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domingo, 2 de outubro de 2011

Meus Amigos Pretos-Velhos

Muito se tem falado e ouvido à respeito desses seres amigos e bondosos, que carinhosamente são chamados de Preto-Velho  ou pretas-Velhas  e que se manifestam tanto nos centros espíritas de mesa, como em tendas de Umbanda.
 Um grande equívoco é pensar que todo preto-velho foi negro, ou morreu velho em sua última encarnação, o que muitos sabem não é bem verdade. Existem muitos irmãos que utilizam a aparência de preto-velho, mas nunca foram escravos  em qualquer lugar do mundo. Na verdade essa linha nasce como forma de organização de todo um contingente de espíritos que iriam atuar dentro do movimento umbandista que surgia. As primeiras linhas fundamentadas foram a de caboclo e pretos-velhos. Utilizou-se uma figura mítica já presente dentro da cultura brasileira e criou-se toda uma linha de trabalho, onde todos os seus representantes teriam trejeitos e características similares. Surgia a linha de preto-velho, uma linha transmissora da calma, da sapiência, da humildade, detentora do conhecimento sobre os Orixás e que acima de tudo, falaria ao simples de coração até ao mais erudito doutor, sempre com palavras de amor e espalhando luzes dentro da espiritualidade terrena. e mítica por detrás de cada uma das linhas. 
A ação disciplinadora dos pretos-velhos e das vovós se exerce de modo muito mais sutil, principalmente num sentido mais amplo da disciplina, orientando e aconselhando seus consulentes. É de se ressaltar que a característica do tratamento que essas entidades dão às pessoas é uma grande delicadeza, meiguice, tolerância e simpatia. Há uma tônica efetiva paternalista que envolve o consulente num clima de familiaridade, deixando-o totalmente descontraído para que possa abrir o coração e expor com sinceridade os problemas que o afligem
Mas o trabalho desses abnegados espíritos não se resume apenas em atendimentos nos centros espíritas ou tendas de umbanda. O seu trabalho é ininterrupto, dia e noite, noite e dia .
São incansáveis trabalhadores do astral.
Por trás da aparência simples de um Preto-Velho ou de uma Preta-Velha, há uma sabedoria ancestral camuflada com a postura do velhinho ou velhinha desencarnada. Tamanha é sua sabedoria e humildade, que assim se apresentam para não nos ofuscar com a sua grandeza moral, ou para que não nos sintamos humilhados ou diminuídos diante de tamanha experiência.
São na maioria das vezes, espíritos muito capacitados e experientes, possuidores de uma disciplina mental de causar inveja.
Assim, disfarçados de pais velhos ou mães velhas,ou ainda de vovós, realizam um trabalho em prol da civilização que é pouco conhecido por muitos espíritas e mesmo dos umbandistas.
A bandeira do Preto-Velho é a do AMOR e da CARIDADE, sem preconceitos.
É a união sem fusão, distinção sem separação.
Segundo Eles, do lado de lá da vida, eles são apenas filhos de Deus, parceiros do Criador na construção da Sua obra.
Tanto faz para um espírito elevado atuar como pai-velho numa tenda humilde ou escrever orientação psicografada sob a luz do espiritismo cristão,  desde que o seu trabalho seja em benefício da humanidade e do próximo .
Eles são perfeitos maestros na arte de utilização do potencial energético dos campos naturais do Planeta.
Assim, e muito mais, são os Pretos ou Pretas-Velhas, dóceis, conselheiros, amigos, pacificadores, gentis e humildes.
Muitas vezes, por trás da figura humilde e carinhosa do bom velhinho, como preferem se apresentar, esteja o espírito de um médico muito famoso ou de um renomado cientista, conhecedor da nossa miserabilidade humana, e que, com aquela ternura,vai nos orientando,abençoando e limpando a nossa aura.
Eu, particularmente, tenho um grande respeito e amor a esses negros e negras velhas, tão sábios e tão simples, que em sua forma de se nos apresentar, mostram, sem nada dizer, que a humildade deve ser a base do nosso caráter, da nossa conduta diária, às vezes tão mesquinha e egoista .
Que saibamos tirar lição destes ensinamentos, eliminando de nós a arrogância, o orgulho o embevecimento e a pompa com que temos conduzido a nossa vida, pois esses falsos atributos, de nada valem quando regressarmos à Casa do Pai.
Esta é uma valiosa lição de sabedoria, para aqueles que conseguirem captar a mensagem que silenciosamente nos passam.
A todas as Pretas e Pretos-velhos e Vovós, a minha gratidão, o meu respeito, a minha bênção e o meu carinho.
E Para homenageá-los, deixo aqui este pequeno poema:

Preto Velho não sabe ler,
Preto Velho não é doutor,
Preto-Velho senta no toco,
Ele vira curador.

No seu banquinho singelo,
Com a sua bengala e cachimbo.
A todos vai atendendo,
Com fé, amor e carinho.

Ensina-nos a proteger
Com banho de erva natural,
Para limpar corpo e mente,
E livrar-nos de todo o mal.

São características suas
Paciência e sabedoria,
Rezando, benzendo ou cantando,
Vão desfazendo as magias.

Depois de nos dar a bênção,
E nossas cabeças, com sua essência limpar,
Saímos leves como a brisa,
Ou como uma pluma no ar.

Devotados amigos meus,
Amigos do coração,
Agradeço sempre as bênçãos,
E toda a proteção.

Dilemar Neto

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