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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

É triste dizer adeus

                                         


É triste dizer adeus,
mas às vezes é necessário.
Não podemos prender a
nós definitivamente as pessoas
que amamos para suprir nossa
necessidade de afeto.


O amor que ama,
aprende a libertar.


Procuramos ganhar tempo
para tudo na vida.
Mas a vida,
quando chega no próprio limite,
despede-se e é esse último
adeus que é difícil de compreender e,
mais ainda, aceitar.


Possuímos um conceito
errado do amor.
Amar seria,
no seu total significado,
colocar a felicidade do outro
acima de tudo,
mas na realidade é a nossa
felicidade que levamos
em consideração.


Queremos os que amamos
perto de nós porque isso
nos completa,
nos deixa bem e seguros.
E aceitar que nos deixem é a
mais difícil de todas as coisas.


Não dizemos sempre que
queremos partir antes de
todos os que amamos?


Isso é para evitar nosso
próprio sofrimento,
nossa própria desolação.
É o amor na sua forma egoísta.


Aceitar um adeus definitivo
é uma luta.


Se as perdas acontecem
cedo demais ou de forma inesperada,
o sentimento de desamparo
é muito maior e a dor
mais prolongada.

É o incompreensível casando-se
com o inaceitável e o tudo
rasgando a alma.


Essas dores poderão se acalmar,
mas nunca se apagarão.
Mas quando a vida chega ao
final depois de primaveras e
primaveras e outonos
e mais outonos,
nada mais justo que o repouso
e aceitar a partida é uma forma
de dizer ao outro que o amamos,
apesar da falta que vai fazer.


Não podemos prender
as pessoas a nós para ter
a oportunidade de dizer tudo
o que queremos ou fazer
tudo o que podemos por elas.


De qualquer forma,
depois que se forem,
sempre nos perguntaremos se
não poderíamos ter dito ou
feito algo mais.


Mas essas questões
são inúteis.

O amor que ama integralmente
não quer ver o outro
sofrer e ele abre mão dos
próprios sentimentos para que
o destino se cumpra,
para que a vida siga seu curso.


As dores do adeus são as
mais profundas de todas.
Mas elas também amenizam-se
com o tempo e um dia,
sem culpa, voltamos a sorrir,
voltamos a abrir a janela
e descobrimos novamente
o arco-íris da vida.


Depois da tempestade
descobrimos um dia novo
e o sol brilha de
maneira diferente.


E talvez seja assim
que aprendemos a dar
valor à vida,
aos que nos cercam;
aprendemos a viver de forma
a não ter arrependimentos
depois e aproveitar ainda
mais cada segundo vivido em
companhia daqueles que
nosso coração ama.



Letícia Thompson

--

Que Deus nos abençoe sempre.

                                                          

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