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quarta-feira, 2 de maio de 2012

As Evocações Espirituais no Centro


Como ocorre este processo mediúnico e como lidar com as principais dificuldades, como a mistificação e identificação do espírito?

            No século XIX, durante as pesquisas das manifestações espíritas, concluiu-se que inteligências extrafísicas as provocavam e dirigiam.
Diziam serem almas de pessoas já falecidas, dando provas de identificação. Então, um mundo novo se abriu aos olhos da humanidade: o mundo espiritual, habitado por seres que, através da morte, já haviam abandonado o veículo físico.
            Em todo o tipo de fenômeno mediúnico ocorrem certas fases que podemos considerar como fundamentais e, dependendo da categoria do fenômeno, acontecem particularidades que lhe são próprias. Seja o fenômeno mediúnico de efeitos inteligentes - psicografia ou psicofonia - seja consciente ou inconsciente, mecânico ou intuitivo, sempre ocorrem fases que podem ser esquematicamente assim estudadas:

1- FASE DA AFINIDADE FLUÍDICA E ESPIRITUAL

            Antes de ocorrer o fenômeno, é o médium sondado psiquicamente para avaliar a sua capacidade vibratória. Às vezes, dependendo do tipo de atividade mediúnica, o médium, em desdobramento natural durante o sono (projeção astral, emancipação da alma), dias antes do trabalho mediúnico, é levado pelos mentores espirituais a tomar contato com a entidade que deverá receber mediunicamente, para evitar "choques" inesperados durante a reunião.

2- FASE DA APROXIMAÇÃO DA ENTIDADE

            É a sequência natural da fase anterior, só que ocorre no recinto do trabalho mediúnico como preparação do médium para a tarefa.
            Pode ocorrer que antes da sessão o médium sinta a influência espiritual, mas deverá controlar-se para evitar o transe fora de ocasião oportuna, que é a do trabalho propriamente dito.
            Sentirá os fluidos próprios da entidade, cabendo-lhe o trabalho de analisá-los e, conforme conhecimento anterior, absorvê-los ou rechaçá-los.

3- FASE DA ACEITABILIDADE DO ESPÍRITO COMUNICANTE PELO MÉDIUM

            Ativamente o médium começa a se afinizar melhor com a mente do espírito desencarnado. Manter-se-à calmo, confiante e seguro, certo de que nada de mau lhe acontecerá porque o equilíbrio do grupo é uma segurança.
            Sentirá os seus pensamentos serem dirigidos por uma força estranha e aos poucos terá vontade de falar ou de escrever ou apenas ficará na expectativa de novas associações mentais. Poderá se sentir diferente, como se fosse outra pessoa, ver mentalmente outros lugares ou ter sensações diferentes.

4- FASE DA INCORPORAÇÃO MEDIÚNICA

            É falsa a ideia de que o desencarnado para se comunicar, entra no corpo do médium.
O que ocorre são assimilações de correntes fluídicas e mentais numa associação perfeita, denominada de sintonia vibratória. O perispírito e os centros energéticos do médium são estimulados pelas forças fluídicas e mentais da entidade comunicante. É quando há associação, ocorrendo então o fenômeno da "incorporação".
            O médium incorpora as ideias, vivências e sentimentos da entidade comunicante e os transmite.
            É natural que nessa fase o médium se sinta diferente, com sensações anormais, sudorese, amortecimentos, respiração ofegante, tremores, etc. O controle das reações orgânicas deverá surgir graças à confiança e à serenidade alcançadas com um bom treinamento.
            Quando há manifestação mediúnica, geralmente o médium apresenta gestos e trejeitos que tem por finalidade demonstrar que não é ele quem está se manifestando.
            É compreensível que isso tenha acontecido antigamente, por falta de estudo precedendo a prática mediúnica, pois, os candidatos ao desenvolvimento, observando o que os médiuns considerados "desenvolvidos" faziam, automática ou conscientemente acabavam por copiar a "apresentação" do Espírito comunicante.
Sendo a reunião realizada com pouca iluminação, os médiuns preocupavam-se em dar um sinal de que estavam sob influência espiritual, daí surgindo os chiados, gemidos, as contrações bruscas, os ruídos, enfim, algo que chamasse a atenção do doutrinador ou dirigente, atitudes essas desnecessárias, desde que a reunião se realize conforme a orientação sadia e correta.
            Ao se aproximar do médium, o espírito como vimos anteriormente, combina os seus fluidos perispirituais com os do intermediário, podendo este ter percepção diferentes das que estava tendo na ocasião (poderá sentir frio, calor, bem-estar, dores, ansiedades, paz, medo, ódio, etc).
            Muitas vezes, por falta de educação mediúnica o médium reage através de espalhafato diante dessas percepções e sensações.
Não há necessidade, portanto, de tremores, pancadas, chiados, assobios, gagueira, voz entrecortada e soturna.
            Deverá o médium se controlar para que a comunicação se faça naturalmente, sem "prefixos" de abertura ou de encerramento da mensagem.
            Cada espírito que se comunica é diferente do outro, portanto, a repetição das mesmas encenações caracteriza-se como sendo própria do médium, exceto em casos de uma entidade que se faça reconhecer por certas particularidades, no modo de falar, orientar ou dizer as coisas, mas nunca usando uma "chapa" ou "clichê" para dar a sua comunicação.
            De preferência, o médium iniciante deve evitar receber, por escrito ou oralmente, mensagem na 2* pessoa do plural ("vós"), para evitar erros de concordância, bem como, barbarismos de linguagem que acabam por descolorir a comunicação.
            Na fase de aprendizagem, o dirigente deve evitar o sistema de chamar por ordem os médiuns, porque a comunicação é espontânea e não obedece a colocação dos mesmos na mesa. Deve procurar estar atento, de olhos abertos; a sala com discreta iluminação e a reunião composta por um número razoável de pessoas (de 12 a 15 participantes).
            Para evitar os condicionamentos e as viciações, deve-se guardar respeito íntimo, confiança, espírito de análise, serenidade e sinceridade em tudo aquilo que se fizer.
            Na fase de aprendizado, acolher com simpatia as observações dos dirigentes e monitores que de alguma forma estão procurando evitar que o fenômeno mediúnico se barateie e se torne ridículo em nossas casas espíritas.

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