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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Ação Mágica e Ação Religiosa

Então, para esclarecer de uma vez por todas essa dúvida vou ser didático, porque à partir deste esclarecimento creio que muitas outras dúvidas serão sanadas.  Comecemos por esses pontos:
Ação ou ato religioso é aquele on­de o poder divino flui e manifesta-se de dentro para fora das pessoas neces­sitadas de auxilio e amparo.
Ação ou ato mágico é aquele onde o poder divino flui de fora para dentro das pessoas necessitadas de auxilio e amparo.
Também existe uma terceira ação que é mista ou de dupla ação e tanto age de dentro para fora quanto de fora para dentro das pessoas necessitadas de auxilio e amparo e denominada ação mágica-religiosa.
Após isso vamos a outro ponto que deve ser esclarecido e que refere-se ao duplo aspecto que tudo o que existe possui e que são os lados interno e ex­terno. Esse duplo aspecto começa em Deus e alcança até a matéria.

Senão, então vejamos:

Deus possui em si um lado ou as­pecto interno, inerente à sua própria na­tureza divina que é impenetrável e incog­noscível para nós, os espíritos, uma vez que somos emanações dele, que é nosso Divino Criador.
Sabemos que, enquanto espíritos, provimos dele, mas não sabemos como essa geração acontece “dentro” dele pois isso e tudo o mais que existe é gerado dentro desse lado interno, impe­netrável e indevassável e sequer imagi­nável por nós sobre a forma como acon­tece.
Mas Deus possui seu lado ou aspec­to externo, lado esse que pode ser pers­crutado, identificado, estudado e apre­en­dido por nós, os espíritos criados por Ele. Observando e estudando o lado ex­­- ter­­no de Deus descobrimos suas ações ou atos criadores na origem de tudo, desde nós mesmos até a matéria.
Foi essa possibilidade de observar e estudar os aspectos ou o lado externo de Deus que levou a humanidade a des­cobrir a existência das divindades e de um plano ou dimensão divina as criação, ha­bitado só por seres divinos, plano esse que nos é inacessível porque somos espíritos.
A partir da existência dos dois “la­dos” da criação, um interno e outro ex­terno, e da existência desse duplo as­pec­to em tudo o que Deus criou podemos comentar as diferenças entre ações má­gicas e religiosas.
O fato é que toda a ação religiosa se realiza de “dentro para fora” e toda ação mágica se realiza de “fora para dentro”.
Explicando melhor, toda ação reli­gio­­sa realiza-se através do lado interno da Criação e de tudo e de todos criados por Deus.
E toda ação mágica realiza-se atra­vés do lado externo interno da Criação e de tudo e de todos criados por Deus.
Com isso entendido, falta dife­ren­ciar as ações propriamente ditas, para reconhecer qual é uma e qual é a outra.

Vamos a alguns exemplos de ações mágicas e religiosas:

1º - Uma pessoa vai a um centro de Umban­da e ao con­sultar-se com um Guia es­pi­ri­tual, este, após ouvir com aten­ção os pro­ble­mas ou pedidos de aju­da recomenda-lhe que vá até um dos pon­tos de for­ça da na­tureza e faça uma ofe­renda para determi­nado Orixá pois só assim será auxiliado.
Essa é uma ação mágica porque a ajuda virá através da oferenda feita na natureza, à qual o Orixá invocado ati­va­­­rá e desencadeará uma ou várias ações “de fora para dentro” da pessoa.
2º - Uma pessoa vai a um centro de Umbanda e o guia consultado reco­menda-lhe que comece acender velas de determinada cor para um Orixá e depois colocar-se em concentração por determinado tempo.
Essa ação é religiosa porque du­ran­te a concentração, o Orixá firmado atuará por “dentro” da criação e por “dentro” da pessoa trabalhando o lado interno dela desequilibrado devido a al­guma ação mágica negativa que desar­monizou-a internamente ou devido a seus próprios sentimento negativos, que a negativaram em um ou alguns sen­tidos.
Temos aí duas ações onde a pessoa fez duas coisas parecidas, mas ao ir à natureza e fazer uma oferenda para determinado Orixá a pessoa ativou no ponto de forças do Orixá invocado um “campo” mágico a partir do qual será ajudada.
Essa ação vem “de fora” (da natu­reza) para dentro da pessoa (sua vida), auxiliando-a através do seu lado exter­no.
Já no exemplo da vela acesa e con­sagrada para o mesmo Orixá dentro de sua casa e a concentração, recolhi­men­to e isolamento, essa é uma ação religio­sa, porque o Orixá invocado tanto atua­rá pelo lado de dentro da Criação em be­nefício da pessoa, quanto atuará à partir do íntimo dela (o seu lado de den­tro), pois só assim reequilibrará os seus sentidos desequilibrados e só à partir do seu recolhimento, concentra­ção e isolamento momentâneo poderá rearmonizar suas fa­cul­dades men­tais e o seu mag­netismo, recali­brando seu cam­po magnético e ree­nergizando e for­tale­cendo seus cam­pos vibra­tórios, facil­mente traba­lha­­dos de dentro para fo­ra mas de difícil recalibra­gem quando a ação é de fora para dentro, já que a maio­­ria desses de­se­quilíbrios são inter­nos.
Existe uma gran­de difi­­culdade em diferen­ciar uma ação mágica de uma ação religiosa mas sempre é possível perceber as diferenças.

Vamos a mais dois exemplos:

1º - Uma pessoa vai a um centro e o Guia espiritual, recomenda-lhe tome um banho de descarrego feito com fo­lhas de ervas, ou com flores e etc.
Essa é uma ação mágica o “banho” irá remover suas sobrecargas ener­géticas com uma ação de fora (o banho) para dentro (o espírito da pessoa).

2º - Uma pessoa vai a um centro e o Guia recomenda-lhe que faça um “ama­ci” na força de determinado Orixá.
No dia acertado e após certo res­guar­do alimentar e comportamental a pessoa volta ao centro e o dirigente dele, ou um médium graduado aplica-lhe o amaci e manda que recolha-se em sua casa e só retire-o da “coroa” no dia seguinte.

Essa ação é religiosa porque o amaci é aplicado em seu chacra coronal ou no seu “ori” e irá inundar seu lado interno com uma energia elemental consagra­da, imantada e vibracionada pelo Orixá invocado que a manipulará através do lado de dentro da pessoa necessitada desse tipo de auxílio interno ou religioso.

- Um banho de ervas é um ato mágico.

 - Um amaci de ervas é um ato religioso.


Um atua de fora para dentro e outro atua de dentro para fora, certo?


Vamos a mais um exemplo:

1º - Uma pessoa vai a um centro pa­ra receber um passe, ou seja, uma ação do Guia Espiritual para ela.

2º - O Guia vê o problema da pessoa e pega seu nome em um papel ou sua fotografia e “cruza-a” e a coloca em seu ponto riscado ou sob os pés de uma imagem “entronada” no altar do centro, desencadeando na vida da pessoa uma ação de dentro para fora, pois tanto o seu ponto riscado está ativado dentro do campo religioso do Orixá sustentador do Cen­tro quan­to todo altar é um portal para o lado divino da Criação.

Nos dois casos, (o ponto riscado do Guia e o altar) toda a ação, ainda que pa­reça mágica, é na verdade religiosa porque o auxílio vira diretamente do “lado de dentro” da Criação e através do Orixá sus­ten­­tador do centro.
No primeiro exemplo a pessoa rece­be com o passe uma ação mágica (será descarregada e trabalhada) por fora.
No segundo exemplo a pessoa será au­xiliada por dentro e será traba­lhada internamente pois o passe ou o descarrego não alcança seu “lado de dentro” e sim, efetua-se em seu espírito e seus campos vibratórios.
Só pelos exemplos que demos já se tem uma idéia de como é complexo o campo religioso e o magístico.
Saibam que a Umbanda serve-se dos dois tipos de ação para auxiliar as pessoas que os freqüentam assim como aos seus médiuns, que também são auxiliados se seguirem à risca as orientações dos seus Guias Espirituais que ora recomendam-lhe acender em casa uma vela para determinado Orixás ou anjo da guarda e ora recomendam-lhe fazer uma oferenda na natureza, ou que tome um banho de ervas, etc.
Por isso muitos a classificam como uma religião mágica, pois nela estão bem ostensivos os dois lados da criação e os dois lados de uma mesma coisa, sendo que um lado é o religioso, ou o interno; e o outro lado é o magístico ou externo.
Esperamos ter fundamentado as práticas de Umbanda, tanto as internas quanto as externas.


Pai Rubens Saraceni.

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