atraímos parceiros que tenham a capacidade de aflorar nossas afinidades, mas também nossas inferioridades.
            A falta de paciência, a intolerância, a presunção, a arrogância e o controle são características negativas presentes na maioria das pessoas que vivem neste planeta. Talvez pudéssemos excluir não mais que umas 100 pessoas, em todo o globo, as quais estão isentas dessas atitudes negativas. Portanto, essa é uma realidade presente na história das pessoas que vivem uma vida conhecida como normal, e mesmo que queiramos negar, basicamente somos intolerantes!
            Onde isso repercute mais em nossas vidas? Com certeza em diversas áreas de nossa existência, mas principalmente nos relacionamentos.
            Tudo que criticamos em uma pessoa acontece pela falta de tolerância, falta de amor ou compaixão. Queremos – em 100% dos casos – que ela se comporte como nós achamos que deva se comportar. E o pior: costumamos gostar mais de uma pessoa, no sentido de afinidade mesmo, quando essa age de forma mais parecida com aquilo que nós consideramos certo.
            Não dá para negar que afinidades surgem naturalmente nas nossas vidas, e também não quero dizer que essas sintonias saudáveis entre as pessoas não sejam importantes. Claro que são! Apenas quero lembrar que não costumamos nos relacionar com maior proximidade ou intimidade com pessoas que não se comportam como achamos que elas devem se comportar. E, de novo, não me refiro à conduta moral, ética e valores, porque é claro que esses aspectos precisam ser sempre ponderados nos relacionamentos que temos em todos os níveis. Não vou escolher um estelionatário para sócio, sabendo que o passado dele é envolvido por atitudes criminosas ou no mínimo suspeitas. Também teremos dificuldade em confiar em alguém que já agiu de modo errado em outra circunstância. Então devemos, sim, escolher relacionamentos que estejam na mesma sintonia de valores e código moral, mas as emoções... Essas nos enganam!
            Tudo que buscamos externamente traduz o que sentimos internamente. Estamos o tempo todo buscando conforto, buscando “acomodar” as nossas emoções da melhor maneira dentro de nós mesmos. Procuramos o conforto em todos os sentidos, o que é natural, já que queremos nos sentir bem. É aí que um grande erro começa, pois sem querer, ou sem perceber, e pior ainda, sem ter o mínimo direito, começamos a modelar as pessoas! Modelamos as pessoas controlando os relacionamentos em todos os níveis, fazendo de tudo para que elas se comportem da forma como mais nos conforta!
            E quando elas começam a ter novas ideias, novos caminhos, novos conceitos – porque todo mundo muda, e essa mudança não necessariamente nos agrada – nesse momento o nosso relacionamento com elas começa a se complicar. Complicar porque começamos a querer que a pessoa aja de outra forma, que certamente não será a que ela acha correta, mas a que nós entendermos ser!
            Nesse caminho, vamos ficando críticos, controladores, intolerantes, ardilosos, impiedosos... em resumo, nos tornamos modeladores de pessoas!
            Esse não é um bom caminho! Definitivamente não é! E quando isso acontece, estamos abrindo as portas para que todo o mal venha ampliar os conflitos dessa relação, até mesmo as obsessões espirituais. Mas, mesmo assim, será que temos o direito de dizer que a causa do conflito e da possível separação seja realmente a ação maligna de um ou mais espíritos? E qual a solução para isso? Como contornar tais situações tão comuns?
            Aprendendo a aceitar as pessoas como elas são. Mantendo a liberdade nas relações, cultivando o respeito pelas vontades alheias e entendendo, principalmente, que ninguém, ninguém mesmo é responsável pela sua felicidade. Da mesma forma, jamais aceite o peso da responsabilidade de fazer alguém feliz.
            Quando o comportamento de alguém lhe fizer mal, não tente mudar a pessoa; esse é o pior caminho, mais sofrido, mais tortuoso, mais custoso, mais escuro. Nessas situações de divergência, olhe para dentro de você e perceba quais são as emoções que surgem com a situação. Veja se é o ciúmes, o medo de perder, a necessidade de aprovação, a ansiedade, o pessimismo, seja qual for a emoção negativa, preste atenção nela e não dê tanto foco naquelas atitudes alheias que você julga a outra pessoa.
            Dando atenção ao seu “eu interior” você perceberá que sempre busca relações que lhe tragam conforto emocional, de acordo com suas crenças, e que sempre que esse seu (e unicamente seu) código emocional interno for quebrado por atitudes alheias julgadas por você como destoantes, então as mágoas, os conflitos e as confusões começarão.
            Uma vez que você parar de procurar relações com o objetivo de confortar as suas emoções internas, mas buscar se relacionar, principalmente, com ideia de conviver bem com o mundo, encontrando plenitude e bem viver, você perceberá uma mudança drástica na qualidade de seus relacionamentos.
            Não seja um modelador de pessoas. Seja um modelador de emoções negativas em positivas, porque esse é o segredo para estabelecer relações pautadas no amor e, consequentemente, na verdade, ou melhor dizendo: a verdade que liberta!

A OBSESSÃO ESPIRITUAL É ATRAÍDA PELO CASAL

            Por afinidade, por sintonia e por negligenciar a importância da disciplina espiritual constante, com muita facilidade um relacionamento pode ser afetado espiritualmente por obsessores, que vêm estimular mais conflitos, discórdia e desamor entre as partes.
            Alguns espíritos podem vir por conta de ligações negativas de vidas passadas outros, podem ser atraídos pelo padrão de pensamentos perturbados do casal ou de um dos cônjuges. Nessas situações em que há influência de um ou mais espíritos obsessores na relação, esses seres conseguem facilmente estimular que as inferioridades do casal sejam evidenciadas e, com isso, o hábito da crítica se expanda descontroladamente.
            Já outro obsessores podem ser espíritos sofredores que quase não têm consciência de que estão atrapalhando. Alguns nem percebem que já desencarnaram. Eles são nocivos, pois afetam negativamente o ambiente e a relação, mas em um nível menos intenso do que o de espíritos conscientes.
            E na obsessão em que existem espíritos conscientes e habilidosos na prática do mal, esses facilmente detectam – em uma leitura de alma muito rápida – os pontos de conflito na personalidade de cada um e, assim, os exploram com muita perícia, ampliando a intensidade dos conflitos. Como exemplo: o ciúme. Um ciumento pode ser facilmente manipulado por um obsessor habilidoso e ser completamente dominado pela emoção negativa.
            Normalmente, esses obsessores mais especializados são atraídos para a vida de um casal por conta de laços de vidas passadas ou, também, por trabalhos de magia negra encomendados por algum terceiro interessado.
            Mas a regra que vale para toda a situação de obsessão é que essas influências espirituais perniciosas entram sempre por uma fenda, que sempre é gerada por uma falha moral, seja mental ou emocional. Portanto, não existem vítimas; apenas ocorre a reação com base nas ações de cada um, individualmente.
            Nunca coloque a culpa dos conflitos no obsessor, tampouco em alguém que possa ter encomendado a magia negra, pois saiba que é, foi e sempre será um problema que o casal ajudou a criar.
            Antes de chorar, de se separar, de colocar a culpa no outro ou sofrer em vão, pare tudo, mude sua conduta de vida, reforme-se, pois quando a obsessão espiritual acontece, ela indica uma grande falha nos valores. Tudo isso é um sinal do universo que diz que o casal precisa evoluir, em especial, pensar de forma diferente, com valores e objetivos diferentes. Grande parte das influências espirituais negativas seriam evitadas se o casal tivesse como hábito e rotina, em seu lar, a busca constante pela espiritualidade e a prática da oração, que nesse casos atua como uma higienizadora do ambiente espiritual da casa. 
            Nem sempre um relacionamento em crise deve ser mantido a todo custo. Muitas vezes, uma separação é a saída mais sensata para a busca da harmonia e do aprendizado. Também um simples desentendimento não pode ser considerado motivo para uma ruptura. A arte de construir e manter um relacionamento em harmonia acontece na mesma proporção em que se dedica amor, admiração e tolerância. Por isso, para serem felizes, ambos precisam desenvolver sabedoria e paciência para assimilar em silêncio e resignação as crises temporárias da outra pessoa. Em uma relação construída e mantida pelo amor, pela tolerância e pelo respeito, a semente da obsessão espiritual nunca germinará.

COMO CURAR UM RELACIONAMENTO?

            É compreensível que quando não estamos felizes com a outra parte, tenhamos o costume de nos lamentar e até desabafar para as pessoas mais próximas o quanto estamos desconfortáveis com uma determinada situação. Esse comportamento revela o que podemos dizer como sendo o hábito da maioria das pessoas que passam por tais ocorrências. Contudo, precisamos definitivamente explicar que esse talvez seja o pior entre todos os erros. Pior ainda que o próprio conflito e as desavenças em si são as críticas e as lamentações que envolvem o relacionamento, porque quando estamos agindo assim, estamos reforçando nosso ponto de atração naquela sintonia de conflitos e críticas e, por conta da lei da atração, acabamos atraindo mais situações com as quais vamos nos sentir mal. Reforçaremos o comportamento negativo da pessoa a qual estamos criticando, além do que, o campo espiritual do casal será afetado. O foco dos seus pensamentos e sentimentos sempre expandirá. Aquilo que você pensa e sente está sempre relacionado àquilo que você atrai para a sua vida. Portanto, quando você reclama de algo que vai errado na relação, você está contribuindo maciçamente para a sua ruína.
            O segredo para mudar isso tudo? Amor, admiração e valorização dos aspectos positivos da outra pessoa...
            É fácil? Não.
            É possível? Sim.
            Funciona mesmo? Faz um milagre!
            Não critique, modifique! Treine a sua capacidade de perceber os aspectos positivos das pessoas. Concentre-se neles sempre que os conflitos surgirem. Esse é o segredo do sucesso nos relacionamentos e assim você também conseguirá curar qualquer conflito, porque nada que seja negativo consegue resistir ao poder do AMOR!


 Revista Cristã de Espiritismo - Por Bruno J. Gimenes


                                      

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