Páginas

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A Magia na Umbandista

A umbanda é magia: magia não é privilégio de ninguém. Magia é a arte de manipular a natureza criando campos de força. E é exatamente isso que fazem os Guias nos Templos Umbandistas. Juntam elementos para criar, desde um simples patuá, até uma enorme energia positiva para destruir outra da mesma intensidade, criada por espíritos malignos. Magia não tem receituário nem dicionário. Magia é magia. Apenas é lamentável o mau uso do termo magia.
Todas as pessoas que trabalham na Umbanda são pequenos magos. Uns conscientes e outros inconscientes, mas, direta ou indiretamente, praticam a magia. Por ignorância tem gente matando cabritos, comendo carne crua e alguns, pasmem, praticando a magia do sexo, esta a mais burra e inexistente magia. São pessoas desorientadas e pervertidas usando o nome da magia para saciar seus instintos grotescos. Isto nada tem a ver com a verdadeira magia e muito menos com a Umbanda. Os Guias são sábios magiadores do BEM.


Magia do álcool

A cachaça, o vinho, a cerveja e etc..., têm função magística. No plano astral, servem para fins que fogem, na maioria das vezes, completamente à nossa compreensão. Pela volatilidade do álcool, apresenta eterização para desintegrar morbos e campos de forças mais densos. Espírito não vem no terreiro para beber. Um Exu Senhor Tranca Ruas das Almas, inquirido sobre a necessidade do espírito beber respondeu: - “se quisesse beber não viria nos terreiros. Iria freqüentar os bares onde vivem os alcoólatras e lá arranjaria um copo-vivo (ermo usado para aqueles que são dominados por espíritos viciados em bebida).
Aqui vale um ensinamento. No mundo espiritual existe o principio da lei dos semelhantes, ou seja, o semelhante atrai o semelhante. Todo homem embriagado quase sempre está acompanhado de um espírito semelhante. O grande problema é que, como o espírito não pode ingerir a bebida, ele aspira, para sua satisfação, a emanação do álcool, razão pela qual o bêbado (copo-vivo), ingere enormes quantidades de bebida. Uma parte para ele e outra para o espírito. Interessante que esses espíritos protegem o seu doador, bem como nós fazemos com o copo que nos serve para beber água, mas quando não mais lhe serve, abandona a criatura em estado deplorável.

 Magia da fumaça

Todas as religiões do mundo usam a fumaça como depurador das energias. A defumação é sagrada e consagrada pelo mundo inteiro, desde os monges tibetanos até os padres católicos. O turíbulo do Guia é o charuto, o cachimbo ou o cigarro.... Faz parte da cultura indígena e, por extensão, da umbanda. Não devemos confundir a fumaça do charuto com a defumação através de ervas ou bastões cheirosos. Ambos têm funções importantes na religião, mas são usados de forma diferente. Não devemos esquecer os vários tipos de fumaça usadas pelos espíritos. Além do charuto, o cachimbo do preto-velho, o cigarro comum das pombas-gira e alguns exus, também produzem o mesmo efeito.
Aqui cabe a mesma consideração, espíritos guias não fumam. A fumaça que se eteriza é que tem função magística...



Magia do som e do movimento

A música foi feita para as pessoas se amarem. O som mexe nossos sentimentos. E também fazia parte da cultura dos índios. É um mântra. Mas não é só isso. O som repercute no éter. Ele vibra. A fala mansa domina e a fala grosseira irrita. Ele tem um equilíbrio, regulando nossas emoções. Quando ouvimos uma música forte, sentimos força interior. Ficamos mansos e dóceis ao som de uma música suave. Quem não se lembra da suavidade da canção de ninar docemente cantadas por nossas mães? E quem não se lembra dos sustos e medos passados na infância por gritos histéricos de alguém? Imaginem estarmos sentados à beira de um rio, olhos fechados, ouvindo o gostoso barulho da água formando pequenas marolas, ainda premiado com o canto de um sabiá e outros pássaros e uma pequena brisa nos refrescando. É um sentimento ligado ao som e ao movimento. Agora estamos voltando para casa. Os carros em sentido contrário fazendo o ruído na janela, a buzina dos apressados motoristas tentando a ultrapassagem, com o som ligado em volume máximo, tocando um pagode imoral desses conjuntos comerciais ou as barulhentas guitarras dessas bandas histéricas. Nossas emoções, com certeza, serão diferentes.
O movimento tem o mesmo efeito do som. Reparem que um andar seguro, calmo e firme transmite uma personalidade segura. Um andar desordenado e atabalhoado agita as energias em sua volta. Vejam um exército marchando. O garbo dos soldados emociona a todos. Falei do andar. E a dança! Quantos efeitos ela causa. Quando se fala em espiritualidade nosso parâmetro é Jesus Cristo. Jesus era um homem sereno, de andar firme, gestos harmoniosos e voz suave, pausada e clara, o que em absoluto me faz pensar fosse um homem triste. Ao contrário, imagino tenha sido um homem levando sempre um sorriso a todos, mas nunca deve ter dado uma gargalhada. Nas suas caminhadas não devia cansar, pois seus passos deveriam ser firmes e uniformes, sem jamais correr. Se alguém me perguntasse qual o movimento mais equilibrado que pudesse conceber, responderia, sem hesitação: o levantar do braço de Jesus Cristo acompanhado de sua firme voz.
Assim devem ser os Pontos Cantados e as danças na Umbanda. Se os pontos não forem cantados dentro da sua harmonia, com a mentalização sagrada e religiosa de quem vibra mentalmente nas irradiações dos Orixás e Guias, se tornam um amontoado de sons, sem repercussão magística. É necessário que os pontos sejam mântras, cantados com respeito, amor e vibração. Não se trata de formar um coral ou de se fazer uma apresentação vocal. Trata-se de concentração, respeito e amor naquilo que se está fazendo: invocando, louvando e irradiando caritativamente as vibrações sagradas ou Guias de Trabalho da Umbanda.
O mesmo podemos dizer da dança, que deve ser invocatória, harmonizada pelos gestos às vibrações invocadas. Isto acontece na maioria dos ritos religiosos, principalmente no Oriente. Canto e dança no louvor e invocação do sagrado.



Magia da guia

A guia é um elemento de ligação entre o médium e o espírito ou vibração. Imanta-se um campo de força nela centralizado, criando uma eficiente proteção contra eventuais energias negativas.
Ela se torna um pára-raios, ou melhor, um pára-energias. Às vezes ela arrebenta pela atração de energias negativas e forte. Essa pequena guia serve para o médium, como para invocar e atrair energia negativas, num ato de caridade em relação aos outros. Elas devem ser fechadas com duas firmas que concentram a polaridade positiva e negativa. Poderão ter, presas, uma cruz de aço, ou outro emblema ou ponto riscado dado pelo seu Guia, ou Guia da casa em que você trabalha.
A guia deve ser feita de acordo com a vontade do Guia que a solicite. Guia não é colar e, muito menos, enfeite. Existem vários tipos de guias. As guias dos orixás do médium, que são feitas com contas da cor cultuada pelo terreiro. São contas de cristal ou louça, e suas miçangas podem ser distribuídas com bom gosto. Mas jamais exageradas ou grande. Deve ser usada pendurada no pescoço e nunca atravessada no ombro, pois isto é coisa para quem tem cargo e assim é determinado. Atravessar Guia simboliza chefia. As guias podem conter sementes de capiá, também conhecida como lágrimas-de-Nossa-Senhora, outras sementes como coronha (olho-de-boi), bambús, olho de caboclo, conchas e outros elementos marítimos e até penas coloridas, tudo de acordo com a solicitação da entidade, autorização do Templo e conforme a sua origem.
Os pretos-velho, normalmente, são mais simples em suas guias. Gostam de muita simplicidade e preferem a guia inteira de sementes de capiá e poucos elementos.



 Magia do ponto riscado

A sagrada grafia dos orixás serve para identificar o espírito comunicante, para chamar falanges e construir campos de força.
Através do Ponto riscado a Entidade se identifica e cria o campo energético de trabalho da sua vibração. Quando uma Entidade risca o ponto ele exerce uma atividade magística de identificação, para o campo astral, de suas ordens e comandos de trabalho (se identifica), pede licença para trabalhar dentro dessa vibração e mantém o pólo magnetizador que atrai energias pesadas, neutralizando-as e envia energias saudáveis ao consulente.
Os Pontos riscados são também usados na invocação das Vibrações dos Orixás e para a formação das Mandalas magísticas de trabalho em prol da caridade.



Magia do ponteiro

Os antigos magistas já usavam a espada como elemento de grande importância em seus trabalhos de magia. Na verdade a ponta do aço é usada para explodir campos negativos de forças. Quando fincado, ele firma a magia, ou seja, firma o ponto. Todos os espíritos, na umbanda, fazem uso do ponteiro. É difícil identificar suas intenções quando "batem os ponteiros". Mas batem, e batem muito bem.



Magia do Templo Umbandista

O Templo Umbandista é a casa santa dos umbandistas. Nele se concentram todas as energias dos Orixás e Guias. Suas firmezas, o Congá, o Santuário, a Casa dos Exus, o respeito dos freqüentadores.
É o lugar onde cultuamos e desenvolvemos nossa espiritualidade através do emocionante encontro com o mundo dos espíritos, o outro lado da vida, a nossa Aruanda.



Magia da Disciplina e da Hierarquia

Uma pessoa muito culta me disse um dia: "gostei muito da Umbanda. Lá todos são deuses, ou seja, todos têm condição de fazer o milagre." A hierarquia na umbanda é respeitadíssima por todos os participantes. O pai (Babalorixá) dita as regras e a filosofia da casa, os pais e mães-pequenos são seus auxiliares diretos, as Ekédis cuidam da gira e dos médiuns e os ogans cuidam da disciplina e do conjunto de instrumentos usados no terreiro. Sobre a obediência à hierarquia o Caboclo das Sete Encruzilhadas disse: quem não sabe obedecer, jamais poderá mandar. Este conjunto de respeito forma a união e a integridade mágica da casa espiritualista de Umbanda. Sem disciplina rígida e séria uma Casa de Umbanda não prossegue seu trabalho sob os auspícios da Espiritualidade Superior. O que parece, às vezes, exagero do Pai ou Pais e Mães pequenos no sentido da manutenção da disciplina, do respeito ao terreiro e aos Guias, do respeito à hierarquia constituída, da não permissão de fofocas ou conversas fúteis, constitui-se, na verdade, no grande para-raio ou entrave à entrada de espíritos obsessores, zombeteiros, mistificadores que, em nome de uma suposta caridade sentimentalóide e adocicada, atuam criando confusões, brigas, desentendimentos, desânimos e queda da Casa Umbandista. Todo cuidado é pouco. Não importa que agrade ou desagrade. Quem tem o espírito de amor e busca um Templo sério e a verdadeira espiritualidade, que conduz à evolução, compreende, adere. Caso contrário, é melhor que fique de fora da corrente, pois o orgulho, a vaidade e a ignorância são instrumentos nas mãos dos inimigos invisíveis para a produção de parada ou desmoralização de um Grupo Espiritualista.
Diz André Luiz, pelo médium Chico Xavier que : "Caridade sem disciplina é perda de tempo".
A corrente é a grande força do Templo Umbandista. Na verdade, a corrente merece mais cuidados que as paredes e toda a estrutura física do Templo. Tudo gira em torno dela. Se um elo dessa corrente estiver fraco, pode desestruturar todo o trabalho e dar acesso às energias negativas que, muitas vezes, conseguem prejudicar a vida de muitas pessoas ligadas a essa casa espiritual. Devemos sempre lembrar: "Ninguém é tão forte como todos nós juntos".
Para manter a Corrente sempre iluminada a disciplina tem que ser rigorosa, e o seu princípio está no respeito à hierarquia. O membro da Corrente que não se sinta inserido nesse campo de atividade de acordo com as normas da Casa deve se afastar, pois será melhor para ele, e evitar-se-ão problemas futuros, bem como a possibilidade de entrada de quiumbas por tele-mentalização nesses médiuns desavisados.



Magia do Congá

O Congá é um núcleo de força, em atividade constante, agindo como centro atrator, condensador, escoador, expansor, transformador e alimentador dos mais diferentes tipos e níveis de energia e magnetismo.
É Atrator porque atrai para si todas as variedades de pensamentos que pairam sobre o terreiro, numa contínua atividade magneto-atratora de recepção de ondas ou feixes mentais, quer positivos ou negativos.
É Condensador, na medida em que tais ondas ou feixes mentais vão se aglutinando ao seu redor, num complexo influxo de cargas positivas e negativas, produto da psicosfera dos presentes.
É Escoador, na proporção em que, funcionando como verdadeiro fio-terra (pára-raio), comprime miasmas e cargas magneto-negativas e as descarrega para a Mãe-Terra, num potente efluxo eletromagnético.
É Expansor pois que, condensando as ondas ou feixes de pensamentos positivos emanados pelo corpo mediúnico e assistência, os potencializa e devolve para os presentes, num complexo e eficaz fluxo e refluxo de eletromagnetismo positivo.
É Transformador no sentido de que, em alguns casos e sob determinados limites, funciona como um reciclador de lixo astral, condensando-os, depurando-os e os vertendo, já reciclados, ao ambiente de caridade.
É Alimentador, pelo fato de ser um dos pontos do templo a receberem continuamente uma variedade de fluidos astrais, que além de auxiliarem na sustentação da egrégora da Casa, serão o combustível principal para as atividades do Congá (Núcleo de Força).
O Congá não é mero enfeite; tão pouco se constitui num aglomerado de símbolos afixados de forma aleatória, atendendo a vaidade de uns e o devaneio de outros. Congá dentro dos Templos Umbandistas sérios tem fundamento, tem sua razão de ser, pois é pautado em bases e diretrizes sólidas, lógicas, racionais, magísticas, sob a supervisão da espiritualidade.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Diferença entre sonho e projeção consciente


DIFERENÇAS ENTRE SONHO E PROJEÇÃO CONSCIENTE
 
PROJEÇÃO
SONHO
Os processos energéticos de saída do corpo são únicos e não deixam dúvidasNão existem
As sensações e condição de liberdade após a saída do corpo são únicasNão existem
A consciência tem o controle e a decisão pela vontade ou pelo pensamentoNão há domínio da situação
Mente mais ativa do que na vigília e raciocina com grande capacidadeAtividade mental habitual. Sonho é ilógico, não há raciocínio
Juízo crítico sempre presente. Certeza de que o corpo físico está à distânciaNão há juízo crítico. Aceita-se o absurdo com naturalidade
Visão aumentada várias vezesVisão normal
Audição aumentadaAudição normal
Mente raciocina com muita clarezaO raciocínio é embaçado e ilógico
Capacidade de discernimentoAceita-se o absurdo sem questionamento
O pensamento plasma formasNão plasma
Muita lucidezPouca ou nenhuma lucidez
Sensação de poderCondição intrafísica normal
Sensação intensa de liberdadeCondição intrafísica normal
Permeabilidade aos corpos físicosImpermeabilidade aos corpos físicos
Volitação (vôo) e euforiaNão acontece
Visualização de cenas de cima para baixo durante a volitação (vôo)Pode acontecer
Vivência de experiências e imagens reais, que não se deformam, meio ambiente definidoPode acontecer
Você é o atorVocê se vê atuando
Seqüência lógica e coerenteNão há seqüência lógica e coerente
Estado vibracionalNada que se possa interpretar como tal
Visão do próprio corpo físico (nem sempre ocorre)A visão do corpo físico não ocorre
Processos de decolagem (saída do corpo)Não há impressões de saída do corpo
A retenção de imagens e acontecimentos é mais difícilA retenção das imagens é mais fácil, embora as imagens sejam mais fracas
Predeterminação para a projeçãoDesconhecimento do assunto
Exteriorização de energiasNão acontece
Autoconhecimento do ato projetivoNão acontece
Pode ocorrer a dupla consciênciaNão acontece
Pode acontecer a situação de consciência contínuaNão acontece
Pode ocorrer efeito físicoNão acontece
Imagens mais fortes e retenção mais difícilImagens deformadas, irreais, fantasiosas
Retorno ao físico por toque, choque, sensação de tração pelo cordão de prataNão acontece
- Dados abaixo fornecidos pelo Instituto Monroe dos Estados Unidos -
O sonho durante o monitoramento físico
Nesse caso, um indivíduo que é monitorado fisicamente apresenta os seguintes sintomas:
1) Movimentos musculares;
2) Movimento ocular rápido (MOR);
3) Sudorese (suor);
4) Variação dos batimentos cardíacos de acordo com o tipo de cena onírica que o indivíduo vivencia.
A projeção durante o monitoramento físico
Nesse caso, um indivíduo que é monitorado fisicamente apresenta os seguintes sintomas:
1) Ausência de movimentos musculares (atonia);
2) Não apresenta movimento ocular rápido (ausência de MOR);
3) Não há sudorese (o indivíduo não sua);
4) Batimentos cardíacos minimizados;
5) Coloração pálida da pele em virtude da diminuição do fluxo sanguíneo;
6) Equalização do funcionamento dos hemisférios cerebrais.


Que a Divina Luz esteja entre nós.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Exu pede passagem


O Riso

É muito comum que as imagens de Exu estejam gargalhando. Algumas têm expressões sérias ou que sugerem maldade. Mas a maioria está rindo abertamente. O riso largo e solto, embora não pareça, é algo meio tabu dentro do campo religioso. Se observarmos as imagens dos santos nas igrejas, veremos que nenhum está rindo. A maior parte tem a expressão séria e piedosa e só alguns sorriem, apenas ligeiramente.
Exu, no entanto, gosta de rir. Ouvimos, desde crianças, a expressão: “Muito riso, pouco siso”. Em ocasiões pomposas e solenes, não se deve rir. O riso, todavia, faz parte do ser humano. Ele “desopila o fígado”, ameniza as tensões e provoca bem estar.
Nas incorporações dos guias da esquerda é normal os exus e pomba-giras darem sonoras gargalhadas, enquanto dançam e falam.
Embora a obra de Umberto Eco, “O Nome da Rosa”, seja ficção, ela nos traz importantes aspectos do Catolicismo na Idade Média, dos quais eu gostaria de destacar, aqui, a forma interessante como é tratada, no livro e posteriormente no filme, a questão do riso. Trata-se da relutância do velho frade franciscano em permitir o acesso ao Segundo Livro da Poética, de Aristóteles, sobre a Comédia. O horror dele à Comédia e ao riso é tão grande, que envenena as folhas do livro para que, todo aquele que o folheie, morra em seguida. William de Baskerville, o franciscano convidado a fazer uma investigação sobre as mortes que estão ocorrendo no convento, aos poucos vai percebendo a trama. Ao final do filme ele (William de Baskerville), acaba descobrindo onde se encontra o livro. A conversa que ocorre então entre ele, seu discípulo Adso e o velho frade que ocultara o livro, esclarece um pouco porque o riso e a comédia poderiam ser tão perigosos. Quando Adso pergunta por que esconderiam livros como esse, se havia algo errado, o Mestre lhe responde: “Não, Adso, é porque eles contém uma sabedoria diferente da nossa. E idéias que nos fariam pôr em duvida a infalibilidade da palavra de Deus. E a dúvida, Adso, é inimiga da fé. O riso mata o temor e sem temor não pode haver fé. E, se não se teme o demônio, não há mais necessidade de Deus”.
As imagens das Pomba-Giras estão quase sempre gargalhando e quando exus “incorporam-se” em médiuns masculinos, uma de suas principais características é o riso livre e debochado.

A Sexualidade

Os primeiros viajantes europeus a fazerem incursões pelo continente africano – o que já ocorria antes da descoberta do Brasil – encontraram, em observações feitas a templos religiosos, várias imagens diferentes de Exu. Como ele foi sempre considerado o guardião do limiar, era comum encontrar imagens suas às entradas dos templos, cidades, casas ou palácios. Com muita frequência a divindade Exu era representada com um falo mais comprido que o normal e em estado de ereção, por ser o senhor do movimento, aquele que tudo transforma e individualiza, associado portanto ao ato de procriação. Esta qualidade fálica de Exu aparece principalmente entre os daomeanos (Rodrigues, 1988). Em quase toda a África, é muito importante que os indivíduos tenham filhos. Nada de pior pode acontecer a um homem do que tornar-se impotente e à mulher, nada pior do que ser estéril, porque serão os filhos que cultuarão os pais como seus ancestrais. Se alguém não tiver a bênção de ter filhos, quem os cultuará depois de morto? Ninguém. Um individuo com o pênis ereto, pronto a fecundar uma mulher e dar origem a outro ser, é algo muito positivo. Exu, sendo o deus da procriação, um deus fálico, era assim representado, iconograficamente.
Creio não ser difícil imaginar o impacto causado nos viajantes europeus, brancos e cristãos, ao se depararem com essas imagens de Exus fálicos. No cristianismo, bem como em outras religiões, é dada uma ênfase muito grande à castidade (tanto masculina quanto feminina). É fácil supor o choque causado pelas imagens representando a divindade com o falo ereto. Era algo frontalmente diverso dos valores tradicionais cristãos. Desconhecendo completamente a cosmovisão africana e tendo como única medida apenas os seus próprios valores, Exu foi facilmente identificado como algo diabólico. Só o demônio poderia estar ali, com aquele comprido falo ereto, coisa tão terrível para o referencial cristão, que guarda ciosamente sua sexualidade e toda a decorrente exuberância advinda dela.
A ligação com demônio, portanto, já existia desde essa  época. A tese de que a África era uma terra da maldição, perdição e perversidade já era defendida por muitos teólogos da Igreja Católica, entre os quais o Padre Antonio Vieira.
Quando os escravos africanos chegaram ao Brasil, tão desvinculados de seu universo cultural, em terras tão estranhas e em condições tão difíceis, apegaram-se profundamente, como “nicho de resistências”, no dizer de Trindade (1985), ao seu orixá mais importante, Exu.
Os senhores brancos certamente perceberam isto. Começou então um processo gradativo que objetivava a total degradação de Exu. Era preciso compará-lo frequentemente ao diabo, o inimigo número um de Deus, na cultura ocidental. Não é tão difícil lançar uma idéia. Por mais absurda que seja, se ela encontra terreno fértil, espalha-se como as ervas daninhas.
Era preciso fazer com que os escravos fossem, aos poucos, acreditando que a única coisa boa que ainda tinham, na verdade era uma coisa má, diabólica e maldita.
A sexualidade, no sapiens, transcende em muito a dos outros animais. Assume um caráter excepcional, para o sapiens, muitíssimo mais complexo do que o é para qualquer outro ser da escala animal.
Não se restringe a cópulas periódicas e à perpetuação da espécie, ao contrário, ela ultrapassa em muito esses limites. Permeia toda a vida dos homens e das mulheres, transcende nos gestos e nas palavras que pronunciam, nos seus atos mais cheios de ternura mas também nos mais vis. Envereda por caminhos estranhos e perversos e por desvios histéricos e fanáticos. A sexualidade pode tornar-se perigosa na mente de um psicopata, assim como pode parecer inocente numa poesia pueril.
Lembrando Morin, a própria institucionalização da família e a consequente regulamentação da sexualidade gerarão uma série de problemas internos, geralmente esquecidos pela Antropologia, mas muito bem desvendados pela Psicanálise, que tornarão a vida afetiva dos indivíduos e suas relações interpessoais extraordinariamente complexas.
Para ele: Vidas vão ser fulminadas, martirizadas, transfiguradas por desejos insensatos, amores dementes, encontros furtivos e, a partir de então, cada vida será dupla, com sua parte imersa, cada sociedade viverá sua vida dupla, sua vida oficial e sua vida crônica.(Morin, 1975)
Desnecessário seria dizer, mas Exu, segundo sua mitologia, com toda a certeza, apropriar-se-á (ou farão com ele se aproprie?) dessa parte imersa do indivíduo, dessa sua sexualidade subterrânea, que Morin descreve tão bem.
Exu, em muitas de suas formas, avatares, nomes, roupas, expressões faciais, representa claramente essa sexualidade tão desvairada. E o chamado “exu feminino”, a Pomba-Gira (uma corruptela da palavra Bombojiro, que é como os Bantu chamam Exu), é a própria expressão da mulher encarnando um tipo de sexualidade pervertida.
Como a sexualidade feminina foi sempre muito reprimida no Ocidente, a Pomba-Gira representa justamente essa “sombra” da mulher. Esse lado ciosamente escondido. O lado exuberante, sensual, debochado, não é bem visto numa mulher. A Pomba-Gira assimila-o e o expõe sem receios.


A Morte

A consciência da morte é, para o homem, o mais cruel e terrível de todos os enigmas. O ser e não-ser, ao mesmo tempo, é algo inimaginável. Os ritos funerários, o cerimonial feito pelos parentes da pessoa morta, sempre foram e são até hoje, objeto de estudo de antropólogos, sociólogos e psicólogos. É, certamente, o objeto maior da atenção de religiões e religiosos de todas as culturas. O homem não aceita a morte como fato consumado. Já alguns primatas, como o chimpanzé por exemplo, parecem não aceitá-la da mesma forma que os outros animais.
Essa questão do “reconhecimento” da morte como algo inevitável e irreparável, que acontecerá fatalmente a todos e a não aceitação dessa mesma morte, é tratada na obra de Edgar Morin. Ele observa que os mais antigos túmulos conhecidos são do homem de Neandertal, que já era sapiens. Algumas destas sepulturas apresentam vestígios de pólen sobre o cadáver, o que sugere que o morto teria sido colocado sobre uma “cama” de flores. Outras mostram que ao lado dos despojos eram colocados utensílios domésticos, armas e comida. Ora, tudo isso nos mostra claramente que já havia aí, não indícios de espiritualidade, mas uma não aceitação da morte como fato consumado e crenças numa transmortalidade, seja na forma de sobrevivência da alma ou de reencarnação. (Morin, 1975:101,102,103)
Existem muitos nomes e significações ligados a Exu e a Pombo-Gira, mas a maior parte desses nomes está, sem dúvida, associada à morte. Alguns autores citam Omolu (ou Obaluaiê), juntamente com Exu, como os senhores da Morte e do Mal. Temos então: Exu Caveira, Exu Tata Caveira, Exu Omolu, Exu do Cemitério, Exu Calunga, (calunga pequena – cemitério, calunga grande – o mar), Exu Sete Cruzes, Exu Sete Covas, Exu Catacumba, Exu Sete Sombras, Exu Seu João Caveira, Exu Calunguinha do Mar. Pomba-Gira das Almas, Pomba-Gira da Calunga, Pomba-Gira do Cruzeiro. Todos estes nomes e muitos outros, referem-se sempre a cemitérios, morte, túmulos e covas.
Sendo a morte sempre algo em que não se gosta de pensar, dói demais, nada melhor do que ter alguém para carregá-la e talvez conseguir até afastá-la o mais possível, pois Exu tem também poder sobre ela. Assim como ele é o Grande Senhor da Vida e do Movimento ele também é o da Morte (Ikù), que é a cessação de todo o movimento. Como guardião dos limiares, ele é também o “dono” do portão do cemitério.
Como vimos o grande e angustiante conflito existencial do ser humano, que é a morte, encontra em Exu um fantástico representante.
Acredito que, com este estudo sobre as várias representações de Exu, não fica difícil perceber que ele, na verdade, assimilou e catalisa, hoje, alguns dos mais importantes aspectos dos lados sombrios, apavorantes e inaceitáveis da criatura humana.

O Espaço

Seus nomes comumente afirmam que ele é o “controlador dos destinos”, o “senhor dos caminhos” e, por conseguinte, é o dono da encruzilhada e o dono do limiar. Estes títulos – ou atribuições – apesar de terem suas origens nos tempos míticos da velha África, são atributos que ele mantém até hoje na Umbanda e mesmo na imaginação popular. Monique Augras (1985), refere-se com pormenores acerca da periculosidade do conflito existencial que é o espaço, para os seres humanos. Aliás, não só para estes, como também para a grande maioria das outras espécies animais. O espaço transcende os limites impostos pela nossa própria pele. Nosso espaço não é só aquele ocupado pelo nosso próprio corpo. Ele vai muito além. Ele é também nossa casa, particularmente nosso quarto, nosso escritório ou consultório, nosso carro, nossa rua, nosso bairro, nossa cidade. É em virtude de questões vinculadas à posse de espaços territoriais que são travadas a maior parte das batalhas e guerras nas quais se envolvem países, nações e agrupamentos humanos.
Exu rege os caminhos e os espaços. Como vimos, através das citações de Monique Augras, não é difícil constatar a importância da questão do espaço. Assim, não será também estranho que, dentro da filosofia do Candomblé, somente um orixá tão importante quanto Exu fosse capaz de reger algo tão complexo quanto o espaço. A encruzilhada é dele, pois é o lugar onde dois espaços se cruzam. Ela não precisa, apesar do nome, ser necessariamente em forma de cruz, ou seja, abrindo a possibilidade de quatro escolhas. Pode ser em forma de ‘T’ ou, como nas antigas cidades gregas, de ‘Y’. Aí, as opções ou escolhas podem ser em número de três. Ou pode ser uma “encruzilhada” que permita uma, entre duas possibilidades.
(…) e lembramos a associação que se faz de Esù e as encruzilhadas, representação por excelência da multiplicidade de caminhos e da geração e da imposição de alternativas e possibilidades. Destino e encruzilhadas estão, sem dúvida, intimamente ligados. Como Inspetor Geral de Olodunmare, ao mesmo tempo em que está em todos os lugares e em todas as formas criadas, Esù está simbolicamente representado na encruzilhada, onde assiste e acompanha todas as escolhas feitas pelos homens na sua caminhada pela vida. (Ribas, 1997)
A soleira da porta é guardada por ele também, pois o portão ou porta de uma casa é justamente o lugar onde termina um espaço coletivo – o “espaço da rua” – e começa um espaço pessoal. Ou vice-versa. O espaço da rua é um espaço de todos, teoricamente um lugar mais perigoso. O espaço pessoal é menos perigoso, fecha-se a porta e se estará ao abrigo de ladrões e pessoas perversas. Ao abrigo das intempéries e dos olhares alheios. O limiar guarda simbolismos existenciais profundos e complexos.
Nada mais justo que uma divindade importante como Exu, tome conta dele. Tanto em várias lendas e mitos quanto em contos de fadas encontramos momentos em que os guardiões dos limiares são criaturas perigosas e ferozes.
Mircea Eliade (1992) fala-nos acerca dos achilpa, uma tribo Arunta (Austrália). Segundo suas tradições um ser divino, Numbakula, nos tempos míticos havia sacralizado o tronco de uma árvore da goma (kauwa-auwa). Este tronco tornou-se um poste sagrado e os achilpa levavam-no sempre consigo, pois escolhiam a direção que deviam seguir dependendo da inclinação do poste. Tendo este uma vez se quebrado, toda a tribo foi tomada de grande angústia; vaguearam durante algum tempo e finalmente sentaram-se no chão e deixaram-se morrer.
Creio que este exemplo é extremamente notável para demonstrar a importância, para o ser humano, em demarcar o seu espaço. Hoje, em nossa cultura, “marcamos” nossos espaços, através de escrituras de compra e venda, por exemplo. Assim, esta casa é minha, pois eu a comprei. Eu tenho a escritura que comprova que ela é minha. Todavia, em outras culturas, não é assim tão simples a legitimação do espaço. Como vimos, para os achilpa, é um poste sagrado que, dependendo do lado para onde ele se inclina ou pertence estático, torna aquele determinado local como sendo legitimamente habitável para eles e seus rebanhos.
Para os povos indígenas das Américas, sempre pareceu muito estranho que os europeus quisessem provar-lhes através de um simples papel, que aquela terra era deles e não dos índios.
O espaço sagrado é sempre diferenciado do espaço profano.
Assim, os templos e as Igrejas são lugares sagrados. Na Umbanda, o conga é o “eixo cósmico”, pois é ali que, durante as giras, as entidades vão descer e incorporar-se nos médiuns.
Geralmente, há rituais que demarcam as fronteiras entre o espaço sagrado e o profano. Nas Igrejas Católicas, ajoelhamos e fazemos o sinal da cruz, antes de entrar. Nas mesquitas muçulmanas, os homens tiram os sapatos antes de entrar no templo. Nas Tendas Umbandistas, pede-se que os fiéis, antes de tomar passes ou fazer consultas, tirem os sapatos, o relógios, jóias e óculos.
No Candomblé, Exu rege os espaços mas, essa característica, de certa forma passou para a Umbanda de modo muito enfático. Ele rege o limiar, conforme já foi dito antes. Mesmo nos centros umbandistas mais “puxados” para o Kardecismo, no portão de entrada, se não houver uma imagem de Exu, há pelo menos uma oferenda a ele: um copo de aguardente, um charuto aceso e uma vela preta (ou vermelha) acesa.
Ao pensar em todas as batalhas, guerras e conflitos políticos que já abalaram o mundo, vê-se que, quase sempre, eles acontecem em virtude da posse de determinados territórios.
Assim, Exu torna-se, então, Exu Vira Mundo, Exu Tranca Ruas, Exu Sete Encruzas, Exu Sete Porteiras, Pomba-Gira Rainha do Cruzeiro, Pomba-Gira da Praia, Exu da Encruzilhada

Os escritos acima fazem parte do livro, Exu pede passagem cuja autora é Mara Martins Passos.
"Exu pede Passagem", editado em 2003, pela Editora Terceira Margem. 

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O Pequeno Universo do Umbandista


A riqueza da Umbanda é incontestável. Essa riqueza é percebida nas liturgias, festividades, pontos cantados e tantas outras manifestações encontradas nos terreiros espalhados pelo Brasil. A imensa diversidade constitui – ou deveria constituir – um fator de enriquecimento da Umbanda enquanto religião e do umbandista enquanto ser pensante e atuante, no entanto (e paradoxalmente), esse mesmo fator tornou-se um problema que exige cautelosa reflexão, já que gera controvérsias e desentendimentos internos.
Tanto quanto o Brasil, a Umbanda apresenta diferenças regionais, e não poderia ser diferente, já que dentro de um país continental é natural e até enriquecedor que essa diversidade toda exista – e é possível notá-la até nos menores detalhes: linguagem (em alguns casos parecem surgir verdadeiros dialetos), comidas típicas, costumes, etc. O universo cultural é vasto, porém quando não compreendido, constitui um problema, e é justamente isso que ocorre quando falamos do universo do umbandista.
O fanatismo religioso não é privilégio de nenhuma seita ou denominação, podendo estar presente em todos os meios sociais, como uma viseira intelectual que impede o seu portador de olhar para os lados ou para o óbvio que descortina diante de si. Todo sectarismo é burro e todo sectário é cego e apenas repete, feito um autômato, supostas verdades que lhe foram ditadas um dia. Cada templo ou terreiro de Umbanda é único e possui a identidade de seu dirigente e também das entidades que ali atuam, por determinação do astral.
O universo da Umbanda é colossal, mas o universo do umbandista é minúsculo quando ele não se permite olhar além das quatro paredes do seu terreiro. Nessa situação ele se torna pequeno, sectário, fundamentalista e ignorante, pois despreza a possibilidade de enriquecimento do seu aprendizado, renegando tudo que não seja comum às suas práticas habituais, como se somente elas fossem verdadeiras e válidas perante a espiritualidade.
Certamente existem diferenças litúrgicas entre os milhares de terreiros de Umbanda espalhados pelo país. Um determinado ritual realizado no Sul pode, sem problema algum, encontrar diferenças de um ritual praticado do Nordeste, e nem por isso será “menos umbandista”. O umbandista que não entende isso não entende também a rica diversidade da sua religião.
Sendo assim, poderia se dizer mesmo umbandista?
A resposta, nesse caso, deve vir após uma reflexão sobre a própria postura diante da religião e diante do se apresenta como novo diante dos olhos habituados a não ver nada além das paredes do templo que freqüenta.
O advento da internet, que possibilita uma comunicação e troca de informação maior entre as pessoas de diferentes regiões revelou um fato inusitado. Através dos vários fóruns de discussão sobre Umbanda, ficou claro que o umbandista, de uma forma genérica, tem dificuldades em aceitar aquilo que não conhece. E naturalmente não existe aquele que tudo conhece, visto que a diversidade, como já foi dito, é enorme e varia de acordo com as diferentes regiões.
Não conhecer essa diversidade em sua grandeza não é o problema. O real perigo consiste na dificuldade de aceitar aquilo que não reconhece como verdadeiro, como se apenas o seu pequeno universo fosse detentor da verdade absoluta sobre a prática da Umbanda. Tornou-se comum presenciar nos citados fóruns, a troca nada gentis de farpas entre pessoas que não defendem apenas convicções, mas sim a visão limitada que juram de pés juntos constituir a mais pura verdade sobre a religião, como se possuíssem uma procuração de Aruanda, atestando que a sua Umbanda é mais Umbanda que a do outro e tivessem autoridade para afirmar isso. Adjetivos nada polidos para quem deveria divulgar a Umbanda através do exemplo são proferidos contra irmãos-de-fé, que por não temer expor aquilo que conhecem e tomam como verdadeiro, sofrem verdadeiras humilhações e até perseguições por parte de alguns poucos que se valem da facilidade com que manipulam as palavras para agir dessa forma. Não percebe, este xiita do seu próprio terreiro, que nada mais faz do que expor a fragilidade e a limitação de seus conhecimentos, além de dar munição àqueles que tentam a todo custo denegrir a imagem da Umbanda.
Não se trata, em hipótese alguma, de defender a idéia de uma codificação da Umbanda, longe disso, mas é necessário que se estabeleça uma conduta ética, que pode (e deve) transcender a temática umbandista, partindo para a tão falada e pouco praticada lição do respeito às diversidades. Reconhecer “o outro”, em todas as suas diferenças é praticar a ética, e não temos o direito de reclamar tanto da intolerância das demais religiões se somos intolerantes com aqueles que deveríamos chamar de irmãos.
É óbvio que não devemos generalizar, mas notamos que, infelizmente, muitos umbandistas ainda estão presos ao seu pequeno universo, não aceitando sequer ouvir o que o outro umbandista tem a dizer. São pobres seres isolados em redomas de vidro que chamam de terreiros, universos que deveriam ser tão ricos, tendo em vista a bagagem cultural característica dessa manifestação espiritual, mas que tornam-se pequenos como as mentes que não conseguem enxergar além de suas paredes.
A Umbanda é maior que tudo isso, maior que as mentes cegas e maior que os pequenos universos, inversamente proporcionais à prepotência daqueles que advogam verdades supostamente absolutas.

Douglas Fersan

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Conhecendo Ogum em 20 ítens


1. Senhor dos metais, das guerras e dos caminhos;
2. A ele deve-se pedir proteção para passar por lugares perigosos;
3. Protetor de todos que manejam ferramentas: ferreiros, barbeiros, militares, agricultores, etc.;
4. Patrono da tecnologia, pois é o símbolo da força manual sobre o conhecimento prático;
5. Sincretizado com São Jorge e Santo Antonio;
6. Filho mais velho de Iemanjá é irmão de Exu e Oxóssi;
7. É a linha divisória entre razão e emoção;
8. Ogum é a franqueza, a decisão, a certeza e o fato consumado;
9. Implacável, destemido, lutador incansável e vingativo;
10. No entanto, pode ser dócil, amável e muito disciplinado. É a vida em plenitude;
11. Depois de Exu é o orixá mais próximo das mazelas e defeitos humanos;
12. Senhor das demandas, é o guardião dos templos, o que protege as porteiras;
13. É o que vem primeiro, está sempre à frente;
14. Exu representa a magia e Ogum, a guerra. É o general sempre disposto ao combate;
15. Os locais consagrados a ele ficam sempre ao ar livre;
16. Os instrumentos de Ogum são sete: alavanca, machado, pá, enxada, picareta, faca e espada;
17. Seu lema é: Aos amigos, tudo. Aos inimigos, a cólera implacável;
18. O sangue que corre em nossas veias é regido por Ogum;
19. Sua cor é  a vermelha; seu dia a terça-feira;
20. Saudação: Ogunhê meu Pai! Patakori Ogum!

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Os orixás, influênciam nossa personalidade?


No meu entendimento, os orixás de coroa são as energias que mais precisamos ter para fazer face ao destino da presente encarnação. Não esqueçamos que os orixás de coroa são os que nos influenciam mais e temos outros mais de 300 nos influenciando também.
Se entendermos como sendo nosso DNA espiritual acredito que nascer com características é uma coisa bem distinta de ser as características. Mas não quer dizer que as característica básicas , seu "pedigree" , sejam pontos essenciais a sua personalidade, pois há influencias de outros orixás, do meio em que vive e dos carmas que carrega em sua encarnação.
Normalmente uma filha de Yansã é intepestiva, inteligente, inquieta , gosta de revolucionar tudo, adepta a mudanças, não é maternal , etc ... É como o vento , está sempre em movimento, atuando em todos os campos de atividades , ou seja é igual a Yansã que atua em todos os reinos da natureza.
A personalidade humana é resultado de várias vertentes, a mais latente é a vida em que o médium está inserido. Fora isso ele possuí uma essência originária de algum Orixá (entende-se como Orixá - força da natureza ou energia pura, o que é diferente de mãe e pai os quais estão denominados pelo sexo masculino ou feminino deturpando o sagrado), o que chamamos em algumas Umbandas como Orixá de cabeça e juntó.
O fato é que a condição pré-existente para digamos ser filho de determinado Orixá é a sintonia que o a pessoa, seu ori, sua individualidade, tem com o arquetipo coletivo do Orixá. Logo, o tipo humano já está definido ao nascer do ser no plano das formas e suas afinidades virginais é que o afinizam a vibracao do chamado Orixa.
Geralmente cada filho responde sim as caracteristicas do Orixá, mas o ser humano tem sua própria caracteristica, aquilo que é da sua natureza. Portanto, não é certo dizer: Fulano é assim porque é filho do ciclano. Cada Orixá tem sua caracteristica, e cada filho tem seu seu caracter, não podemos confundir as coisas, até porque , há muitos fatores que podem influenciar a personalidade da pessoa, como por exemplo, sua história de vida, ou etc.
Mas, o filho traz sim caracteristicas do Pai ou Mãe,ex: ( sou filha de Xango, tenho porte fisico definido como o de meu Pai, ou seja, troncuda, e a barriga não pode faltar claro, mas importante: não me atenho a mentiras, fofocas,nada que possa denegrir minha imagem ou a da meus irmãos. E se por acaso algo ferir minha dignidade, ou tirar minha razão, aí sim. Quem provocou a situação tem um grande problema nas maõs. Não acredito na verdade como um ponto de vista, para mim a verdade é unica e absoluta e acima de tudo SOBERANA.Ou fez ou não fez). Sempre fui assim mesmo antes de entrar para a religião.
Não diria totalmente influenciado, ex: ( não é por ser de Ogum que você sairá por aí criando guerra com todo mundo. Nem por ser de Xango que você deve sair julgando o seu proximo).

Vida de Médium

Então Quinta - Feira ele saiu apressado do escritório. Antes de entrar no carro recusou o convite para um copo com o pessoal de sua repartição. Ouviu uma ou duas piadas mas nem se importou, já estava acostumado com aquela situação. Seus amigos não entendiam a tamanha dedicação que ele tinha por sua religião.
Chegou em sua casa e foi directo se preparar para o banho, seus pensamentos já estavam todos focados no que aconteceria naquela noite. Passou pelo quintal e pegou uma vasilha com um líquido de ervas dentro. Ele havia preparado no dia anterior, e deixou lá tomando sol e sereno. Alguém lhe dissera que isto potencializava a energia daquele macerado.
Banho tomado, líquido com as ervas no corpo derramado, e lá estava ele. Já nem parecia mais o executivo de terno e gravata, celulares e compromissos importantes. Todo de branco, cabelo sem gel e uma felicidade estampada no semblante. Beliscou um pedacinho de pão caseiro que estava sobre a mesa, pois naquela noite não iria jantar.
Olhou no relógio como quem calcula minuto por minuto para não se atrasar. Coração já começara a bater mais forte, pois a semana inteira esperou por este dia. Voltou ao quintal e entrou em algo que parecia um quartinho. No local, em cima de algumas prateleiras forradas com toalhas brancas, imagens, pedras, velas, incensos e um curioso bem estar.
Acendeu uma vela branca bem ao centro, fez suas orações pedindo à espiritualidade que lhe acompanhasse. Olhou para a imagem de um índio que estava na prateleira ao lado, e, em silêncio, como quem fala com o olhar, pediu para ele também lhe acompanhar. Bateu a cabeça naquele altar, respirou fundo e sentiu as batidas de seu coração aumentar.
Logo já estava lá, uma casa simples, porém, muito bem organizada. Na entrada se curvou como quem cumprimenta alguém. Abraçou seus amigos, pediu a benção para um senhor, guardou uma mochila que trazia com ele. Bateu a cabeça em algo muito parecido com o altar que ele tinha em sua casa, mas bem maior.
Posicionou-se como que fazendo parte de um círculo de pessoas. Todos em silêncio, em oração. Estava ele em uma corrente de irmãos. Fora da corrente, pessoas se acomodavam em bancos. Novos, velhos, pobres, ricos, brancos, pretos e amarelos. Não havia distinção. Todos seriam atendidos naquela noite.
O toque do tambor demonstra que está começando a reunião. Reunião de pessoas encarnadas e desencarnadas, em nome do amor. Uma lata perfurada, com ervas sobre a brasa, é passada de um lado para outro. Nesta hora seu coração ficou sereno. Não está mais ansioso, está entregue de corpo, alma e pensamento. Pedindo a Deus que faça dele seu instrumento.
Mais adiante, depois de algumas canções e palmas, ouve-se uma letra que fala das matas, dos nativos da floresta. Seu pensamento se volta até a imagem do índio com quem trocou olhares em sua casa. Sente então uma presença ao lado, e mesmo sem nada ver, sabe que é ele que está ali. Sabe que ele lhe escutou, atendeu seu pedido e lhe acompanhou.
Nesse momento seu coração novamente disparou. Toda a espera da semana, as preparações que antecederam este momento e a recusa do copo com o pessoal do seu departamento. Seu mentor unido a ele espiritualmente para mais uma noite de caridade, mais uma noite cumprindo sua missão.

Conhecendo Iemanjá em 20 ítens


1. Filha de Olokum, deus dos mares (em algumas lendas Olokum é uma deusa);
2. Seu nome deriva da expressão “Yéyé omo ejá” que significa “Mãe cujos filhos são peixes”;
3. Conhecida também como: Dona Janaina. Inaê, Princesa de Aiocá, mãe dos peixes, etc.;
4. Senhora de toda a água salgada do mundo, que representa o choro das mães pelas vidas de seus filhos;
5. Dos seus seios correm todos os mares que fertilizam a terra;
6. Mãe de todos os Orixás;
7. Mãe de todas as coroas na Umbanda unindo-se a Oxalá;
8. Junta-se a Oxalá para complementar o Principio Gerador Feminino;
9. Protetora da gravidez, até o momento em que apara o bebê em seu nascimento;
10. Protetora dos pescadores e jangadeiros;
11. Regente dos lares e protetora das famílias;
12. Benevolente e preocupada com o bem estar de todos;
13. Sincretizada com Nossa Sra. Da Conceição e Nossa Sra. Dos Navegantes;
14. Suas cores são o azul claro ou o branco translúcido;
15. Tem um caráter tolerante de aceitação e carinho;
16. Age sobre o psiquismo e o sistema nervoso;
17. Rege todas as reuniões familiares preservando o sentido de grupo;
18. Invocada para trazer prosperidade e abundância;
19. Recebe variados tipos de flores brancas;
20. Sua saudação é: Odo Iyá Iemanjá! Odo Fiabá!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Conhecendo Oxalá em 20 ítens


1. Na África é cultuado como Obatalá;
2. Filho de Olodumaré recebeu no sincretismo a ligação com Jesus Cristo;
3.No entanto, Oxalá já era antes que Jesus o fosse;
4. Divindade mais importante do panteão africano, Orixalá que significa “Orixá dos Orixás”, teve, com o tempo, seu nome contraído para Oxalá;
5. Associado à criação do mundo e de toda a espécie humana;
6. Não tem mais poderes que qualquer outro Orixá, mas é respeitado por todos os Orixás e nações como o chefe de família, o grande patriarca;
7. Pai de todos os Orixás, com exceção de Logun-Edé e Iemanjá;
8. A cor branca lhe é instituída por ser a soma de todas as cores, reafirmando o respeito por sua ancestralidade;
9. Oxalá tudo sabe, pois na sua antiguidade, por tudo já passou;
10. É o Orixá irradiador da fé em sentido universal;
11. Comidas de Oxalá não devem levar dendê ou sal;
12. A imagem de Oxalá deve ser mantida em local de destaque no congá de qualquer casa de Umbanda;
13. Na Umbanda não existem coroações de Oxalá. Ele é o pai de todas as coroas;
14. É o mesmo Orixá, seja na Umbanda ou no Candomblé, pois sua essência é a mesma;
15. No Candomblé se divide em dois: Oxaguiã (o moço) e Oxalufã (o velho);
16. Calmo, sereno e pacificador é o principio gerador em potencial;
17. Atua em todos os elementos e vibrações por intermédio dos Orixás;
18. Afasta-se de Oxalá o médium tomado pelo materialismo exacerbado;
19. Dia da semana: sexta-feira
20. Saudação: Epa Babá Oxalá!

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Zé Pilintra é um Baiano ou Exú?

Zé Pilintra é um Baiano sim senhor, por trabalhar muito ligado a linha do descarrego, muitas pessoas confundem sua verdadeira identidade, mas o mistério continua, pois quem poderá dizer se um dia Zé Pilintra não foi um Exú?, não vou confundir você querido irmão, mas muitas entidades em seu campo evolutivo passaram de uma potência vibratória para outra, muitos Pretos Velhos ja foram Baianos, e assim vai, pois não podemos de forma alguma pensar que as entidades não estiveram presentes em outras encarnações.
Então acreditamos que baseado em muitos estudos que a vibração maior de nosso querido Zé Pilintra está no Povo da Bahia, então vamos falar um pouco dessas queridas entidades.
Os Baianos formam esta linha espíritos de pessoas que viveram no Estado da Bahia ou estados do nordeste, próximos à Bahia. Os Baianos trabalham na orientação material ou espiritual, desmancham trabalhos de magia negativa, nos ajudam no desenvolvimento mediúnico, nos assuntos e desavenças matrimoniais, nos assuntos profissionais, etc.
Os Baianos são muito comunicativos e muito brincalhões, usam bebidas alcoólicas e cigarros em seus trabalhos (não fumam os cigarros, fazem defumações com eles). O Baiano depois de um determinado período de comparecimento aos trabalhos, transforma-se em verdadeiro amigo e confidente e neles depositamos imensa confiança. A origem dos Baianos é normalmente a Quimbanda e são grandes conhecedores do que por lá é praticado. Usam hoje esses conhecimentos no combate direto as forças do mal, desmancham feitiços, quebram demandas, etc. Nunca andam sozinhos, o que os torna poderosos no combate ao mal.
Os Baianos são poderosos aliados da Umbanda e grandes amigos de seguidores ou praticantes do culto. Eles ajudarão qualquer pessoa em tudo o que for permitido praticar em nome de Deus, eles estarão sempre ao seu lado, desde que você não tenha má índole. Quando uma pessoa não é correta e os procura pedindo ajuda, vão ouvir deles o que não gostam de ouvir. Baiano não tem osso na língua, o que ele tiver que falar a uma pessoa, ele o fará, goste a pessoa ou não. O objetivo dessa conduta é apenas um, ajudar aos homens a andar direito na vida. Baiano de terreiro, como é chamado, "não pactua com vagabundos". Ao menos os Baianos verdadeiros agem dessa forma, não fazem conchavos de qualquer espécie.
A Linha dos Baianos sempre foi para nós de um valor imenso, a amizade que sempre demonstraram, os puxões de orelha que sempre nos deram na hora certa, corrigindo nossos defeitos e nossa conduta e as provas que sempre nos deram, sempre aumentaram a nossa fé, enfim: aos Baianos devemos muito.
Entre eles, existe uma amizade muito grande, um é irmão do outro. A Linha dos Baianos não é propriamente só dos Baianos. Os espíritos com conhecimentos de magia que viveram nos estados do nordeste também comparecem na linha dos Baianos, embora não tenham vivido sempre na Bahia.
Como exemplo, há alguns anos foi trazido a um trabalho de Baianos, uma entidade que se apresentou como Salustiano, nitidamente um espírito de evolução mais baixa, que informou ter sido um cangaceiro, nascido na cidade de Exu, em Pernambuco. Porém, essa entidade embora não seja um baiano de origem, trabalha no meio deles e deixou isso claro cantando o seguinte ponto:

    “O meu pai foi do tumbeiro e me criou lá no cangaço,
    Na cidade de Exú terra que dá muito macho
    Me chamo Salustiano e eu sei bem o que faço
    É na linha de Baiano, vim aqui corta embaraço”

Essa é a prova que nem todo Baiano que se apresenta como tal, viveu na Bahia, podem ser pernambucanos, alagoanos, cearenses, etc. Uma coisa só lhes é peculiar: todos eles quando encarnados eram praticantes da magia negativa. Hoje usam esses conhecimentos para combater o mal, valendo-se da inversão dos pólos.
Consideramos a linha dos Baianos, não somente uma linha de trabalhadores amigos mas sim, uma das linhas mais fortes que existe na Umbanda. Não conhecemos feitiço que não desmanchassem, não constatamos situação que não resolvessem.

Que a Divina Luz esteja entre nós

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Os Perigos e Consequências da Mediunidade Mal Orientada

A falta de doutrina e de comprometimento que existe, em muitas casas espiritualistas, coloca em risco a saúde física e psicológica dos médiuns.
Para se ter idéia, há casas que iniciam qualquer pessoa que tenha vontade em trabalhos de desenvolvimento mediúnico de incorporação.
E as pessoas que começam a frequentar os trabalhos, por não terem a menor noção do que é certo ou errado, se submetem.
Na verdade, existem casos em que a mediunidade de incorporação nunca vai se manifestar porque o médium deverá desenvolver outras formas de mediunidade.
Consequentemente, tentando fazer incorporar quem não deve, surgem atrapalhações de toda ordem.
A mediunidade deve ser desenvolvida de forma progressiva e individualizada, e o bom desenvolvimento do corpo mediúnico depende muito da firmeza e da competência do chefe encarnado do grupo e do espírito dirigente dos trabalhos.
Na Terra, a esfera material das diversas formas de religião é conduzida pelos encarnados, o que inclui a organização das casas, a orientação das pessoas e até a redação dos textos que explicam os fenômenos espirituais.
É justamente por se tratar de “coisa de humanos” que a religião muitas vezes é deturpada.
Se os espíritos de luz pudessem atuar sozinhos, várias situações inoportunas deixariam de acontecer.
Mas os trabalhos religiosos na Terra precisam da união do plano físico e do espiritual.
Sem o fluido animal dos médiuns, não é possível para os espíritos atuar em nosso nível vibratório.. Daí a grande importância dos médiuns e também da assistência nos trabalhos religiosos.
Quando um dirigente religioso, independente da linha em que trabalhe, se deixa envolver pelo ego, passa a acreditar que é dono-da-verdade e, o que é ainda pior, que é dono das pessoas sua mente se fecha para as orientações do plano espiritual que deveriam orientar sua conduta, porque sua vontade passa a ser mais importante.
Quando o chefe dos trabalhos “se perde”, os espíritos não compactuam com os erros cometidos, mas respeitam o livre-arbítrio de todos. Ficam à parte, aguardando que a situação se modifique para novamente poderem trabalhar com seus médiuns.
As pessoas não ficam desamparadas, mas os espíritos não compactuam com o ego. Há trabalhos que, irresponsavelmente, surgem em função da vontade que têm algumas pessoas de dirigirem grupos. Se uma pessoa resolve iniciar uma sessão, a responsabilidade é dela. Os seus protetores não vão puni-la por isso, mas toda a carga que surge em função dos trabalhos vai ser também responsabilidade dela.
Surgem, em função disso, muitas complicações, para quem dirige e para quem é dirigido. Portanto, não bastando atrapalhar a si mesmo, o chefe deverá arcar com as consequencias do que provoca para o corpo mediúnico de sua casa.
O mesmo vale para quem decide que vai prestar “atendimentos espirituais” ou outros tipos de “trabalho” relacionados, sem as devidas proteções que só uma casa, com os devidos calços, pode ter.
Toda aplicação do dom mediúnico deve estar sobre a proteção de uma corrente espiritual e de uma chefia realmente capacitada.
Infelizmente, em muitas casas sem boa direção espiritual, exerce-se o hábito de desenvolver a mediunidade em pessoas obsediadas, causando-lhes desequilíbrios ainda piores do que a própria obsessão.
São pessoas que, estando claramente doentes, são levadas a abrirem seus canais de mediunidade, irresponsavelmente, a fim de supostamente se curarem.
A pessoa perturbada chega nos trabalhos e é aconselhada a desenvolver… porque tem mediunidade. Deveria procurar entender o que acontece consigo, através da doutrina, e não sair procurando um lugar para “desenvolver” Situações como essa, ocorrem devido ao pouco conhecimento doutrinário dos dirigentes das casas e até dos médiuns que dão consultas, acreditando que estão falando pelos espíritos.
A mediunidade perturbada pela obsessão não merece incentivo.
No aspecto patológico, existem aqueles que, por desequilíbrios neurológicos, se comportam como vítimas de processos obsessivos.
Nestes casos, também é inoportuno o desenvolvimento das faculdades mediúnicas.
Mentores espirituais de casas honestas cuidam de tratar desses processos obsessivos até que os fenômenos cessem, e o enfermo, curado, possa retomar suas atividades normais e, quem sabe, desenvolver sua mediunidade.
Tudo está muito bem, se o médium está preparado, saudável e consciente de que desenvolver a mediunidade é o que realmente deseja e de que realmente precisa.
Por outro lado, se a pessoa está desequilibrada, doente, desenvolvendo algo que nem sabe exatamente o que é, possuir um canal aberto será algo muito perigoso.
Em ambos os casos, haverá a possibilidade da comunicação com o mundo dos espíritos, e um médium despreparado não vai saber identificar, nem filtrar,mensagens boas de mensagens oriundas de espíritos obsessores.
Por isso, desenvolver a mediunidade em quem não está preparado permite que as obsessões se manifestam pelo canal mediúnico que foi aberto, ocasionando demências em diferentes graus.
A mediunidade não é causadora da enfermidade ou da loucura. É o seu desenvolvimento indevido que permite que um espírito obsessor dela se utilize para instalar, na mente de sua vítima, a enfermidade mental.
Pensar na mediunidade como causa desses distúrbios seria o mesmo que culpar a porta de uma casa pela entrada do ladrão. A porta foi somente o meio ou a via de acesso utilizada para a realização do furto, por negligência e desatenção do dono da casa.
Precisamos também conhecer a fadiga mediúnica. O exercício da mediunidade provoca perda de fluidos vitais do corpo do médium e tende a esgotar os seus campos energéticos. Por isso os dirigentes capacitados dedicam especial atenção e cuidado para com os médiuns iniciantes.
É comum encontrar médiuns desequilibrados, atuando em grupos espiritualistas, onde incluem-se até mesmo os brandos trabalhos de mesa kardecistas.
Em alguns casos, o descontrole psíquico pode levar o indivíduo à loucura,principalmente no caso das pessoas predispostas ao desequilíbrio.
Convém que o dirigente espiritual esteja atento à conduta dos médiuns, para perceber indícios de anormalidade.
Mediunidade é uma atividade psíquica séria, e a ela só devem se dedicar pessoas que se disponham a ter conduta religiosa, ou seja, uma moral sadia e hábitos disciplinados.
A prática da mediunidade em obsediados é capaz de produzir a loucura.
A irresponsabilidade e incompetência de dirigentes nos critérios de admissão e instrução de seus trabalhadores pode culminar em demência. Basta imaginar a situação em que uma pessoa obsediada é submetida a entidades hipócritas.
É fácil imaginar que se estabelecerá um processo de fascinação que pode culminar em demência.
Lembremos que a humildade, a dedicação, a paciência e a renúncia são os caminhos do crescimento mediúnico.
O orgulho e os maus espíritos são seus obstáculos.
A mediunidade, assim como todos os dons, possui dois lados.
Se, por um lado, é fonte de abençoadas alegrias; por outro, pode ser também de profundas decepções.
Mas isso nunca deve ser motivo para que alguém desista de desenvolver a sua mediunidade, de cumprir a sua missão, pois ela é simples e gratificante na vida das pessoas que a abraçam como missão de serviço nas legiões do Grande.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Planeta de Regeneração?

Quem estuda o espiritismo ou o espiritualismo, desde sempre escuta que vivemos num mundo de expiações e provas, e um dia rumaremos para uma “promoção” como Planeta de Regeneração.
E se formos pensar muito, nosso planetinha mais vai parecer um vale de lágrimas….
São as devastações que ocupam as primeiras páginas. “El Niño” e “La Niña” nos últimos anos têm se alternado como coadjuvantes de catástrofes, embora se saiba, mas não se fale muito, que as áreas afetadas geralmente são superpopulosas, sem infraestrutura, condições de construções muitas vezes luxuosas, mas precárias, invasão de matas naturais, aterramentos indevidos, etc, etc….
Se fala muito em seqüestros, mas quase não se sabe dos heróis anônimos que evitam vários, ou se empenham nos resgates, nas devoluções das pessoas. Fala-se muito em aumento do consumo de drogas, mas não se enaltece aquele que teve as mesmas chances de se tornar um adicto ou traficante, e no entanto segue, tranqüilo, limpo, trabalhando dentro de suas possibilidades, sem reclamar, sem pedir dinheiro, sem extorquir. Quantos arriscam suas vidas diariamente por causas nobres e ninguém vê, porque estão vendo os que arriscam a vida como espetáculo pessoal, isso dá mais Ibope.
Tivemos o episódio dos mineiros do Chile, exaustivamente expostos depois nos jornais e televisão. E os voluntários que lá estavam para auxiliar o resgate? Nas guerras, quem traz notícias da ação da Cruz Vermelha? Quem ouve falar nas incríveis ações diárias que ocorrem nas regiões menos privilegiadas no mundo pelos participantes de um projeto chamado “Médico Sem Fronteiras” ?
No mundo temos visto ainda espetáculos de xenofobia como o que ocorreu há poucos dias no Texas, Estados Unidas, onde suspeita-se que o rapaz desequilibrado que atirou para tantas pessoas, adultos e crianças teria um objetivo de ferir pessoas de origem semita….Mas onde estão as reportagens das pessoas que vem de outros países ao Brasil, ou mesmo brasileiros, comprando terras depauperadas, recuperando-as e reflorestando-as? Quem conhece o “Projeto Carbon“?
Por que nos horários nobres, nas novelas e jornais, e demais programas, ninguém vem falando em Desenvolvimento Sustentável? A maioria pensa disto como uma volta ao modo de vida rústico e desconfortável….
Sim, ainda hoje só por esbarrar levemente em uma pessoa, recebi um tal olhar de raiva descabida, quase ódio, e tenho certeza que a pessoa não ouviu meu pedido de desculpas, e fora ela que estava distraída e colidiu contra minha sacola de inocentes pães!….Pouco antes me encontrava triste pela notícia de seqüestro de um menino de 4 anos, embora a policia tenha conseguido resgatá-lo, e do assunto seguiu-se uma conversa que deve ter durado horas…
Mas não é conversa comum nos balcões da padaria, durante aquele cafezinho de meio de tarde, sobre os jovens, quase adolescentes ainda, que se movimentam pelas noites distribuindo roupas e alimentos para os moradores de rua. Não censuram, não se ofendem, não ficam de não-me-toques, pois seu objetivo é amparar e apaziguar-lhes a fome.
E nos finais de semana ainda encontram tempo para animar as tardes em orfanatos, levando abraços e beijos grátis, em explosões de afeto e carinho despreocupado , bem de acordo com a vitalidade destes jovens bem orientados.
Com o mesmo empenho, pelas noites e madrugadas, encontramos anonimamente os protetores de animais, multiplicando seus salários apertados em rações e medicamentos para cães e gatos colocados à míngua por quem ainda não sabe ter responsabilidade…
Expiações… Provas…. Regeneração…. Eu acredito que estamos vivendo um início de transição, uma Nova Era que já está acontecendo ao nosso redor. A “lenda” de 2012 não me afeta. Estou ciente de vulcões em atividade (na verdade estão refazendo as camadas de ozônio), do descongelamento, história sobre engarrafar comercialmente a água do degelo (sim, a Índia, ameaçada pela falta de água potável, estaria fazendo planos de construir uma empresa de exploração da área de degelo. Esta noticia desapareceu dos noticiários, e é arrepiante…), mas eu acho a palavra REGENERAÇÂO uma das palavras mais lindas, em todos os sentidos. Por isso, eu continuo na torcida por ela….

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Mediunidade e os Jovens - Algumas observações

O despertar da mediunidade, pode ocorrer em tenra idade, onde não é incomum a criança que seja feliz, e em família equilibrada, ter experiências visuais, ver amigos familiares espirituais, mesmo conversar com eles, ou ter lembranças vívidas da última encarnação, citando nomes, datas, até em outra língua que não a sua atual de origem.
Bem orientada, ela conseguirá lidar com isso,aos poucos percebendo que as outras crianças ao redor, não têm as mesmas interações, e a partir dos 7 anos geralmente isso se ameniza, podendo aflorar novamente na adolescência ou em qualquer momento da vida adulta.
Outras crianças, porém, cuja mediunidade se manifesta cedo, podem estar em lares desequilibrados ou seus familiares pertencem a religiões radicais em relação a fenômenos espirituais, ou suas vivências podem não ser agradáveis, através de visões que causam medo,ou constantes adoecimentos.
Estas crianças, provavelmente não encontrarão amparo na medicina convencional, sentindo-se mais confortáveis com terapias complementares e vitalistas, como a Homeopatia, Acupuntura, Florais, Cromoterapia, Reiki e outras. Com certeza também serão muito aliviadas com passes, água fluidificada, e, além disso, seria conveniente acompanhá-las, se possível com a conjunta orientação dos pais quanto à necessidade de manter-se a firmeza e disciplina moral, para que a espiritualidade protetora possa atuar de forma mais abrangente.
Na verdade, todos deveriam ser orientados e cultivar uma vida espiritual, ter uma crença, uma compreensão além da matéria, pois facilitaria muito caso houvesse uma eclosão repentina da mediunidade. Muitos adolescentes passam por provações espirituais, como transtornos de humor, que se agravam com as oscilações hormonais, com picos descontrolados de alegria e tristeza, baixa auto-estima, orgulho, raiva, apatia, etc. Se as portas da sua mediunidade estão abertas, eles poderão ficar à mercê de entidades hipnotizadoras e vampirizadoras. Há poucos dias tivemos notícia em jornal, sobre Clínicas no Japão de recuperação de jovens viciados em Vídeo games. Os bons espíritos vêm informando que as colônias trevosas vem cada vez mais utilizando a inteligência como recurso para a produção de vídeo games cada vez mais violentos e deturpadores da verdade, das noções de Bem e Mal. Isto não é fanatismo, nem absolutamente se estende a todos os jogos, mas quem tem um jovem em casa, alucinado por dias diante de uma tela de computador, sem sair de casa, ver o sol, amigos, sem comer ou dormir direito, saberá do que estou me referindo.
Ações super-protetoras, até piedade e excesso de condescendência podem agravar o quadro, ao contrário de mais disciplina e bom senso.
Muitos jovens se perdem porque se tornam joguetes de verdadeiras gangues espirituais e ninguém percebe. Allan Kardec já avisava que somos muito mais influenciados pelo mundo espiritual do que possamos sequer imaginar.
Aqueles que tiveram uma formação moral e religiosa sólida estarão muito mais fortalecidos para compreender e combater em si estas tendências obsessivas, fruto por sua vez, de verdadeiras obsessões vindas de outros planos. E em outras ocasiões, os pais conseguem o discernimento para buscar ajuda espiritual, quando notarem que as atitudes do (a) filho (a) estão fugindo o controle.
Há também aqueles que conhecem sua mediunidade, estão conscientes dela e de quanto seria importante desenvolvê-la em prol da caridade ao próximo e resgate de suas próprias faltas passadas, mas, no entanto, porque não querem assumir compromissos, se acham jovens e com a vida pela frente, ou consideram-se já assoberbados pelo mundo material, alegam não ter condições ou tempo, para umas poucas horas semanais em um Centro Espírita , Terreiro de Umbanda, ou Igreja.
Podem sofrer muitos desacertos na vida e terminam em dizer que não são agraciados pela sorte. Sabemos que especialmente aqueles que têm de andar nas fileiras umbandistas, são dos mais solicitados e sofrem bastante quando decidem não seguir os chamados das Forças dos Orixás.
Mediunidade não é um castigo, nem faz ninguém especial ou diferenciado. Todos têm em menos ou maior grau, porém para alguns, seria conveniente desenvolvê-la na atual encarnação, para poder dar prosseguimento em sua caminhada, resgatar dívidas, corrigir erros e aperfeiçoar seu aprendizado, sua sensibilidade e seus sentimentos d’alma.
É preciso saber que mediunidade NÂO é espetáculo, não é show de manifestações, não é leitura de sorte, previsão de futuro, trabalhos encomendados, modificar o destino das pessoas, comandar o bem e o mal, ultrapassar o livre arbítrio de quem quer que seja.
A trajetória pessoal de um médium é constante e nunca termina. Sempre haverá necessidade de burilamento, de harmonia com os mentores e guias, muitas e muitas situações onde haverão testes, em muitos dos quais se fracassa e fica a lição dolorosa. Mas deve-se prosseguir sempre, com uma imperiosa necessidade de se despir do orgulho, egolatria, desejos.
Cada um aprende suas lições quanto a isso, chegando à conclusão que cada um tem o que precisa o que plantou e vibrou não necessariamente o que se deseja. Infelicidade e depressão hoje em dia é muito fruto disso. Excessiva oferta de coisas, sonhos e atitudes, os quais na sua maioria, não são atendidos, e logo já aparecem outros tantos. Se não estiver provido de Equilíbrio, Auto conhecimento e Objetivos é certo a instalação de depressões e outras prisões espirituais, que muitas vezes envolvem irmãos que certamente não querem que o Bem prevaleça.
Os médiuns que se deixam encantar por falsos espíritos elevados, vão vibrando cada vez mais baixo, acabando por afastar os espíritos de verdadeira Luz…
Não estamos fazendo apologia à fuga do jovem ao desenvolvimento da mediunidade. Pelo contrário, as palavras são fruto da necessidade de fazer um alerta, mostrando que tem de ser guerreiro, com coragem, desprendimento, sobretudo Fé e Compreensão que é o caminho da Caridade, da Paciência, do Estudo, do Burilamento e Conquista do Eu, que na verdade vai conduzir à verdadeira Felicidade e Bem Estar!
Quem já teve a experiência sabe que minutos de um verdadeiro contato com um espírito iluminado, bastam para manter acesa a Luz do Buscador sincero, e não depende da religião, embora estejamos falando quase o tempo todo de Umbanda, para estas experiências ocorrerão em qualquer crença, em qualquer lugar do Mundo.

Estejam todos em Paz!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Sólido como uma rocha

 Mesmo sem jeans rasgados, sua figura aos dez anos de idade era desleixada. Nenhum dos seus colegas da quinta série conhecia alguém mais mal vestido e sem educação do que Marco. Era seu quinto dia de escola numa tradicional cidade de famílias ricas da Nova Inglaterra. Os pais de Marco eram imigrantes que trabalhavam na colheita de frutas e os colegas o olhavam com desconfiança. Apesar de cochicharem e rirem de suas roupas, ele parecia não notar.
Então veio a hora do recreio e do beisebol. Marco fez o primeiro ponto, o que lhe valeu um pouco de respeito por parte dos críticos dos seus trajes. O próximo a rebater era Richard, o menos atlético e mais obeso da turma. Depois da segunda tentativa frustrada de Richard (recebida com reclamações da torcida), Marco cochichou em seu ouvido:
– Esquece eles, garoto. Vai lá e bate.
Richard bateu e acertou. Nesse preciso momento, alguma coisa mudou na atitude da classe. Nos meses seguintes, Marco ensinou muitas coisas aos colegas. Coisas como saber se uma fruta estava madura, como chamar o peru selvagem e, principalmente, como tratar as pessoas.
Quando os pais de Marco terminaram seu trabalho naquela região, a classe já estava em clima de Natal. Enquanto os outros alunos traziam echarpes finas, perfumes e sabonetes, Marco chegou à mesa da professora com um presente especial. Era uma pedra, que ele entregou, dizendo:
– Dei um polimento especial.
Anos mais tarde, a professora ainda conservava a pedra de Marco em sua mesa. No começo de cada ano letivo, ela contava à nova classe a história do garoto que ensinou a ela e aos colegas a não julgar o conteúdo pela aparência. Pois o que está por dentro é o que conta.

Você não está só – Histórias de amor e coragem
Jack Canfield, Mark Victor Hansen e Barry Spilchuck
Ediouro

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A Segunda Morte

Entre os espíritas, o termo “Segunda Morte” frequentemente surge. Na verdade, é um termo onde não se colocou melhor significado, já que quem abraça as verdades espiritualistas, não acredita numa verdadeira morte.
O Fluido Universal especializado, que vivifica as células que constituem um ser vivo, em algum momento volta a sua origem, em conseqüência da morte física. Cada um vem como que com um “selo de validade”, para durar um determinado tempo. Este pode ser prolongado ou abreviado , devido ao próprio arbítrio e que uso faz do corpo físico, como pode ocorrer que este tempo seja também modificado por Ordem Maior, caso o indivíduo tiver se superado em sua Missão na Terra, ou se tiver se complicado de tal maneira que perca a proteção que o Bem fornece a cada um, e se enredar nas teias do “Outro lado da Força”. Uma coisa é certa. Ilude-se quem acha que está no “mundo real”, se aborrece e briga por coisas que acham de infinito valor, no campo da matéria. As verdadeiras lutas, as verdadeiras decisões, a verdadeira Vida, não se encontra aqui.
Mas há um outro tipo de Energia Vital (ou Fluido Universal), que seria parte indestrutível do espírito, ou da personalidade-alma, como se referem alguns místicos. È uma parcela do Todo, e esta, com certeza é indestrutível e inalienável, imortal.
Na verdade, é difícil para nós, tanto aceitar os conceitos de morte, como também a própria imortalidade. Cada um deveria utilizar parte de seu tempo livre tentando achar sua interpretação particular sobre estes aspectos.
Há duas visões onde se reflete sobre a Segunda Morte. A que tem sido mais comentada é aquela onde o espírito pouco a pouco foi deteriorando seu perispírito, através de maus pensamentos, más intenções sobre o outro, pensamentos que se materializam, de ódios, vinganças, ressentimentos, desamor, ou pensamentos autodestrutivos, que foram se cristalizando até que ocorre alguma forma direta ou indireta de suicídio.
O perispírito é o envoltório do corpo físico, também chamado de corpo etérico, e que se liga ao espírito e o acompanha após o rompimento do cordão de prata, determinando o término da existência física. O perispírito é um verdadeiro molde do organismo físico, tendo a aparência do ente encarnado, mas feito de uma matéria plástica, quintessenciada, que pode ser modificada de acordo com o comando da mente que pertence àquele espírito específico.
O perispírito acompanha o espírito no desencarne, quando se rompe o cordão de prata. Quando esta mente emite continuamente pensamentos desagregadores, destrutivos, ligados às desventuras do ser desencarnado, o perispírito pode ir perdendo sua vitalidade, por descuido próprio, ou pelo assédio dos numerosos vampiros astrais que se aproximam onde houver restos de vitalidade desprotegida. A desproteção é resultado de perda do contato do espírito desencarnado com seus guias e protetores, porque perdeu a conexão vibracional. Seus pensamentos abaixaram tanto o diapasão vibracional que os espíritos amigos e protetores não mais o alcançam e assim fica à mercê dos delinqüentes do mundo astral.
A situação pode atingir tal estágio, que desagrega a estrutura molecular quintessenciada do perispírito e o mesmo vai por um trajeto de involução que acaba na chamada Segunda Morte, onde se tem apenas ovóides, numa situação de doloroso e prolongado resgate.
O espírito que está enclausurado no perispírito involuído, capturado por suas próprias formações mentais destrutivas e sombrias, acaba perdendo também o raciocínio e mesmo o arbítrio, ficando à mercê, se não for resgatado rapidamente, de entidades malévolas que usam Magia para o mal, através dos mesmos. Isto já foi comentado por André Luiz através de Chico Xavier, por Ângelo Ignacio através de Robson Pinheiro, Ramatis através de Norberto Peixoto, Adamastor através de Gilberto Freire, entre outros.
Mas, espiritualistas ligados ao Oriente, e à Fraternidade Branca, e também no livro chamado “Ícaro Redimido”, pelo acima citado Adamastor, através da mediunidade do médico homeopata mineiro Gilberto Freire, chamam também de Segunda Morte outra situação. Seria no caminho oposto, quando o espírito vai cumprindo sua missão de trabalho e resgate no Mundo Maior, adquirindo cada vez mais benesses através de trabalho profícuo no Bem, no Caridade e no Amor, adquirindo concomitantemente Sabedoria e Conhecimento, chega num ponto de evolução, em que as vestes espirituais fornecidas pelo perispírito não mais são adequadas, e estes vestígios de matéria, se bem que muito fluidas e invisíveis para nós, tornam-se densa e pesada bagagem para este espírito que ruma sua ascensão. E aí ocorre que ele perde a forma o molde, e entra no que se chama “Segunda Morte”. Na verdade este espírito passa a ser LUZ.
Temos que sempre pensar de acordo com o que nos deixou o brilhante Einstein. Tudo é relativo. Os degraus da grande escada evolutiva são infinitos e fogem à nossa percepção. A Luz tem matizes incontáveis, e quando o médium vê clarões de Luz, pode ter tido a benção de ver um espírito em sua forma mais evoluída, numa rara viagem aos patamares Superiores do Mundo Espiritual. Também estes espíritos podem chegar até nós, de acordo com sua vontade, mas na maioria das vezes eles usam recursos, como projeção mental de formas, ou utilizam-se, sem nos esgotar da energia para moldar formas, imagens, sons. È sofrido para eles voltar à nossa ambiência pesada, que deve ser como um charco cheio de miasmas para a sua qualidade vibratória.
Acrescente esse pensamento, quando imaginar o espírito de Jesus, durante trinta e três anos convivendo conosco sobre crosta terrestre, que dificuldades, e quantas vezes as escrituras relatam que ele precisava se retirar e ficar absolutamente só, provavelmente para se reorganizar e ter forças para continuar. Pensemos ainda como ficou o Mundo Maior com sua ausência durante este período, embora eles não tenham o tempo como algo pontual como a gente, mas na verdade a sua vinda equivaleu a morte do lado de lá, quando veio para nosso Planeta. Algo que podemos entender, se lemos o “Pequeno Principe”, de Exupery, quando jovens.
Deveríamos então, a partir destas considerações, viver a Vida como uma grande Missão de construção e aprendizado, esperando “passar de ano” ao se esgotar nosso tempo de validade, e todos comemorarem com cores e o branco, e não o negro do luto, pois a saída desta Vida, para quem a soube fazer valer, corresponde na verdade a um grande renascimento do lado de lá.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

A Cromoterapia na Umbanda



I) INTRODUÇÃO

A utilização a cor em qualquer religião, ou melhor em qualquer processo mágico remonta aos tempos mais antigos. A luz é uma vibração energética, da mesma forma que as vibrações mais sutis empregadas na Magia. È perfeitamente sabido da utilização das cores nas mais diversas áreas do conhecimento.

Hoje em dia, o processo de planejamento de hospitais, como foi o caso do Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da tijuca, obedece às técnicas de cromoterapia.

Desde a mais remota Antiguidade, o ser humano vem fazendo uso da cor com as mais diferentes aplicações. Recentemente, uma grande pesquisadora sueca, desenvolveu uma técnica de harmonização baseada na aplicação das cores com o nome de aura-soma.

Os egípcios da Antiguidade, povo de origem da nossa querida Umbanda, sabiam perfeitamente utilizar as cores nos seus diversos rituais. Por exemplo, quando um sacerdote fazia uso decores nos seus lábios ou nos seus olhos, o fazia dentro de uma rígida técnica cromoterápica. Quando embalsamavam seus mortos utilizavam, também, as cores adequadas ao ritual.

Assim, foi se difundindo todo o estudo desta grande ciência, que aliada ao uso da radiestesia, ou seja, o pêndulo, nos ajuda tanto na realização de nossos rituais.

II. AS CORES E A UMBANDA

Fazendo agora um, paralelo entre a Cromoterapia e a Umbanda, iremos verificar um perfeito casamento entre a religião e a ciência ( sim, a Cromoterapia está fundamentada em conceitos científicos).

Iremos verificar que a exuberância de cores nos rituais Umbandistas têm seus fundamentos no estudo da Cromoterapia.

A seguir, farei uma abordagem de cada Orixá, sua cor e seu significado. Antes porém, cabe-nos lembrar que o Orixá é uma vibração, da mesma forma que a luz. Quando utilizo as cores de um dado Orixá para um trabalho de Magia, é como se estivesse utilizando das mesmas vibrações coloridas da luz para a mesma finalidade.

OXALÁ


Iniciando por Oxalá, Orixá da Paz, da Harmonia e do Amor. Suas cores são o branco e o dourado. O branco representando muito bem a paz evocada por este Orixá e o dourado a vibração luminosa que faz a conexão perfeita com a Divindade. Que outro Orixá não traduz melhor esta conexão divina ?

OMULU

O preto e o amarelo. O preto simboliza o retorno. È Omulu que faz este retorno através do mundo dos mortos. O amarelo é a mente. Poder mental que unido a este retorno, realiza todas as mudanças necessárias à nossa vida. Omulu é o grande Senhor da Transformação, daí muitas vezes, sua representação estar calcada nas cores roxo e amarela. O roxo é a maior vibração de transmutação que pode ser sentida. Omulu transmuta todas as nossas dores em alegria , a doença e saúde.

YEMANJÁ


No azul temos a mais perfeita tradução das deusas femininas. Yemanjá é o símbolo maior da força feminina. Todas as grandes deusas ostentam a cor azul, uma vez que esta cor é considerada a mais feminina de todas as cores. O azul, que da mesma forma que a mãe, acalanta e aconchega. No branco, a Paz. Assim, se faz a união perfeita da Paz com o Amor da grande Mãe, resultando na fertilidade evocada por este grande Orixá.

NANÃ

A senhora da transcendência espiritual e das transformações está muito bem expressa no roxo e no lilás, suas cores. Nanã faz a ligação com os diversos planos da espiritualidade, da mesma forma que o lilás. Enquanto isso, o roxo irá transmutar todas as dores e preconceitos para que a mente, liberada, vislumbre estes diversos Planos.

OSSAYN


O rosa da Harmonia com o verde da cura, Ossayn se traduz na Senhora das ervas e das curas. È necessária a Harmonia para que se encontre os meios de se buscar a cura de todos os males.

OXOCE

No verde a cura e o despertar do outro, o despertar de entender que não estamos sós, fazemos parte de uma grande nação chamada Humanidade. Com o vermelho da coragem, a união perfeita para se alcançar, não só a cura de nossos males, mas também a purificação de nossos corpos quando o branco entra e, pela Paz e Harmonia, realiza a grande Magia alquímica de nossa ligação com os mais altos planos a espiritualidade.

OGUM

È o grande guerreiro universal. È o vencedor de todas as nossas demandas internas e externas. È aquele que abre todos os caminhos para que nossa missão se realize. O vermelho lhe cai perfeitamente, principalmente , quando se une ao branco da Paz, mostrando que suas batalhas não trazem tristezas, mas são coroadas pela vitória de todos os seres humanos.

OXUM

A Senhora do Ouro, como por muitos é conhecida, está muito bem representada pela cor dourada. O dourado da mente que não necessita da força bruta para se afirmar. Oxum é a grande senhora que nos mostra a necessidade de depormos nossas armas, sejam elas revólveres ou posturas e abrirmos nossa mente ao novo. Com o azul índigo representando o poder do querer da vontade férrea, Oxum simboliza com as suas cores a realização de um mundo melhor.

YANSÃ

Sem a energia do coral nada poderia acontecer. È esta vibração luminosa que nos dá a coragem e a determinação para enfrentarmos as mais difíceis situações em nossas vidas. O coral faz com que qualquer energia possa subir, qual um chafariz, e transbordar em luz para todos, Quando se junta ao amarelo, Yansã sabe o momento para a tomada de decisões.

XANGÔ

O marrom da terra traduz perfeitamente esta energia tão mágica que nos dá a sustentação para o resgate de todas as nossas dívidas. Xangô é o grande sábio que traz a Justiça Divina. Junto com o amarelo, harmoniza esta mesma Justiça.

Agora poderemos Iná falar um pouco sobre as falanges:

EXU e POMBA-GIRA

Nas cores vermelho e preto, suas cores básicas, encontramos a melhor tradução para estes seres tão queridos e de tanta luz de nossa querida Umbanda. O preto é o símbolo maior do grau mais elevado que alguém pode alcançar no seu processo iniciatório. O vermelho é o símbolo da vida, da força e da energia. Vermelho e preto, juntos, formam a grande união entre a vida na matéria e o processo religioso, ou seja a união, na matéria, do entendimento da verdadeira vida que nossos olhos não enxergam.

CRIANÇAS

Conhecidos como Povo Cor de Rosa, sua cor básica. È pura alegria, Amor e Harmonia. Ora, que outros atributos não estaria melhor representados por esta cor?