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terça-feira, 4 de outubro de 2011

Exus – Os Temidos

Pode-se dizer que o “Bom e Mau” e que o “Bem e Mal”
São faces da mesma moeda jogada no tempo e no espaço.
Laroiê !

Para quem conhece os Exus, deve estar se perguntando o porque o título “Exus – Os Temidos”, é exatamente para chamar atenção para quem não os conhecem, vou mostrá-los no decorrer da matéria que não tem nada que temê-los e sim que é um Orixá Maravilho, um Orixá amigo. Coloquei um trecho acima do Filme Dança das Cabaças, pois no começo do filme ao fazerem as pesquisas do que as pessoas pensam ou sabem sobre Exus, as mesmas mostram medos ou muitas vezes até arrogância, pois elas dizem aquilo que foi implantado pela sociedade.

Esta matéria é para quebrar o sincretismo que foi implantado como “programação” em nosso subconsciente que Orixá Exu é o Mensageiro do Diabo.
Exú – Legbá, Elegbá, Eleguá e Bará

Exu

Palavra em Yorubá Èsú

Sua tradução é Esfera, o simbolismo do círculo é muito antigo e encontrado em várias culturas: ele representa o Infinito, o que não tem começo e nem fim e está em todos os lugares.

Elegbára

Ele é igual a dono, senhor

Agbara é igual a poder (fon do Daomé)

Bará

É Poder

Exú é um Deus da mitologia Yorubá e Afro-Brasileira. É a Divindade mais controversa do panteão Afro-Brasileiro, talvez por ser o mais intrinsicamente humano de todos os Orixás.

Ele é o Mensageiro dos Deuses, seu poder é o de receber e transportar os pedidos e oferendas dos seres humanos ao Orum – Mundo dos Deuses.

É o Senhor do caminhos, das encruzilhadas, das trocas comerciais e de todo tipo de comunicação. Por isso, ele é o movimento inicial e dinâmico que leva à propulsão, ao crescimento e à multiplicação. Não se sabe ao certo sua região de origem na África, porém seu culto é Universal.

Sendo princípio e desordem criativa, Exú também provoca confusão e arma encrencas.

O sincretismo segundo o qual Exú seria o Diabo e/ou Demônio cristão, ganha força aqui no Brasil, mas não começou por aqui, os primeiros colonizadores europeus na África já associavam a Príapo ou viam a encarnação malévola do maniqueísmo cristão.
Desmistificando
Diabo

Palavra latina diábolos, significa Opositor, é uma metáfora. Não é espírito.
Demônio

Palavra que vem do grego daimon, significa unicamente Espírito. Tem o sentido das almas, que podem ser boas ou más.
Satan

Palavra grega que tem a conotação de adversário. Não é espírito, mas são “pecados“, como Orgulho, Inveja, Ciúme, Ganância, etc., que de fato são adversários e opositores nossos, pois entravam nossa evolução espiritual e moral. Em outras palavras, eles são amigos de nosso ego e inimigos de nosso Eu Interior.
Lúcifer

Do latim lux fero igual que traz Luz, que dá Claridade, Luminoso. Não é espírito e muito menos chefe da rebelião dos anjos.

Lúcifer é a inteligência ou intelecto que norteia a rebelião. Aliás, a nossa inteligência norteia tudo em nossa vida, ela é responsável por tudo que fazemos e deixamos de fazer. É o intelecto atuando com o ego, que é muito egoísta, está sempre voltado para o mal que sai de dentro de nós.
Exu, de Mensageiro a Diabo
Sincretismo católico e Demonização do Orixá Exu

Por Reginaldo Prandi

Os primeiros europeus que tiveram contato na África com o culto do Orixá Exu dos Yorubás, venerado pelos fons como o vodum Legba ou Elegbara, atribuíram a essa Divindade uma dupla indentidade – a do Deus greco-romano Príapo e a do Diabo dos judeus e cristãos.

A primeira por causa dos altares, representações materiais e símbolos fálicos do Orixá-vodum, a segunda em razão de suas atribuições específicas no panteão dos Orixás e voduns e suas qualificações morais narradas pela mitologia, que o mostra como um Orixá que contraria regras mais gerais de conduta aceitas socialmente, enquanto não sejam conhecidos mitos Exu que o identifiquem com o Diabo (Prandi, 2001: 38-83).

Atribuições e caráter que os recém-chegados cristãos não podiam conceber, enxergar sem os viés etnocêntrico e muito menos aceitar.

Nas palavras de Pierre Verger, Exu  “tem um caráter suscetível, violento, irascível, astucioso, grosseiro, vaidoso, indecente” de modo que “os primeiros missionários, espantados com tal conjunto, assimilaram-no ao Diabo e fizeram dele o símbolo de tudo que é maldade, perversidade, abjeção e ódio, em oposição à bondade, pureza, elevação e amor de Deus” (Verger, 1999: 119).

Assim, os escritos de viajantes, missionários e outros observadores que estiveram em território fon ou yorubá entre os séculos XVIII e XIX, todos eles de cultura cristã, quando não cristãos de profissão, descreveram Exu sempre ressaltando aqueles aspectos que mostravam, aos olhos ocidentais, como entidade destacadamente sexualizada e demoníaca.

Em 1847 o testemunho de John Duncan, que escreveu: “As partes baixas (a genitária) da estátua são grandes, desproporcionadas e expostas da maneira mais nojenta” (Duncan, 1847, Vol 1: 114).

É de 1857 a descrição do pastor Thomas Bowen, em que é enfatizado o outro aspecto atríbuido pelos ocidentais a Exu: “Na língua yorubá o diabo é denominado Exu, aquele que foi enviado outra vez, nome que vem de Su, jogar fora, e Elegbara, o poderoso, nome devido ao seu grande poder sobre as pessoas” (Bouche, 1885: 120)

Em 1884, publicou-se na França o livro Fétichisme e Féticheurs, de autoria de Padre Baudin um dos argumentos que retrata Exu: chefe de todos os gênios maléficos, o pior deles e o mais temido, é Exu, palavra que significa o rejeitado, também chamado Elegbá ou Elegbara, o forte, ou ainda Ogongo Ogó, o gênio do bastão nodoso. Para se prevenir de sua maldade, os negros colocam em suas casas o ídolo de Olarozê, gênio protetor do lar que, armado de um bastão ou sabre, lhe protege a entrada. Mas, afim de se por salvo das crueldades de Elegbá (Exu), quando é preciso sair de casa para trabalhar, não se pode esquecer jamais de dar a ele parte de todos os sacrificios. Quando um negro quer se vingar de um inimigo, ele faz uma copiosa oferta a Elegbá e o presenteia com umna forte ração de aguardente ou de vinho de palma. Elegbá fica então furioso e, se o inimigo não estiver bem munido de talismãs, correrá grandes perigos.

Escritas como estas durante os tempos criou uma força e veio aos conhecimentos dos brasileiros e permanece até hoje. Transformando-o em mensageiro do Diabo ou o próprio.
Símbolos e Elementos

    Dia da Semana: segunda-feira – é um dia propício para magias e rituais que invoquem paz, fertilidade, harmonia e meditação. A energia lunar do dia favorece novos começos e confere poder.
    Contas: pretas (neutraliza/absorve) e vermelhas (ativa/irradia), reafirmando a energia da contradição de Exu.
    Padê: palavra yorubá que significa Encontro ou Reunião, durante a qual Exu é chamado, saudado, cumprimentado e enviado ao além com a intenção de convocar outros Deuses para a festa e, ao mesmo tempo, afastá-lo para que não perturbe a boa ordem da cerimônia.
    Ogó: bastão de Exu. é um bastão com cabaças que representa o falo. Espécie de cetro mágico com que ele se transporta ao lugares mais longínquos, tem o poder de atrair pelo seu poder magnético. Do yorubá Ògo, “porrete usado para defesa pessoal”.
    Fálo: representa a fertilidade da vida, o poder sexual, reprodutivo e gerativo. Nas “religiões da natureza”, o sexo é um ato sagrado. E se ele é sagrado, seus frutos também são. A noção de pecado original seria uma aberração nesse sistema religioso, além disso, um dos ideais do estilo de vida yorubano era ter uma família numerosa e, portanto, o culto a Exú fazia-se essencial.
    Pedra Yangi: pedra poderosa, vermelha de laterita (laterita cientificamente é o solo cujos elementos principais são o hidróxido de alumínio e o de ferro, tendo as águas pluviais lixiviado a sílica e diversos cátions. Sendo a rocha rica em alumina, a laterita que dela se provier terá o nome de bauxita, o principal minério de aluminio). Pedaços de laterita cravados na terra indicam o lugar de culto à Exu.
    Cabelo de Exu: são presos numa longa trança que cai para trás e forma, em cima, uma crista para esconder a lamina de faca que ele tem no alto do crânio, a trança representa a forma fálica de Exu.
    Tridente: tradicionalmente Divino nas culturas pagãs anteriores ao cristianismo, poir isso a cultura católica fez questão de pregar o inverso, para facilitar a conversão de seus fiéis com que esquecessem os mistérios a que tinham acesso direto. Agora o único acesso a qualquer mistério estaria na mão de um Sacerdote Católico.
    Podemos citar ainda os tridentes de Netuno, Posseidon e Shiva, entre outros. Tridentes mostram o valor Divino concedido a eles; a Trindade – o Alto, o Meio e o Embaixo – Céu, Mar e Terra – Luz, Sombra e Trevas.
    Encruzilhada: cruzamento vibratório, representa a dualidade, a escolha, as possibilidades e o Livre Arbítrio.
    Chifre: e os dez chifres que viste são dez reis, que ainda não receberam o reino, mas receberão o poder como reis por uma hora, juntamente com a besta* (Apocalipse 17: 12)
    * Besta simboliza Reinos
    Representa fertilidade, vitalidade, sabedoria e a ligação com as energias do Cosmo, Símbolo de realeza, Divindade, fartura, honra e respeito. Muitos Deuses antigos como Cornífero, Baco, Pã, Dionísio e Quiron foram representados com chifres. Tanto que na Babilônia o grau de importância dos Deuses era visto em decorrência dos números de chifres a Ele atribuído. Mesmo Alexandre, o Grande, ao declarar Deus e tomar o trono do Egito, encomendou uma pintura sua ornada de chifres. Na tradição judaico-cristã o chifre simboliza força como um Raio de Luz. Michelangelo ao retratar Moisés descendo do Monte Sinai colocou chifres em sua cabeça, simbolizando seu resplendor.
    Chifres também eram usados pelo homem que saia em busca de caça, ao retornar à sua tribo colocava os chifres do animal capturado sobre sua cabeça com a finalidade de demonstrar a todos da comunidade que ele vencera os obstáculos e que graças a ele todo o clã seria nutrido, onde ele era considerado o “Rei”.
    Há dois tipos de chifres:
    Chifre de Boi – voltado para cima, está ligado ao poder da Lua, da noite com sua fertilidade, atribuído a grande Mãe Divina, a Grande Deusa da fertilidade.
    => Chifre de Carneiro – geralmente recurvado, está ligado ao poder do Sol criador da vida, força masculina, coragem e potência.Ainda é possível reconhecer no chifre um princípio masculino e ativo, por sua forma e força de penetração e um princípio feminino e passivo, por sua abertura como um receptáculo.
    

Alguns Nomes dos Exus e Seus Atributos

    Yangi – é o princípio de tudo, a própria memória de Olodunmare, seu criador.
    Agba – o mais velho e, por consequência, o pai, que é retratado no mito em que Orunmila o persegue através dos nove Orun.
    Ojisé Ebò – é o que observa todos os sacríficios rituais e recomenda sua aceitação levando as súplicas a Olodunmare.
    Elegbara – É o todo poderoso que transforma o Mal em Bem, cujo poder reside na transformação das coisas.
    Ona ou Olona – É o Senhor de todos os caminhos.
    Elebò – É o carregador de todos os Ebós.

Alguns Exus cultuados no Brasil:

    Tiriri
    Alaketu
    Akesan
    Lode
    Barabo
    Ijelu
    Bara
    Alajeki
    Marabo

Algumas Lendas de Exus

Peço que leiam com olhar poético, pois a lendas são colocadas para que entendamos as Divindades, ou seja, os Orixás no entendimento humano.
Bará Aprende a Trabalhar com Ogum

Bará era um menino muito esperto,

Todo mundo tinha receio de suas artimanhas,

Ele enganava todo mundo, queria sempre tirar sua vantagem.

Sua mãe sempre o reprendia e o amarrava no portão da casa para ele não ir a rua fazer traquinagens.

Bará ficava ali na porta, esperando alguém se aproximar e então pedia seus favores, fazia suas artes e ali se divertia.

Só deixava passar quem lhe desse alguma coisa.

Sua mãe então chamou Ogum e disse a ele para ficar junto com Bará e dele tomar conta.

Ogum era responsável e trabalhador.

Ogum Avagã sempre ficou morando com Bará.

Juntos eles moram na porta da casa e se dão bem.

Bará continuou um menino danado, mas com Ogum aprendeu a trabalhar.

Agora ele ainda se diverte com todos, mas para todos faz o seu trabalho.

Todos procuram Bará para alguma coisa.

Todo mundo precisa dos favores de Bará.
Exu Ganha o Poder Sobre as Encruzilhadas

Exu não tinha riqueza, não tinha fazenda, não tinha rio,

Não tinha profissão, nem artes, nem missão.

Exu vagabundeava pelo mundo sem paradeiro.

Então um dia, Exu passou a ir à casa de Oxalá.

Ia à casa de Oxalá todos os dias.

Na casa de Oxalá, Exu se distraía,

Vendo o velho fabricando os seres humanos.

Muitos e muitos também vinham visitar Oxalá,

Mas ali ficavam pouco,

Quatro dias, oito dias, e nada aprendiam.

Traziam oferendas, viam o velho Orixá,

Apreciavam sua obra e partiam.

Exu ficou na casa de Oxalá dezesseis anos.

Exu prestava muita atenção na modelagem

E aprendeu como Oxalá fabricava

As mãos, os pés, a boca, os olhos, o pênis dos homens,

As mãos, os pés, a boca, os olhos, a vagina das mulheres.

Durante dezesseis anos ali ficou ajudando o velho Orixá.

Exu não perguntava.

Exu observava.

Exu prestava atenção.

Exu aprendeu tudo.

Um dia Oxalá disse a Exu para ir postar-se na encruzilhada

Por onde passavam os que vinham à sua casa.

Para ficar ali e não deixar passar quem não trouxesse

Uma oferenda a Oxalá.

Cada vez mais havia mais humanos para Oxalá fazer.

Oxalá não queria perder tempo

Recolhendo os presentes que todos lhe ofereciam.

Oxalá nem tinha tempo para as visitas.

Exu tinha aprendido tudo e agora podia ajudar Oxalá.

Exu coletava os ebós para Oxalá.

Exu recebia as oferendas e as entregava a Oxalá.

Exu fazia bem o seu trabalho

E Oxalá decidiu recompensá-lo.

Assim, quem viesse à casa de Oxalá

Teria que pagar também alguma coisa a Exu.

Quem estivesse voltando da casa de Oxalá

Também pagaria alguma coisa a Exu.

Exu mantinha-se sempre a postos

Guardando a casa de Oxalá.

Armado de um ogó, poderoso porrete,

Afastava os indesejáveis

E punia quem tentasse burlar sua vigilância.

Exu trabalhava demais e fez ali a sua casa

Ali na encruzilhada.

Ganhou uma rendosa profissão, ganhou seu lugar, sua casa.

Exu ficou rico e poderoso.

Ninguém pode mais passar pela encruzilhada

Sem pagar alguma coisa a Exu.
Exu Instaura o Conflito Entre Iemanjá, Oyá e Oxum

Um dia, foram juntas ao mercado Oyá e Oxum, esposas de Xangô, e Iemanjá, esposa de Ogum.

Exu entrou no mercado conduzindo uma cabra.

Ele viu que tudo estava em paz e decidiu plantar uma discórdia.

Aproximou-se de Iemanjá, Oyá e Oxum e disse que tinha um compromisso importante com Orunmila.

Ele deixaria a cidade e pediu a elas que vendessem sua cabra por vinte búzios. Propôs que ficassem com a metade do lucro obtido.

Iemanjá, Oyá e Oxum concordaram e Exu partiu.

A cabra foi vendida por vinte búzios. Iemanjá, Oyá e Oxum puseram os dez búzios de Exu a parte e começaram a dividir os dez búzios que lhe cabiam. Iemanjá contou os búzios. Haviam três búzios para cada uma delas, mas sobraria um. Não era possível dividir os dez em três partes iguais. Da mesma forma Oyá e Oxum tentaram e não conseguiram dividir os búzios por igual. Aí as três começaram a discutir sobre quem ficaria com a maior parte.

Iemanjá disse: “É costume que os mais velhos fiquem com a maior porção. Portanto, eu pegarei um búzio a mais”.

Oxum rejeitou a proposta de Iemanjá, afirmando que o costume era que os mais novos ficassem com a maior porção, que por isso lhe cabia.

Oyá intercedeu, dizendo que, em caso de contenda semelhante, a maior parte caberia à do meio.

As três não conseguiam resolver a discussão. Então elas chamaram um homem do mercado para dividir os búzios eqüitativamente entre elas. Ele pegou os búzios e colocou em três montes iguais. E sugeriu que o décimo búzio fosse dado a mais velha. Mas Oyá e Oxum, que eram a segunda mais velha e a mais nova, rejeitaram o conselho. Elas se recusaram a dar a Iemanjá a maior parte.

Pediram a outra pessoa que dividisse eqüitativamente os búzios. Ele os contou, mas não pôde dividi-los por igual. Propôs que a parte maior fosse dado à mais nova. Iemanjá e Oyá não concordaram.

Ainda um outro homem foi solicitado a fazer a divisão. Ele contou os búzios, fez três montes de três e pôs o búzio a mais de lado. Ele afirmou que, neste caso, o búzio extra deveria ser dado àquela que não é nem a mais velha, nem a mais nova. O búzio devia ser dado a Oyá. Mas Iemanjá e Oxum rejeitaram seu conselho. Elas se recusaram a dar o búzio extra a Oyá.

Não havia meio de resolver a divisão.

Exu voltou ao mercado para ver como estava a discussão. Ele disse: “Onde está minha parte?”.

Elas deram a ele dez búzios e pediram para dividir os dez búzios delas de modo eqüitativo.

Exu deu três a Iemanjá, três a Oyá e três a Oxum. O décimo búzio ele segurou.

Colocou-o num buraco no chão e cobriu com terra.

Exu disse que o búzio extra era para os antepassados, conforme o costume que se seguia no Orun.

Toda vez que alguém recebe algo de bom, deve-se lembrar dos antepassados. Dá-se uma parte das colheitas, dos banquetes e dos sacrifícios aos Orixás, aos antepassados. Assim também com o dinheiro. Este é o jeito como é feito no Céu. Assim também na Terra deve ser.

Quando qualquer coisa vem para alguém, deve-se dividi-la com os antepassados. “Lembrai que não deve haver disputa pelos búzios.”

Iemanjá, Oyá e Oxum reconheceram que Exu estava certo. E concordaram em aceitar três búzios cada.

Todos os que souberam do ocorrido no mercado de Oió passaram a ser mais cuidadosos com relação aos antepassados, a eles destinando sempre uma parte importante do que ganham com os frutos do trabalho e com os presentes da fortuna.
Exu Recebe Ebó e Salva um Homem Doente

Havia um homem que tinha muitos discípulos. Um dia, quando esse homem adoeceu, mandou seus discípulos a todas as partes do mundo em busca de quem pudesse curá-lo. Mas, mesmo tendo feito o ebó como lhe indicaram, todos os abandonaram. Exu, porém, que recebera o ebó disse-lhe: Levanta-te e segue diante de mim, que vou te escorando por detrás, até chegar aos pés de quem possa te salvar nesta emergência. E assim, Exu o ajudou a chegar até Orunmilá, que não o desprezou no pior momento de sua vida e que o curou.


Sincretismos
Hermes

É um Deus da mitologia grega, mensageiro dos Deuses, era através dele que os Imortais tratavam com os mortais.

Conta-se que Hermes era extremamente inteligente e, assim que nasceu, saiu escondido de seu berço e correu para roubar o gado do irmão Apolo (Deus da razão, medicina, da música e poesia). Então escondeu o gado numa caverna e voltou ao berço como se nada tivesse acontecido. Quando descobriu o roubo Apolo o levou a Zeus, que o obrigou devolver os animais. No entanto, Apolo ficou encantado com o som do instrumento que Hermes havia inventado –  A Lira – e ofereceu o gado em troca da lira e do caduceu. Mitólogos modernos o consideram um Deus-trickster, um Deus que faz intrigas e “apronta” peripécias quando tudo parece estar em ordem. É também o Deus dos ladrões, do comércio e das trocas, dos viajantes e dos caminhos.
Príapo

É o Deus grego da fertilidade, filho de Dionísio e Afrodite. Sua imagem é apresentada como um homem idoso, mostrando um grande órgão genital (ereto).
Shiva

É um Deus (Deva) Hindu, o Destruidor. Shiva é o destruidor, que destroi para construir algo novo, motivo pelo qual muitos chamam de Renovador ou Transformador, está intimamente associado ao fogo e o tridente que aparece nas ilustrações de Shiva é o trishula. É com essa arma que ele destrói a ignorância nos seres humanos. Suas três pontas representam as três qualidades dos fênomenos: Tamas – a Inércia, Rajas – o Movimento e Sattva – O Equilíbrio.
Santo Antônio de Pádua

Fernando mais conhecido como Santo Antônio, nasceu em 1195, e era de família rica, estudou em sua cidade natal Lisboa e formou-se padre, aos 25 anos trocou a Ordem de Santo Agostinho pela Ordem dos Franciscanos. Seu sonho era tornar-se missionário na África. Na nova congregação, adotou o nome de frei Antônio.

Antônio viveu os seus últimos 05 anos de sua vida em um convento em Pádua, na Itália, onde morreu em 13 de Junho de 1231, com apenas 36 anos. Por isso é chamado de Santo Antonio de Pádua, mas em Portugal recebe o nome de Santo Antônio de Lisboa. Muito querido até pelo Papa Gregório IX, que o apelidara de “A Arca do Testamento”, pelo conhecimento que tinha pela Bíblia, Antônio foi canonizado um ano após sua morte. E sua festa é comemorada no dia de sua morte, em 13 de Junho

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