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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Incorporação

1. Objetivo
Este artigo, desenvolvido de forma didática e estruturada, tem como objetivo apresentar aos médiuns, principalmente aqueles que se encontram em fase de desenvolvimento, os Mecanismos da Mediunidade de Incorporação, abordando o tema com a maior abrangência, detalhamento e simplicidade possíveis.

2. Introdução
A Umbanda tem como principal característica em seus fundamentos, a capacidade de trazê-los ao mundo carnal, junto à prática gratuita da caridade, através da manifestação mediúnica mais popularmente difundida como Incorporação.
Assim, entidades e guias que trabalham para e na Umbanda, manifestam-se via fenômeno mediúnico, que produz efeitos físicos (aqueles que as pessoas podem ver).
Tais fenômenos, que serão objeto deste artigo, foram a mola propulsora para a divulgação da Umbanda, além do fato de que a maioria dos médiuns umbandistas são médiuns de incorporação, daí a importância de estudar este tema.
3. Premissas
O caráter despretencioso deste artigo conta com as seguintes premissas de quem toma ciência de seu conteúdo :
• Toda e qualquer informação contida neste artigo tem caráter simplesmente elucidativo, sem a intencão de normatizar ou codificar o tema objeto;
• Alguns sub-temas aqui abordados, deverão ter os seus respectivos aprofundamentos em outras fontes bibliográficas, bem como em outros tipos de fontes idôneas (tradição oral, ensinamentos de mentores e/ou dirigentes)
• Para determinadas definições ou jargões aqui usados, pressupõem-se que o leitor já tenha um certo tipo de contato e conhecimento adquiridos, principalmente sobre a espiritualidade.
4. Tópicos
Os seguintes grandes tópicos serão abordados, à medida que o tema incorporação for sendo esmiuçado ao longo deste artigo :
• Incorporação – Definição
• O Médium e seus corpos
• Mediunidade
5. Incorporação
DEFINIÇÕES
De modo abrangente temos as seguintes definições sobre Incorporação :
A. [do latim incorporatione] – 1. Ato ou efeito de incorporar(-se). 2. O termo incorporação tem sido aplicado inadequadamente à mediunidade psicofônica, pois não tem como dois espíritos ocuparem o mesmo corpo. No entanto, alguns teóricos espíritas afirmam que a incorporação se dá quando o Espírito, ainda que sob o controle do médium, tem a liberdade de movimentar por completo o corpo do mesmo, o que seria também chamado de psicopraxia. (Espiritismo)
B. Ato em que o espírito desencarnado “entra” no corpo do médium para uma interação com os demais encarnados. O espírito do médium cede lugar momentaneamente para o espírito animador. Este sempre permanece no aparelho por algum tempo, sendo totalmente impossível uma incorporação mais duradoura.(Umbanda)
C. Fenômeno físico-espiritual produzido pela conjunção da (1) capacidade espiritual receptiva do médium, (2) das energias do ambiente e a (3) da capacidade de um espírito controlar as variáveis energéticas, produzindo pela aproximação físico-astral dos corpos médium-espírito, a manifestação física, por meio de gestos e palavras, da personalidade e seu modo de expressão do espírito manifestante.(Autor)
5.1. Incorporação
DEFINIÇÃO A
A definição purista espírita (Espiritismo) segue as diretrizes da codificação básica deixada por Allan Kardec que determina que um corpo físico não pode ser ocupado por um espírito que não seja o próprio proprietário, daí não ser possível que um outro espírito “habite”, mesmo que temporariamente um corpo que não seja seu, expulsando ou desalojando o seu verdadeiro dono.
Segundo esta definição, há apenas o mecanismo da psicofonia, em que há uma manifestação pela voz de um espírito, através do aparelho fonético físico de um médium.
Entretanto, o fenômeno da incorporação não tinha sido estudado por Allan Kardec, ele apenas deu linhas mais gerais sobre as manifestações mediúnicas, além disso a incorporação ao ser estudada apresenta facetas e detalhes que ultrapassam o limite estabelecido pela definição da psicofonia, daí não poder ser caracterizada simplesmente como uma categoria de psicofonia.
5.2. Incorporação
DEFINIÇÃO B
A definição mais comum e simplista encontrada nos meios umbandistas diz que a entidade “entra” no corpo físico do médium, assim que este último já tenha se afastado.
Mas, tal definição foi criada mais pelo empirismo (experiência vivenciada e observada, desprovida da teoria) do que propriamente pelo estudo sistemático do fenômeno.
Os mecanismos envolvidos num fenômeno tão complexo como a incorporação e a lógica refutam este simplismo, porque entre tal afastamento do médium e a posterior entrada de um espírito há um intervalo temporal (gap) que, por menor que fosse, criaria o descontrole motor do corpo físico que ficaria “vazio” e se desequilibraria, podendo chegar, por força gravitacional, ao chão.
Há porém, nesta simplificada definição, os fundamentos básicos que explicariam a verdadeira faceta fenomênica da incorporação, e que será objeto deste estudo.
5.3. Incorporação
DEFINIÇÃO C
Através de uma abordagem mais ampla é que foi desenvolvida esta definição. Contém pelo menos três agentes influenciadores neste fenômeno: médium, ambiente e espírito.
Cada um deles será abordado de modo mais detalhado e abrangente.
Destaca-se nesta definição o fato de que a personalidade do espírito atuante é apresentada de modo explícito enquanto ocorre tal manifestação e este ponto é muito importante para dar a credibilidade a todos de que ali não mais está o médium e seus modos, mas um outro ser manifestado, com características próprias e diferentes ao do médium.
Será esta a definição utilizada neste artigo.
6.O Médium
Como ponto inicial, após a preliminar definição, será abordado todo o universo que envolve o médium de incorporação, composto de seus corpos, centros energéticos, órgãos corpóreos, grau de consciência, a preparação para a reencarnação, entre outros sub tópicos.
6.1 Corpos
Qualquer espírito encarnado possui corpos astral, físico, espiritual e mental. Algumas correntes espiritualistas citam vários corpos, o número mais aceito no mundo são de três ou sete corpos.
Para efeito didático, este artigo assume os três corpos mais conhecidos e aceitos:
• Corpo astral ou Perispírito
• Duplo etérico – corpo semi-material e semi-espiritual
• Corpo físico
6.1.1 Corpo Astral ou Perispírito
Este corpo é formado pelo material espiritual encontrado no estágio evolutivo do espírito que o anima e sua forma e consistência são criadas e mantidas pelo padrão vibracional que a mente de seu dono é capaz de produzir.
Além de servir de molde para a construção do corpo físico, é a sede das emoções . Recebe e executa o Carma que são os impulsos programáticos e delineadores, provindos das memórias passadas visando o reajuste dos propósitos e ações da criatura dentro do que determinam os princípios evolutivos, atendendo a necessidade individual de cada ser.
Assim, o perispírito é moldado pela vontade e/ou capacidade que o espírito tem, mas o ambiente em que se encontra também influenciará este molde.
Este corpo é capaz de manifestar, energeticamente, o padrão mental do espírito no corpo físico, somatizando tais estados consciencionais. Razão essa que explica que determinadas doenças ou defeitos físicos possam aparecer em uma pessoa.
6.1.1.1 Corpo Astral ou Perispírito –
OS CHACRAS
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Ilustrações sobre os Chacras, suas localizações, cores e formatos
6.1.1.2 Corpo Astral ou Perispírito –
A AURA
A Aura é uma espécie de membrana energética produzida pelo corpo astral, através dos chacras e que reveste esse corpo. A Aura está a uma distância de alguns centímetros do perispírito.
Através dos pensamentos, ações e sentimentos, um espírito é identificado pelo seu nível evolutivo, pois a aura reflete-se através de padrões das cores. Quanto mais brilhantes e claras as cores, mais demonstra o equilíbrio espiritual, assim como quanto mais apagado a cor da aura, mais materializado se está.
A aura é o elemento responsável pela troca energética entre espírito e o ambiente.
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Ilustrações sobre o Aura, sua localização e padrões vibratórios
6.1.2 Corpo Etéreo
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O Corpo Etéreo ou Duplo Etérico é o corpo constituído de material semi-físico e semi-espiritual, isto é, é constituído de substâncias espirituais materializadas e substâncias físicas sutis.
Ele existe como ponte ou elo de ligação entre os corpos material e espiritual, codificando e decodificando ou materializando e espiritualizando as energias que se movimentam entre os dois planos, o físico e o espiritual.
Este corpo é formado no momento exato da fase inicial da reencarnação de um espírito e é destruído momentos após o desencarne de um espírito.
Seguindo Leis Universais Espirituais, em que todo elemento físico tem a sua contrapartida espiritual,
o Duplo Etérico é a contrapartida do corpo físico.
O Duplo Etérico ao redor do corpo física, feito uma nuvem luminosa (em azul, na ilustração abaixo)
6.1.2.1 Corpo Etéreo
PLEXOS
O Corpo Etéreo efetua a de ligação através de centros energéticos denominados Plexos, que nada mais são que cópias semi-materializadas dos Grandes Chacras. O número de Plexos, portanto, é idêntico ao dos Grandes Chacras, isto é, sete.
Os Plexos atuam diretamente no corpo físico através dos órgãos físicos e seus sistemas (digestivo, coronário, cerebral, sexual, glandular, entre outros).
Plexo
plexo copy
6.1.2.2 Corpo Etéreo
ECTOPLASMA
Este corpo semi-material produz uma substância tambén semi-materail chamada de Ectoplasma, que muitas vezes pode ser vista através de fotos.
Ectoplasma Significa: – (do grego ektos – por fora e plasma – da forma modelar)
O ectoplasma é substância amorfa, vaporosa, com tendência à solidificação e tomando forma por influência de um campo organizador específico a mente dos encarnados e desencarnados. Facilmente fotografado, de cor branca-acinzentada, vai desde a névoa transparente à forma tangível. O Ectoplasma está situado entre a matéria densa e a matéria perispíritica (duplo etéreo), pode ser comparado à genuína massa protoplasmática, sendo extremamente sensível, animado de princípios criativos, que funcionam como condutores de eletricidade e magnetismo, mas que se subordinam, invariavelmente, à vontade do medium, que os exterioriza ou dos Espíritos desencarnados ou não, que sintonizam com a mente mediúnica.O ectoplasma seria substância originária no protoplasma das usinas celulares. O Ectoplasma doado pelo médium depois da moldagem pelo processo de condensação, voltará à sua fonte por mecanismo inverso.(fonte : Centro Espírita Ismael)
O ectoplasma quando produzido é expelido através dos orifícios nasais, auditivos e bocal.
Nota-se que o ectoplasma pode ser utilizado nas manifestações mediúnicas de efeito físico, incluindo curas, cirurgias espirituais, entre outras.
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Ilustrações sobre a materialização do Ectoplasma
6.1.2.3 Corpo Etéreo
CAMPO MEDIÚNICO
Outro elemento importante gerado pelo Duplo Etérico é o Campo Mediúnico, que é uma espécie de Aura mais materializada e com propriedades magnéticas, contendo fluidos próprios e propícios às manifestações mediúnicas.
Quando, em sua preparação cármica para uma nova encarnação, o espírito pré-reencarnante ter escolhido ou sido compelido a melhorar-se pela mediunidade, seus corpos receberão uma camada adicional, o Campo Magnético, que o habilitará à mediunidade. Isto explica o porquê que todas as pessoas ter certo grau de sensibilidade mediúnica, mas nem todas pessoas são médiuns.
Este campo mediúnico permite que o médium sinta/pressinta vibrações sutis em um ambiente ou até mesmo a aproximação de algum espírito.
Este campo tem como propriedades:
- Receptor das energias sutis ambientais ou de espíritos
- Protetor contra investidas de baixas vibrações
- Serve como suporte básico para o desenvolvimento constante da mediunidade
- Reservar substancialmente energias que são utilizadas nos processos mediúnicos, evitando que o médium recorra aos seus estoques comuns de energias.
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Ilustração do Campo Magnético, em volta da aura e do duplo etérico e realizando as funções de proteção e reserva energética.
6.2 Corpo Físico
O corpo físico ou corpo somático é o veículo de expressão de um espírito com o mundo material. É constituído por energia condensada, isto é, energia que vibra em baixíssima freqüência. Este corpo é reflexo direto do corpo espiritual. Assim, qualquer desequilíbrio no corpo astral, o corpo físico refletiria através de doenças, desequilíbrios mentais, desequilíbrios orgânicos, gastos energéticos excessivos, etc.
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O corpo físico é constituído de órgãos que compõe vários sistemas, temos, então, o sistema respiratório, digestivo, ganglionar, etc.
Todo este organismo consome energia e é mantido através de processos respiratórios e alimentares, pelo lado material. Pelo lado espiritual este organismo físico é mantido pelo corpo astral, que envia-lhe energias sutis, através dos chacras ou centros energéticos.
O corpo físico é a manifestação física do espírito, seu padrão vibratório, seu carma e sua condição evolutiva.
É através do vaso carnal, que o espírito encarnado expressa a sua personalidade espiritual, limitada pelo impositivo material, ela tem campo restrito de expansão espiritual. A mediunidade e seus fenômenos propiciam certa ampliação nas percepções do espírito encarnado.
6.2.1. Corpo Físico
SENTIDOS FÍSICOS
O corpo físico é regido pelos cinco sentidos físicos básicos: visão, paladar, olfato, audição e tato.
Ele estaria praticamente limitado às sensações materiais se não existissem ligações com o plano espiritual, através da interação física do vaso físico com os outros corpos mais sutis.
Esta interação produz um sexto sentido ligado à mediunidade, sendo que a mais comum é a intuição que é a capacidade de sentir vibrações, mesmo à distância, sejam elas ligadas a fatos presentes, passados ou futuros. Esta capacidade pode ser mais bem desenvolvida quando a pessoa passa a dar a devida atenção e começar a “ouvir” esta espécie de voz interior que muitas vezes serve como alerta ou bússola nas escolhas a serem feitas.
6.2.2. Corpo Físico
APARELHO FONÉTICO
Um dos principais sistemas físicos existente no corpo, ligada à capacidade comunicativa de uma pessoa é o aparelho fonético. Este é capaz de emitir som, a voz, dando ao espírito encarnado a oportunidade de ser compreendido e interar com as demais pessoas.
Este aparelho, por essa grande capacidade, é um dos instrumentos mais utilizados nas manifestações espirituais, pela facilidade com que os espíritos comunicantes encontram de usá-lo.
Nos mecanismos da incorporação, a comunicação verbal é demasiadamente explorada pela forma simples e descomplicada de trazer as mensagens às pessoas.
6.2.3. Corpo Físico
APARELHO MOTOR
O aparelho motor, constituído principalmente pelos membros superiores (mãos e braços) e inferiores (pernas e pés) possibilita ao espírito encarnado a possibilidade de mover-se, além da capacidade também de expressar-se por gestos e movimentos. Através da locomoção e os gestos, o ser humano tem a capacidade de viver em sociedade e manter relações sociais.
Dentro do fenômeno da incorporação, outro conjunto muito utilizado em consórcio ao aparelho fonético, é o aparelho motor. Este possibilita que um espírito utilize-se do corpo físico de um médium e movimentá-lo, criando condições de expressões e comunicações.
6.2.4. Corpo Físico
GLÂNDULA PINEAL
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No corpo somático, existe uma glândula chamada Pineal, localizada no interior do cérebro, também chamada epífise do encéfalo.
Erroneamente pensa-se que a Pineal possa ser considerada a glândula material que seja o centro da mediunidade.
Mas, a Pineal é um dos pontos físicos importante para a interação entre o mundo material e o espiritual, porque ela converte impulsos eletromagnéticos em estímulos neuroquímicos.
Na mediunidade, esta glândula tem fundamental papel, uma vez que a mediunidade também é um atributo biológico, isto é, os corpos, inclusive o físico, têm preparo adequados para o mediunato.
6.2.5. Corpo Físico
RELAÇÃO ENTRE OS TRÊS NÍVEIS
Abaixo segue a relação existente entre os níveis que compõe o complexo instrumento do ser humano
Nível Espiritual
nivel

7. Mediunidade
Abaixo, algumas definições mais comuns sobre a Mediunidade:
1. Faculdade que a quase totalidade das pessoas possuem, umas mais outras menos, de sentirem a influência ou ensejarem a comunicação dos Espíritos. Em alguns, essa faculdade é ostensiva e necessita ser disciplinada, educada; em outros, permanece latente, podendo manifestar-se episódica e eventualmente.
2. É a faculdade que toda pessoa que sente, em qualquer grau, a influência de espíritos. É, portanto a capacidade de uma pessoa que serve de ponte de comunicação entre o mundo espiritual e material.
3. Natural aptidão para intermediar os Espíritos. É atributo do espírito, patrimônio da alma imortal.
4. A faculdade medianímica prende-se ao organismo; ela é independente das qualidades morais do médium, e é encontrada nos mais indignos como nos mais dignos. Não ocorre o mesmo com a preferência dada ao médium pelos bons Espíritos.
5. A mediunidade existe independentemente das condições morais da pessoa, entretanto, uma boa condição moral, pela lei de afinidade, facilita atrair Espíritos cada vez mais adiantados.
6. É um compromisso de espíritos muitos endividados; é a última chance, na expressão popular. Só se dá remédio melhor ao doente mais grave; à exceção de alguns poucos médiuns, que eu chamaria de raros, cuja vida é apostolar e que vêm na Terra em verdadeiras missões, nós outros, a grande maioria, somos constituídos de espíritos em reabilitação. Então eu diria aos companheiros de luta que a mediunidade é uma terapia que a divindade nos dá para o nosso reequilíbrio. Como somos criaturas muito frágeis sob muitos aspectos e vivemos numa cultura de muitas facilidades, tenhamos cuidado. Quando o médium parece estar ornado de apogeu, de facilidades, está em perigo. Quando ele está com desafios, está no mesmo trilho de Jesus.
(Divaldo P. Franco)
7.1. Mediunidade
CONCLUSÕES
Pelo que pôde ser verificado, conclui-se que:
• Apesar de qualquer pessoa ter certo grau de mediunidade, caracteriza-se como mediunidade aquela que produz de modo ostensivo, fenômenos de natureza espiritual verdadeiros.
• A mediunidade não é um dom que torna aquele que a detém, melhor ou mais poderoso que outras pessoas.
• É um compromisso que espíritos endividados, salvo exceções, assumem para redimir suas faltas, reequilibrando seu ser perante a vida e harmonizando suas energias através do trabalho árduo da mediunidade que é colocar em prática a caridade gratuita.
• Independente do grau de evolução espiritual ou elevação moral, a mediunidade poderá aparecer em uma pessoa.
•A mediunidade está ligada, também, aos aspectos orgânicos de um indivíduo independente de sua crença, raça, idade, classe social ou condição moral.
8. Incorporação
MODELOS SIMBÓLICOS
Este artigo já apresentou a definição da incorporação, os corpos existentes e suas interações e a definição geral de mediunidade. Tudo isso para introduzir conceitos que daqui para frente serão necessários para melhor compreensão dos mecanismos envolvidos na incorporação.
Serão apresentados quatro modelos que tentam explicar, por comparação simbólica o fenômeno da incorporação e para efeito didático, não será abordado neste momento o grau de consciência que existe no médium.
Estes modelos são meras hipóteses que procuram explorar qual seria a complexidade existente nos mecanismos da mediunidade de incorporação.
Em seguida, será discutido qual ou quais dos modelos melhor se adequariam ao processo de incorporação.
O fantoche
A marionete
A luva
O ventríloco
8.1.1. Incorporação
MODELO O FANTOCHE
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Este modelo simboliza a interação entre a (a) entidade manifestante, (b) o médium, (c) seus corpos e (d) as energias manipuladas.
(a) A entidade seria representada pelas mãos humanas da figura ao lado, simbolicamente na parte superior (maior elevação espiritual). Ela é quem faz o fantoche (o corpo do médium) movimentar-se de acordo com sua vontade, inteligência e capacidade.
(b) O médium fica à mercê da vontade da entidade, obedecendo-a mecanicamente.
(c) Os corpos do médium são representados pelo fantoche e sua sombra. O fantoche é o corpo físico e a sombra seria o perispírito afastado.
(d) As energias seriam os fios que unem os chacras da entidade e os corpos do médium. Essas energias fariam contato entre entidade e os chacras, plexos e órgãos do médium.
8.1.2. Incorporação
MODELO A MARIONETE
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Este modelo simboliza a interação bem mais próxima entre (a) a entidade manifestante, (b) o médium, (c) seus corpos e (d) as energias manipuladas.
(a) A entidade seria representada pela mão humana da figura ao lado, ela é quem faz a marionete (o corpo do médium) movimentar-se de acordo com sua vontade, inteligência e capacidade, para tanto, ela “entra” com o seu corpo espiritual, no corpo físico do médium.
(b) O médium fica à mercê da vontade da entidade, obedecendo-a mecanicamente
(c) Os corpos do médium são representados pela marionete. A marionete é o corpo físico e a parte cinza seria o perispírito.
(d) As energias estariam no ponto de contato entre a mão (entidade) e os corpos do médium.
8.1.3. Incorporação
MODELO A LUVA
figura-10.jpg
Este modelo simboliza a interação bem mais próxima entre a (a) entidade manifestante, (c) o corpo físico do médium e (d) as energias manipuladas.
(a) A entidade seria representada pela mão humana da figura ao lado que ocupa o interior da luva, ela é quem faz a luva (o corpo do médium) movimentar-se de acordo com sua vontade, inteligência e capacidade, para tanto, ela “entra” com o seu corpo espiritual, no corpo físico do médium. A mão seria a inteligência e a luvas o meio pelo qual a mão se manifesta.
(b) O médium fica à mercê da vontade da entidade, obedecendo-a mecanicamente
(c) O corpo físico do médium é representado pela luva que se molda à vontade do espírito manifestante.
(d) As energias seriam manipuladas no espaço existente entre a mão e a luva, ou seja, haveria uma interação energética muito próxima entre espírito comunicante e corpo físico do médium.
8.1.4. Incorporação
MODELO O VENTRÍLOCO
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Este modelo simboliza a interação próxima entre a (a) entidade manifestante, (b) o médium, (c) seus corpos e (d) as energias manipuladas.
(a) A entidade seria representada pelo ventríloco que se coloca logo atrás ao corpo físico. Ela colocaria uma de suas mãos (simbolizando certo controle motor) por dentro do corpo físico, exercendo sobre ele, sua vontade.
(b) O médium fica à mercê da vontade da entidade, obedecendo-a mecanicamente
(c) O corpo físico do médium é representado pelo boneco que recebe comandos motores, se movimentando de acordo com a vontade do espírito atuante.
(d) As energias estariam transitando entre o ventríloco (espírito) e o boneco (corpo físico).
8.2. Incorporação
ANALISANDO CADA MODELO
A partir dos modelos hipotéticos apresentados, em que cada um propõe, por meio de simbologia comparativa, explicar o fenômeno da incorporação, este artigo pretende abordar cada modelo determinando pontos favoráveis e desfavoráveis de cada um deles
8.2.1. Incorporação
ANALISANDO CADA MODELO
O fantoche
Este modelo tem como ponto favorável o fato de explicar tanto o fenômeno mediúnico da incorporação (espírito desencarnado manifestado num corpo físico) quanto o outro fenômeno mediúnico denominado de Transe (Orixá manifestando suas características através do uso de um corpo físico) – este fenômeno será abordado em outro tópico, como apêndice, neste artigo para efeito de diferenciação entre incorporação e transe.
Neste modelo não há a “entrada” do espírito no corpo físico do médium, há apenas o uso à distância do corpo físico através da manipulação e ligação energética de duas personalidades (entidade e médium) por meio dos chacras, plexos e órgãos.
Por outro lado, essa distância existente propicia possíveis problemas de comunicação e controle por parte da entidade manifestante, que teria dificuldades em dominar toda a complexidade do fenômeno. Sendo assim, a participação do médium seria fundamental, apesar de afastado ligeiramente, teria ainda certo controle sobre seu corpo físico.
Não havendo a entrada da entidade, não haveria problema para explicar o fato que um corpo físico foi feito apenas para um espírito encarnante. Entretanto, o fenômeno seria equivocadamente chamado de incorporação, já que de fato não existe a incorporação física ou entrada no corpo físico pela entidade.
8.2.2. Incorporação
ANALISANDO CADA MODELO
A marionete
Este modelo tem como ponto principal o fato de mostrar que o espírito manifestante “entra” no corpo físico do médium enquanto que este está afastado. Também demonstra, neste modelo, que as feições faciais e os movimentos motores do corpo físico, passam a ser da entidade.
Como ponto desfavorável, este modelo não consegue explicar que o que acontece entre os momentos de afastamento do médium (e sua posterior perda de controle motor) e a aproximação da entidade (e seu posterior domínio sobre os controles motores do corpo físico “emprestado”).
Tal instante (ou gap) poderia levar à queda do corpo físico ao chão. Também, como fator desfavorável, este modelo contrapõe-se em relação de que um corpo físico só pode ser habitado pelo espírito “dono” e mais ninguém.
8.2.3. Incorporação
ANALISANDO CADA MODELO
A luva
Este modelo tem como característica mostrar que o espírito manifestante “entra” no corpo físico do médium enquanto que este está afastado. Também demonstra, neste modelo, que as feições faciais e os movimentos motores do corpo físico, passam a ser da entidade, significando que o controle é maior do que no modelo Fantoche.
Como ponto desfavorável, este modelo não consegue explicar que o que acontece entre os momentos de afastamento do médium (e sua posterior perda de controle motor) e a aproximação da entidade (e seu posterior domínio sobre os controles motores do corpo físico “emprestado”).
Tal instante (ou gap) poderia levar à queda do corpo físico ao chão. Também, como fator desfavorável, este modelo contrapõe-se em relação de que um corpo físico só pode ser habitado pelo espírito “dono” e mais ninguém.
8.2.4. Incorporação
ANALISANDO CADA MODELO
O ventríloco
Assim como o modelo Fantoche, este modelo tem como característica demostrar que o espírito manifestante não “entra” no corpo físico do médium enquanto existe a incorporação. Ele atua através da ligação chacra-chacra (espírito e médium) dominando de modo imparcial o controle motor do corpo físico. O modelo também sugere que a transmissão do pensamento da entidade através do aparelho fonético do corpo físico do médium é feita como se a entidade estivesse “ditando” as palavras para a mente do médium e este transmitiria isso pela fala, caracterizando que mais de uma modalidade mediúnica estaria presente durante a incorporação: a irradiação intuitiva.
Como ponto desfavorável, este modelo demonstra que a entidade teria controle parcial sobre o corpo físico do médium e nem mesmo as expressões faciais estariam fielmente representando a vontade da entidade.
8.3. Incorporação
CONCLUSÕES PARCIAIS
Pôde-se observar que os modelos hipotéticos não explicam totalmente o fenômeno da incorporação, uma vez que o elemento “grau de consciência mediúnica” não foi considerado neste momento, para efeito de compreensão. Também, esses modelos servem apenas para uma comparação simplista de um processo bem mais complexo que é a incorporação.
Se alguns modelos estiverem mais próximos da realidade que os outros, isso vai depender do nível de interação entidade-médium. Se os modelos Fantoche e Ventríloco forem os mais realistas, pode-se afirmar que não existe a incorporação (entrada do corpo epiritual da entidade no corpo físico do médium), entretanto, como se explicaria as mudanças comportamentais e físicas no corpo físico do médium?
Para responder a esta pergunta, a partir de agora será abordado o tema “grau de consciência mediúnica”.
9. Grau de Consciência Mediúnica
Grau de consciência mediúnica, como definição, é a medição da capacidade do médium sentir, presenciar e participar, de modo consciente (ter ciência de que algo ocorre), de um processo mediúnico e isso depende de inúmeros fatores.
Esta medição tem a seguinte macro-escala:
• Consciência Total
• Semi-consciência ou Consciência Parcial ou Semi-inconsciência
• Inconsciência Total
Nesta macro-escala de consciência, há variantes que determinam estágios intermediários entre um e outro grau, isto é, existem processos de incorporações situados em um ou outro grau de consciência dependendo de diversos fatores influenciadores sobre o fenômeno mediúnico. Estes fatores serão abordados adiante.
Pode-se perceber que não existe uma linha divisória exata entre os três principais graus de consciência, mas sim há interpolação ou interação entre um e outro grau de consciência (zona de interação).
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O dado sobre o percentual apresentado, na figura, foi colhido através da observação do fenômeno sobre o próprio autor e sobre outros médiuns, através da pesquisa de campo ao longo dos anos e de informações colhidas em livros que se dedicaram, de modo sério e metódico, ao assunto.
Percebe-se, portanto, que a maioria das manifestações mediúnicas da incorporação está situada próxima a um grau maior de consciência. Esta afirmação não quer dizer o mesmo que há mais médiuns conscientes do que inconscientes, quer dizer sim que a maioria dos médiuns tem mais incorporações próximas da consciência total do que das inconscientes.
De 85 a 95% de todas as incorporações que ocorrem há certo grau de consciência envolvida, isto é, o médium neste momento está interagindo nas incorporações.
Com isso o artigo quer afirmar que não é o médium que detém o grau de consciência, mas quem detém ou determina isso é o complexo conjunto de fatores envolvidos no fenômeno da incorporação (médium, energias, ambiente, entidade).

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