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terça-feira, 13 de setembro de 2011

A Geração de Oxóssi e Omolu

Oxóssi foi gerado por Olorun na sua matriz geradora da fartura e, co­mo ele não ficou muito tempo dentro dela, sua aparência é a de um jovem ágil e expedito, tanto no raciocínio quan­to nos movimentos.
Ele, por gerar os fatores supridor e fornecedor, entre muitos outros, ainda na morada interior de Olorun, sempre supria as realidades dos de­mais Orixás com o que nelas faltava.
É ágil e expedito, pois vagareza e acomodação não o agradam nem um pouco.
Oxalá, sabendo como ele era, no­meou-o Orixá responsável pela identi­ficação e exploração das novas reali­dades que eram geradas por Olorun, que não pára de gerá-las.
Oxóssi é um genuíno “batedor”, aque­le que vai na frente fazendo o levantamento de todo campo a ser atravessado e apontando o melhor caminho, os perigos possíveis, etc.
Por ser ágil e expedito, conquis­tou rapidamente a simpatia de todos os outros Orixás, especialmente a de Yemanjá, que vivia (e ainda vive) recorrendo a ele para quase tudo o que precisa em sua realidade.
Tanto isso é verdade, que ele é o único Orixá que pode entrar a hora que quiser na realidade regida por ela e nunca sai molhado, pois apren­deu com ela como entrar nas águas sem se molhar e como caminhar den­tro delas sem afundar.
Dentro das águas todos nadam, enquanto Oxóssi anda!
Inclusive, segundo o mais bem in­formado dos Orixás, Exu, Oxóssi leva para Yemanjá uma planta aquática toda vez que entra em sua realidade, deixando-a cada vez mais verdejante.
Mas, isso ele faz sempre que entra em alguma realidade e, segundo Exu, o hábito dos humanos de presentea­rem a quem visitam foi herdado de Oxóssi, que jamais chegou diante de uma mãe Orixá sem uma flor, um fruto ou uma planta ornamental.
Também revelou esse informadís­simo Orixá que existem algumas reali­dades vegetais que, de tão densas, só mesmo Oxóssi não se perde dentro delas, pois é dotado de um sentido de direção ímpar, e jamais se perde, tan­to em vegetações ralas quanto em matas fechadíssimas.
Inclusive, e aí creia quem quiser, ele revelou-nos que Oxóssi recolhe-se no centro das matas virgens por­que, no âmago gerador delas vivem as Ninfas dos vegetais, que são mais belas que as mais belas flores, e que se abrem, ou melhor, abrem os bra­ços esfuziantes quando ele as visita, en­vol­vem-no com seus encantos e só o soltam quando ele conta para elas como tudo está indo e o que há de novo na morada exterior de Olorun.
Não sabemos se essa informação procede ou não, pois ninguém conse­gue acompanhar ou seguir os rastros de Oxóssi, de tão ágil que ele é em seus deslocamentos. Mas, que há al­guma coisa que o agrada no meio das “matas virgens”, disso ninguém du­vida.

Pai Rubens Saraceni

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