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sexta-feira, 20 de abril de 2012

Palavras de Preto Velho


Sou a fuga para alguns, a coragem para outros.


Sou o tambor que ecoa nos tereiros, trazendo o som das selvas e das senzalas.
Sou o cântico que chama ao convívio seres de outros planos.
Sou a sencala do Preto velho, a ocara do Bugre, a cerimônia do Pagé, a encruzilhada do Exu, o jarrdim da Ibejada, o nirvana do Indu e o céu dos Orixás.
Sou café armargo e o cachimbo do preto velho, o charuto do Caboclo e do Exu; o cigarro da pomba-gira e o doce do Ibejê.
Sou a gargalhada da Padilha, o requebro da cigana, a seriedade do Tranca-Rua.
Sou o sorriso e a meiguice da Maria Conga e da Cambinda; a tranquinada da Mariazinha da Praia e a sabedoria de Urubatão.
Sou o fluido que se desprende das mãos do médium levando a saúde e a paz.
Sou o isolamento dos orientais onde o mantra se mistura ao perfume suave do incenso.
Sou o templo dos sinceros e o teatro dos atores.
Sou livre. Não tenho papas.
Sou determinada e forte. Minhas forças? Elas estão no homem que sofre e chama por piedade, por amor, por caridad.
Minhas forças estão nas entidades espirituais que me utilizam para seu crescimento. Então nos elementos.
Na água, na terra, no fogo e no ar; na pemba, na tuia, não mandala do ponto riscado.
Então finalmente na tua crença, na tua fé, que é o elemento mais importante na minha alquimia. Minhas forças estão em ti no teu iterior, lá no fundo, na última partícula da tua mente, onde te ligas ao criador.
Quem sou? Sou a humildade, mas cresço quando combatida.
Sou a prece, a magia, o ensinamento milenar, o segredo, sou o amor e a esperança.
Sou a cura.
Sou o mistério, o segredo, sou o amor e a esperança. Sou a cura. Sou de ti.
SOU DE DEUS.
SOU UMBANDA.
SÓ ISSO. SOU UMBANDA.

Pai Antônio de Xangô


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