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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Depressão

A depressão é tão natural no ser humano quanto o amor.
Isso porque a depressão, a revolta e o sofrimento estão relacionados ao amor às coisas, às pessoas, às situações ou a um ideal. Mas, no fundo, o que realmente estamos amando é a nós mesmos mais do que aos outros, isso porque quando amamos alguém ou algo sempre esperamos um retorno, mesmo inconscientemente. Só que nossa mente disfarça esse egoísmo de várias formas. Quando esse retorno não vem - e uma hora ele não virá - sofremos, e uma das formas de sofrimento é a depressão.
O budismo veio para resolver de vez as causas do sofrimento.
Então, por que ele não é ensinado nas escolas?
Porque o apego é a força motora da sociedade. Seja no trabalho, seja na família.
Mas será que o cristianismo, tão difundido no ocidente (e ensinado nas escolas) não poderia resolver?
Sim, e o verdadeiro cristianismo (que não é ensinado nas escolas) nos ensina, assim como o budismo, que estamos perdidos correndo atrás de ilusões, deixando o mundo fenomênico nos guiar quando deveria ser a nossa consciência o verdadeiro paradigma moral e social.
Mas só o que aprendemos nas escolas e Igrejas é que Jesus morreu para nos salvar. Puxa, será por isso que o tema da Caverna de Platão também é pouco explorado nas escolas e faculdades?
Pode apostar que sim.
Então, por que manter esse status  e sofrer com a depressão, o "mal do século"? Porque o importante é ter sucesso, ganhar dinheiro e ser popular... e sempre existem as drogas para preencher o vazio.
Isso mantém a economia em funcionamento, que é o único motivo pelo qual nós, formiguinhas, estamos aqui.
A depressão pode envolver questões genéticas (pais a avós com tendência), psicológicas (idade avançada, fatos traumáticos), sociológicas (pressão da família, da sociedade), hormonais e fisiológicas (menopausa, depressão pós-parto, falta de sono). Mas também pode envolver questões espirituais, como apego, obsessão e culpa de coisas feitas em vidas passadas. É disso que vamos tratar agora.
Todos nós já tivemos muitas vidas, já conhecemos muita gente e já fizemos muitas besteiras (e também coisas boas, claro).
Estamos aqui tanto para continuar aprendendo a viver com nossos semelhantes como pra saldar nossas dívidas para com quem ofendemos. Viemos para nos harmonizar com o mundo. Inclusive com os barbeiros no trânsito, coisa que eu acho que nunca conseguirei... Harmonizar-se não quer dizer se tornar um deles, mas conviver pacificamente com eles, apesar deles. Um yogue estará longe da iluminação se algum dia ele não perceber que precisa descer do Himalaia e conviver com a poluição, o trânsito, os aproveitadores, tudo fruto indireto da sua omissão ao isolar-se e não utilizar sabiamente os talentos que a vida lhe deu. Buda fez isso. Jesus, Gandhi, Madre Tereza, Chico Xavier, Sai Baba (Tá certo que não precisamos ser tão abnegados quanto eles, mas foi só pra ilustrar a idéia). O fato é que em outras vidas provavelmente compramos brigas com muita gente vingativa, ou deixamos pessoas em situações espirituais difíceis, ou vários corações partidos para trás, e nossa consciência (em algum nível) clama por resolver essas pendengas. E assim a consciência culpada pode vir a sabotar a nós mesmos, nesta vida, pra compensar algo do passado, seja num aleijão, ou numa situação social, econômica ou sentimental adversa, etc. E a depressão acompanha, como um indicativo da culpa.
Se um homem fala ou age com uma mente impura, o sofrimento acompanha-o, tal como a roda de um carro segue o animal que o puxa.
(Buda)

Pode-se ter a obsessão, onde a pessoa (inconscientemente) se permite ser obsediada (também por culpa), podendo levar a quadros de loucura com internação. Por incrível que pareça, ainda acontece muito de negros escravos procurarem seus antigos "senhores" para ajustar contas, seja nascendo na família para reclamar por tudo o que lhe foi negado ou tirado, ou obsediando do lado de lá. Lembrem que, para a mente humana na espiritualidade, 500 anos pode não significar nada.
Se no passado você desgraçou a vida de uma pessoa, e se hoje você está genuinamente arrependido, geralmente você vai aproveitar uma vida em que você tenha condições materiais para construir e pavimentar uma vida decente para essa pessoa, redimindo assim (em sua consciência) seus erros para com ela, por mais que essa pessoa lhe odeie. Essa pessoa pode vir como seu filho, como aquele amigo que todo mundo sabe que não presta mas você o ajuda assim mesmo, ou como aquela garota pela qual você é fascinado, que lhe despreza e mesmo assim você não suporta que falem nada de ruim dela (e, se preciso for, você se atira na lama pra ela passar). É tudo uma questão de balanço... Se você foi muito pra um extremo, tende a ir para o outro na tentativa desesperada de compensar.
Mas não há nada melhor que o equilíbrio.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Loucura Eu?

É interessante como nos dias de hoje, apesar da forma de expressão estar mais aberto, ainda é considerado Loucos ou Loucura o que não é Normal, ou seja tudo que se faz fora do Padrão, como por exemplo seguir determinada religião, utilizar adornos e roupas, ou mesmo pensar de maneiras diferente dos “outros”, dificuldades na aprendizagem ou gênio,  já é considerado anormal.
Fico pensando, de como me expresso e sou hoje, seria uma forte candidata em determinadas épocas a ser internada ou até perseguida e morta (se isto já não aconteceu). Então, mesmo para o século 21, eu não deixo de Ser Louca ! rsrsrs
Para confirmar o que disse acima, segundo a psicologia a Loucura ou Insânia é uma condição da mente humana caracterizada por pensamentos considerados “anormais” pela sociedade. É resultado de doença mental, quando não é classificada como a própria doença. A verdadeira constatação da insanidade mental de um indivíduo só pode ser feita por especialistas em psicopatologia.
Algumas visões sobre loucura defendem que o sujeito não está doente da mente, mas pode simplesmente ser uma maneira diferente de ser julgado pela sociedade. Na visão da lei civil, a insanidade revoga obrigações legais e até atos cometidos contra a sociedade civil com diagnóstico prévio de psicólogos, julgados então como insanidade mental.
Porém, a loucura não foi sempre considerada doença mental. O filósofo, historiador e psicólogo Michel Foucault, no livro “A História da Loucura”, propõe que este conceito é antes uma construção social do que resultado de uma anomalia cerebral. Este pensamento é compreensível ao analisarmos as diferentes sociedade, as maneiras diversas como elas lidam com o ambiente e a forma de se portarem.
Um xamã de uma tribo indígena que conversa com espíritos ancestrais é aceito e também cultuado dentro de sua cultura. Quando deslocado para o ponto de vista da cultura ocidental contemporânea capitalista, este homem será julgado como alvo de surtos psicóticos.
Percebam que ele é o mesmo homem, mas suas atitudes serão interpretadas de maneiras totalmente diferentes de acordo com o meio em que ele está inserido.
Podemos inumerar diversos casos em que uma determinada ação é aceita dentro de um contexto, enquanto que em outro é totalmente repudiada. Comer com pauzinhos pode parecer loucura para um brasileiro quando se existem talheres. Assim como possuir uma festa com a duração de uma semana, com ocorrência de uma vez ao ano, em que todas as práticas sexuais e libidinosas são não somente aceitas, mas como também incentivadas pelos meios de comunicação, poderá parecer loucura para um protestante do norte da Europa.
A loucura é então determinada pelas condições históricas e locais. Trazendo um exemplo que muitos leitores possam conhecer é o fato de muitos médiuns sofrem com preconceito, recebendo diversas classificações patológicas como “esquizofrênicos” ou “histéricos”. Não digo que não exista uma disfunção cerebral que possa causar alucinações. Mas como podemos negar o fato que essas pessoas são felizes em seu meio e encontram uma utilidade para suas vidas? Será justo trancarmos em manicômios, ou criticar por suas condutas, todas as pessoas que se dizem possuidoras de contatos com entidades de outros planos, em nome da Ciência, para definharem infelizes como loucos e renegados da sociedade?
Ou será mais justo e respeitoso se dermos a esse ser humano o direito de praticar suas crenças, desde que não invada o campo do outro ou atente contra os direitos humanos?
O conceito de loucura não irá somente variar em questão de espaço, como também dentro da mesma sociedade em diferentes tempos.
Na Europa, durante o Renascimento, o louco tinha direito de viver solto nas cidades e era visto como detentor de um saber esotérico que guardava as verdades secretas do Universo. Exemplo desta tradição é o nosso conhecido Arcano 0 (zero) do Tarô, que representado pelo Louco, se refere à loucura como uma busca errante da verdade.
Com o advento do Iluminismo e a busca pela Verdade Última das Coisas, a loucura é vista como oposta à razão, ou seja, contra os conceitos de verdade ou moralidade. O próprio Descartes afirma que podemos encontrar a verdade até nos sonhos, mas jamais na loucura.
Na Época Clássica os loucos são expulsos da vida social, junto a demais proscritos, como sodomitas, prostitutas, feiticeiros e alquimistas.
A Psiquiatria surge algum tempo depois com a proposta de classificar, enquadrar e “curar” a loucura, considerando sintomas como sinais de um distúrbio orgânico. Freud tem um papel importante nesta história ao discutir a questão da normalidade x patologia. Na Psicanálise, o que distingue o normal do anormal é uma questão de grau e não de natureza, isto é, nos indivíduos “normais” e nos “anormais” existem as mesmas estruturas de personalidades, apenas em intensidade diferentes.
Mas afinal, o que é Normal?
A idéia de normalidade é muito mais uma questão de matemática estatística do que de saúde.
Viver a vida na busca doentia por dinheiro e status social é normal em nossa sociedade. Mas é extremamente patológico.
O atual paradigma da ciência impõe rótulos, e ao impormos uma classificação, nós restringimos o universo de alguém. Você pode chamar uma Criança de Hiperativa e enchê-la de remédios ou pode chamar uma Criança de Ativa e colocá-la para praticar esportes. Você pode dizer que um jovem tem Deficiência de Aprendizagem e enchê-lo de remédios ou pode ¹Descobrir a Dificuldade dele e introduzir novos métodos de ensino mais adequados a sua situação especial.
¹Meu filho de 08 anos, esta com dificuldades de aprendizagem, e em vez de ignorar ou enchê-lo de remédios, ele está passando em avaliações numa associação para descobrir qual é a sua dificuldade.
Existe um padrão de comportamento exigido pela sociedade, e todos aqueles que fogem da média são considerados desviantes da normalidade.
O saber científico e suas técnicas surgem comprometidos com o interesse de alguns grupos em manter a ordem social. Anestesia-se ou retira-se a legitimidade do discurso do indivíduo que contesta esta ordem, transformando-o em louco (trecho original em Psicologias – uma introdução ao estudo da psicologia. Vários autores).
Quando poderá tornar-se realmente loucura?
No momento que esta pessoa reprime suas atitudes, não se aceitando, para acompanhar o que lhe foi imposto para seguir o padrão da sociedade, pode sim, agravar-se e virar mesmo o estado esquizofrenia, depressão, etc.
Algumas Pessoas Consideradas Loucos

    Sócrates

    Chico Xavier

    Albert Einstein

    Raul Seixas

    Paulo Coelho

    Aleister Crowley

    Osho

    Dr. Bezerra de Menezes

    Jesus Cristo


Todos aqueles que contribuíram para nosso Espiritual, os que trazeram descobertas e avanços através da ciência, os que revolucionaram épocas como os hippies foram Verdadeiros Loucos, perante a sociedade.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O Ferreiro

Havia um ferreiro numa vila que após uma vida de excessos resolveu consagrar sua vida a Deus. Durante muitos anos, procurou realizar caridade, cumpria com seus deveres, mantinha seus valores morais. Mas, apesar de todo este esforço e dedicação nada parecia dar certo em sua vida, pelo contrário, dívidas cresciam e acumulavam-se, brigas constantes, etc.
Uma bela tarde, um amigo que o visitara, e que se compadeceu de sua situação difícil, comentou:
- É realmente estranho que justamente depois que você resolveu se tornar um homem temente a Deus, sua vida começou a piorar. E ele continuou:
- Não desejo enfraquecer sua fé, mas apesar de toda a sua crença espiritual, parece que nada tem melhorado.
O ferreiro não conseguiu respondê-lo imediatamente, mas sentia que necessitava dizer algo para o amigo. Ele já havia meditado no assunto várias vezes e se colocado a mesma questão. Entretanto sentia que algo de maior atuava e baseando-se nisso respondeu:
- Eu recebo em minha oficina o metal, aço, que ainda não foi trabalhado e preciso transformá-los em espadas. Você sabe como faço isso? Primeiro aqueço o metal num calor absurdo, até que fique, vermelho. Em seguida golpeio com meus martelos mais pesados para dar-lhe a forma desejada. Logo depois mergulho a peça no balde de água fria e a oficina inteira se enche com o barulho do vapor. Repito estas ações até que obtenha a espada perfeita. Uma vez não é suficiente.
O ferreiro deu uma longa pausa e continuou:
- As vezes o aço que chega até minhas mãos não consegue suportar o tratamento… o calor, as marteladas, água fria, acabam por gerar rachaduras nele. E eu sei que ele não dará uma boa espada. Então eu simplesmente o coloco num monte de ferro velho que tenho em frente a minha oficina.
O ferreiro fez outro longa pausa e terminou:
- Sei que Deus está me colocando no fogo das aflições, tenho aceito as marteladas que a vida me dá, e às vezes, sinto-me tão frio e insensível como a água fria que faz sofrer o aço. Mas a única que coisa que peço em minhas orações é que Deus não desista de mim e continue até que eu tome a forma que ele espera de mim. E que jamais desista de mim e me coloque na pilha do ferro velho de almas.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

27 de setembro – hoje é dia de Cosme e Damião

 São a alegria que contagia a Umbanda. Descem nos terreiros simbolizando a pureza, a inocência e a singeleza. Seus trabalhos se resumem em brincadeiras e divertimentos. Podemos pedir-lhes ajuda para os nossos filhos, resolução de problemas, fazer confidências, mexericos, mas nunca para o mal, pois eles não atendem pedidos dessa natureza.
São espíritos que já estiveram encarnados na terra e que optaram por continuar sua evolução espiritual através da prática de caridade, incorporando em médiuns nos terreiros de Umbanda. Em sua maioria, foram espíritos que desencarnaram com pouca idade (terrena), por isso trazem características de sua última encarnação, como o trejeito e a fala de criança, o gosto por brinquedos e doces.
Assim como todos os servidores dos Orixás[bb], elas também tem funções bem específicas, e a principal delas é a de mensageiro dos Orixás, sendo extremamente respeitados pelos caboclos e pelos pretos-velhos.
É uma falange de espíritos que assumem em forma e modos, a mentalidade infantil. Como no plano material, também no plano espiritual, a criança não se governa, tem sempre que ser tutelada. É a única linha em que a comida de santo (Amalás), leva tempero especial (açúcar). É conhecido nos terreiros de Nação e Candomblé, como (ÊRES ou IBEJI[bb]). Na representação nos pontos riscados, Ibeji é livre para utilizar o que melhor lhe aprouver. A linha de Ibeji é tão independente quanto à linha de Exu.
Ibeijada, Erês, Dois-Dois, Crianças, Ibejis, são esses vários nomes para essas entidades que se apresentam de maneira infantil.
No Candomblé, o Erê, tem uma função muito importante. Como o Orixá não fala, é ele quem vem para dar os recados do pai.
É normalmente muito irrequieto, barulhento, às vezes brigão, não gosta de tomar banho, e nas festas se não for contido pode literalmente botar fogo no oceano. Ainda no Candomblé[bb], o Erê tem muitas outras funções, o Yaô, virado no Erê, pode fazer tudo o que o Orixá não pode, até mesmo as funções fisiológicas do médium, ele pode fazer. O Erê muitas vezes em casos de necessidade extrema ou perigo para o médium, pode manifestar-se e trazê-lo para a roça, pegando até mesmo uma condução se for o caso.
Na Umbanda mais uma vez, vemos a diferença entre as entidades/divindades. A Criança na Umbanda é apenas uma manifestação de um espírito cujo desencarne normalmente se deu em idades infanto-juvenis. São tão barulhentos como os Erês,  embora alguns são bem mais tranqüilos e comportados.
No Candomblé, os Erês, tem normalmente nomes ligados ao dono da coroa do médium. Para os filhos de Obaluaiê, Pipocão, Formigão, para os de Oxossi, Pingo Verde, Folinha Verde, para os de Oxum, Rosinha, para os de Yemanjá, Conchinha Dourada e por ai vai.
As Crianças da Umbanda tem os nomes relacionados normalmente a nomes comums, normalmente brasileiros. Rosinha, Mariazinha, Ritinha, Pedrinho, Paulinho, Cosminho, etc…
As crianças de Umbanda comem bolos, balas, refrigerantes, normalmente guaraná e frutas, os Erês do Candomblé além desses, comem frangos e outras comidas ritualisticas como o Caruru, etc… Isso não quer dizer que uma Criança de Umbanda[bb] não poderá comer Caruru, por exemplo. Com Criança tudo pode acontecer.
Quando incorporadas em um médium, gostam de brincar, correr e fazer brincadeiras (arte) como qualquer criança. É necessária muita concentração do médium (consciente), para não deixar que estas brincadeiras atrapalhem na mensagem a ser transmitida.
Os meninos são em sua maioria mais bagunceiros, enquanto que as meninas são mais quietas e calminhas. Alguns deles incorporam pulando e gritando, outros descem chorando, outros estão sempre com fome, etc… Estas características, que às vezes nos passam desapercebido, são sempre formas que eles têm de exercer uma função específica, como a de descarregar o médium, o terreiro ou alguém da assistência.
Os pedidos feitos a uma criança incorporada normalmente são atendidos de maneira bastante rápida. Entretanto a cobrança que elas fazem dos presentes prometidos também é. Nunca prometa um presente a uma criança e não o dê assim que seu pedido for atendido, pois a brincadeira (cobrança) que ela fará para lhe lembrar do prometido pode não ser tão  engraçada  assim.
Poucos são aqueles que dão importância devida às giras das vibrações infantis.
A exteriorização da mediunidade é apresentada nesta gira sempre em atitudes infantis. O fato, entretanto, é que uma gira de criança não deve ser interpretada como uma diversão, embora normalmente seja realizada em dias festivos, e às vezes não conseguimos conter os risos diante das palavras e atitudes que as crianças tomam.
Mesmo com tantas diferenças é possível notar-se a maior características de todos, que é mesmo a atitude infantil, o apego a brinquedos, bonecas, chupetas, carrinhos e bolas, como os quais fazem as festas nos terreiros, com as crianças comuns que lá vão a busca de tais brinquedos e guloseimas nos dias apropriados. A festa de Cosme e Damião[bb], santos católicos sincretizados com Ibeiji, à 27 de Setembro é muito concorrida em quase todos os terreiros do pais.
Uma curiosidade:  Cosme e Damião foram os primeiros santos a terem uma igreja erigida para seu culto no Brasil. Ela foi construída em Igarassu, Pernambuco e ainda existe.
As festas para Ibeiji, tem duração de um mês, iniciando a 27 de setembro (Cosme e Damião) e terminando a 25 de outubro, devido a ligação espiritual que há entre Crispim e Crispiniano com aqueles gêmeos, pela sincretização que houve destes santos católicos com os ibejis  ou ainda  erês  (nome dado pelos nagôs aos santos-meninos que têm as mesmas missões.
Nas festas de ibeiji, que tiveram origem na Lei do ventre-Livre, desde aquela época até nossos dias, são servidos às crianças um  aluá  ou água com açúcar (ou refrigerantes adocicados no dia de hoje), bem como o caruru (também nas Nações de Candomblés[bb]).
Não gostam de desmanchar demandas, nem de fazer desobsessões. Preferem as consultas, e em seu decorrer vão trabalhando com seu elemento de ação sobre o consulente, modificando e equilibrando sua vibração, regenerando os pontos de entrada de energia do corpo humano.
Esses seres, mesmo sendo puros, não são tolos, pois identificam muito rapidamente nossos erros e falhas humanas. E não se calam quando em consulta, pois nos alertam sobre eles.
Muitas entidades que atuam sob as vestes de um espírito infantil, são muito amigas e têm mais poder do que imaginamos. Mas como não são levadas muito a sério, o seu poder de ação fica oculto, são conselheiros e curadores, por isso foram associadas à Cosme e Damião, curadores que trabalhavam com a magia dos elementos.

Magia Da Criança

O elemento e força da natureza correspondente a Ibeji são… todos, pois ele poderá, de acordo com a necessidade, utilizar qualquer dos elementos.
Eles manipulam as energias elementais e são portadores naturais de poderes só encontrados nos próprios Orixás que os regem.
Estas entidades são a verdadeira expressão da alegria e da honestidade, dessa forma, apesar da aparência frágil, são verdadeiros magos e conseguem atingir o seu objetivo com uma força imensa, atuam em qualquer tipo de trabalho, mas, são mais procurados para os casos de família e gravidez.
A Falange das Crianças é uma das poucas falanges que consegue dominar a magia. Embora as crianças brinquem, dancem e cantem, exigem respeito para o seu trabalho, pois atrás dessa vibração infantil, se escondem espíritos de extraordinários conhecimentos.
Imaginem uma criança com menos de sete anos possuir a experiência e a vivência de um homem velho e aindagozar a imunidade própria dos inocentes. A entidade conhecida na umbanda por erê[bb] é assim. Faz tipo de criança, pedindo como material de trabalho chupetas, bonecas, bolinhas de gude, doces, balas e as famosas águas de bolinhas -o refrigerante e trata a todos como tio e vô.
Os erês são, via de regra, responsáveis pela limpeza espiritual do terreiro.

Origem de  Doum


Este personagem material e espiritual surgiu nos cultos Afros quando uma macamba (denominação de mulher, na seita Cabula) dava a luz a dois gêmeos e, caso houvesse no segundo parto o nascimento de um outro menino, era este considerado Doum[bb], que veio ao mundo para fazer companhia a seus irmãos gêmeos.
Foram sincretizados com os santos que foram gêmeos e médicos, tem sua razão na semelhança das imagens e missões idênticas com os  erês  da África, mas como faltava doum , colocaram-no junto a seus irmãos, com seus pequenos bastões de pau, obedecendo à semelhança dos santos católicos[bb], formando assim a trindade da irmanação.
Dizem também, que na imagem original de S. Cosme e S. Damião, entre eles (adultos) havia a imagem de uma criança a qual eles estavam tratando, daí para sincretizarem Doum com essa criança, foi um pulo…


Onde Moram as Crianças

A respeito das crianças desencarnadas, passamos a adaptar um interessante texto de Leadbeater, do seu livro  O que há além da Morte .
A vida das crianças no mundo espiritual é de extrema felicidade. O espírito que se desprende de seu corpo físico com apenas alguns meses de idade, não se acostumou a esse e aos demais veículos inferiores, e assim a curta existência que tenha nos mundos astral e mental lhe será praticamente inconsciente. Mas o menino que tenha tido alguns anos de existência, quando já é capaz de gozos e prazeres inocentes, encontrará plenamente nos planos espirituais as coisas que deseje. A população infantil do mundo espiritual é vasta e feliz, a ponto de nenhum de seus membros sentir o tempo passar. As almas bondosas que amaram seus filhos continuam a amá-los ali, embora as crianças já não tenham corpo físico, e acompanham-nas em seus brinquedos ou em adverti-las a evitar aproximarem-se de quadros pouco agradáveis do mundo astral.
Quando nossos corpos físicos adormecem, acordamos no mundo das crianças e com elas falamos como antigamente, de modo que a única diferença real é que nossa noite se tornou dia para elas, quando nos encontram e falam, ao passo que nosso dia lhes parece uma noite durante a qual estamos temporariamente separados delas, tal qual os amigos se separam quando se recolhem à noite para os seus dormitórios. Assim, as crianças jamais acham falta do seu pai ou mãe, de seus amigos ou animais de estimação, que durante o sono estão sempre em sua companhia como antes, e mesmo estão em relações mais íntimas e atraentes, por descobrirem muito mais da natureza
de todos eles e os conhecerem melhor que antes. E podemos estar certos de que durante o dia elas estão cheias de companheiros novos de divertimento e de amigos adultos que velam socialmente por elas e suas necessidades, tomando-as intensamente felizes.
Assim é a vida espiritual das crianças que desencarnaram e aguardam, sempre felizes, acompanhadas e protegidas, uma nova encarnação. É claro que essas crianças, existindo dessa maneira, sentem-se profundamente entristecidas e constrangidas ao depararem-se com seus pais, amigos e parentes lamentando suas mortes físicas com gritos de desespero e manifestações de pesar ruidosas que a nada conduzem.

O conhecimento da vida espiritual nos mostra que devemos nos controlar e nos apresentar sempre tranqüilos e seguros às crianças que amamos e que deixaram a vida física. Isso certamente as fará mais felizes e despreocupadas.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

A Escolha é Sua





Você já ouviu alguma vez falar de livre-arbítrio?
Livre-arbítrio quer dizer livre escolha, livre opção.
Em todas as situações da vida, sempre temos duas ou mais possibilidades para escolher.
E a cada momento a vida nos exige decisão. Sempre temos que optar entre uma ou outra atitude.
Desde que abrimos os olhos, pela manhã, estamos optando entre uma atitude ou outra. Ao ouvir o despertador, podemos escolher entre abrir a boca para lamentar por não ser nosso dia de folga ou para agradecer a Deus por mais um dia de oportunidades, no corpo físico.
Ao encontrarmos as pessoas no trabalho, podemos resmungar qualquer coisa, ficar calado, ou desejar, do fundo da alma, um bom dia.
Já na faculdade ou no colégio, podemos optar entre ficar de bem com todos ou buscar o isolamento, ou, ainda, contaminar o ambiente com mau humor.
Conta um médico, que trata de pacientes com câncer, que as atitudes das pessoas variam muito, mesmo em situações parecidas.
Diz ele que duas de suas pacientes, quase da mesma idade, tiveram que extirpar um seio por causa da doença. Uma delas ficou feliz por continuar viva e poder brincar com os netos, a outra optou por lamentar pelo seio que havia perdido, embora também tivesse os netos para se distrair.
Quando alguém o ofende, você pode escolher por revidar, calar-se ou oferecer o tratamento oposto. A decisão sempre é sua.
O que vale ressaltar é que todas as ações terão uma reação correspondente, como conseqüência. E essa ação é de nossa total responsabilidade.
E isso deve ser ensinado aos filhos desde cedo. Caso a criança escolha agredir seu colega e leve alguns arranhões, deverá saber que isso é resultado da sua ação e, por conseguinte, de sua inteira responsabilidade.
Tudo na vida está sujeito à lei de causa e efeito: para uma ação positiva, um efeito positivo; para uma ação infeliz, o resultado correspondente.
Se você chega ao trabalho bem humorado, alegre, radiante, e encontra seu colega de mau humor, você pode decidir entre sintonizar na faixa dele ou fazer com que ele sintonize na sua.
Você tem ainda outra possibilidade de escolha: ficar na sua.
Todavia, da sua escolha dependerá o resto do dia. E os resultados lhe pertencem.
Jesus ensinou que a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória.
Pois bem, nós estamos semeando e colhendo o tempo todo. Se semeamos sementes de flores, colhemos flores; se plantamos espinheiros, colheremos espinhos. Não há outra saída.
Mas o que importa mesmo é saber que a opção é nossa. Somos livres para escolher, antes de semear. Aí é que está a justiça divina.
Mesmo as semeaduras que demoram bastante tempo para germinar, um dia terão seus frutos. São aqueles atos praticados no anonimato, na surdina, que aparentemente ficam impunes. Um dia eles aparecerão e reclamarão colheita.
Igualmente, os atos de renúncia, de tolerância, de benevolência, que tantas vezes parecem não dar resultados, um dia florescerão e darão bons frutos e perfume agradável. É só deixar nas mãos do jardineiro divino, a quem chamamos de Criador.

Pense nisso!
A hora seguinte será o reflexo da hora atual.
O dia de amanhã trará os resultados do dia de hoje.
É assim que vamos construindo a nossa felicidade ou a nossa desdita, de acordo com a nossa livre escolha, com nosso livre-arbítrio. Ore sempre antes de tomar qualquer escolha, peça a Deus força e sabedoria.
 
Jeferson Queiroz

domingo, 25 de setembro de 2011

Tá chegando a hora!!!


Começam as comemorações! Começam as festas! Começam ser  servidas as guloseimas!
É isso mesmo, começa um dos festejos mais envolvente, vibrante e “permitido” de nossa Umbanda. É a Festa de Cosme e Damião, de Erês, da Ibejada e das Crianças.
Mencionei a palavra “permitido” pois, assim como a festa de Iemanjá que acontece no final e no início do ano, percebo a diversidade de pessoas que, independente de suas crenças religiosas, participam dessa festa. São crianças, kardecistas, católicos, não religiosos, pessoas que normalmente não frequentam o terreiro, que nem sabem ou entendem o que é Umbanda muito menos o que representa essa Linha, mas que nesse dia, como tudo fica diferente, tudo fica mais colorido, mais leve e mais gostoso, não deixam de participar dessa festa e levar para casa muitos doces, balas e bexigas cheias de Axé.
Percebo também que muitas pessoas imaginam que as “Crianças” que se manifestam em nossos terreiros sejam realmente crianças que desencarnaram cedo, muitos ainda acham que o desencarne foi doloroso e que estão se manifestando nos terreiros em dia de festa para receberem presentes, para ver pessoas, enfim, para “curtir” a festa.
Mas isso não é bem assim, a Linha de Erês, Ibeji ou a Linha das Crianças da Umbanda é composta por Entidades iluminadas, por espíritos adultos que se plasmam, que se “vestem” como crianças para gerar a energia de alegria, pureza, doçura e irmandade, qualidades que muitas vezes estão distantes do mundo dos adultos, dos sérios e responsáveis. Também se manifestam nessa Linha os Encantados, considerados os Mensageiros, normalmente são as crianças mais quietas, mais sensíveis, que falam baixo, que se assustam facilmente, que trabalham mais energéticamente, afinal como encantados manipulam de forma potencializada as energias elementais realizando maravilhosas curas no corpo astral dos consulentes e do próprio médium.
Essa Linha é sincretizada pelo catolicismo com “COSME E DAMIÃO”. Gêmeos nascidos em 270 que, como médicos e cristãos, praticavam a medicina gratuitamente em socorro aos pobres, crianças, mulheres ou qualquer pessoa necessitada. Realizavam muitas curas milagrosas, mas sempre falavam e se referenciavam a Cristo e em nome de Cristo.
Dioclesiano, imperador da época, não tarda em persegui-los, pois Roma não tolerava o cristianismo que ameaçava expandir. Por fim, os gêmeos foram presos, torturados, acusados de prática de curandeirismo e decapitados em 303.
Contam que o imperador, ao tocar a cabeça dos mártires, recuperou milagrosamente o movimento de um dos braços paralisado desde uma antiga batalha.
No culto de Nação, “as crianças” estão ligadas ao ORIXÁ IBEJI (nação Ketu) ou VUNJI (nação Angola e Congo), que simboliza alegria, fertilidade e inocência. Uma das funções desse orixá é cuidar das crianças desde bebê até a adolescência.
Na Nigéria o nascimento de gêmeos era motivo de comemoração no povoado. A mãe e as crianças eram homenageadas e saiam para as ruas para festejar e receber presentes. Os gêmeos eram considerados pelos pais uma garantia de sorte e de fortuna.
Por serem considerados gêmeos, são associados ao princípio da dualidade, o que indica a contradição, os opostos que caminham juntos. Ibeji mostra que todas as coisas, em todas as circunstâncias, têm dois lados e que a justiça só pode ser feita se as duas medidas forem pesadas, se os dois lados forem ouvidos.
Por serem considerados crianças, são ligados a tudo que se inicia e nasce: a nascente de um rio, o nascimento dos seres humanos, o germinar das plantas etc. Importante refletir que não podemos falar em nascimento sem pensar na morte.
Há, entre tantas lendas, uma em especial que narra como os gêmeos dominaram e deteram a Morte.

Leiam a lenda “Os Ibejis enganam a Morte” contada por Reginaldo Prandi em seu livro Mitologia dos Orixás e entendam um pouco mais essa concepção:

Os Ibejis enganam a Morte

Os Ibejis, os Orixás gêmeos, viviam para se divertir.
Não é por acaso que eram filhos de Oxum e Xangô.
Viviam tocando uns pequenos tambores mágicos,
que ganharam de presente de sua mãe adotiva, Iemanjá.
Nessa mesma época, a Morte colocou armadilhas
em todos os caminhos e começou a comer todos os humanos
que caíam na suas arapucas.
Homens, mulheres, velhos ou crianças,
ninguém escapava da voracidade de Icu, a Morte.
Icu pegava todos antes de seu tempo de morrer haver chegado.
O terror se alastrou entre os humanos.
Sacerdotes, bruxos, adivinhos, curandeiros,
todos se juntaram para pôr um fim à obsessão de Icu.
Mas todos foram vencidos.
Os humanos continuavam morrendo antes do tempo.
Os Ibejis, então, armaram um plano para deter Icu.
Um deles foi pela trilha perigosa
onde Icu armara sua mortal armadilha.
O outro seguia o irmão escondido,
acompanhando-o à distância por dentro do mato.
O Ibeji que ia pela trilha ia tocando seu pequeno tambor.
Tocava com tanto gosto e maestria
que a Morte ficou maravilhada,
não quis que ele morresse
e o avisou da armadilha.
Icu se pôs a dançar inebriadamente,
enfeitiçada pelo som do tambor do menino.
Quando o irmão se cansou de tocar,
o outro, que estava escondido no mato,
trocou de lugar com o irmão,
sem que Icu nada percebessse.
E assim um irmão substituía o outro
e a música jamais cessava.
E Icu dançava sem fazer sequer uma pausa.
Icu, ainda que estivesse muito cansada,
não conseguiu parar de dançar.
E o tambor continuava soando seu ritmo irresistível.
Icu já estava esgotada
e pediu ao menino que parasse a música por uns instantes,
para que ela pudesse descansar.
Icu implorava, queria descansar um pouco.
Icu já não aguentava mais dançar seu tétrico bailado.
Os Ibejis então lhe propuseram um pacto.
A música pararia,
mas a Morte teria que jurar que retiraria todas as armadilhas.
Icu não tinha escolha, rendeu-se.
Os gêmeos venceram.
Foi assim que os Ibejis salvaram os homens
e ganharam fama de muito poderosos,
porque nenhum outro orixá conseguiu ganhar
aquela peleja com a Morte.
Os Ibejis são poderosos,
mas o que eles gostam mesmo é de brincar.

Na UMBANDA são grandes renovadores de nossos sentimentos, amparados pela irradiação de Oxum e seu imenso Amor.
Crianças, erês, ibejadas trabalham com tanta força, com tanta pureza e simplicidade, que uma “simples” bala imantada por eles suaviza nossa alma e adoça nossa vida.
Não devemos subestimar essa Linha de Trabalho ou julgar a forma que se apresentam, são espíritos elevados que brincam trabalhando e trabalham brincando.
Depois de Oxalá são os únicos que dominam totalmente a magia com e como Exu.
Vale a pena refletir e buscar um olhar diferenciado, um verdadeiro “Olhar de Poeta”…
Boa inspiração a todos, muitos doces e bom trabalho…

Reflexões de Umbanda

Observem que queremos chamar a atenção dos leitores para o fa­to de que em um século de existência a Umbanda já avançou muito em seus aspectos teóricos e práticos e, no entanto, sempre haverá espaço para novos livros e conceitos, porque ela é uma religião de fato e uma fonte inesgotável de conceitos e informações. Tanto isso é verdade que jamais deixa­remos de ter novos livros sobre a reli­gião umbandista, nos quais os autores es­tarão reavivando a fé dos leitores, abordando aspectos ritualísticos e con­ceitos doutrinários, sempre movidos pelo intuito de elucidar, esclarecer e ins­truir a novas gerações umbandistas.
Sim, as novas gerações são as gran­­­des levas de pessoas possuidoras da mediunidade de incorporação que adentram diariamente os templos de Umbanda, ávidas por informações acerca do universo divino da sua nova religião.
Pai Benedito de Aruan­da já nos dizia: “Filhos, não temam as críticas cujo único objeti­vo é destruir a Umban­da porque elas não prosperarão, já que a cada novo dia milhares de espíritos reen­car­nam e mui­tos deles já trazem aber­tas as suas fa­cul­dades mediú­nicas, faculdades essas que os con­duzirão ao encontro das religiões espíritas ou mediúnicas, tais como o Espiritismo, a Umbanda e o Candomblé”.
Pai Benedito também dizia: “Filhos, a Umbanda é maior que todos os Um­bandistas juntos, pois ela é uma reli­gião, e, como tal, sempre abrigará no­vos fiéis, mostrando a todos que é em si um mistério de Deus, apto a abrigar em seu seio (templos) quantos a procu­rarem e a adotarem como sua ‘guia’ terrena no caminhos que nos conduzem a Deus”.
Pai Benedito também nos alertava sempre sobre o fato de, caso al­guém qui­sesse se arvorar em “papa” da Um­banda ou chamasse para si a posse dela, dos seus conceitos e da sua doutrina, logo se veria tão assoberbado que se calaria e se recolheria ao silêncio se­pulcral do seu íntimo, já que a Umbanda não tem um dono ou papa.
Pai Benedito também nos dizia: “Filhos, a Umbanda é uma religião mediúnica e, co­mo tal, dispensa templos sun­tuosos, pois onde houver um mé­dium lá estará um dos seus ‘templos vivos’, através do qual a religião fluirá em to­do seu esplendor. Portanto, sejam bons e bem esclareci­dos médiuns, porque serão a religião”.
Tantas foram as coisas ditas a nós por Pai Benedito de Aruanda que é im­possível recordar todas neste momento que escrevo a apresentação deste livro.
Mas se de algumas me recordo é para salientar a sapiência desse nosso amado irmão Preto-Velho que sempre nos alertava: “Filhos, Deus é a verdade e é a fonte divina de todos os mistérios. Só Ele realmente sabe! Quanto a todos nós, espíritos mensageiros e médiuns, somos apenas intérpretes d’Ele e dos Seus mistérios, dos quais temos nossas versões e nada mais”. Logo, caso lhes digam: Esta é a verdade final sobre Deus e sobre seus mistérios – fiquem alertas porque ali estará alguém fazen­do proselitismo em causa própria ou é mero especulador.
Se relembro os alertas de Pai Bene­dito de Aruanda, dados quando ele psicografava através de mim, é porque ele sempre foi um crítico ardente de mui­tos dos comentários sobre os Orixás...
Ele não poupava ninguém quando o assunto era os Orixás e até nos dizia: “Filhos, hoje estão surgindo pessoas, cheias de soberba e sapiência, arvo­rando-se em arautos do saber sobre os Orixás...”

“Lembrem-se”, alertava-nos Pai Be­ne­dito, “que Orixá é mistério de Deus! E, como tal, assume as feições humanas que lhe dermos. Mas lembrem-se tam­bém: existe uma Ciência Divina que ex­plica os mistérios dos orixás de forma científica e, em vez de recorrer aos seus aspectos míticos, os decifra e os ensina através das qualidades divinas que cada um é em si mesmo”.

“Na ‘ciência divina’ está a chave para decifrar os mistérios dos orixás, filhos de Umbanda!” [...] pp.7-9 ...


AUTONOMIA DA RELIGIÃO

Todos os terreiros de Um­banda cultuam os “Ori­xás” e é neles que funda­men­tamos a Teogonia de Um­banda, apresentada a to­dos agora, quase um sé­cu­lo após o marco funda­mental dela, lançado pelo senhor Caboclo das Sete En­cruzilhadas através do seu médium Zélio Fernandino de Morais.
Se todos os umbandistas cultuam Olorum, Oxalá, Ogum, Oxossi, Xangô, Iemanjá, Oxum, Nana, Obaluaiê, Omu­lu, Oxumaré, Exu, etc., então temos uma teogonia fundamental derivada dos povos “nagôs”, só que adaptados à nossa visão e entendimento, à nossa religião e modo de cultuá-los.
Para cultuarmos os Orixás não pre­cisamos pedir licença a ninguém, muito menos aos nossos irmãos cultuadores deles no Candomblé.

- Os primeiros cristãos não pediram li­cen­ça aos sábios do Templo de Jeru­sa­lém para iniciar o cristianismo, fun­damentado no Velho Testamento e na renovadora mensagem de Jesus Cristo.

- Os primeiros budistas não pediram licença aos seus pares orientais para iniciar sua religião.

- O profeta Maomé não foi à Jerusa­lém pedir licença para iniciar o islamismo, fundamentado no Velho Testamento e na mensagem recebida por ele do Ar­canjo que o incumbiu de fundar uma nova religião.

- A igreja ortodoxa grega não pediu licença a Roma para seguir seu próprio caminho. Apenas se separou dela, e pron­to.

- Os primeiros protestantes da Eu­ropa não fundaram o protestantismo (e seus vários segmentos) com o aval da igreja de Roma, mas como uma dissi­dência a ela e um contraponto ao seu dogmatismo interesseiro e opressor do livre arbítrio dos seus fiéis. Assim tem sido com todas as religiões no decorrer dos tempos e não seria diferente com a Umbanda, pois foi um Cabo­clo, expulso de uma “casa kardecista” e tachado de “Egum” no Candomblé, que sem pedir licença a qualquer religião e sacerdote disse que ali se iniciara uma nova religião, a Umbanda, e ponto final.

Que nos critique e vilipendie quem quiser, mas um dia todos serão “Eguns” e só encontrarão o vazio dos vazios ao desencarnarem, porque das coisas divinas só Olorum é Senhor.
Quanto a nós, espíritos encarnados ou desencarnados, somos seus bene­ficiá­rios, e nós, os umbandistas, temos a nossa interpretação deles e a forma de cultuá-Lo que, se é diferente do Can­domblé, e a nossa interpretação e forma.
Respeite-as quem quiser e aceite-as como válidas também quem for sábio.
Quanto aos que não respeitam nossas interpretações e não aceitam nossa forma de cultuá-Lo, que cuidem dos seus rebanhos porque do rebanho umbandista cuidamos nós, os sacer­dotes umbandistas.

Textos extraídos do livro “Orixás -Teogonia de Umbanda” Rubens Saraceni - Editora Madras.

sábado, 24 de setembro de 2011

Comentário sobre o campo mediunico do Médium II


Parte 2 (Rubens Saraceni – Teologia de Umbanda)

Há também um outro aspecto que todos devem conhecer: quando alguém realiza uma magia contra ou em favor de alguém, ela primeiro reflete neste campo eletromagnético, para só depois afixar-se nele e ser internalizada.
Se a magia é positiva, ela é imediatamente absorvida e alcança tanto o emocional quanto o corpo físico, melhorando o estado geral do ser. Se a magia é negativa, então surge uma reação física, energética, magnética, emocional e mental por parte do ser-alvo, visando repeli-la.
Mas nem sempre isto é conseguido. Então as defesas do ser enfraquecem-se e ele começa a internalizar os fluxos negativos direcionados que estão inundando seu campo eletromagnético com energias que, pouco a pouco ou rapidamente, o atingirão, o enfraquecerão, o adoecerão, ou o desequilibrarão emocionalmente, abrindo todo um amplo campo onde atuações diretas começarão a acontecer.
Essa é a mecânica de funcionamento das magias negras.
Nas magias positivas, o campo eletromagnético absorve de imediato as energias que lhe chegam através de sua tela coletora de vibrações positivas e as internalizam, anulando parcialmente os efeitos das doenças físicas, psíquicas ou espirituais. Enquanto durar a vibração direcionada via orações e irradiações acionadas a partir da ativação de materiais potencializados, etc., durará a captação das energias que chegarão.
O campo mediúnico ou eletromagnético não é a aura. Esta é tão somente composta por irradiações do corpo energético, que é um gerador energético por excelência.
A aura é um espelho etérico do estado geral do ser e mostra, através de suas cores, os tipos de sentimentos vibrados e o padrão vibratório estabelecido no mental, que é o centro magnético do espírito.
Nos processos de desenvolvimento mediúnico, todo este campo eletromagnético tem seu padrão reajustado para que as incorporações se realizem da forma mais natural possível.
No principio, quando os espíritos adentram neste campo, por estarem vibrando num outro padrão, o médium sente-se zonzo, dormente, desequilibrado, etc., pois seu equilíbrio gravitacional mental sofre uma interferência poderosa. Mas à medida que os mentores vão reajustando o padrão vibratório de seus médiuns, os choques vibratórios vão desaparecendo e as incorporações acontecem de modo quase imperceptível a quem está assistindo o processo.
Neste ponto do desenvolvimento mediúnico, o campo eletromagnético do médium já foi totalmente reajustado e foi afinizado com o padrão vibratório espiritual, pois antes quem o graduava era o padrão vibratório atômico (físico).
Na Umbanda, recorre-se às giras de desenvolvimento, quando vários recursos são usados ao mesmo tempo: defumações, palmas, cantos, danças, atabaques e outros instrumentos.

Vamos comentar rapidamente estes recursos:

-Defumações: descarregam o campo mediúnico e sutilizam suas vibrações, tornando-o receptivo às energias de ordem positiva.
-Palmas: se cadenciadas e ritmadas, criam um amplo campo sonoro cujas vibrações agudas alcançam o centro da percepção localizado no mental dos médiuns. Com isso, os predispõem a vibrarem ordenadamente, facilitando o trabalho de reajustamento de seus padrões magnéticos.
-Cantos: a Umbanda recorre aos cantos ritmados que atuam sobre alguns plexos, que reagem aumentando a velocidade de seus giros. Com isso, captam muito mais energias etéricas, que sutilizam rapidamente todo o campo mediúnico, facilitando a incorporação.
-Atabaques e outros nstrumentos:

as vibrações sonoras têm o poder de adormecer o emocional, estimular o percepcional, alterar as irradiações energéticas e atuar sobre o padrão vibratório do médium. Ao desestabilizar o padrão vibratório, o mentor aproveita esta facilidade e adentra no campo eletromagnético, adequando-o ao seu próprio padrão e fixando-o no mental de seu médium através de vibrações mentais direcionadas. Em pouco tempo o médium adequa-se e torna-se, magneticamente, tão etérico em seu padrão vibratório, que já não precisa do concurso de instrumentos para incorporar. Basta se colocar em sintonia mental com quem irá incorporá-lo para que o fenômeno ocorra.

-Danças: a Umbanda e o Candomblé recorrem às “danças rituais” pois, durante seu transcorrer, os médiuns se desligam de tudo e concentram-se intensamente numa ação onde o movimento cadenciado facilita seu envolvimento mediúnico.

Nas “giras”(danças rituais), as vibrações médium-mentor se interpenetram de tal forma, que o espírito do médium fica adormecido, já que é paralisado momentaneamente.
Os médiuns, em principio, sentem tonturas ou enjôos. Mas estas reações cessam se a entrega for total e não houver tentativa de comandar os movimentos, já que será seu mentor quem o comandará.
Um médium plenamente desenvolvido pode “dançar”durante horas seguidas que não se sentirá cansado após a desincorporação. E se assim é, isto se deve ao fato de não ter  gasto suas energias espirituais. Não raro, sente-se leve, enlevado, etc., pois seu corpo energético, influenciado pelo corpo etérico do mentor, sobrecarregou-se de energias sutis e benéficas.
Não entendemos algumas críticas infundadas ou conceitos errôneos a respeito do desenvolvimento da mediunidade com recursos sonoros como os que acabamos de descrever.
São ótimos e foram aperfeiçoados por mentores de “elite” que ordenaram todo o Ritual de Umbanda sagrada a partir do astral. Se tais recursos fossem nocivos ou não proporcionassem facilidades ao ato de incorporação, com certeza já teriam sido banidos das tendas de Umbanda.
Nada é por acaso. Se o Ritual de Umbanda optou pelo uso de atabaques, cantos e danças rituais, não tenham dúvidas: as incorporações acontecem ou não, mas ninguém fica na dúvida se incorporou ou se o guia só encostou.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Comentário sobre o campo mediunico do Médium

parte 1 (Rubens Saraceni - Teologia de Umbanda)

Todos sabemos que um ser humano, uma planta, um mineral e muitos animais não racionais possuem uma aura que os envolve, protegendo-os do meio exterior. Assim como sabemos que esta aura também é refletora da energia interior dos corpos inanimados. Nos seres vivos, é a refletora dos sentimentos e dos padrões energo-magnéticos e está intimamente relacionada com o campo emocional.
O campo mediúnico inicia-se no corpo elementar básico e expande-se uniformemente ao redor dele por aproximadamente uns trinta centímetros, e até uns setenta, no máximo. Este campo mediúnico ou eletromagnético é comum a todos os seres humanos, independente de sua formação cultural ou religiosa. E aqui nos limitaremos só aos seres humanos.
O fato é que este campo eletromagnético tem sua sede no mental, que é a “coroa” ou chacra coronário, iniciando-se ao seu redor e derramando-se em torno do corpo elemental básico. “Elemental” porque é elemento puro, e básico porque é o primeiro “corpo” que o ser humano teve formado num estágio virginal onde evoluiu.
O campo mediúnico abre-se para o plano espiritual e é através dele que são estabelecidas ligações magnéticas com o mundo espiritual.
Este campo interpenetra outras dimensões , mas não as sente ou é sentido por quem vive nelas. O mesmo acontece com os espíritos em relação  ao plano material: atravessam paredes, corpos, etc., sem alterar suas estruturas espirituais ou as estruturas físicas dos objetos tocados por eles.
“No universo, tudo vibra e tudo é vibração.”
Logo, se tudo o que existe no plano material obedece ao padrão vibratório “atômico”, no plano espiritual o padrão vibratório é o “etérico”. “Etérico”, de éter ou energia sutilizada a níveis suprafísicos.
Em cada padrão vibratório específico, tudo se nos mostra regido pelas mesmas leis que sustentam as formas no plano material: agregados energéticos que, por magnetismos específicos, dão formação às massas ou corpos físicos.
Na dimensão onde vivem os espíritos, um magnetismo semelhante ao existente no plano material também existe, e sustenta tudo o que nela possa existir. A única diferença está no relacionamento energético e na mudança do padrão vibratório, tanto dos seres quanto das formas, que são plasmadas a partir do éter.
Assim explicado, então saibam que todos nós temos um campo mediúnico que se abre para muitas dimensões da vida, e que as interpenetram, ainda que disto não nos apercebamos, pois nosso percepcional espiritual está graduado no mínimo para captar as vibrações exclusivas da dimensão humana e no máximo para captar vibrações espirituais.
Mas este campo mediúnico interpenetra as dimensões ígneas, aquáticas, terrosas, eólicas, mistas, cristalinas, minerais, vegetais, etc. se desenvolvermos conscientemente nosso rústico percepcional, então podemos captar as energias circulantes que existem nelas e nos chegam de forma sutil.
Este campo mediúnico que, à falta de palavras de melhor definição preferimos nominar de “campo eletromagnético”, é justamente a nossa tela refletora onde as ligações invisíveis costumam acontecer.
É neste campo pessoal dos seres humanos que alojam-se focos vibratórios ou acúmulos energéticos que refletem na aura e a rompem, alcançando o corpo energético ou mesmo o físico, afetando a saúde. Se em um primeiro momento os padrões vibratórios são diferentes, no entanto, tudo o que nele se alojou vai pouco a pouco sendo induzido pelo nosso magnetismo a adequar-se ao nosso padrão pessoal. Aí começa a ser internalizado por magnetismo.
Isto é comum nos casos de obsessão espiritual, quando um ser não afim conosco aloja-se em nosso campo eletromagnético.
O padrão vibratório do intruso é outro, só passamos a ser incomodados quando ele adequa seu padrão ao nosso. Então suas vibrações mentais, conscientes ou não, interferem no nosso mental através de nosso emocional conduzindo-nos a desequilíbrios energéticos profundos.
Estas interferências, se muito duradouras ou intensas, costumam nos desequilibrar de tal forma que passamos a ter duas personalidades antagônicas num mesmo ser e um mesmo espaço mediúnico.
E, porque nosso corpo físico reage a estes estímulos vibrados pelo intruso alojado em nosso campo eletromagnético, então começamos a sentir desequilíbrios (dores) no próprio corpo físico. São as doenças não diagnosticadas pelos médicos.
Os “passes” ministrados por médiuns magnetizadores e doadores de energias têm como função descarregar este campo dos acúmulos de energias negativas nele formados no decorrer do tempo.
É por isso que os passes magnéticos são fundamentais num tratamento espiritual, pois os mentores curadores precisam tem em seus pacientes este campo totalmente limpo, quando então começam a operar no corpo energético, onde realizam cirurgias corretivas ou desobstrutoras, chegando mesmo a retirarem “tumores” formados unicamente por energias negativas internalizadas pelo corpo energético.
Só depois de equilibrarem o campo eletromagnético e o corpo energético dos seres é que os mentores curadores atuam no corpo físico de seus pacientes encarnados, que a eles recorrem pois realizam curas maravilhosas onde a limitada medicina falha.
É fundamental que saibam disso pois só assim entenderão o porquê dos passes realizados em todos os centros espíritas ou de Umbanda: é para realizar a limpeza dos campos mediúnicos de seus freqüentadores.
Só que enquanto nos centros espíritas usa-se o passe magnético, nos centros de Umbanda também se recorre aos passes energéticos, quando são usados diversos materiais ( fumo, água, ervas, pedras ou colares, etc.) que descarregam os acúmulos negativos alojados nesses campos eletromagnéticos.
O uso de guias ou colares pelos médiuns têm esta função durante os trabalhos práticos: as energias que vão sendo captadas, vão se condensando (agregando) às guias e não são absorvidas pelos seus corpos energéticos, não os sobrecarregando e não os desarmonizando durante os trabalhos espirituais.
Ervas e fumo, quando potencializadas com energias etéricas pelos mentores, também se tornam poderosos limpadores de campos eletromagnéticos.
Enfim, existe toda uma ciência por trás de tais procedimentos dos espíritos que atuam no Ritual de Umbanda Sagrada.

Pai Rubens Saraceni.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

ALMAS GÊMEAS, segundo o Espiristismo

Almas gêmeas, conforme o entendimento vulgar, não existem. O que existem são Espíritos com profundos laços de afinidade, que muitas vezes se encontram na vida enquanto encarnados. Podemos dizer, sim, que existem almas com grande afeição mútua. Somos individualidades, e, como tal, não há espíritos que se complementem uns aos outros, como se por si só não fossem inteiros, um!
A idéia de almas gêmeas vem do fato que muitos atribuem tal termo a espíritos afins, e que caminham juntos, mas sem a idéia de que tal caminhada não seria possível sem a presença do outro. Esta união baseia-se no amor, não necessariamente entre homem e mulher, mas entre seres que partilham deste sentimento das mais diversas formas possíveis.
A seguir, transcrevemos as questões de O Livro dos Espíritos, de Alan Kardec, que nos orientam de modo seguro para o entendimento do assunto:
291. Além da simpatia geral, oriunda da semelhança que entre eles exista, votam-se os Espíritos recíprocas afeições particulares?
"Do mesmo modo que os homens, sendo, porém, que mais forte é o laço que prende os Espíritos uns aos outros, quando carentes de corpo material, porque então esse laço não se acha exposto às vicissitudes das paixões".
297. Continua a existir sempre, no mundo dos Espíritos, a afeição mútua que dois seres se consagraram na Terra?
"Sem dúvida, desde que originada de verdadeira simpatia. Se, porém, nasceu principalmente de causas de ordem física, desaparece com a causa. As afeições entre os Espíritos são mais sólidas e duráveis do que na Terra, porque não se acham subordinadas aos caprichos dos interesses materiais e do amor-próprio".
298. As almas que devam unir-se estão, desde suas origens, predestinadas a essa união e cada um de nós tem, nalguma parte do Universo, sua metade, a que fatalmente um dia reunirá?
"Não; não há união particular e fatal, de duas almas. A união que há é a de todos os Espíritos, mas em graus diversos, segundo a categoria que ocupam, isto é, segundo a perfeição que tenham adquirido. Quanto mais perfeitos, tanto mais unidos. Da discórdia nascem todos os males dos humanos; da concórdia resulta a completa felicidade".
299. Em que sentido se deve entender a palavra metade, de que alguns Espíritos se servem para designar os Espíritos simpáticos?
"A expressão é inexata. Se um Espírito fosse a metade do outro, separados os dois, estariam ambos incompletos".
300. Se dois Espíritos perfeitamente simpáticos se reunirem, estarão unidos para todo o sempre, ou poderão separar-se e unir-se a outros Espíritos?
"Todos os Espíritos estão reciprocamente unidos. Falo dos que atingiram a perfeição. Nas esferas inferiores, desde que um Espírito se eleva, já não simpatiza, como dantes, com os que lhe ficaram abaixo".
301. Dois Espíritos simpáticos são complemento um do outro, ou a simpatia entre eles existente é resultado de identidade perfeita?
"A simpatia que atrai um Espírito para outro resulta da perfeita concordância de seus pendores e instintos. Se um tivesse que completar o outro, perderia a sua individualidade".
302. A identidade necessária à existência da simpatia perfeita apenas consiste na analogia dos pensamentos e sentimentos, ou também na uniformidade dos conhecimentos adquiridos?
"Na igualdade dos graus da elevação".
303. Podem tornar-se de futuro simpáticos, Espíritos que presentemente não o são?
"Todos o serão. Um Espírito, que hoje está numa esfera inferior, ascenderá, aperfeiçoando-se, à em que se acha tal outro Espírito. E ainda mais depressa se dará o encontro dos dois, se o mais elevado, por suportar mal as provas a que esteja submetido, permanecer estacionário".
a) - Podem deixar de ser simpáticos um ao outro dois Espíritos que já o sejam "Certamente, se um deles for preguiçoso".
Nota (de Kardec) - "A teoria das metades eternas encerra uma simples figura, representativa da união de dois Espíritos simpáticos. Trata-se de uma expressão usada até na linguagem vulgar e que se não deve tomar ao pé da letra. Não pertencem decerto a uma ordem elevada os Espíritos que a empregaram (no sentido de metades eternas - grifo nosso). Necessariamente, limitado sendo o campo de suas idéias, exprimiram seus pensamentos com os termos de que se teriam utilizado na vida corporal. Não se deve, pois, aceitar a idéia de que, criados um para o outro, dois Espíritos tenham, fatalmente, que se reunir um dia na eternidade, depois de haverem estado separados por tempo mais ou menos longo".
Simpatia e antipatia terrenas
386. Podem dos seres, que se conheceram e estimaram, encontrar-se noutra existência corporal e reconhecer-se?
"Reconhecer-se, não. Podem, porém, sentir-se atraídos um para o outro. E, freqüentemente, diversa não é a causa de íntimas ligações fundadas em sincera afeição. Um do outro dois seres se aproximam devido a circunstâncias aparentemente fortuitas, mas que na realidade resultam da atração de dois Espíritos, que se buscam reciprocamente por entre a multidão".
a) - Não lhes seria agradável reconhecerem-se?
"Nem sempre. A recordação das passadas existências teria inconvenientes maiores do que imaginais. Depois de mortos, reconhecer-se-ão e saberão que tempo passaram juntos".

domingo, 18 de setembro de 2011

Médico francês reconstitui a agonia de Jesus


Sou um cirurgião, e dou aulas há algum tempo. Por treze anos vivi em companhia de cadáveres e durante a minha carreira estudei anatomia a fundo.

Posso, portanto escrever sem presunção a respeito de morte como aquela.

Jesus entrou em agonia no Getsemani e seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra. O único evangelista que relata o fato é um médico, Lucas. E o faz com a precisão de um clínico.

O suar sangue, ou "hematidrose", é um fenômeno raríssimo. É produzido em condições excepcionais: para provocá-lo é necessário uma fraqueza física, acompanhada de um abatimento moral violento causado por uma profunda emoção, por um grande medo.

O terror, o susto, a angústia terrível de sentir-se carregando todos os pecados dos homens devem ter esmagado Jesus. Tal tensão extrema produz o rompimento das finíssimas veias capilares que estão sob as glândulas sudoríparas, o sangue se mistura ao suor e se concentra sobre a pele, e então escorre por todo o corpo até a terra. Conhecemos a farsa do processo preparado pelo Sinédrio hebraico, o envio de Jesus a Pilatos e o desempate entre o procurador romano e Herodes. Pilatos cede, e então ordena a flagelação de Jesus.

Os soldados despojam Jesus e o prendem pelo pulso a uma coluna do pátio. A flagelação se efetua com tiras de couro múltiplas sobre as quais são fixadas bolinhas de chumbo e de pequenos ossos. Os carrascos devem ter sido dois, um de cada lado, e de diferente estatura.

Golpeiam com chibatadas a pele, já alterada por milhões de microscópicas hemorragias do suor de sangue. A pele se dilacera e se rompe; o sangue espirra. A cada golpe Jesus reage em um sobressalto de dor. As forças se esvaem; um suor frio lhe impregna a fronte, a cabeça gira em uma vertigem de náusea, calafrios lhe correm ao longo das costas. Se não estivesse preso no alto pelos pulsos, cairia em uma poça de sangue.

Depois o escárnio da coroação. Com longos espinhos, mais duros que os de acácia, os algozes entrelaçam uma espécie de capacete e o aplicam sobre a cabeça. Os espinhos penetram no couro cabeludo fazendo-o sangrar (os cirurgiões sabem o quanto sangra o couro cabeludo).

Pilatos, depois de ter mostrado aquele homem dilacerado à multidão feroz, o entrega para ser crucificado.

Colocam sobre os ombros de Jesus o grande braço horizontal da Cruz; pesa uns cinqüenta quilos. A estaca vertical já está plantada sobre o Calvário.

Jesus caminha com os pés descalços pelas ruas de terreno irregular, cheia de pedregulhos. Os soldados o puxam com as cordas. O percurso é de cerca de 600 metros. Jesus, fatigado, arrasta um pé após o outro, freqüentemente cai sobre os joelhos. E os ombros de Jesus estão cobertos de chagas.

Quando ele cai por terra, a viga lhe escapa, escorrega, e lhe esfola o dorso.

Sobre o Calvário tem início a crucificação. Os carrascos despojam o condenado, mas a sua túnica está colada nas chagas e tirá-la produz dor atroz.

Quem já tirou uma atadura de gaze de uma grande ferida percebe do que se trata. Cada fio de tecido adere à carne viva: ao levarem a túnica, se laceram as terminações nervosas postas em descoberto pelas chagas.

Os carrascos dão um puxão violento. Há um risco de toda aquela dor provocar uma síncope, mas ainda não é o fim. O sangue começa a escorrer.

Jesus é deitado de costas, as suas chagas se incrustam de pé e pedregulhos.

Depositam-no sobre o braço horizontal da cruz. Os algozes tomam as medidas.

Com uma broca, é feito um furo na madeira para facilitar a penetração dos pregos. Os carrascos pegam um prego (um longo prego pontudo e quadrado), apóiam-no sobre o pulso de Jesus, com um golpe certeiro de martelo o plantam e o rebatem sobre a madeira. Jesus deve ter contraído o rosto assustadoramente. O nervo mediano foi lesado.

Pode-se imaginar aquilo que Jesus deve ter provado; uma dor lancinante, agudíssima, que se difundiu pelos dedos, e espalhou-se pelos ombros, atingindo o cérebro. A dor mais insuportável que um homem pode provar, ou seja, aquela produzida pela lesão dos grandes troncos nervosos: provoca uma síncope e faz perder a consciência. Em Jesus não. O nervo é destruído só em parte: a lesão do tronco nervoso permanece em contato com o prego: quando o corpo for suspenso na cruz, o nervo se esticará fortemente como uma corda de violino esticada sobre a cravelha. A cada solavanco, a cada movimento, vibrará despertando dores dilacerantes. Um suplício que durará três horas.

O carrasco e seu ajudante empunham a extremidade da trava; elevam Jesus, colocando-o primeiro sentado e depois em pé; conseqüentemente fazendo-o tombar para trás, o encostam-se à estaca vertical.

Depois rapidamente encaixam o braço horizontal da cruz sobre a estaca vertical. Os ombros da vítima esfregam dolorosamente sobre a madeira áspera.

A ponta cortante da grande coroa de espinhos penetram o crânio.

A cabeça de Jesus inclina-se para frente, uma vez que o diâmetro da coroa o impede de apoiar-se na madeira. Cada vez que o mártir levanta a cabeça, recomeçam pontadas agudas de dor. Pregam-lhe os pés.

Ao meio-dia Jesus tem sede. Não bebeu desde a tarde anterior. Seu corpo é uma máscara de sangue. A boca está semi-aberta e o lábio inferior começa a pender. A garganta, seca, lhe queima, mas ele não pode engolir. Tem sede.
Um soldado lhe estende sobre a ponta de uma vara, uma esponja embebida em bebida ácida, em uso entre os militares. Tudo aquilo é uma tortura atroz. Um estranho fenômeno se produz no corpo de Jesus. Os músculos dos braços se enrijecem em uma contração que vai se acentuando: os deltóides, os bíceps esticados e levantados, os dedos, se curvam. É como acontece a alguém ferido de tétano. A isto que os médicos chamam tetania, quando os sintomas se generalizam: os músculos do abdômen se enrijecem em ondas imóveis, em seguida aqueles entre as costelas, os do pescoço, e os respiratórios. A respiração se faz, pouco a pouco mais curta. O ar entra com um sibilo, mas não consegue mais sair. Jesus respira com o ápice dos pulmões. Tem sede de ar: como um asmático em plena crise, seu rosto pálido pouco a pouco se
torna vermelho, depois se transforma num violeta purpúreo e enfim em cianítico.

Jesus é envolvido pela asfixia. Os pulmões cheios de ar não podem mais se esvaziar. A fronte está impregnada de suor, os olhos saem fora de órbita.

Mas o que acontece? Lentamente com um esforço sobre-humano, Jesus toma um ponto de apoio sobre o prego dos pés. Esforça-se a pequenos golpes, se eleva aliviando a tração dos braços. Os músculos do tórax se distendem.

A respiração torna-se mais ampla e profunda, os pulmões se esvaziam e o rosto recupera a palidez inicial.

Por que este esforço? Porque Jesus quer falar: "Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem". Logo em seguida o corpo começa afrouxar-se de novo, e a asfixia recomeça. Foram transmitidas sete frases pronunciadas por ele na cruz: cada vez que quer falar, deverá levar-se tendo como apoio o prego dos pés. Inimaginável! Atraídas pelo sangue que ainda escorre e pelo coagulado, enxames de moscas zunem ao redor do seu corpo, mas ele não pode enxotá-las. Pouco depois o céu escurece, o sol se esconde: de repente a temperatura diminui. Logo serão três da tarde, depois de uma tortura que dura três horas.

Todas as suas dores, a sede, as câimbras, a asfixia, o latejar dos nervos medianos, lhe arrancam um lamento: "Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?". Jesus grita: "Tudo está consumado!". Em seguida num grande brado diz: "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito". E morre. Em meu lugar e no seu.

Autoria atribuída a Dr. Barbet, médico francês.

sábado, 17 de setembro de 2011

Altares, imagens, templos, fé e religiosidade


Os Altares

Toda religião tem seu altar, onde estão imagens, símbolos, ícones ou elementos indispensáveis à sua liturgia.
Por liturgia, entendam como o conjunto de recursos ou “artigos” indispensáveis às práticas religiosas.
Bom, o fato é que os altares não existem só porque alguém inventou um e depois todos os copiaram, só modificando os elementos distribuídos neles.
Não mesmo, sabem?
Sim, porque nós bem sabemos que um altar tem como principal função a de criar todo um magnetismo de nível terra, através do qual as irradiações verticais das divindades descerão até ele, e a partir dele, continuarão fluindo na horizontal, ocupando todo o espaço destinado às práticas religiosas que serão realizadas diante dele, e em nome das divindades cultuadas e nele assentadas.
Um altar é um ponto de forças religiosas e, se devidamente erigido e fundamentado, através dele as irradiações das divindades alcançarão todos os fiéis postados diante dele.
Nós, ao contemplarmos o altar de um templo de Umbanda Sagrada, vemos imagens de santos católicos, de divindades naturais, de anjos, arcanjos, caboclos, pretos velhos, crianças, sereias, etc.
Para um leigo no assunto, a miscelânea religiosa não tem uma explicação lógica, pois junta elementos de diferentes religiões num mesmo espaço religioso, quando o mais comum é as religiões banirem de seus templos todo e qualquer elemento estranho a ela ou pertencente a outras, certo?
Mas a Umbanda é uma síntese de todas as religiões, e todas reunidas num mesmo espaço religioso.
Portanto, nela estão presentes correntes de espíritos hindus, chineses, persas, árabes, judeus, budistas, dóricos, egípcios, maias, incas, astecas, tupis-guaranis, ... e cristãos!
E cada corrente espiritual se formou sob o manto luminoso da religião, à qual seus membros formaram sua crença no Deus único e nas suas divindades humanizadas, para melhor falarem dele aos seus filhos.
Cada linha de trabalho do Ritual de Umbanda Sagrada é regida por um Orixá intermediador, que também pode ser um espírito ascencionado e assentado nas hierarquias naturais pelos senhores Orixás intermediários, que os tem no grau de seus intermediadores para a dimensão humana da vida, que é onde os seres espiritualizados (nós) vivem e evoluem.
Então os médiuns, todos com alguma formação cristã, colocam Jesus Cristo, um Oxalá intermediário humanizado, como o pontificador de seu altar, distribuindo mais abaixo as imagens dos santos sincretizados com os outros Orixás.
O sincretismo explica o uso de imagens cristãs, e o fato de que muitos espíritos que incorporam nos seus médiuns terem evoluído sob a irradiação do cristianismo as justifica. Assim como a imagem de “caboclos” índios ou soldados “romanos” (linha dórica) são explicadas como sinalizadoras de que ali baixam mentores espirituais cuja formação religiosa processou-se sob a irradiação de outras religiões.
E o uso de cristais, minérios, flores, colares de pedras semipreciosas, armas simbólicas, símbolos mágicos, etc., explica que muitas linhas de forças intermediárias, intermediadoras ou espirituais ali estão representadas, ativadas e prontas para intervirem em benefício de quem for merecedor do auxílio dos espíritos ou dos Orixás.
Os fundamentos religiosos e mágicos de um altar, só mesmo quem o erigiu pode explicá-lo. Mas o fundamento divino que justifica a existência deles nos templos, é esta:
— “Todo altar é um local onde, se nos postarmos reverentes diante dele, estaremos bem de frente e bem próximos de Deus e de suas divindades humanizadas”.
Mas existem altares naturais que são locais altamente magnetizados ou são vórtices eletromagnéticos, cujo magnetismo e energia criam um santuário natural que, se o consagrarem às práticas religiosas, neles as pessoas entrarão em comunhão com as divindades naturais regentes da natureza.
Saibam que o culto junto a elementos da natureza, onde são tidos como potencializadores da fé das pessoas não é um privilégio do Candomblé ou da Umbanda, pois todas as religiões os tem. Vamos a alguns locais:

— Islamismo: culto à Caaba ou pedra fundamental da religião islâmica.

— Judaísmo: culto à Montanha Sagrada onde Moisés recebeu de Deus os Dez Mandamentos.

— Religião Grega: Monte Olimpo.

— Taoísmo: Montanhas Sagradas.

— Budismo: Montanhas Sagradas.

— Hinduísmo: Rio Ganges, e muitos outros pontos da natureza.

— Xintoísmo: Monte Fuji (Japão), montanha sagrada e símbolo religioso nacional do povo japonês.

— Naturalismo Inglês: Stonehenge, santuário natural construído  por gigantescos monólitos, com datação de uns 3.000 anos antes de Cristo.

— Hunas: Havaí, Kilauea, o vulcão sagrado.

— Cristianismo: Monte das Oliveiras e a Colina do Gólgota.

 Bom, paramos por aqui, pois como viram, toda religião tem seus lugares sagrados ou santos.
Umas vivem a criticar ou renegar as práticas das outras, mas algo superior conduz todas aos seus fundamentos “naturais” onde as pessoas associam locais com poderes supra-humanos e os tornam santuários ou altares a céu aberto, onde cultuam Deus e suas divindades.
A Umbanda, porque derivou dos cultos de nação (Candomblé) e fundamenta-se nos sagrados Orixás, os quais (corretíssimo) regem os elementos e a própria natureza, com a qual são associados, não dispensa seus santuários naturais.
Assim, a montanha é o santuário natural de Xangô e uma pedra-mesa é um altar, onde o oferendam.
Os rios são o santuário de Oxum, e uma cachoeira é um seu altar, onde é oferendada.
O mar é o santuário de Yemanjá, e a praia é seu altar, onde é oferendada.
As matas são o santuário de Oxossi, e um bosque é o seu altar, onde é oferendado.
E com todos os outros Orixás o mesmo acontece, pois são os regentes naturais do nosso planeta e antes de surgir qualquer religião eles já o regiam, e sempre o regerão, assim como nos regerão, pois somos seus filhos naturais.
Portanto, antes de criarem os templos e seus altares, já reverenciavam as divindades e cultuavam o divino diante de seus altares naturais localizados em seus santuários, que é a própria natureza.

As Imagens

As imagens sacras são tão antigas quanto as religiões, e têm o poder de impor um respeito único aos freqüentadores dos templos, onde são colocadas justamente com a finalidade de induzir as pessoas a uma postura respeitosa, silenciosa e reverente.
Saibam que na antigüidade mais remota as pessoas cultuavam os poderes do desconhecido mundo espiritual através da litolatria (culto das pedras tidas como sagradas), da fitolatria (culto à árvores tidas como sagradas), da hidrolatria (culto à rios ou lagos tidos como sagrados), etc.
Uma divindade era identificada com um elemento da natureza, e através dele a cultuavam.
Este hábito era comum a todos os povos espalhados pela terra, ainda na idade da pedra. E com o tempo também foi aparecendo o culto a algumas pessoas tidas como superiores. Só porque realizavam fenômenos mediúnicos ou prodígios magísticos, à volta delas criava-se toda uma mística que, mais dias menos dias, as divinizavam. Então eram “entronadas” como deuses. E seus seguidores, após sua morte, abriam o culto a elas, pois acreditavam que seriam amparados, dando início ao culto às figuras deles entalhadas em pedras ou troncos (totemismo).
Com o tempo as técnicas de entalhe foram sendo aperfeiçoadas e estátuas muito parecidas com os falecidos “incomuns”, começaram a ser feitas em série pelos artesãos de então, surgindo a antropolatria (culto a pessoas tidas como “deuses” ou divinizadas ainda em vida na carne).
Vide Jesus Cristo, Buda, São Francisco, etc., que, ainda encarnados, já eram reverenciados pelos seus seguidores como pessoas portadoras de dons divinos e de mensagens religiosas poderosas.
Saibam que isto é verdade no caso das pessoas em questão, pois Jesus Cristo fundou uma magnífica religião e a tem sustentado com sua mensagem divina e com o poder que manifesta de si mesmo, pois é um genuíno filho unigênito (nascido único) de Deus Pai. E o mesmo se aplica ao Buda, também um filho unigênito de Deus.
Com isso explicado, então que fiquem cientes que o culto ou a postura reverente diante de imagens sacras é um recurso humano muito positivo, pois elas despertam nas pessoas o respeito, a reverência, a fé e a religiosidade. E Deus não pune ninguém por orar ao seu santo e fazer promessas (desde que as cumpra), assim como não vira o rosto se alguém ajoelhar-se diante da imagem de um santo ou de uma divindade para clamar por auxílio, pois ambos respondem, mesmo, a quem tem fé em seus poderes e ajudam segundo o merecimento de quem os evocou. E até realizam milagres, caso o Altíssimo lhes ordene. Certo?
Ou vocês acham que só Jesus Cristo é um Trono de Deus que humanizou-se e espiritualizou-se para melhor se fazer entender pelas pessoas?
Saibam que Deus Pai fala aos homens através dos homens, e também costuma responder aos nossos clamores através de suas divindades, sejam elas naturais ou espiritualizadas.
Os que condenam a idolatria, não fogem à regra e praticam a “símbololatria” (reverência à símbolos sagrados) ou a “verbolatria” (respeito, obediência e sacralização de frases cuja mensagem é religiosa e despertadora da fé dos seus crentes).
As aspas são nossas, pois acabamos de criar estas duas palavras, já que muitos cabalistas crêem, corretamente, no poder dos símbolos sagrados, e muitos crêem no poder de certas frases, mantras, orações, etc.
Saibam que, num determinado nível vibratório, tanto os símbolos sagrados quanto as palavras sacras têm, realmente, ressonância magnética e sonora que ativam mistérios de Deus e poderes de suas divindades.
Logo, caso alguém aprecie as imagens sacras, então não precisa temer a ira divina, pois Deus não mede nossa fé através da forma como a externamos, mas sim através da sua intensidade e do nosso respeito e reverência diante de símbolos sacros.
Além do mais, que diferença há entre uma imagem de Jesus Cristo, que em seu silêncio nos está dizendo tudo o que precisamos ouvir e está nos mostrando em si mesmo tudo o que precisamos ver para segui-lo rumo ao Pai, e a oratória inflamada de um pregador que, brandindo seu livro santo, ameaça seus seguidores com o fogo do inferno caso não sigam à risca o que nele está escrito?

Não sabem?

Bom, então nós respondemos, dizendo isto: uma imagem sacra de Jesus Cristo, no seu silêncio “religioso”, fala ao nosso íntimo e nos faz vibrar amor e fé. Já o pregador inflamado, com seus berros e suas ameaças, apenas desequilibra o emocional de quem o ouve, e com seus gestos radicais apenas desperta o medo do inferno, mas não o verdadeiro amor a Deus ou ao seu filho unigênito, o nosso amado mestre Jesus.
Saibam que quem realmente ama Deus e tem fé no seu amparo divino não teme o diabo. Mas quem vive chamando Deus para combater os demônios que o apavoram e vivem “tentando-o”, este é só um ser emocionado e desequilibrado que ainda não vibra o verdadeiro amor e a pura fé N’Ele, o nosso Criador.

 Os Templos

Os templos são os locais criados pelos homens para cultuarem Deus e suas divindades, pois no decorrer dos tempos, os antigos cultos às divindades naturais foram tornando-se difíceis, justamente por causa do crescimento populacional, que foi deslocando as pessoas para longe dos lugares onde eram cultuadas: — os pontos de forças ou santuários naturais.
Saibam que os povos antigos realizavam seus cultos a céu aberto, onde aconteciam cerimônias e festividades religiosas.
Mas, devido às longas distâncias, não era possível manter uma assiduidade aos cultos, e aí começaram a criar uma alternativa que respondesse aos anseios das pessoas que sentiam a falta do contato freqüente com suas divindades.

E surgiram os templos!

Sim, os templos atendem essa necessidade dos seres, e são tão positivos que onde houver um, ali está um local onde as pessoas se colocam de frente para Deus e suas divindades.
O fato concreto é que um templo é consagrado às praticas religiosas e dentro dele existe um campo eletromagnético que o diferencia, pois este campo é criado pelas irradiações que descem até ele desde o alto do altíssimo, inundando-o de essências religiosas despertadoras da fé.
O campo eletromagnético interno de um templo não deve ser medido ou comparado com o seu espaço físico, pois localiza-se na dimensão espiritual, onde os parâmetros são outros. Assim sendo, saibam que se no espaço físico de um templo cabem cem pessoas, no seu campo eletromagnético caberão todos os espíritos que adentrarem nele. E se entrarem um milhão de espíritos, todos serão acomodados, pois o lado espiritual da vida é regido por outros princípios e outros parâmetros, que são divinos (de Deus).
O campo eletromagnético de um templo expande-se caso precise acomodar mais espíritos, ou contrai-se após recolhê-los e direcioná-los para moradas espirituais localizadas no astral.
Saibam também que todo espírito que for acolhido, religiosamente, no campo de um templo, automaticamente e imediatamente começa a ser amparado pela divindade que rege o templo, e que ativa suas hierarquias para auxiliá-lo, curá-lo, doutriná-lo, e recolocá-lo na senda luminosa da evolução.
Mas, se um espírito não for acolhido religiosamente, então os espíritos guardiões do templo o colocam para fora ou o enviam à alguma faixa vibratória negativa, onde, junto com seus afins, também viciados, terá todo o tempo que precisar para repensar sua vida desregrada.
Por isso a Umbanda adotou o assentamento de Exu e Pombagira no lado de fora dos seus templos: — são estes guardiões cósmicos que enviam para as faixas negativas os espíritos ainda petrificados nos vícios e ainda vibrando sentimentos de ódio, vingança, etc.
Mas, ao par da atração dos espíritos guardiões, todo templo tem o recurso da Lei Maior, que cria no espaço interno dele um pólo magnético bipolar, que puxa para o “alto” os espíritos que já forem merecedores de um amparo efetivo, e envia para o “embaixo” aqueles que precisam descarregar seus vícios emocionais.
Portanto, não importa a que religião um templo pertence, pois nele Deus está presente e ativo, assim como ali está presente uma ou várias de suas divindades. Logo, caso adentrem num, peçam antes licença, e depois comportem-se religiosamente, pois senão estarão profanando um local consagrado e mostrando-se indignos de quem os recebeu com amor e boa vontade, assim como, estarão sendo vistos de frente tanto por Deus e suas divindades, como pelos espíritos que ali atuam em benefício de todos que ali vão, porque crêem no poder da religião que o erigiu como mais uma casa do Pai.

A Fé e Religiosidade

— Fé é o ato de crermos em Deus e suas divindades.

— Religiosidade é a forma como manifestamos nossa fé, que envolve nossos sentimentos íntimos e nossa postura diante de Deus e suas divindades, assim como, diante da vida e de nossos semelhantes.

De nada adianta crermos em Deus se nossa religiosidade é nula ou negativa.
Sim, quantos não têm fé na existência de Deus e de suas divindades, e crêem que atuam em nossa vida e em nosso favor nos momentos difíceis, mas só buscam esse amparo divino quando chegam ao desespero?

Muitos, não?

Pois é. Estes tem fé, mas não a cultivam com uma religiosidade em suas vidas e suas posturas no dia-a-dia.
Saibam que fé é a crença no poder divino. Já a religiosidade, é o ato de trazermos para nossa vida e nosso dia-a-dia o comportamento e a postura preconizados como qualidades superiores pela nossa religião e sua doutrina.
Se nossa doutrina prega que somos filhos de um mesmo pai (Deus), então o nosso comportamento diante de nossos semelhantes deve pautar-se por este sentimento fraterno que congrega e irmana os seres. E nossa postura diante de um nosso semelhantes deve ser de respeito e de confiança.
A nossa religiosidade nos distingue perante nossos semelhantes e nos qualifica como seres regidos por Deus e suas divindades, e todos esperam de nós uma conduta e uma postura condizente com o que nossa religião prega: — amor e fraternidade para e com nossos semelhantes.
Meditem e reflitam se vossa fé é forte e se vosso comportamente e postura a refletem ou se vossa religiosidade está precisando aperfeiçoar-se e vossa fé está necessitando de um reforço extra, pois está fragilizada pelas vossas dificuldades do dia-a-dia. Extraído do Livro “Doutrina e Teologia de Umbanda” Editora Madras / Rubens Saraceni.

 Pai Rubens Saraceni.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Ação Mágica e Ação Religiosa

Então, para esclarecer de uma vez por todas essa dúvida vou ser didático, porque à partir deste esclarecimento creio que muitas outras dúvidas serão sanadas.  Comecemos por esses pontos:
Ação ou ato religioso é aquele on­de o poder divino flui e manifesta-se de dentro para fora das pessoas neces­sitadas de auxilio e amparo.
Ação ou ato mágico é aquele onde o poder divino flui de fora para dentro das pessoas necessitadas de auxilio e amparo.
Também existe uma terceira ação que é mista ou de dupla ação e tanto age de dentro para fora quanto de fora para dentro das pessoas necessitadas de auxilio e amparo e denominada ação mágica-religiosa.
Após isso vamos a outro ponto que deve ser esclarecido e que refere-se ao duplo aspecto que tudo o que existe possui e que são os lados interno e ex­terno. Esse duplo aspecto começa em Deus e alcança até a matéria.

Senão, então vejamos:

Deus possui em si um lado ou as­pecto interno, inerente à sua própria na­tureza divina que é impenetrável e incog­noscível para nós, os espíritos, uma vez que somos emanações dele, que é nosso Divino Criador.
Sabemos que, enquanto espíritos, provimos dele, mas não sabemos como essa geração acontece “dentro” dele pois isso e tudo o mais que existe é gerado dentro desse lado interno, impe­netrável e indevassável e sequer imagi­nável por nós sobre a forma como acon­tece.
Mas Deus possui seu lado ou aspec­to externo, lado esse que pode ser pers­crutado, identificado, estudado e apre­en­dido por nós, os espíritos criados por Ele. Observando e estudando o lado ex­­- ter­­no de Deus descobrimos suas ações ou atos criadores na origem de tudo, desde nós mesmos até a matéria.
Foi essa possibilidade de observar e estudar os aspectos ou o lado externo de Deus que levou a humanidade a des­cobrir a existência das divindades e de um plano ou dimensão divina as criação, ha­bitado só por seres divinos, plano esse que nos é inacessível porque somos espíritos.
A partir da existência dos dois “la­dos” da criação, um interno e outro ex­terno, e da existência desse duplo as­pec­to em tudo o que Deus criou podemos comentar as diferenças entre ações má­gicas e religiosas.
O fato é que toda a ação religiosa se realiza de “dentro para fora” e toda ação mágica se realiza de “fora para dentro”.
Explicando melhor, toda ação reli­gio­­sa realiza-se através do lado interno da Criação e de tudo e de todos criados por Deus.
E toda ação mágica realiza-se atra­vés do lado externo interno da Criação e de tudo e de todos criados por Deus.
Com isso entendido, falta dife­ren­ciar as ações propriamente ditas, para reconhecer qual é uma e qual é a outra.

Vamos a alguns exemplos de ações mágicas e religiosas:

1º - Uma pessoa vai a um centro de Umban­da e ao con­sultar-se com um Guia es­pi­ri­tual, este, após ouvir com aten­ção os pro­ble­mas ou pedidos de aju­da recomenda-lhe que vá até um dos pon­tos de for­ça da na­tureza e faça uma ofe­renda para determi­nado Orixá pois só assim será auxiliado.
Essa é uma ação mágica porque a ajuda virá através da oferenda feita na natureza, à qual o Orixá invocado ati­va­­­rá e desencadeará uma ou várias ações “de fora para dentro” da pessoa.
2º - Uma pessoa vai a um centro de Umbanda e o guia consultado reco­menda-lhe que comece acender velas de determinada cor para um Orixá e depois colocar-se em concentração por determinado tempo.
Essa ação é religiosa porque du­ran­te a concentração, o Orixá firmado atuará por “dentro” da criação e por “dentro” da pessoa trabalhando o lado interno dela desequilibrado devido a al­guma ação mágica negativa que desar­monizou-a internamente ou devido a seus próprios sentimento negativos, que a negativaram em um ou alguns sen­tidos.
Temos aí duas ações onde a pessoa fez duas coisas parecidas, mas ao ir à natureza e fazer uma oferenda para determinado Orixá a pessoa ativou no ponto de forças do Orixá invocado um “campo” mágico a partir do qual será ajudada.
Essa ação vem “de fora” (da natu­reza) para dentro da pessoa (sua vida), auxiliando-a através do seu lado exter­no.
Já no exemplo da vela acesa e con­sagrada para o mesmo Orixá dentro de sua casa e a concentração, recolhi­men­to e isolamento, essa é uma ação religio­sa, porque o Orixá invocado tanto atua­rá pelo lado de dentro da Criação em be­nefício da pessoa, quanto atuará à partir do íntimo dela (o seu lado de den­tro), pois só assim reequilibrará os seus sentidos desequilibrados e só à partir do seu recolhimento, concentra­ção e isolamento momentâneo poderá rearmonizar suas fa­cul­dades men­tais e o seu mag­netismo, recali­brando seu cam­po magnético e ree­nergizando e for­tale­cendo seus cam­pos vibra­tórios, facil­mente traba­lha­­dos de dentro para fo­ra mas de difícil recalibra­gem quando a ação é de fora para dentro, já que a maio­­ria desses de­se­quilíbrios são inter­nos.
Existe uma gran­de difi­­culdade em diferen­ciar uma ação mágica de uma ação religiosa mas sempre é possível perceber as diferenças.

Vamos a mais dois exemplos:

1º - Uma pessoa vai a um centro e o Guia espiritual, recomenda-lhe tome um banho de descarrego feito com fo­lhas de ervas, ou com flores e etc.
Essa é uma ação mágica o “banho” irá remover suas sobrecargas ener­géticas com uma ação de fora (o banho) para dentro (o espírito da pessoa).

2º - Uma pessoa vai a um centro e o Guia recomenda-lhe que faça um “ama­ci” na força de determinado Orixá.
No dia acertado e após certo res­guar­do alimentar e comportamental a pessoa volta ao centro e o dirigente dele, ou um médium graduado aplica-lhe o amaci e manda que recolha-se em sua casa e só retire-o da “coroa” no dia seguinte.

Essa ação é religiosa porque o amaci é aplicado em seu chacra coronal ou no seu “ori” e irá inundar seu lado interno com uma energia elemental consagra­da, imantada e vibracionada pelo Orixá invocado que a manipulará através do lado de dentro da pessoa necessitada desse tipo de auxílio interno ou religioso.

- Um banho de ervas é um ato mágico.

 - Um amaci de ervas é um ato religioso.


Um atua de fora para dentro e outro atua de dentro para fora, certo?


Vamos a mais um exemplo:

1º - Uma pessoa vai a um centro pa­ra receber um passe, ou seja, uma ação do Guia Espiritual para ela.

2º - O Guia vê o problema da pessoa e pega seu nome em um papel ou sua fotografia e “cruza-a” e a coloca em seu ponto riscado ou sob os pés de uma imagem “entronada” no altar do centro, desencadeando na vida da pessoa uma ação de dentro para fora, pois tanto o seu ponto riscado está ativado dentro do campo religioso do Orixá sustentador do Cen­tro quan­to todo altar é um portal para o lado divino da Criação.

Nos dois casos, (o ponto riscado do Guia e o altar) toda a ação, ainda que pa­reça mágica, é na verdade religiosa porque o auxílio vira diretamente do “lado de dentro” da Criação e através do Orixá sus­ten­­tador do centro.
No primeiro exemplo a pessoa rece­be com o passe uma ação mágica (será descarregada e trabalhada) por fora.
No segundo exemplo a pessoa será au­xiliada por dentro e será traba­lhada internamente pois o passe ou o descarrego não alcança seu “lado de dentro” e sim, efetua-se em seu espírito e seus campos vibratórios.
Só pelos exemplos que demos já se tem uma idéia de como é complexo o campo religioso e o magístico.
Saibam que a Umbanda serve-se dos dois tipos de ação para auxiliar as pessoas que os freqüentam assim como aos seus médiuns, que também são auxiliados se seguirem à risca as orientações dos seus Guias Espirituais que ora recomendam-lhe acender em casa uma vela para determinado Orixás ou anjo da guarda e ora recomendam-lhe fazer uma oferenda na natureza, ou que tome um banho de ervas, etc.
Por isso muitos a classificam como uma religião mágica, pois nela estão bem ostensivos os dois lados da criação e os dois lados de uma mesma coisa, sendo que um lado é o religioso, ou o interno; e o outro lado é o magístico ou externo.
Esperamos ter fundamentado as práticas de Umbanda, tanto as internas quanto as externas.


Pai Rubens Saraceni.