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segunda-feira, 30 de abril de 2012

Obsessão Espiritual no Casamento

                  
Os espíritos obsessores se aproveitam da fragilidade emocional do casal, dos vícios e tendências de cada um a fim de conquistar seus objetivos.
O pesquisador Bruno Gimenes ensina como proteger seu relacionamento.

Bruno, muitos casais passam por crises no relacionamento. Claro que o assunto é complexo e não dá para generalizar, mas, no seu entendimento, quais são os principais fatores que levam um casal a entrar em crise?
Bruno Gimenes - Naturalmente, nos relacionamos com as pessoas por conta das afinidades que temos, mas, em especial, as pessoas são atraídas umas as outras pela necessidade que elas têm de se harmonizarem mutuamente. Em uma relação, uma pessoa age como um gatilho para que o outro aflore emoções negativas de sua personalidade as quais ela precisa curar. Ou seja, um atua como gatilho do outro.
É normal que uma pessoa busque no outro equilíbrio e paz para as emoções que tem em desequilíbrio, transferindo a tarefa para o cônjuge. É aí que a confusão começa! Nunca podemos buscar no outro aquilo que não temos internamente, mas, mesmo assim, agimos dessa forma. O resultado é que acabamos cobrando que a outra pessoa se comporte da forma como nós achamos que ela deva se comportar.
Quando as cobranças surgem, a liberdade, a leveza, o respeito dão lugar para os conflitos que podem gerar a ruptura ou o caos no relacionamento. No casal, ambos precisam olhar para suas carências e falhas com objetivo de curá-las, e jamais transferir essa tarefa para o outro.
Muitas pessoas esperam um parceiro perfeito, mas se esquecem de que somos todas criaturas em amadurecimento espiritual. Isso atrapalha o relacionamento?
Uma pessoa espera equivocadamente alguém que irá acabar com sua solidão, carência, baixa autoestima, medo, angústia e assim por diante. Quando isso acontece, há a transferência da responsabilidade, e a própria pessoa agindo dessa forma está colocando a responsabilidade da sua felicidade em mãos alheias.
Isso é uma ilusão! Além disso, é aí que as obsessões emocionais começam, porque quando o parceiro(a) não corresponde a necessidade que a pessoa tem, então ela naturalmente começara com as cobranças, para que ele(a) se comporte de forma que lhe agrade. Isso não é amor incondicional, é amor condicional, é egoísmo, o que mostra claramente que todos nós ainda somos imaturos quanto as nossas emoções e, consequentemente, quanto a nossa consciência espiritual.
Essa condição atrapalha muito os relacionamentos porque, dessa forma, construímos relações que existem condicionadas à ideia na qual o parceiro é responsável pela felicidade da parceira e vice-versa. Esse é um processo típico de obsessão emocional, muito comum nos dias de hoje.

Outro fator que pode atrapalhar muito um relacionamento é a questão da influência de espíritos obsessores. Os espíritos, em geral, podem influenciar nossos pensamentos? Como?

Quando o campo emocional do casal manifesta esse modelo ainda imaturo, no que tange às carências e egoísmos, naturalmente há uma tendência para que interferências espirituais nocivas comecem a surgir. O aspecto espiritual é sempre uma extensão do físico, emocional e mental, pois estão todos interligados.
As obsessões espirituais atrapalham muito a vida do casal, porque sempre que forças externas estão agindo, a naturalidade e a leveza dos fatos alteram-se muito. Às vezes, a obsessão acontece em apenas um integrante do casal; em outras vezes, nos dois, separadamente. Também podem ocorrer nos dois ao mesmo tempo... A forma dessas entidades agir é também muito variada, mas a causa que deu origem a obsessão é sempre a mesma: negligência espiritual. Essa negligência se constrói quando não há busca por reforma íntima, quando não há estudo sobre a evolução espiritual, quando não existem práticas como a meditação, a oração, o evangelho no lar, quando existem hábitos nocivos, vícios e falta de valores espirituais.

Quando o campo emocional do casal manifesta esse modelo ainda imaturo, naturalmente há uma tendência para atrair interferências espirituais nocivas.
Em muitos casos, o trabalho dos obsessores é muito simples, pois basicamente eles exploram as falhas emocionais de cada um e fazem com que elas sejam confrontadas em discussões simples, nas quais naturalmente o caos surge.

Pelo que entendi, basicamente, tudo é uma questão de sintonia mental/emocional... Não dá para jogar toda a culpa nos obsessores, né?

Com certeza! Colocar a culpa nos obsessores é corvadia! Não estou dizendo que essas entidades sejam benéficas, mas apenas que elas agem de acordo com a sintonia dos cônjuges, separadamente, ou do casal. Em muitos casos, o trabalho desses espíritos se mostra muito simples, pois basicamente eles exploram as falhas emocionais de cada um e fazem com que elas sejam confrontadas em discussões simples, nas quais naturalmente o caos surge. Portanto, a causa raiz é a nossa falta de amor, as nossas carências e, como já disse, a nossa transferência de responsabilidades, pois queremos que o outro se comporte de forma confortável para nós, para continuarmos amando. Se não for assim, brigamos, choramos, nos magoamos e nos vitimizamos.

Existem sintomas que indicam a atuação de espírito obsessor na vida do casal?

Existe, entretanto, a grande armadilha nesses casos é achar que ao menor sinal de que há uma crise entre o casal já se considere que seja uma influência espiritual.
Os sinais mais básicos são a irritação exagerada, a vontade de brigar maior que a vontade de ficar em harmonia, a cobrança exacerbada de um comportamento e, em especial, quando a atitude de um ou de ambos esteja muito diferente (negativamente). Também acontecem casos em que a pessoa se comporta de forma descontrolada em um dia; já no outro dia, não consegue dizer porque se comportou daquele jeito, ou seja, quando a própria pessoa não se reconhece direito.
Uma questão muito importante nesse contexto é que, atualmente, a pornografia está explícita e aberta a todos: nas revistas, na TV e, principalmente, na internet. Quando uma pessoa se sintoniza com um filme adulto ou uma revista de nudez, ela está abrindo a sua guarda espiritual para atrair espíritos obsessores que atuam nessas frequências. Portanto, não é uma questão de moralismo exagerado, mas revistas, filmes, fotos e vídeos da internet ligados à pornografia são muito nocivos, já que facilitam muito a ação de espíritos densos especializados nessa ação perniciosa.

Pode acontecer de um espírito, inimigo de vidas passadas querer prejudicar o casamento? Por que isso ocorre? É justo?

Pode acontecer sim, em várias situações, as quais, obviamente, não temos como descrever amplamente. No entanto, exemplifico com as mais acorrentes: Um espírito, em uma existência passada, pode ter sido atrapalhado em sua vida amorosa por um dos integrantes de um relacionamento nessa vida. Pela lei do esquecimento, o encarnado não tem consciência do passado, mas o obsessor espiritual se lembra de tudo e ainda está vibrando em um sentimento de vingança. Nesse caso, ele pode se ligar ao seu desafeto na tentativa de lhe dar o troco, prejudicando-o em seu relacionamento.
Também é possível que um espírito, que anteriormente era marido ou esposa, que já desencarnou, não aceite que o ex-cônjuge, ainda encarnado, tenha um novo relacionamento. Intolerante ao fato, o espírito pode decidir agir na vida do casal para que não fiquem juntos. Mas como disse, existem diversos outros casos que poderiam ser contados.
Quanto à justiça, como já falamos, se uma obsessão entra é porque existe a porta que dá acesso.
Normalmente, é a nossa falta de disciplina espiritual. Além disso, existem outros diversos fatores que precisam ser harmonizados, tudo isso pedindo mais amor, mais estudo, mas reforma íntima e mais dedicação à evolução da nossa consciência, portanto, tudo é perfeito e justo perante os olhos do Grande Espírito Criador.

Mas nem todo espírito que atrapalha a vida de um casal é obsessor... Existem aqueles que nem sabem que desencarnaram...

Quando os espíritos desencarnados eram da família do casal, isso acontece com mais facilidade. Como você disse, nesses casos, muitos nem percebem que desencarnaram. Existem também espíritos sofredores que quase não têm consciência de que estão atrapalhando e, também sem qualquer ligação familiar ou laço de amizade, podem ser atraídos por conta do padrão mental e emocional do casal. Esse tipo de obsessão é nociva, pois afeta negativamente o ambiente e a relação, mas em um nível menos intenso do que o de espíritos conscientes ou especializados.

E como é, basicamente, uma obsessão? O espírito algoz fica hipnotizando a pessoa para que ela desista do parceiro? Inspira ideia de infidelidade? Como é isso?

As artimanhas dos espíritos das sombras são ilimitadas, pois, normalmente, as investidas feitas por espíritos especializados é patrocinada por instituições sombrias de grande escala e tecnologia. Portanto, cada caso é um caso.
Em geral, os obsessores especializados atuam principalmente para evidenciar as falhas que cada um tem, tornando-as mais constantes e visíveis, para que o outro sinta-se incomodado e, assim, os conflitos surjam. Depois disso, com tranquilidade e sem nenhuma pressa, induzem hipnoticamente ao conflito, inserindo na tela mental de cada ideias e pensamentos que lhes pareçam próprias. Essas informações certamente conduzem a mais brigas, conflitos, cobranças e desamor. Facilmente os integrantes da relação são induzidos por suas próprias fraquezas emocionais a transformar a relação em um conflito contínuo. Essa ação é muito grave porque quase nunca demonstra ideias que não encontrem afinidade com o ser que a teve, pois se identificam exatamente com o seu universo de pensamentos e sentimentos.

Ocorrem obsessões fora do corpo, ou seja, quando o casal está dormindo, o obsessor pode se aproveitar para criar brigas e intrigas entre os parceiros?

Somos seres com diversos corpos. Por isso, o corpo físico não é a matriz da obsessão espiritual. É o corpo espiritual (perispírito) o responsável pela interação entre o obsessor e suas artimanhas com a consciência do obsediado. Portanto, para que a obsessão espiritual aconteça com eficiência ampliada, ela precisa agir no corpo espiritual da pessoa, e para isso acontecer, o sono do corpo físico oferece a condição ideal.
Quando dormimos, o perispírito tem a tendência de se projetar para fora do corpo físico. Em outras palavras: ele se desacopla. Nesse momento, o intercâmbio do espírito obsessor fica facilitado para que ele consiga realizar suas ações de obsessão, por meio de influência mental ou hipnose, implantes espirituais e outras formas de exercer a ação perniciosa. Entre uma série de artefatos utilizados, os obsessores frequentemente projetam na tela mental das pessoas, imagens e situações que se manifestam como sonhos e que afetam muito o equilíbrio emocional daquele indivíduo, com mensagens que obviamente atrapalharão a vida do casal. São muitas formas, pois o plano denso se especializa mais a cada dia.

E  a famosa "amarração" ou o oposto: a separação de casal. Como isso ocorre?

Nesse caso a amarração é feita por uma das partes ou por alguém externo. Ela também se utiliza de rituais de magia negra, com propósitos distanciados de valores espirituais elevados, para estimular elementos que criem dependência emocional e, por isso, impossibilite que o relacionamento seja rompido. Utilizando novamente das fraquezas emocionais dos indivíduos envolvidos na relação, espíritos especialistas em magia negra atuam através das práticas de indução mental, conduzindo suas vítimas a alimentarem uma necessidade de manter-se em comunhão com a outra pessoa.
No caso da separação, o mecanismo é o mesmo, entretanto, tais espíritos atuam justamente no sentido inverso, induzindo mentalmente, por vários meios, que um ou ambos os cônjuges tenham ideias e atitudes que desconstruam quaisquer laços que os mantenham em união. Se pudéssemos ter consciência desses acontecimentos nas dimensões extrafísicas, assistindo como os espíritos especializados atuam em nossas fraquezas mentais e emocionais, realmente sentiríamos vergonha ao perceber que os responsáveis sempre somos nós.

O que você acha dos motéis? Podemos atrair obsessores nestes lugares?

O quarto de um motel é um ambiente muito favorável à criação de formas-pensamento negativas, que ficam gravitando no ambiente astral, e que possuem uma espécie de inteligência própria. Formas-pensamento não são espíritos, mais " entidades vivas" oriundas de pensamentos somados a emoções características. Neste caso específico, os quartos de motéis, com grande facilidade tem seus ambientes extrafísicos contaminados por formas-pensamento de hipersexualidade, promiscuidade sexual, entre outras similares.
Quando essas formas-pensamentos estão presentes em um ambiente, elas atraem com grande intensidade espíritos desencarnados viciados nos prazeres do sexo exacerbado. Dessa forma, os casais que se encontram em motéis podem ser facilmente vampirizados por diversas entidades as quais têm o propósito de extrair de seus corpos energéticos as sensações corporais envolvidas na relação sexual.
Também, com muita frequência, várias pessoas são estimuladas mentalmente - ainda que não saibam - a praticar o sexo compulsivo, para que assim possam servir de intermediários aos espíritos obsessores.
A visão do ambiente espiritual de um motel, onde os quartos são afetados por essas formas-pensamento negativas, com os grupos de espíritos famintos por sexo, é algo deprimente que, se pudesse ser visto pelos encarnados, causaria certamente um profundo choque emocional.
Poderíamos dizer que até é possível um casal manter relações sexuais em um quarto de motel, mas para que não tenham suas energias afetadas, seria necessária uma intensa limpeza energética, mesmo que temporária - já que não residem ou são proprietários do ambiente - a fim de promover a remoção das formas-pensamento e o encaminhamento dos irmãos extrafísicos presos ao vício do sexo. Visto as dificuldades do processo, parece sensato evitar esses ambientes ou, ao menos, não frequentá-los com assiduidade.

Os espíritos obsessores podem se aproveitar do ato sexual de suas vítimas encarnadas? Como? Praticando o sexo junto? "Roubando" energia sexual?

Sim, como citado anteriormente, eles podem aproveitar o ato sexual para obsediar  os encarnados  sugando-lhes as impressões causadas pelas sensações do ato sexual que ficam impregnadas em suas auras. Em alguns casos, é possível ver fisicamente apenas o casal se relacionando, entretanto, na dimensão extrafísica, podem existir mais de dez espíritos, tanto de homens, quanto de mulheres, sugando-lhes as energias. É uma situação muito complicada do ponto de vista da obsessão de fluidos vitais.

Como fazer, para que o casal se proteja dos assédios extrafísicos, das obsessões? Basta o culto do Evangelho no lar?

Para isso não existe um só remédio! O casal precisa combinar uma série de comportamentos individuais e coletivos para que, assim, alcancem o patamar de harmonia. O Evangelho no lar é uma ferramenta eficiente se, após a prática da leitura e da oração, ambos continuem a aplicar o que aprenderam na vida prática. É preciso haver busca, estudo, meditação e oração constantes. Ambos precisam encontrar autoestima, fé, tranquilidade e confiança internamente para que não comecem as cobranças.
É necessário levar uma vida pautada na verdade, a cada ato, na busca por crescimento espiritual e consciencial constante. Além disso, faz-se necessário cultivar hábitos saudáveis de alimentação, que não contenham álcool, drogas, a nutrição desregrada, porque somos seres de muitos corpos. Portanto, só seremos saudáveis e felizes se realmente soubermos cuidar de todos com equilíbrio. "Orai e vigiai" resume tudo! Não se pode perder o foco no que realmente importa: o amor em todos os atos. Desta forma, o trabalho dos espíritos benfeitores que nos auxiliam será facilitado; caso contrário, fica muito difícil para eles nos ajudarem.

Muito espírita que acha que tem que suportar um relacionamento insustentável, que está à beira da agressão física ou de grande desastre moral... Nestes casos, a separação, o divórcio não seria a melhor solução?
Não podemos dizer que exista regra, pois cada caso é único, ou seja, não podemos ser deterministas ao analisar as situações. Quando o determinismo entra, a harmonia foge! Entretanto, existem muitos sinais que podem indicar que você deve praticar o perdão, tolerar e acreditar no relacionamento ou encerrá-lo o quanto antes.
É razoável pensar que duas pessoas só se unem com o propósito de se tornarem melhores juntas. Dessa forma, essa união promove um crescimento, uma maior sinergia, e assim, o sucesso acontece, em todos os  sentidos. Quando duas pessoas se aproximam, elas devem manter-se juntas sempre que a evolução e o amor forem mantidos. Também o respeito e a força de cada um devem crescer! Esse é um bom indício de que o relacionamento é saudável. A pessoa deve olhar para o seu relacionamento e se perguntar: Eu estou evoluindo junto da outra pessoa? A pessoa está evoluindo comigo? Nós juntos somos mais fortes do que separados? Quando estamos próximos, nossa energia positiva aumenta? Nossa harmonia se fortalece?
Obviamente que se o seu relacionamento for saudável a resposta será: sim! Mas quando nem um, nem outro crescem na relação, as cobranças surgem e o amor escapa. Não há evolução, não há crescimento. Portanto, a intoxicação acontece. Da intoxicação pode surgir a obsessão ou seu oposto, que é repulsão. Ambas são terríveis manifestações de desamor. Nesse casos, o mais sensato seria a separação, mesmo porque, como a alma é imortal, certamente esses espíritos em conflito poderão escolher um novo momento, provavelmente em outra vida, para novamente procurarem se harmonizar.

O diálogo sincero é fundamental para manter a harmonia em um relacionamento, desde que ambos saibam ouvir críticas e colocar suas opiniões com respeito.

Para viver em harmonia.

Cada um individualmente precisa buscar sua realização, harmonia, autoestima, portanto precisa evoluir sozinho antes, para depois somar alegria e amor na relação. O maior e mais comum erro é transferir para o outro a responsabilidade interna de conquistar harmonia, autorrealização, plenitude e alegria. Quando isso acontece, fica praticamente impossível que o amor germine. Portanto cure-se, pois assim você também irá curar o seu relacionamento.
Outra dica que vale muito e que cura tudo é a admiração. Substitua a crítica pela prática de elogiar o outro. Você pode fazer isso presencialmente e verbalmente, mas também pode fazer no pensamento. Sempre que a vontade de criticar a outra pessoa surgir, faça um esforço de se concentrar nas qualidades que ela tem a assim "ignore" seus defeitos. No começo dá um pouco de trabalho, mas com o tempo os resultados aparecem nítidos e profundos, e podem fazer um milagre na vida de qualquer casal.

 Casa Espírita Raio do Sol - Bruno J. Gimenes

domingo, 29 de abril de 2012

O mistério do Orixá Ancestral, de frente e ajunto

              Uma dúvida, e a que mais incomoda os umbandistas é sobre seu orixá. Nós sabemos que orixá ancestral não é o mesmo que orixá de frente ou ajuntó. O orixá ancestral está ligado à nossa ancestralidade e é aquele que nos recepcionou assim que, gerados por Deus, fomos atraídos pelo seu magnetismo divino.
            Todos somos gerados por Deus e somos fatorados por uma de suas divindades, que nos magnetiza em sua onda fatoradora e nos distingue com sua qualidade divina.
            Uns são distinguidos com a qualidade congregadora e são fatorados pelo Trono da Fé. E, se forem machos é o orixá Oxalá que assume a condição de seu orixá ancestral. Mas, se for fêmea, aí é a orixá Oiá que assume sua ancestralidade.
            Uns são distinguidos com a qualidade agregadora e são fatorados pelo Trono do Amor. E, se forem machos é o orixá Oxumaré que assume a condição de seu orixá ancestral. Mas, se forem fêmeas, aí é a orixá Oxum que assume suas ancestralidades.
            Uns são distinguidos com a qualidade expansora e são fatorados pelo Trono do Conhecimento. E, se forem machos é o orixá Oxossi que assume a condição de seu orixá ancestral. Mas, se forem fêmeas, aí é a orixá Obá que assume suas ancestralidades.
            Uns são distinguidos com a qualidade equilibradora e são fatorados pelo Trono da Razão. E, se forem machos é o orixá Xangô que assume as suas ancestralidades. Mas, se forem fêmeas, aí é a orixá Egunitá que assume suas ancestralidades.
            Uns são distinguidos com a qualidade ordenadora e são fatorados pelo Trono da Lei. E, se forem machos é o orixá Ogum que assume suas ancestralidades. Mas, se forem fêmeas, aí é a orixá Iansã que assume suas ancestralidades.
            Uns são distinguidos com a qualidade evolutiva (transmutadora) e são fatorados pelo Trono da Evolução. E, se forem machos é o orixá Obaluayê que assume suas ancestralidades. Mas, se forem fêmeas, aí é a orixá Nanã que assume suas ancestralidades.
            Uns são distinguidos com a qualidade geradora e são fatorados pelo Trono da Geração. E, se forem machos é o orixá Omulu que assume suas ancestralidades. Mas, se forem fêmeas, aí é a orixá Iemanjá que assume suas ancestralidades.
            Observem que não estamos nos referindo ao espírito que “encarnou” no plano material, e sim, ao ser que acabou de ser gerado por Deus e foi atraído pelo magnetismo de uma de suas divindades, que, por serem unigênitas (únicas geradas) transmitem naturalmente a qualidade que são em si mesma aos seus “herdeiros”, aos quais imantam com seus magnetismo divinos e dão aos seres uma ancestralidade, imutável pois é divina e jamais ela deixará de guiá-los porque a natureza íntima de cada um será formada na qualidade que o distinguiu, fatorando-o.
            Alguém pode reencarnar mil vezes, e sob as mais diversas irradiações, que nunca mudará sua natureza íntima. Agora, a cada encarnação ele será regido por um orixá de frente (o que o guiará enquanto viver na carne) e será equilibrado por outro orixá que será o auxiliar (o ajuntó) desse orixá de frente ou da “cabeça”. Usamos o termo “orixá da cabeça” porque ele regerá a encarnação do ser e o influenciará o tempo todo pois está de “frente” para ele. Sim, o orixá da cabeça está á nossa frente nos atraindo mentalmente para seu campo de ação e para o seu mistério, ao qual absorveremos e desenvolveremos algumas faculdades regidas por ele. Já o orixá ajuntó, este é um equilibrador do ser e atuará através do seu emocional, hora estimulando-o e hora apassivando-o pois só assim o ser não se descaracterizará e se tornará irreconhecível dentro do seu grupo familiar ou tronco hereditário, regido pelo seu orixá ancestral.
            A dúvida dos “médiuns” e dos umbandistas se explica pela precariedade dos métodos divinatórios usados para identificar o orixá da cabeça e seu ajuntó. Daí, vemos pessoas reclamarem que a cada Babalorixá ou Ialorixá que consultaram, cada um deu um orixá diferente a cada consulta, criando uma confusão e levando ao descrédito. Esta queixa é muito comum e não são poucos os médiuns que estão confusos porque uma consulta diz que é filho desse orixá e outra consulta diz que é filho de outro orixá.
            Nós dizemos isto: na ancestralidade, todo ser macho é filho de um orixá masculino e todo ser fêmea é filha de um orixá feminino.
            Na ancestralidade, orixá masculino só fatora seres machos e os magnetiza com sua qualidade, fatorando-os de forma tão marcante que o orixá feminino que o secunda na fatoração só participa como apassivadora de sua natureza masculina. E o inverso acontece com os seres fêmeas, onde o orixá masculino só participa como apassivador dessa sua natureza feminina.
            Portanto, no universo da ancestralidade dos seres machos, têm sete orixás masculinos e na dos seres fêmeas, têm sete orixás femininos.
            Têm sete naturezas masculinas e sete naturezas femininas, tão marcantes que é impossível ao bom observador não vê-las nas pessoas.
            Saibam que, mesmo que o orixá da cabeça ou de frente seja, digamos, a orixá Iansã, ainda assim, por traz dessa regência poderemos identificar a ancestralidade se observarem bem o olhar, as feições, os traços, os gestos a postura, etc., pois estes sinais são oriundos da natureza íntima do ser, apassivada pela regência da encarnação, mas não anulada por ela. Certo?
            E o mesmo se aplica ao orixá ajuntó, pois podemos identificá-lo nos gestos e nas iniciativas das pessoas, já que é através do emocional que ele atua.
            Outra forma de identificação é através do Guia de frente e do Exu Guardião dos Médiuns. Mas esta identificação exige um profundo conhecimento do simbolismo dos nomes usados por eles para se identificarem.
            E também, nem sempre o Guia de frente ou o Exu guardião se mostram, pois preferem deixar isto para o Guia e o Exu de trabalho.
            Saber interpretar corretamente o simbolismo é fundamental. Certo?
Então, que todos entendam isto:
. Orixá ancestral é aquele que magnetizou o ser assim que ele foi gerado por Deus, e o distinguiu com sua qualidade original e natureza íntima, imutáveis e eternas.
. Orixá de frente é aquele que rege a atual encarnação do ser e o conduz numa direção na qual o ser absorverá sua qualidade e a incorporará às suas faculdades, abrindo-lhes novos campos de atuação e crescimento interno.
. Orixá ajuntó é aquele que forma par com o orixá de frente, apassivando ou estimulando o ser, sempre visando seu equilíbrio íntimo e crescimento interno permanente.
            Por isso, também, é que muitos encontram em si qualidades de vários orixás. A cada encarnação há a troca de regência da encarnação. E, nessa troca, os seres vão evoluindo e desenvolvendo faculdades relativas a todos os orixás.
            Afinal, se somos “humanos”, absorvemos energias e irradiações, magnetismo e vibrações de todos eles. Certo?

Texto do curso de Teologia de Umbanda Sagrada - Por Rubens Saraceni.



sábado, 28 de abril de 2012

Qual a minha religião? Eu sou Umbandista!!!


            Muitas pessoas confundem tudo onde acontece a incorporação como sendo Umbanda. Existe muito terreiro de pura feitiçaria comandado pelo baixo astral; lugares onde se cobra pelo trabalho realizado; casas onde são feitas amarrações, demandas e magias negativas; locais que prometem milagres e comercializam a fé alheia… e para tudo isso é usado o nome da UMBANDA! Por esse motivo o povo umbandista é descriminado, ironizado e umbandistas ridicularizado. Somos julgados e analisados a todo o momento, pois as pessoas nos olham com medo, insegurança e desconfiança já imaginando “o perigo” que será a convivência com um umbandista.

            Tais fatos nos levam, muitas vezes, a negar a Umbanda, afinal, ser “espírita” ou católico é mais fácil e não causa tantos arrepios. Médiuns com grande capacidade espiritual costumam fugir dos centros umbandistas ou quando assumem sua religiosidade dentro da Umbanda enfrentam o medo do novo, a contrariedade da família e ainda precisam estar todo tempo atentos aos ataques do baixo astral que não quer, entre outros motivos, a evolução espiritual do médium.

            Precisamos mudar essa imagem negativa da Umbanda e para isso temos todos que ter sempre em mente que a Umbanda é uma religião que prega as mesmas verdades e busca a mesma paz de espírito que todas as outras religiões.  Umbanda é reforma íntima, respeito, dedicação, disciplina e superação. Umbanda é pureza, simplicidade, força, é a conscientização sobre o Bem e o Mal. Umbanda não é milagre, mas merecimento. É estudo e consciência e não comodismo ou machismo. É respeito à natureza, pois Umbanda é natureza. Umbanda é fé, amor, conhecimento, justiça, lei, evolução, geração e a prática da caridade em todas as formas. É a conscientização de que cada pessoa é responsável por suas atitudes, que o ato cometido sempre gera uma reação resultando em um Bem ou um Mal tanto para quem pratica como para quem recebe. Umbanda é a consciência de que o sentido da vida é a busca da perfeição espiritual e material e de que o melhor caminho para alcançarmos essa perfeição é a prática de boas atitudes ao próximo.

            Ser umbandista é para poucos, é para os fortes e determinados!

            Eu me orgulho de ser umbandista e bato no peito com toda a convicção, amor e respeito, pois sou filha de Orixá e Eles estão em mim assim como eu estou Neles.

Axé a todos os umbandistas que assumem, amam e respeitam nossa bela religião e os Sagrados Orixás!


Publicado por YALORIXÁ LÚCIA D'IANSÃ

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Ensinamentos de um Preto-Velho


COMBATENDO AS “ZICAS” DO CORAÇÃO.


            Meu filho, com esses olhos, “que a terra não comeu”, pois são olhos espirituais, reais, já vi muita coisa. Algumas boas, outras nem tanto, e mais outras que não vale a pena contar. O que passou, passou mesmo. O que ficou foi a experiência das diversas vidas na carne, aliás, muitas delas, tão iguais e, ao mesmo tempo, tão diferentes.

            O que ficou foi o aprendizado e o conhecimento de como é o coração dos homens e das mulheres suas emoções e vontades. Aprendi a ler a verdade de cada um, por dentro, lá na toca das coisas que não se falam, e que todos escondem muito bem.

            Tem muita zica dentro dos corações, meu rapaz.
            É rolo que não acaba mais!

            E coração rançoso e rancoroso, você sabe como é que é, está cheio de irmãozinhos das trevas agarrados nele. Eles se alimentam das emoções podres e dos pensamentos maldosos. E a zica é tanta, que só a pessoa rancorosa é que não vê a energia que está perdendo.

            Menino de Deus, como os homens e as mulheres sofrem por causa das emoções podres!

            Igualzinho ao corpo carnal, que pode apresentar escaras na pele, devido à falta de movimento em alguma área, o corpo espiritual também tem suas escaras astrais. Porém, essas são causadas pelas emoções podres, estagnadas no meio da alma atormentada e sem centro espiritual.

            Falta movimento sutil ali! Falta vergonha na cara para acertar o passo!
            Muito disso vem de outras vidas, são escaras do passado, de coisas mal-resolvidas, ainda alojadas no corpo espiritual. Mas, muita coisa é de agora mesmo, é coisa podre dos dias atuais. E o mal-cheiro psíquico exalado atrai os espíritos atormentados e atormentadores, que ficam agarrados em penca na aura da pessoa.

            Isso é uma tragédia invisível! É uma doença psíquica que amarra os encarnados e impede os desencarnados carentes de seguirem em frente.

            Nosso Senhor Jesus Cristo avisou muitas vezes sobre isso. Ele disse: “Orai e Vigiai!” - Ele sabia do mal que as emoções podres fazem no ser humano.
            Todavia, muitos oram de forma egoísta e mecânica, sem coração e sem alma, e outros nem isso fazem, passando ao largo das boas vibrações que poderiam ajudá-los e fortalecê-los. E os que vigiam, raramente se olham por dentro, pois policiam muito mais a vida alheia, e não foi isso que Nosso Senhor ensinou.
            Meu amigo, tem tanto espírito agarrado nas pessoas, que há horas em que você não sabe mais quem é quem, de tão entranhados que estão. É um fuzuê energético na aura desses infelizes. Ô coisa feia de se ver!

            Mas Nosso Senhor é de uma compaixão infinita. Sob o seu comando, legiões de espíritos de luz vêm ajudando os homens nessas lides do invisível. Sem eles, isso aqui já teria ido para o beleléu! São eles que deslindam as ligações psíquicas daninhas e levam os irmãozinhos das trevas para o Espaço, para serem tratados pelos médicos da luz.

            Esses irmãos da luz são os verdadeiros anjos da guarda da humanidade. Pena que os homens se esquecem tão facilmente das bênçãos que recebem. Esses guias e benfeitores espirituais são os trabalhadores de Nosso Senhor, não importa a linha espiritual à qual laboram. Sempre agradeça a eles, pela proteção e luz.

            Todavia, se os guias espirituais ajudam, também é verdade que os homens e mulheres precisam fazer sua parte. Que vigiem e orem, e exorcizem as emoções podres de seus anseios. Que renunciem aos desejos torpes de vinganças. Que esqueçam as ofensas e se dediquem a alguma causa nobre e verdadeira.

            Ninguém é vítima do destino! Todos são passíveis de falhas na jornada, como também de atos elevados. E todos são capazes de seguir em frente...

            Tem muito coração “zicado” nessa vida dos homens terrestres, e muitos espíritos zangados na cola deles. Ainda bem que, lá da Aruanda, vem aquela luz que ilumina a fé dos filhos que querem a cura do próprio espírito.
            Como você escreve sobre as coisas do espírito, fale para as pessoas daquela chuva de luz que os guias produzem sobre as cabeças dos filhos que se esforçam na senda da luz e do bem. Aquela luz de Aruanda... Aquele amor que cura o coração.
            Fale das egrégoras invisíveis que sustentam os bons pensamentos e os bons ideais, para que muitos outros se liguem a elas e se protejam das vibrações pesadas.
            Filho, olhe essa estrela sobre a sua cabeça. É linda e brilhante. Você sabe o significado dela, e sabe quem a enviou para iluminar o seu caminho. Pense que o brilho e a proteção que dela emanam possam ser irradiados para outras pessoas.

            Que Oxalá abençoe as pessoas zicadas e as cure do mal que trouxeram para dentro de si mesmas. Que Ele propicie um momento de despertar para elas.
            Fique na paz de Nosso Senhor!

Na luz de Aruanda.
Na fé!

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Como limpar nosso Carma?


Conheço pessoas que apesar de serem boas, trabalhadoras e esforçadas, tem uma vida infeliz: uns carregam doenças incuráveis, outros tem um cônjuge terrível e outros têm uma vida miserável.
Isso pode acontecer por causa do "carma".
Eu defino o carma como um fardo que carregamos devido ao nossos erros do passado.
A finalidade do carma é nos ensinar o certo e o errado.
Como podemos limpar o nosso carma?
Há basicamente três coisas que limpam o nosso carma: a caridade( o amor de Deus), a verdade e a fé.
A caridade cobre uma multidão de pecados. O bem é oposto do mal. Praticar a caridade anula os erros do passado.
O amor anula  o ódio, o mal, os erros. Se Deus é amor, quem anda em amor, está andando com Deus...
A verdade  também limpa o carma, porque ela desperta a nossa consciência, nos transforma, traz arrependimento.
A verdade muitas vezes dói porque mostra os nossos erros, fere o nosso orgulho, nos incita a mudar.
A verdade é como a luz, nos mostra o caminho certo e quem anda na luz não tropeça mais.
Se a finalidade do carma é nos ensinar o certo e o errado, nada melhor do que a verdade para limpar o nosso carma.
A terceira coisa que limpa o carma é a nossa fé.  Não a fé nas coisas ou no homem, mas a fé em Deus.
Todos possuímos uma medida de fé como todos possuímos músculos. Para a fé mover montanhas precisamos desenvolvê-la igual aos músculos, fazendo exercícios.
Exercitar a fé é viver da fé, é crer e agir de acordo com a nossa consciência. Fazer sempre o que é certo... Custe o que custar.  Se fazemos sempre o que é certo, é claro que acabaremos anulando os erros do passado!
A fé é o poder de Deus em nós. Através da fé você se torna um só com Deus.
Somente através da fé você verá milagres na sua vida. (cura, prosperidade, felicidade no amor).
Porque Deus se agrada da nossa fé?  Porque a nossa fé é o nosso esforço para nos tornarmos parecidos com Deus.

"Quem crer em mim fará as mesmas obras que faço", dizia o Mestre...

Por Hee Jin Myung


quarta-feira, 25 de abril de 2012

Por que nossa evolução tem de ser feita no astral inferior e não no plano astral superior?

  
            Viemos do Plano Astral Superior para um Plano mais denso e imperfeito (Astral Inferior), para que, na interação com as dificuldades inerentes a este nível evolutivo, as nossas imperfeições venham à tona e tenhamos então a possibilidade de lidar com elas, visando a sua melhoria ou eliminação. Isso não pode ocorrer quando estamos desencarnados no Astral superior, pela elevada consciência vigente lá que faz com que não existam os testes e as provas comuns aqui. Lá em cima, pela elevada frequência vibratória do local, são ativados nossos chakras superiores e manifestamos nossas superioridades; aqui, pela baixa frequência vigente, ativam-se nossos chakras inferiores e manifestam-se nossas inferioridades; por isso voltamos para cá: para encontrarmos nossas inferioridades, que lá se ocultam. Mas quando as encontramos, culpamos os pais, a família, a vida, os outros, a sociedade...
            Viemos buscar os resgates e harmonizações com antigos companheiros de viagem, que geralmente vêm na nossa família, ou vamos encontrando durante a vida. Mas para alcançarmos isso, precisamos primeiramente irmos curando nossas inferioridades: orgulho, vaidade, mágoa, raiva, ressentimento, etc.
            Essas noções e tantas outras a respeito da Reencarnação, que têm permanecido limitadas apenas ao campo da religião, principalmente na religião Espírita, precisam agora ser incorporadas pela Psicologia e pela Psiquiatria, a fim de serem melhor entendidos os nossos problemas e conflitos. Também a Medicina, e isso já está ocorrendo, irá entender que não somos apenas esse corpo físico visível, e sim temos outros corpos, sutis, onde iniciam-se verdadeiramente as doenças. A Psiquiatria, um dia, quando entrar no campo do invisível, entenderá o que são essas vozes "imaginárias", o que são as "alucinações", etc., e descobrirá que o que chama de "paranóia", "esquizofrenia", “transtorno bipolar", etc., comumente são emersões de nossas personalidades de outras vidas, geralmente acompanhadas de outras personalidades, intrusas, os chamados obsessores.
            Está chegando um novo Milênio e, com ele, uma nova Psicologia, uma nova Medicina e uma nova Psiquiatria. E os médicos, os psicólogos, os psiquiatras e os psicoterapeutas em geral, que acreditam nos princípios reencarnacionistas, não podem mais lidar apenas com o nosso corpo visível e as doenças físicas, e com essa passagem terrestre, chamando-se, equivocadamente, de "a vida". É preciso coerência; quem acredita em Reencarnação deve vivenciá-la no seu dia-a-dia e não apenas quando está em seu Centro Espírita ou lendo seus livros em casa. Assim caminha a Humanidade, a passos lentos, mas sempre adiante. Então, vamos em frente!
            Reencarnamos para tentarmos melhorar uma tendência de manifestarmos pensamentos e sentimentos ainda inferiores (Personalidade Congênita), passando por situações que os fazem aflorar e transparecer (gatilhos), com o objetivo evolutivo de os enfrentarmos e vencermos (a Missão). Então, aqui estamos, novamente, e repetidas vezes, para encontrarmos nossas características negativas e modificá-las positivamente. Estamos propondo que, em vez de nos vitimizarmos e criarmos toda uma problemática psicopatogênica em relação à infância, baseada na mágoa, na tristeza, na rejeição, na raiva, etc., passemos a encarar de modo diferente essas situações e até, quem sabe, agradeçamos ao nosso destino por tê-las colocado em nosso caminho, pois assim saberemos o que viemos curar em nós (a Reforma Íntima).
            Por que alguém precisou vir filho daquela mãe? O que houve entre eles em encarnações passadas? O filho pode ter sido seu marido, seu patrão, seu carrasco... Deus nunca erra o alvo.
            Reencarnamos para encontrar nossas imperfeições, mas quando as encontramos por vezes não gostamos das pessoas e/ou situações que as fazem aflorar. E aí sentimos raiva ou mágoa daquela pessoa, mas, na verdade, nós estamos exteriorizando nossa raiva e mágoa congênitas, que nasceram conosco, o que é diferente de pensar que a raiva e a mágoa surgiram na infância. Exemplificando: uma pessoa refere um forte sentimento de rejeição e mágoa por ter-se sentido abandonada e não querida durante a infância. Acredita que a causa disso foi o fato de seu pai não ter assumido a paternidade e abandonado a família. Ela revela, desde criança, uma postura perante a vida calçada nesses sentimentos e durante sua vida frequentemente sente-se triste, magoada, e com a sensação e o medo de ser rejeitada. No entanto, inúmeras outras pessoas, que quando crianças passaram por situações semelhantes, não referem esses pensamentos e sentimentos ou, pelo menos, não em nível tão profundo. Por quê? Claro que fatores atenuantes como atenções e orientações dos demais familiares, atendimento psicológico precoce, etc., ajudam a que isso não ocorra de modo grave. Mas a explicação para o fato daquela pessoa ter demonstrado enormes sentimentos de abandono e rejeição, ou seja, ter sentido aquela situação de um modo tão intenso e outras pessoas que passaram por situação semelhante não terem sentido tanto assim, é que ela já trazia essa tendência consigo, a tendência de sentir desse modo, de situações semelhantes vivenciadas em encarnações anteriores, o que nessa encarnação sofreu mais um reforço, pela atitude paterna.
            E por que sua Alma necessitou passar por essa situação nessa encarnação? Muitas vezes, nós temos contato com nossos futuros pais antes mesmo de iniciarmos nossa materialização intra-uterina, e então podemos conversar com essa pessoa sobre isso nas conversas de Psicoterapia Reencarnacionista. Por que ela, que traz abandono e rejeição para curar, oriundas de encarnações passadas, necessita passar por uma nova vivência encarnatória semelhante? Se lembrarmos que descemos do Astral Superior para encontrarmos nossas inferioridades, ela pode ter necessitado dessa experiência para que esses antigos sentimentos aflorassem e pudesse então entrar em contato com eles, possibilitando-se trabalhá-los e curá-los. Se alguém traz mágoa e sensação de abandono para curar em seu Espírito, necessitará de pessoas ou situações que façam isso aflorar. E a Lei do Retorno? Quem sabe ela abandonou esse Espírito que é seu pai atualmente em alguma vida passada, e então ela não é uma vitima e, sim, coadjuvante de todo esse processo? Nas regressões algumas vezes o abandonado e rejeitado hoje e em vidas passadas vê-se como um abandonador e rejeitador em vidas ainda mais passadas...
            Nossa Alma colabora na criação de nossas experiências terrenas por uma necessidade de crescimento, que implica em eliminar esses seculares ou milenares sentimentos e pensamentos negativos, ou seja, reencarnamos para isso, para essa "limpeza", e então devemos fazê-la, e não manter, ou até agravar esses sentimentos. Isso é o que significa dizermos que nós pedimos isso... Não fomos nós, nossos Egos, foi nossa Alma, em conjunto com a Grande Alma (Deus). Mas se acharmos que tudo começou na infância, que somos uma vítima, que nosso pai -ou nossa mãe- é o vilão, vamos passar anos e anos em terapia falando sobre isso, até que um dia nosso corpo físico morre, subimos para o Astral Superior, encontramos nosso Mentor Espiritual, que senta conosco em um banco naquele lindo jardim, abre um telão e nos diz: vamos examinar algumas de suas vidas passadas?

 Por Mauro Kwitko

terça-feira, 24 de abril de 2012

Como evoluir na terra.

            Um dos maiores entraves à evolução espiritual, que é simplesmente a melhoria das nossas inferioridades, é que o nosso Ego sempre acha que tem razão... Quem tem raiva de alguém, o seu Ego (persona) acredita que tem razão para sentir essa raiva; quem sente mágoa e ressentimento, acredita que são plenamente justificados esses sentimentos; quem é medroso, acredita realmente na força do seu medo; quem é tímido, acredita plenamente em sua incapacidade de manifestar-se; quem é orgulhoso, vaidoso, egocêntrico, acredita realmente em sua superioridade; quem é materialista, acredita firmemente no valor das coisas materiais, e assim por diante.
            Quem veio para melhorar a tendência de sentir raiva precisará de gatilhos que a façam aflorar, por exemplo, um pai agressivo, um irmão implicante, colegas no Colégio que aticem sua raiva e durante a vida terrena irá deparando-se com gatilhos que têm essa finalidade: mostrar que seu Ego ainda tem raiva para curar. O mesmo se aplica para quem reencarnou para lapidar uma tendência congênita de sentir mágoa, de sentir-se rejeitado, sentir-se abandonado, de achar-se superior, de achar-se inferior, etc.
            O antídoto da raiva é o amor, o da mágoa é a compreensão, o do medo é a coragem, o da timidez é a espontaneidade, o do orgulho é a humildade, o do materialismo é o entendimento da reencarnação. Mas o que possibilita que curemos essas crenças negativas é a conscientização de que já viemos para esse Plano terreno com essas características de personalidade em nós e que aqui, no confronto com certas situações específicas de nossa vida, desde a infância, elas vieram à tona. Cada um de nós manifesta aqui o que já trouxe consigo de suas encarnações passadas, positiva e negativamente. Tudo é uma continuação, nós somos o que somos, e aí revelamos nosso grau espiritual.
            Para entendermos bem o que é uma encarnação, devemos saber que o que é inferior em nós, o que veio ser eliminado aqui na Terra, aflora diante dos gatilhos. No Astral Superior, não haviam esses estímulos específicos, necessários, para fazerem aflorar a nossa raiva, a nossa vaidade, a nossa mágoa, a nossa tristeza, o nosso medo, a nossa timidez, mas aqui elas fatalmente aparecem e aí podemos, potencialmente, nos libertar delas.
            Mas, geralmente, ao invés de termos bem claro que são características negativas nossas, congênitas, que nosso Espírito veio curar, passamos a lidar com elas como se tivessem surgido aqui. E pior, algumas vezes culpando outras pessoas (geralmente pai e mãe) e fatos "negativos" da vida por seu surgimento.
            A Psicologia tradicional diz que nós começamos nessa vida e vai procurar, então, lá no "início", quem ou o quê nos estragou... Ela parte de uma base equivocada, que é um início que não é início, pois não começamos nossa vida na infância, nós somos um Espírito e estamos continuando nela uma jornada iniciada há muitíssimo tempo. No dia em que a Psicologia agregar a Reencarnação, ela começará realmente a entender o ser humano e, desse modo, descobrirá que a infância é uma continuação e não um começo e que a nossa personalidade é congênita, nasce conosco.

            Para tomarmos conhecimento do motivo para o qual nosso Espírito reencarnou, precisamos assumir as nossas inferioridades e aceitá-los como nossos, correlacionando os fatos "negativos" que acontecem em nossa vida, da infância até hoje, com a maneira negativa que nós sentimos e reagimos a eles. Aí encontraremos o que viemos aqui fazer, curar em nosso Espírito, pois os fatos são os fatos, mas o que fazem emergir de imperfeito em nós, revela a finalidade de estarmos novamente aqui, o propósito da nossa atual encarnação.

            Evoluir aqui na Terra não é tão difícil, mas necessita que nosso Eu Superior esteja no comando, e aí...


Por Mauro Kwitko - Escritor

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Salve Ogum! Salve Jorge da Capadócia!

Hoje é dia de Ogum - São Jorge


Ogum é um dos orixás mais populares no Brasil. Perdeu, todavia, os atributos de protetor da agricultura e da caça, que passaram a ser identificados exclusivamente com Oxóssi, e tornou-se conhecido sobretudo como deus da guerra, sendo sincretizado na Bahia com Santo Antônio de Pádua e nos outros Estados, especialmente o Rio de Janeiro, com São Jorge. Em função do sincretismo e da forte presença negra entre as tropas brasileiras, esses santos passaram a receber honras militares, o que incluía até mesmo patentes de oficial no Exército e na Marinha, com direito a soldo!

Cabe lembrar que os negros constituíam maioria entre os soldados e marinheiros que lutaram na Guerra do Paraguai. As tropas jamais deixaram de invocar a proteção de Ogum, seja diretamente ao orixá, seja na forma de São Jorge, o que talvez explique algumas expressões presentes nos pontos cantados, como Ogum jurou bandeira nos campos do Humaitá. A hipótese se torna ainda mais forte quando lembramos que Humaitá é o nome de uma localidade onde ocorreu uma das mais importantes batalhas daquela guerra, sendo ao mesmo tempo o nome atribuído à região do mundo invisível - o orum - que se acredita seja a morada de Ogum.

O Santo-Guerreiro vencedor de demanda
 
No que diz respeito ao culto dos orixás, a grande diferença entre o Candomblé, que preserva mais fielmente as raízes africanas, e a Umbanda, resultado do sincretismo com cultos cristãos e ameríndios, é que, nesta última, eles não são mais vistos como seres com atributos humanos, mas como campos de força impessoais que manifestam diferentes facetas da energia divina e dentro do qual atuam entidades dos mais diversos níveis evolutivos, em missões específicas. O Ogum da Umbanda não é mais o violento e destemperado guerreiro africano, que "come cachorro" e "lava-se com sangue". Transforma-se no guerreiro divino, empenhado no combate ao mal, e no vencedor de demandas, que apóia os homens em momentos de dificuldade. Na Umbanda Popular, a identificação de São Jorge com Ogum é uma constante. A própria aparência do orixá se modifica: em vez do akorô, o capacete; em vez do mariuô, o manto e o escudo de guerra.


Nos pontos cantados, o simbolismo de Marte
 
Os pontos (cantigas litúrgicas) dedicados a Ogum revelam, para além da simplicidade e trivialidade de seus versos, um sentido alegórico mais amplo, que tanto remete aos fundamentos da cosmovisão afrobrasileira quanto a inesperadas conexões astrológicas, como veremos a seguir. Analisemos alguns pontos:

Ô Jorge, Ô Jorge,
vem de Aruanda
pra salvar os vossos filhos
no terreiro de Umbanda.
Ogum, Ogum,
Ogum meu pai,
o senhor mesmo é quem diz:
filho de Umbanda não cai.

Aqui, como em muitos outros pontos, Ogum aparece identificado com São Jorge, o santo guerreiro do catolicismo. O simbolismo, aliás, não poderia ser mais adequado: São Jorge veste uma armadura de guerra (a proteção necessária para atuar em ambientes inferiores) e monta um cavalo branco (as forças da matéria e o lado animal da personalidade, já purificados - por isso a cor branca - e colocados a serviço de desígnios elevados). Utiliza a lança e a espada (um símbolo do direcionamento da energia) e consegue vencer o dragão (as forças das trevas).

Jorge, ou melhor, Ogum, vem de Aruanda - termo banto que significa céu ou plano espiritual - para ajudar seus filhos.


Ogum Yara, ou a união do Fogo e da Água

Se meu pai é Ogum
vencedor de demanda
ele vem de Aruanda
pra salvar filhos de Umbanda.
Ogum, Ogum Yara,
salve os campos de batalha,
salve as sereias do mar,
Ogum, Ogum Yara.

Os quatro primeiros versos confirmam as mesmas idéias já expressas nos pontos anteriores, acrescentando mais uma: a de Ogum como vencedor de demandas.

Demanda é termo muito utilizado em terreiros, significando luta entre orixás (que, no plano mítico, representavam as lutas tribais entre nações africanas) e, num sentido mais amplo, desentendimentos, conflitos, obstáculos colocados intencionalmente no caminho do indivíduo e agressões de toda espécie (inclusive as de natureza psicológica ou energética).

A expressão salve os campos de batalha pode causar uma certa estranheza, por sugerir, à primeira vista, um elogio à violência. Refere-se, entretanto, à própria vida, um campo de batalha onde os homens lutam permanentemente para vencer suas tendências inferiores. Como disso depende o crescimento espiritual, a luta é considerada bem-vinda e necessária.

A cultura afrobrasileira, à semelhança da Astrologia, faz referência constante aos quatro elementos da natureza, que seriam assentamentos da energia dos orixás. Por assentamento entenda-se um suporte material, que pode ser orgânico ou inorgânico, de estrutura simples ou complexa, que guarda uma relação de analogia, contigüidade ou semelhança de atributos com princípios de ordem não material, e que, por este motivo, servem de veículo à manifestação destes. Assim, por exemplo, a água dos rios, lagos e oceanos limpa, refresca, acalma, nutre e protege, guardando analogia direta com o modo de atuar de alguns orixás femininos também relacionados à nutrição, a proteção e ao apaziguamento, como as maternais Iemanjá, Oxum e Nanã.

Há orixás profundamente ligados ao elemento Terra e a seus valores, como a estabilidade e a prudência. É o caso de Obaluaiê e de Oxalufã, a manifestação "velha" de Oxalá. Outros identificam-se, no todo ou em parte, com o elemento Ar, como os que regem as florestas e o processo de fotossíntese (Oxóssi é um bom exemplo) ou associam-se com o movimento e a imaterialidade, como os ibejis (as crianças gêmeas), sincretizados no Brasil com os santos católicos Cosme e Damião. Já Ogum é o mais típico e mais puro representante do elemento Fogo. Entretanto, da mesma forma como, na carta astrológica, o regente de um signo de Fogo pode situar-se em signo de outro elemento (um Sol em Capricórnio ou um Júpiter em Libra), o orixá assume, nos mitos que o apresentam, nuances de todos os elementos e atributos de todos os princípios da natureza.

Yara é palavra tupi-guarani que significa senhor, proprietário. Ogum Yara é o Ogum que trabalha em associação com o orixá feminino Oxum, combinando a vibração purificadora do fogo com a das águas de rios e cachoeiras. O ponto faz ainda uma referência a Iemanjá quando fala das sereias do mar, tradução sincrética de entidades da mitologia africana que manipulam energias benéficas existentes no fundo dos oceanos.

O ponto pode ser entendido, então, como uma invocação ou pedido de ajuda a uma certa legião de Oguns, cujos integrantes são capazes de mobilizar, simultaneamente, energias pertencentes aos elementos Fogo e Água.


O sete e a varinha mágica de Ogum

Eu tenho sete espadas
pra me defender,
eu tenho Ogum
em minha companhia.
Ogum é meu pai,
Ogum é meu guia,
Ogum é meu pai,
venha com Deus
e a Virgem Maria.

Ogum tem estreita relação com o número sete, o que é explicado por duas lendas iorubanas. Na primeira, ele aparece como o guerreiro - filho de Odudua, rei de Ifé - que conquista a cidade de Irê e assume o título de Oni (senhor ou rei). Em torno de Irê havia sete aldeias, hoje desaparecidas. Por essa razão, acreditava-se que Ogum fosse composto por sete partes, uma para cada aldeia conquistada. Em iorubano, sete é mejê, de onde resultou a expressão Ogum Mejê (O Ogum que são sete, ou o Ogum composto de sete partes). É a ele, portanto, que o ponto é dedicado.

A outra lenda fala do casamento entre Ogum e Oiá. Ogum tinha uma vara mágica, feita de ferro (metal que lhe está associado), que tinha a propriedade de dividir em sete partes os homens e em nove partes as mulheres que tocasse. Em sua oficina de ferreiro, Ogum confeccionou uma vara igual e deu-a de presente a Oiá. Algum tempo depois, porém, Oiá fugiu com Xangô e foi perseguida pelo furioso marido traído. Quando se encontraram, entraram em combate com suas varas mágicas, dividindo-se Ogum em sete parte e Oiá em nove. Por isso ela é chamada de Iansã, termo composto de duas palavras iorubanas: ou Inhá (mãe) e messan (nove).

Se voltarmos aos mitos do Ares grego, vamos encontrar um de grande interesse. Ares estava sempre em combate com a deusa Atena (assim como Ogum e Oiá). Conta uma lenda que certa vez, ao rebater um golpe de Ares, Atenas tomou uma pedra negra e bateu com tanta força nas costas de Ares que este cambaleou e caiu de forma tal que seu corpo, na queda, cobriu uma área de oitenta e quatro pés quadrados. Ora, 84 é igual a 12 vezes 7. Trata-se de um simbolismo que retrata o percurso turbulento de Marte por todos os signos do zodíaco!

A espada está ligada ao orixá de três formas: por ser guerreiro e caçador, Ogum rege as armas em geral; por ser ferreiro, é fabricante de objetos de metal; e, finalmente, é o orixá regente do ferro, matéria-prima para a maioria das armas. Como símbolo, a espada representa a energia mobilizada e direcionada para cortar o avanço do mal. Basta lembrar uma outra lenda, criada num ambiente bem diferente do que estamos tratando: a história céltica do Rei Artur que, munido da espada mágica Excalibur e sob a orientação de um iniciado, o Mago Merlin, combate as forças malignas acionadas por temíveis feiticeiros. Excalibur é o instrumento do combate da magia branca contra a magia negra. A espada de Ogum tem o mesmo significado.

Cabe observar também que o ferro é o elemento químico essencial para a formação dos glóbulos vermelhos. Da mesma forma como sua carência torna o indivíduo anêmico, a carência da raiz energética de Ogum cria uma espécie de anemia espiritual, ou seja, uma falta de coragem e de disposição para lutar pelo próprio desenvolvimento. É por causa dessa função revitalizadora que Ogum é apresentado nos mitos africanos como o orixá que vem na frente, o pioneiro na tarefa de descer à Terra e acordar os homens. Trata-se, evidentemente, de uma função típica de Áries e Marte.

O orixá mostrado neste ponto não é, certamente, o guerreiro selvagem e violento de alguns mitos iorubanos: é um campo de energias poderosas, mas a serviço de desígnios superiores (ele vem com Deus) e movida pela compaixão com os que sofrem (ele vem com a Virgem Maria).


      Ogum ressurge como São Jorge

Ogum, erga a sua espada,
levante a sua lança
para nos defender.
Nos dê proteção com seu escudo
toda vez que o inimigo nos aborrecer.
Nos cubra com o seu sagrado manto,
sua bandeira tão gloriosa (...)
Atire as patas do seu cavalo
contra o dragão e a serpente venenosa (...)

Típico produto da Umbanda Popular, já distante de qualquer influência africana, o ponto apresenta Ogum na forma sincretizada de santo guerreiro (a bandeira e o manto não são atributos de Ogum, mas de São Jorge). A letra, de cativante ingenuidade, mostra os sentimentos do povo brasileiro em relação ao seu orixá: ele é o herói mítico, o paladino que vem em defesa daqueles que enfrentam as forças do mal.

Nas práticas mais primitivas do sincretismo afrobrasileiro, Ogum muitas vezes é invocado como se fosse uma espécie de guarda-costas celeste, um orixá que, se devidamente agradado, tomará partido em favor do filho de fé e voltará sua fúria contra os inimigos. Essa visão simplista está presente, por exemplo, no comportamento do personagem principal do filme O Amuleto de Ogum, de Nelson Pereira dos Santos, um marginal que recorre à ajuda de um terreiro para que Ogum lhe feche o corpo contra as balas dos inimigos.

As concepções mais elaboradas, entretanto, não vêem o orixá como um ser a serviço dos interesses do homem, nem disposto a tomar partido em seus conflitos. Em essência, as lutas de Ogum processam-se dentro da própria alma, que traz simultaneamente o dragão e a serpente das tendências inferiores assim como o germe da Divindade. Invocar Ogum significa ativar as energias vitais que estão adormecidas na alma, despertar a parcela divina presente em cada ser humano e mobilizar a força necessária para avançar.


A Lua como campo de batalha

Cavaleiro supremo,
mora dentro da lua.
Sua bandeira divina,
manto da Virgem pura.

A lenda de São Jorge, que não tem qualquer origem no culto dos orixás, mas sim no Cristianismo Popular, atribui-lhe o domínio da Lua, onde ele estaria em permanente combate com o dragão. É interessante notar que o símbolo da Lua, do ponto de vista astrológico, não é o desenho da Lua Cheia, mas do Crescente, que é formado por dois semi-círculos. Enquanto o círculo - o Sol - representa o espírito enquanto instância permanente e perfeita, o semicírculo é a alma, ou seja, o espírito ainda submetido às experiências da evolução, aprisionado nas sombras da própria ignorância e no vendaval das paixões ainda não dominadas. A Lua não tem brilho próprio, apenas refletindo a luz do Sol. Da mesma forma, para tomar de empréstimo uma concepção do pensamento hinduísta, a alma que perambula nas experiências de aprendizagem expressa apenas um reflexo provisório de sua verdadeira identidade, que só brilhará de forma pura quando o espírito transcender o ciclo das reencarnações e alcançar os planos mais elevados da absoluta ausência de forma, no mental superior.

Há um ditado do Catolicismo Popular que afirma que Maria é o atalho para Jesus. Da mesma maneira, muitos astrólogos medievais viam a Lua como um caminho para o Sol, assim como, na concepção hinduísta, a vida sob o domínio da emoção e dos sentimentos é a etapa necessária para a vida no plano da criação pura. Voltando aos astrólogos da Idade Média, era comum em textos da época a referência ao mundo sublunar para falar da mutável e inconstante realidade terrena, em contraste com a atemporalidade da perfeição espiritual simbolizada pelo Sol. Em todas as religiões antigas, a Lua e o Sol constituem um casal divino, cujo melhor exemplo é o mito de Ísis e Osíris no Egito. No sincretismo afrobrasileiro, a associação é com Iemanjá e Oxalá, identificados, aliás, com Nossa Senhora e Jesus Cristo.

Mas por que razão Ogum, orixá de conotação nitidamente masculina, assim como São Jorge, santo militar e pertencente a um universo dominado pelos homens, surgem tão freqüentemente relacionados à Lua e aos orixás femininos das águas, como Iemanjá e Oxum? Há, pelo menos, duas explicações possíveis: em primeiro lugar, as demandas que Ogum enfrenta pertencem todas ao domínio das paixões inferiores, como o ódio, a inveja, o ciúme e o egoísmo. A Lua, cuja permanente mudança de fases bem representa a instabilidade da alma humana, é o campo de batalha onde os instintos precisam ser vencidos para que brilhe a natureza solar. Em segundo lugar, podemos lembrar o princípio da complementaridade dos opostos: masculino e feminino são polaridades que não podem existir de forma exclusiva, sem a complementaridade do outro pólo.

Ogum, que carrega consigo tantas qualidades positivamente masculinas, como a força, a coragem, a energia do fogo e a carga de agressividade necessária para qualquer realização, precisa do tempero da receptividade, da doçura, da paciência e da devoção, atributos femininos dos orixás das águas. Sem esse tempero, o resultado é desequilíbrio. Os mitos africanos, ao mostrarem um Ogum guerreiro, violento, destruidor e, ao mesmo tempo, incapaz de compreender a alma feminina (ele perde, sucessivamente, suas esposas para Xangô), não estão falando verdadeiramente do orixá, mas de sua manifestação imperfeita e desequilibrada no próprio ser humano. Na medida em que as qualidades precisam ser integradas e harmonizadas, os conflitos míticos entre os orixás dramatizam exatamente a luta por essa integração interior, na busca da totalidade psíquica.

O Ogum do sincretismo afrobrasileiro, que trabalha harmoniosamente associado a Oxum e Iemanjá, como demonstram os pontos, já expressa, pois, uma concepção mais integrativa do que aquela presente nas lendas iorubanas.

O ponto atribui uma característica feminina à bandeira de São Jorge: não é mais o estandarte de guerra, mas o próprio manto da Virgem. Em todos os pontos em que Ogum aparece associado ao princípio feminino, seja sob a forma da Virgem Maria, de Iemanjá ou de Oxum, o sentido é sempre o da força dirigida pela sabedoria, a energia de luta colocada a serviço da misericórdia. Trata-se de um belo simbolismo que reúne elementos das tradições cristã e iorubana.


          O Santo-Guerreiro nos quatro elementos

Em plena mata virgem
eu vi um cavaleiro
com seu cavalo branco
vindo da macaia.
É nas ondas do mar,
é no clarão da Lua.
Auê, vamos saravar Ogum Mejê,
Saravá Rompe-Mato,
Olha Ogum Beira Mar,
Ogum de Lei.

Macaia é palavra banta, originária do dialeto kikongo (do antigo Congo), significando folhas sagradas. Pode ser traduzida também por mata sagrada (o lugar da mata reservado à realização de rituais) ou, dependendo do contexto, por fumo. No ponto ora em análise, o sentido dos quatro primeiros versos é, então:

Eu estava na mata virgem (território de Oxóssi) quando vi surgir, vindo de seu local mais sagrado (um plano superior), São Jorge em seu cavalo branco (uma entidade de Ogum de grande elevação).

O sentido dos dois versos seguintes já foi explicado no ponto anterior: são as energias de Ogum que surgem mescladas às de Iemanjá.

No sétimo verso, surge a expressão auê, que vem do iorubano àwé, ou seja, meu amigo. É uma saudação amistosa dirigida a desconhecidos e utilizada para todos os orixás. Aparece também o verbo saravar, que é simplesmente o mesmo que salvar, ou saudar, no português estropiado falado pelos primeiros escravos bantos (A palavra é puramente brasileira e não tem nada de africana. Dizer Saravá! é dizer salve!). Em seguida, relacionam-se quatro diferentes manifestações do orixá: Mejê, ou o Ogum que são sete, ligado a Iansã; Rompe-Mato, ou aquele que trabalha ligado a Oxóssi e Ossãe; Beira-Mar, que atua em conexão com Iemanjá; e Ogum de Lei, cujo nome vem do iorubano Delé, o que toca o solo. É o Ogum ligado à terra, ao chão. No mesmo ponto, aparecem, pois, todas as forças da natureza, ou todos os elementos astrológicos:

Ogum Beira-Mar - Marte em signos de Água (Câncer e Peixes).

Ogum Mejê - Marte em signos de Fogo, especialmente Áries - é o Ogum do ferro e das armas, que troca energias com a também guerreira Iansã.

Ogum Rompe-Mato - Marte em signos de Ar, especialmente Libra (a ligação com Oxóssi, um princípio agregador e civilizador, com muitos atributos venusianos) ou Aquário (a conexão com Ossãe, orixá do conhecimento fitoterápico, com muitos atributos do espírito inventivo e científico associado a este signo).

Ogum Delé - Marte em signos de Terra e relacionados com sua natureza estabilizadora, como Touro.


Como o Brasil vive seu Marte
 
As tradições referentes a São Jorge e a Ogum começaram a firmar-se no Brasil ainda no período colonial, o que permite que procuremos o molde astrológico desses cultos no mapa-matriz de todo o período pré-independência: a carta do Descobrimento, que corresponde ao momento em que a esquadra de Cabral fez o primeiro avistamento da terra, ao largo da costa baiana, nas imediações do Monte Pascoal. Em outros artigos, já apresentamos uma versão retificada desta carta para as 16h53 LMT do dia 22 de abril de 1500, com o Ascendente em 28º48' de Libra e o signo de Escorpião interceptado na casa 1 (um signo interceptado é aquele que está totalmente contido dentro de uma casa e sem contato com sua cúspide, ou ponto inicial). A outra hipótese, defendida, por exemplo, por Raul Martinez, seria aquela de um Ascendente Escorpião para o mapa do Descobrimento. Em qualquer das duas versões, a casa 9 (crenças, religiões, ética) apresenta como único ocupante o planeta Marte, no primeiro grau do feminino e lunar signo de Câncer. Marte está em trígono exatamente com a Lua em Peixes, regente de Câncer, e com Urano no último grau de Aquário, posição muito próxima do Ascendente da carta da Independência, da qual este Urano é regente.

Marte em Câncer na casa das crenças e religiões já indica que, desde o alvorecer da formação do país, haveria de impor-se o culto a um princípio marciano - um "deus-guerreiro" - temperado pela natureza maternal da Lua. Do vasto conjunto de santos católicos, aquele que melhor preenchia tais características era exatamente São Jorge em sua concepção de "vencedor de demandas" sob a proteção do estandarte da Virgem Maria (o trígono com a Lua em Peixes). Esta Lua identifica-se também com Iemanjá, a divindade do estuário dos rios da Nigéria, que no Brasil transformou-se em Rainha do Mar (Peixes, signo da vastidão oceânica). A participação de Urano na configuração mostra que tais cultos - a Iemanjá, a Ogum, a São Jorge e a Nossa Senhora - tendiam (e ainda tendem) a gerar uma síntese criativa, apta a afastar-se cada vez mais dos modelos originais e a permitir a formulação de uma expressão religiosa própria, tipicamente nativa, mediante o livre aproveitamento de elementos das raízes européia, africana e indígena. Observe-se que Urano e Lua ocupam a casa 5, da criatividade e também dos afetos. A religiosidade brasileira está vocacionada para um desprendimento das amarras institucionais, ganhando uma dimensão intimista, libertária e afetiva. Aliás, cabe observar também que o Meio-Céu do mesmo mapa está em Câncer e que seu regente, a Lua, encontra-se em Peixes. Sendo dois signos aquáticos e femininos, não é de estranhar que o país tenha como padroeira (um sentido de casa 10) Nossa Senhora Aparecida, uma virgem negra cuja imagem foi encontrada no século XVIII por humildes pescadores no rio Paraíba, na mesma região onde hoje ergue-se a basílica de Aparecida do Norte.

Como toda configuração astrológica comporta expressões positivas e negativas, Marte em Câncer na 9 também fala de combate por questões religiosas e da agressividade com que a Igreja Católica se impôs em alguns momentos da vida colonial, em estreita associação com o poder dos administradores portugueses (trígono com a Lua, regente do Meio-Céu, ponto que simboliza a autoridade do governante). As conversões forçadas, as manifestações de intolerância religiosa e a violência contra índios e escravos em nome da fé também estão no escopo da configuração.

Mas a Igreja Católica teve na colônia, por outro lado, representantes de elevada estatura moral e profundo amor pela terra e sua gente. O exemplo mais evidente foi o do jesuíta José de Anchieta, um doce se bem que enérgico espanhol cuja dedicação a história registrou atribuindo-lhe o título de Apóstolo do Brasil. Anchieta tinha Marte no primeiro grau de Câncer ou nos últimos minutos de Gêmeos (nasceu em 19 de março de 1534, horário desconhecido) e, de todas as formas, em conjunção muito próxima com o Marte do Descobrimento e com a cúspide da casa 9 desta mesma carta. Anchieta utilizava o teatro e a música em seu trabalho de catequese - foi dramaturgo e compositor - o que corporifica outro sentido do trígono entre Marte na 9 e Lua-Urano na 5 na carta do Descobrimento: a associação entre arte e religiosidade durante todo o período colonial. Tal potencial realizou-se tanto através do Catolicismo dominante (basta pensar na arte sacra de Aleijadinho e do padre-compositor José Maurício) quanto dos cultos dos escravos, que resultaram em um manancial de referências estéticas até hoje explorado pela música popular, pela dança e pela pintura.


Conclusões
 
A simbologia astrológica fala de necessidades e de princípios universais, mas cada cultura cria suas próprias formas de manifestar o significado de signos, planetas e casas. Como as culturas são como organismos vivos, onde cada elemento ajusta-se aos demais e responde às necessidades de adaptação ao meio ambiente, as particularidades da formação cultural geram traduções de conteúdos astrológicos que não são absolutamente intercambiáveis, se bem que guardem analogias entre si. Assim, não há como tomar o panteão dos deuses da mitologia greco-romana e encontrar, para cada um, uma correspondência exata nas lendas da Europa cristã, ou na mitologia afro-ameríndia. A lenda de São Jorge, por exemplo, guarda ecos dos mitos relacionados ao Ares grego e ao Marte Romano, assim como os mitos de Ogum encontram ressonância na história do santo cristão. Todos expressam valores de Marte, mas sempre com nuances locais, que respondem às necessidades específicas da comunidade que os cultua.
O Brasil, em 500 anos de história, já elaborou suas próprias sínteses, que são tão ricas do ponto de vista simbólico quanto aquelas originárias da velha civilização grega. Neste sentido, entender o significado de São Jorge e de Ogum para o povo brasileiro é entender também como o princípio simbolizado por Marte é vivenciado nestas paragens tropicais.

Por: Fernando Fernandes.
 
O ARQUÉTIPO DOS FILHOS DE OGUM
Os filhos de Ogum possuem um temperamento um tanto violento, são impulsivos, briguentos e custam a perdoar as ofensas dos outros. Não são muito exigentes na comida, no vestir, nem tão pouco na moradia, com raras exceções.
São amigos camaradas, porém estão sempre envolvidos com demandas. Divertidos, despertam sempre interesse nas mulheres, tem seguidos relacionamentos sexuais, e não se fixam muito a uma só pessoa até realmente encontrarem seu grande amor.