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terça-feira, 24 de abril de 2012

Como evoluir na terra.

            Um dos maiores entraves à evolução espiritual, que é simplesmente a melhoria das nossas inferioridades, é que o nosso Ego sempre acha que tem razão... Quem tem raiva de alguém, o seu Ego (persona) acredita que tem razão para sentir essa raiva; quem sente mágoa e ressentimento, acredita que são plenamente justificados esses sentimentos; quem é medroso, acredita realmente na força do seu medo; quem é tímido, acredita plenamente em sua incapacidade de manifestar-se; quem é orgulhoso, vaidoso, egocêntrico, acredita realmente em sua superioridade; quem é materialista, acredita firmemente no valor das coisas materiais, e assim por diante.
            Quem veio para melhorar a tendência de sentir raiva precisará de gatilhos que a façam aflorar, por exemplo, um pai agressivo, um irmão implicante, colegas no Colégio que aticem sua raiva e durante a vida terrena irá deparando-se com gatilhos que têm essa finalidade: mostrar que seu Ego ainda tem raiva para curar. O mesmo se aplica para quem reencarnou para lapidar uma tendência congênita de sentir mágoa, de sentir-se rejeitado, sentir-se abandonado, de achar-se superior, de achar-se inferior, etc.
            O antídoto da raiva é o amor, o da mágoa é a compreensão, o do medo é a coragem, o da timidez é a espontaneidade, o do orgulho é a humildade, o do materialismo é o entendimento da reencarnação. Mas o que possibilita que curemos essas crenças negativas é a conscientização de que já viemos para esse Plano terreno com essas características de personalidade em nós e que aqui, no confronto com certas situações específicas de nossa vida, desde a infância, elas vieram à tona. Cada um de nós manifesta aqui o que já trouxe consigo de suas encarnações passadas, positiva e negativamente. Tudo é uma continuação, nós somos o que somos, e aí revelamos nosso grau espiritual.
            Para entendermos bem o que é uma encarnação, devemos saber que o que é inferior em nós, o que veio ser eliminado aqui na Terra, aflora diante dos gatilhos. No Astral Superior, não haviam esses estímulos específicos, necessários, para fazerem aflorar a nossa raiva, a nossa vaidade, a nossa mágoa, a nossa tristeza, o nosso medo, a nossa timidez, mas aqui elas fatalmente aparecem e aí podemos, potencialmente, nos libertar delas.
            Mas, geralmente, ao invés de termos bem claro que são características negativas nossas, congênitas, que nosso Espírito veio curar, passamos a lidar com elas como se tivessem surgido aqui. E pior, algumas vezes culpando outras pessoas (geralmente pai e mãe) e fatos "negativos" da vida por seu surgimento.
            A Psicologia tradicional diz que nós começamos nessa vida e vai procurar, então, lá no "início", quem ou o quê nos estragou... Ela parte de uma base equivocada, que é um início que não é início, pois não começamos nossa vida na infância, nós somos um Espírito e estamos continuando nela uma jornada iniciada há muitíssimo tempo. No dia em que a Psicologia agregar a Reencarnação, ela começará realmente a entender o ser humano e, desse modo, descobrirá que a infância é uma continuação e não um começo e que a nossa personalidade é congênita, nasce conosco.

            Para tomarmos conhecimento do motivo para o qual nosso Espírito reencarnou, precisamos assumir as nossas inferioridades e aceitá-los como nossos, correlacionando os fatos "negativos" que acontecem em nossa vida, da infância até hoje, com a maneira negativa que nós sentimos e reagimos a eles. Aí encontraremos o que viemos aqui fazer, curar em nosso Espírito, pois os fatos são os fatos, mas o que fazem emergir de imperfeito em nós, revela a finalidade de estarmos novamente aqui, o propósito da nossa atual encarnação.

            Evoluir aqui na Terra não é tão difícil, mas necessita que nosso Eu Superior esteja no comando, e aí...


Por Mauro Kwitko - Escritor

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